Existem mil vozes na tua cabeça.
Algumas gritam, outras sussurram,
Algumas pedem que tu lembres,
Outras, exigem que tu esqueças.
Existem mil vozes na tua cabeça.
Algumas vivem no presente,
Outras arrastam-se no passado
E estas te acorrentam e te prendem
Ao que deveria ser esquecível,
Àquilo que foi malogrado.
Existem vozes sem sentido,
Algumas, são zombeteiras
Mas não fazem muito ruído,
Só pingam como goteiras
Sobre o teu telhado de vidro.
Existem vozes do futuro
Que cruzam as ruas vazias e escuras
Chutando latas sobre o asfalto
Para chamarem a tua atenção,
Já que não sabem falar alto.
Existem vozes que nem te conhecem,
Mas que nunca te dão paz
Como se fosses o único assunto
Que elas têm como desculpa
Para sobreviverem no mundo.
Existem mil tipos de vozes
Felizes, tristes, caladas, mortas,
Vozes sublimadas, volumosas,
Vozes ferinas e atrozes
Que sofrem de artrose.
Existem as vozes vestidas de intrigas
Que às vezes sopram-te mandigas,
Vozes mendigas, vitimizadas,
Que querem tudo, mas não dão nada.
Existem mil vozes na tua cabeça,
E elas são tantas, e eu me pergunto:
Qual delas escutas, qual delas esqueces,
Quais delas te entendem ou te aborrecem,
E das que te seguem pela rua...
-Qual delas é a tua?


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