witch lady

Free background from VintageMadeForYou

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vamos Entrar no Poema - com Anne Lieri



Participação de Anne Lieri na seleta "Verseja Brasil" - da qual também participo - da editora Pimenta Malagueta, de Miriam Sales. 



Uma coisa que eu adoro
É brincar de poetar!
Trocar palavras e rimas,
fazer de conta, inventar!

Vamos entrar no poema!
Venha comigo brincar!
Diga se você quer ser:
Flor, estrela ou luar?

Talvez uma andorinha
Com as asas da liberdade!
Ou a brisa bem fresquinha,
Trazendo felicidade!




Um leão ou uma girafa,
Golfinho alegre no mar,
Nuvem que vem e passa,
Menina linda a sonhar!

Um poderoso guerreiro,
Um fantasma para assustar,
Ou um simples mensageiro
Carta de amor a brilhar!

Príncipe em seu cavalo,
Fada, gnomo, duende...
Canção de ninar, embalo!
Uma chama que acende!

Sino que toca suave,
A praça, a matriz, jardim...
Ou uma pequena chave
Do teu coração pra mim!






MARZIPÃ





Marzipã


Surge,
Mistura-se à névoa que sobe
No denso silêncio
Que aos poucos, se encobre.

Um cheiro de nozes,
Um cheiro castanho de avelãs
E marzipã...

Um brilho sutil
De estrela da manhã,
Quase madrugada...

A noite foi longa,
Escura e pesada!...
Surge a deusa estilizada!

Cabelos de fogo,
Pele de romã,
E no hálito, marzipã.

-Manhã!





segunda-feira, 7 de abril de 2014

MORAR & VIVER




Acho que morar é diferente de viver. Moramos em qualquer lugar. Podemos morar em casas, apartamentos ou até mesmo debaixo de uma ponte. Mas viver é diferente: a gente vive aonde se sente bem, mesmo que seja em um parque, caminhando por uma rua ou por dentro de uma floresta. Viver é estar consciente de tudo o que está em volta, é olhar atentamente, sentir-se bem e agradecer. Conheci pessoas que moravam em casas ou apartamentos lindos, mas não viviam neles.

Acredito que o ideal seja encontrar um lugar onde se possa morar e viver, ao mesmo tempo. Na minha vida, já morei em cinco lugares diferentes, mas só vivi realmente em três. Lembro-me da primeira vez que vi esta casa - não tinha intenção nenhuma de comprá-la e nem sabia que estava à venda. Meu cachorro Aleph, durante um passeio, praticamente arrastou-me para esta rua, e chegando em frente ao portão desta casa, ele sentou-se. Olhei para dentro do jardim, e pensei: "Que lugar bacana! Adoraria morar em um lugar assim..." Antes, havia tido alguns sonhos estranhos com uma senhora idosa de quem eu comprava uma velha casa com uma estufa no quintal dos fundos. Meu marido também sonhara com o carro cheio de materiais de construção dirigindo-se para esta rua (antes mesmo de sabermos da existência da casa).

Bem, comentei com uma vizinha sobre a casa que acabara de ver, e ela me respondeu: "Aquela casa está à venda, e eu conheço a proprietária." Ela fez as apresentações, e fiquei surpresa ao ver que tratava-se de uma senhora idosa, mas diferente da que eu vira em meu sonho - ela era morena, e a do sonho, loira. Mas quando ela passou-nos os documentos para que déssemos início à transferência, vi que na fotografia da identidade, ela estava loira: igualzinho a senhora com quem eu tinha sonhado! Descobri que aqui era o lugar que eu queria não apenas morar, mas também viver...

Não tenho uma estufa no quintal dos fundos, mas tenho um Orquidário para cujas estufas eu tenho uma vista da varanda do andar superior da casa. Coincidência?...



A Mentira




A mentira 
É como uma flecha
lançada nos olhos
De quem nela crê.

Negra tinta derramada
Nas águas claras de um lago,
Veneno posto no doce
Oferecido ao inocente.

A mentira
É um prato florido e vazio
Que só faz ter mais fome
Quem dele come.

Ah, mas os que o servem...
Ah, para estes
Serão reservados
Os mais belos quartos
Com vista indevassável
Dos jardins internos
Do inferno.







sábado, 5 de abril de 2014

Pisava em Nuvens







Pisava em Nuvens


Pisava em nuvens de flocos,
Flutuava sempre acima...
Lá embaixo, um mundo de dores
Que jamais a atingia...

Era pura, branca, limpa,
Lábios rosados de mel;
Não conhecia a agonia,
Nem mesmo o gosto do fel...

Da vida, sempre escolhia
O que de mais puro havia,
Não falava de tristezas,
Nada nunca a afligia!

Tecia em volta de si
Pura seda de alegrias,
Fechava os olhos e ouvidos
Para o que fere os sentidos...

Costurava em sua fronha
Material para os sonhos
Que tecia pela noite;
Sempre belos e risonhos!

Não andava: flutuava,
Jamais pisava os espinhos
Que a vida, às vezes, plantava
Pelos áridos caminhos...

Mas um dia, sempre chega
Aquela nuance mais forte
Um tom de dor, uma perda
Perpetrada pela morte!

De negro tingiu-se-lhe a vida
O sorriso se apagou...
Da sua nuvem, caiu,
E de cinzas se banhou!

Os espinhos penetraram-lhe
A sola branca dos pés
Sangrando sua confiança
Diante daquele revés...

As nuvens passavam longe,
E com ela, não sonhavam...
No chão, chamava por elas,
Mas elas nem lhe acenavam!

Seus sonhos morreram todos
De medo e decepção
Ao saber que a dor atinge
Todo e cada coração...

Aprendeu a ser mais forte,
A sonhar com mais cuidado
E a olhar quem percorria
Os caminhos escarpados.



JARDINS DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS






























sexta-feira, 4 de abril de 2014

Direito de Resposta





O espaço onde ambas participamos não dá direito de resposta; pelo menos, aqui, em meu blog, que é um espaço livre, posso manifestar-me. Jurei que não iria mais à sua página, mas você sempre me manda os links das nojeiras que publica, e também mandou-me por e-mail as respostas aos meus comentários naquele texto injurioso disfarçado de poema com o título "Um Beijo pra Você". É sempre assim, já não é a primeira vez que você republica textos retirados pela administração do site trocando os miolos de textos já publicados e mantendo títulos de outros textos mais antigos.Adora afirmar que eu tenho inveja de você e do seu trabalho - como se fosse trabalhoso criar poemas estúpidos com duas sílabas em cada verso, em tercetos. Você se diz tão cheia de luz e de brilho, e no entanto, vive de tentar empanar brilhos alheios e de soltar suas pragas rogadas a mim e a muitas outras pessoas em todos os seus textos; examine-os: grande parte deles contém mensagens direcionadas, humilhando outros escritores e ressaltando o brilho da sua "infinita luz de amor e bondade" (acrescento: luz tão forte, que tornou-a cega e pretensiosa, sempre com a mania de achar que todo mundo tem inveja de você).

Você fala mal dos gordos. Você fala mal de quem sofre e perde pessoas da família. Você sente-se vitoriosa apontando o dedo para as pessoas que estão passando por alguma dificuldade e julgando o quanto elas merecem ou não passar pelo que passam. Mas olha só: todo mundo sofre. Todo mundo passa por maus momentos na vida, e com certeza, você também já passou e passará, e espero que na pior hora, ninguém escreva poemas zombando da morte de seus entes queridos.

Cara senhora lunática, eu não tenho inveja de você. Sabe por que? Você não tem nada que eu pudesse sequer cogitar em desejar. Não troco meus poemas pelas coisinhas que você publica, e afirma que são lindas e cheias de luz. Prefiro meus poeminhas foscos e sem-brilho, pois não escrevo poesia para ganhar dinheiro na internet, como você afirmou que pretende, em um dos e-mails que me enviou. Não te desejo, como você me deseja abertamente naquele post absurdo, nenhum mal ou sofrimento; não é necessário desejar mal às pessoas. A vida se encarrega de trazer a cada um o que merece. 

Quero, de verdade, que você encontre ainda nesta vida um pedacinho de felicidade. Quero que você venda muitos poemas, muitos livros e cartilhas ensinando as pessoas como escrever a sua obra prima (ui,ui...) e que fique famosa, consiga ir ao Fantástico para uma entrevista e torne-se membro da Academia Brasileira de Letras. Desejo também que você se torne o Paulo Coelho feminino da literatura brasileira, e vá trilhar o Caminho de Compostela a fim de encontrar a paz espiritual. Desejo que você seja feliz em todos os sentidos: no amor, na profissão, na vida familiar e na literatura. Te desejo muita saúde e vida longa. Que nem você nem  ninguém de sua família fiquem doentes jamais.

Quero também que um dia você aprenda a rir. Rir de si mesma, do mundo, das vicissitudes da vida. Talvez seja isso o que te falta: alegria de viver. Olhar para as coisas simples e aprender a gostar delas, admirá-las. Porque só quem consegue ser simples pode ser capaz de admirar algo que outra pessoa faça e enxergar além do próprio umbigo  sem sentir tanta amargura.

De hoje em diante, escreva o que quiser e nem se preocupe em mandar-me por e-mail, pois você, a partir de agora, deixa de existir em minha vida. É página virada. Menos que o cocô do cavalo do bandido. Qualquer coisa vinda de você que, porventura, me chegue à caixa de e-mails, será alegremente deletada sem ser lida. Fale mal de mim para seus amigos, conte o que quiser, faça-se de vítima ou de algoz: eu não dou a mínima. Sabe por que? Porque muitas pessoas já me contataram, dizendo que também foram ou são molestadas por você. As pessoas te conhecem bem. E você, sempre tão preocupada com sua imagem de escritora de sucesso, cuidado para não escorregar no quiabo e cair de cara no chão. 

Sem mais para o momento, Feliz Páscoa, feliz natal e Próspero Ano-novo.



A MARIPOSA





O vento me trouxe uma mariposa
Morta
Jogou-a aos meus pés
No chão da varanda.

Ela agora descansa
Na palma da minha mão.

Lá longe, na mata, 
Revoam borboletas amarelas e brancas,
Cantam as cigarras.

Um grilo pequenino
Toca sua leve guitarra,
Não sabe da tempestade
Que é gerada no ventre das nuvens negras.
Um colibri chega bem perto,
De repente,
As asas zunem enquanto ele me olha
E vai embora...

Visita tão breve e tão preciosa!

Tudo é vida, tudo!...
Mas a mariposa me fez lembrar
De coisas que eu queria esquecer.
De repente, fiquei triste,
Começou a chover.





quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pretensão de Encarar o Sol







Poemas do livro Pretensão de Encarar o Sol, presente do amigo Marcelo Braga. Marcelo tem uma escrivaninha no Recanto das Letras (de onde anda ausente), e uma página no Facebook.




Com os Dias Contados 5


Quero meus livros numa estante rústica
Quero minhas roupas num velho baú
Meu cheiro sub indo às narinas invocadas
Cartas amarradas a um elástico
Meus bonés nos pregos da parede
Um dia eles vestiram uma cabeça
Fitas junto a um velho gravador
Quero tudo bem guardado
Deixe que o tempo venha dar seu fim
Continuo então assim mais um pouco por aqui
Não quero teu aviso, chegue de repente!





Anjo de Carne e Ossos

Chegastes criando forte mutação
Muita motivação
Teus gestos ainda desinformados
Membros tão frágeis
És minha vida!
És minhas lágrimas salubres
És mais perfeito que esperávamos
És loucura no ápice das horas
Fenômeno que rouba meu sono
Me fazes querer muito mais da vida
Santo, lindo, coisa mais pura que já vi
Puro, frágil, anjo deitado nessa cama
Anjo de carne e ossos
Digno de muita vida
Como é bom te ver tão próximo
Teu choro, teus braços
És santo!
És lindo!
És frágil!
És vida!

(a emoção de se pegar num hospital um rebento embrulhado)


Música na Casa




Acredito que a música é capaz de influenciar as pessoas e o ambiente por onde circulamos. Adoro música! Para mim, elas são a trilha sonora da vida. E gosto de todo tipo de música: rock, MPB, Pop, clássicas, New Age... mas no momento, ando mais inclinada pelo estilo New Age - Enya, Yanni, Corcciolli... estas músicas tem melodias suaves e calmantes, que quando tocam dentro da casa e espalham seu som pelo jardim, trazem muita paz e harmonia.

A cada situação, seu tipo adequado de música: há música para dançar, para fazer festa em família, para descansar e relaxar, para meditar e para colocar os bichos para fora (nada mais energizante, para mim, do que fazer uma faxina ao som de rock pesado e terminá-la com música clássica e uma varetinha de incenso...). Só não gosto daquelas festas onde a música toca tão alto, que fica impossível conversar com as pessoas. Ora, se é uma festa, um encontro, é para conversar! Música alta eu só gosto se eu estiver sozinha. E nem sempre.

Mas ninguém há de contestar o fato de que a música traz consigo uma energia, e que esta energia fica pela casa até mesmo após ela parar de tocar. apesar de apreciar rock pesado, não gosto daquelas bandas nas quais os cantores só rugem como animais endemoniados. Música tem que fazer sentido. Tem que ter uma letra bonita, ou bem-humorada. Tem que combinar com o nosso estado de espírito do momento. Por exemplo: amo música clássica, mas às vezes, não consigo escutar por muito tempo, pois ela pode me deixar triste.

Bem, mas seja qual for o seu estilo musical preferido, acho que a regra é lembrar que ele pode não ser o estilo preferido dos seus vizinhos ou membros familiares, e que o direito de um termina justamente aonde começa o direito dos outros...



Aos Poucos




Boa tarde a todos!

Imaginem vocês que de repente eu me lembrei que tenho um netbook antiguinho que comprei em 2010 que já não uso há muito tempo e que estava guardado em uma prateleira (achei que nem funcionasse mais), e  através dele,estou conseguindo acessar meus blogs sem problemas, por enquanto.... Por enquanto, vou 'me virando' com ele mesmo... se receberem emails ou indicações para leitura, estarei mandando dele - livre de vírus.


Assim, vou retomando minhas atividades aos poucos, e espero, possa visitar e comentar outros blogs. Longe do ideal - prefiro o desktop com meu telão gigante - mas é o que há no momento...


segunda-feira, 31 de março de 2014

Casa aos Domingos




Antigamente, a casa aos domingos ficava cheia. Era dia de macarronada com purê de batatas, molho de carne moída bem grosso e vermelho, refrigerante... enfim, tudo o que não se deve comer, mas eu não engordava. A gente às vezes colocava a mesa lá fora. Havia música. 

À noite, a melancolia daquela velha vinheta do Fantástico, que até hoje nos persegue.

Mas o tempo modifica as pessoas, afastando-as. As urgências que a vida impõe fazem com que hoje, a casa esteja silenciosa aos domingos. Mas há o jardim, a natureza, e o prazer de descobrir a beleza do silêncio e da quietude. Há as lembranças dos tempos felizes que vivemos - graças a Deus, temos muitos bons momentos a lembrar! E ainda superando tantas coisas que nos aconteceram nos últimos anos, respiramos fundo o ar da nova casa que hoje construímos em  nossas mentes e corações.



domingo, 30 de março de 2014

Mensagem aos Meus Leitores - Importante




Bom dia a todos os que me leem!

Como todos sabem, já comentei que venho tendo dificuldades muito grandes ao acessar meus blogs, tentar comentar outros blogs ou abrir meus emails no Google.  Na maioria das vezes, ao tentar, a conexão cai. O mais incrível, é que se eu tentar acessar qualquer outro endereço na internet, consigo fazê-lo prontamente, sem problema algum. As dificuldades referem-se apenas às minhas contas de Google (e-mails, Google+ e blogger)  ou Facebook.

Já pedi ajuda do Blogger diversas vezes, e não recebi nenhuma assistência que resolvesse o impasse.

No início, pensei ser problemas de conexão, mas após ter minha conexão reavaliada por um especialista e  também pelo meu provedor, que me asseguraram que não há nada de errado com ela, e após pedir à assistência remota de meu programa antivírus para fazer uma varredura total em meu computador-  sem que encontrassem qualquer problema não resolvido de vírus ou malware, concluo que o problema esteja no Google.

Há algumas semanas recebi notificações do Facebook e também do Google reportando tentativas de invasões às minhas contas, e por isso, sempre que desejo exercer atividades na internet, um código é enviado ao meu telefone celular particular, tanto pelo Facebook quanto pelo Google. Na sexta-feira passada, recebi o código. Detalhe: eu não estava tentando acessar a minha conta: o meu computador estava desligado!

Portanto, venho alertá-los que, caso recebam qualquer e-mail em meu nome, não o abram: podem conter vírus. Não faço envios de fotos, vídeos, músicas ou PPSs a ninguém. Também, a partir de hoje, deixarei de indicar postagens de blogs (meus e alheios) pois não sei o que posso estar enviando aos outros usuários ao fazê-lo. Assim que conseguir solucionar o problema, postarei um novo relato, e então poderei enviar, com confiança, indicações para minhas e outras postagens.

Na medida do possível, estarei postando e comentando quando meu computador estiver de bom-humor. Caso o problema não seja resolvido, encerrarei minha conta no Google e abrirei uma nova.

Abraços a todos.

Obs: estou desde 9:50 da manhã tentando fazer este post.


Vale estar Correndo




Allan F. Magrath, no livro Um Brinde à Vida - uma coletânea de pensamentos editados por Lídia Maria Riba - editora VR (Vergara & Riba Editores)


"A cada manhã, na África, uma gazela desperta. Sabe que deve correr mais rápido que o leão mais veloz. Caso contrário, será morta.

A cada manhã um leão desperta. Sabe que deve superar a gazela mais lenta; do contrário, morrerá de fome.

Não importa se somos uma gazela ou um leão: quando o sol sair, mais nos vale estar correndo."



sábado, 29 de março de 2014

Nanquim




Pintaram de negro as tuas memórias,
Encerraram-nas todas em caixas herméticas
Para que fosses esquecida.

As tuas flores,
Todas elas espalhadas pela vida,
Murcham, separadas,
Em jardins secos e mal cuidados.

Pintaram de negro as tuas obras,
Os teus sonhos são vidros de nanquim
-Nada mais resta de ti, é o fim,
Daqueles sorrisos nas fotografias.

Pois hoje, caminhas por uma estrada 
De uma só via, asfalto negro
Por onde nada volta!

O vento que sopra não traz teu perfume,
Apaga-se, aos poucos, o resto de lume
Que te animava.
As tuas feições, já quase esquecidas,
Somem das fotografias...

E os laços que ataste com todo carinho,
Desmancham-se, cortados por espinhos
Que o egoísmo fez crescer.

Pintaram de negro a tua história,
E nesse mar negro, afogam-se tuas palavras,
A voz calada, a garganta em borbulhos,
Teus olhos fechados, 

Tua vida?...

Ao menos tens o dom de ser esquecida,
A dor do viver já não te alcança...
És hoje uma longa e negra trança
Que pouco a pouco, se desmancha...






quinta-feira, 27 de março de 2014

Desafio!





Aceitando um convite para um desafio da colega blogueira Ingrid Flauzino, do blog A VIDA DA GUIDI: SENTE-SE, VAMOS CONVERSAR.


Como funciona o desafio?
Este é um desafio com objetivo de espalhar poesia por aí.
A ideia é publicar um poema e escolher mais 5 blogs para participar. Você deve avisar a cada blogueiro que ele foi indicado.
Pode ser qualquer tipo de poema, de autores conhecidos, desconhecidos, autoral, enfim, sendo poesia tá valendo!


Escolho um poema de Cecília Meireles, minha deusa.


Canto IV


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.


Escolho os blogs de:

1- Lu Cavichiolli
2- Professora Lourdes
3-Ivone
4-Bell
5- Evanir


quarta-feira, 26 de março de 2014

SABEDORIA








Toda sabedoria
Afoga-se num mar de palavras,
E as letras se soltam, desconexas, 
E chegam à praia espalhadas.

Algumas poucas não naufragam
-Boiam e nadam (caladas).





terça-feira, 25 de março de 2014

Nesta Casa







Janelas abertas ao sol e à chuva,
O beijo do vento, o sumo das uvas
Maceradas pelo tempo...

A revoar pela casa,
Lembranças dos meus momentos,
Retratos pelas paredes,
As plumas das minhas asas...

Ecos pelos corredores,
(As vozes das minhas dores)
Elegia à minha vida,
Esta casa me contém,
Contém tudo o que eu amei...

E um dia, eu vou embora,
Deixando vazia de mim
Esta casa, e desintegram-se
Os sonhos entre as paredes,
Desmancha-se o balançar
Tranquilo da minha rede...

E eu ficarei nos quadros, 
Na roupa de cama, o cheiro,
Sobre a mesa, as indeléveis
Marcas dos meus cotovelos,
O meu rosto sobre as flores
De um jardim que morre aos poucos,
Na cadeira de balanço,
Meu fantasma sorrateiro...

Açúcar, Livros e Plantas





Quando eu era criança, todas as pessoas do meu bairro se conheciam, e algumas frequentavam as casas umas das outras - principalmente, os adolescentes e crianças. As portas estavam sempre destrancadas, pois não havia perigo de roubo ou assalto, e quando estava muito quente, dormia-se com as janelas e portas escancaradas. Era comum que minha mãe e as vizinhas chamassem umas às outras para pedir favores, como uma xícara de açúcar ou então fazer um pedido para que olhassem as crianças enquanto a outra saísse. Bem, eram tempos diferentes, em que confiar nas pessoas não era tão perigoso como hoje.

Ontem tive um daqueles velhos momentos de volta; minha vizinha pediu-me uma muda de flor, o que desencadeou uma conversa ao final da tarde; ela do seu lado do muro, e eu, do meu. Falamos de cães, plantas, perdas e jardins. Às vezes, nós trocamos livros, mas acho que estas ocasiões são também uma desculpa para uma boa conversa. Bem, esta é uma desvantagem dos livros eletrônicos: não se pode emprestá-los, e perdemos mais uma desculpa para um bom papo.

Percebi que dentro de nossas casas existem dramas bem parecidos. Todas as pessoas passam por, mais ou menos, as mesmas coisas. Temos medo de ficar sozinhos, de assaltos, de insetos e animais peçonhentos; lembramos do passado e sentimos saudades de pessoas e coisas que não estão mais conosco. Para ela, eu ainda sou muito jovem, apesar dos meus 48 anos (ela deve estar na casa dos 70), embora eu às vezes me sinta muito, muito velha... e talvez ela fique me olhando e pensando no tempo em que tinha a minha idade, e seus filhos eram adolescentes, a casa estava sempre cheia e o futuro era algo bem distante guardado em alguma prateleira empoeirada, no qual ninguém pensava muito.

A tarde morria em lindas cores, entre cantos de pássaros; o cheiro do meu gramado recém-cortado era carregado até nós pela brisa refrescante. Entre os dedos dela, a muda de flor roxa que eu colhera para ela, e as horas murchando aos poucos, como aquela muda de flor...



domingo, 23 de março de 2014

Parceiros

MANIPULAÇÃO

      De todas as formas de interação humana, a mais sórdida talvez seja a tentativa de manipulação. E muitos pensarão, ao ler a primeira fr...