terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ah, eu amo Carnaval!!!








Ah, eu amo carnaval! O barulho dos carros de som estourando nossos tímpanos quando passamos na rua, o cheiro de urina nas esquinas e cantinhos da cidade, as pessoas achando que no carnaval pode tudo - e passando a mão nas mulheres ,- ligar a TV procurando por algo legal para assistir e deparar sempre com um repórter aos berros mostrando flashes do carnaval de rua em Recife / Salvador / Rio / Chapecó / Quintos dos infernos! Se eles selecionassem apenas uma cena e a colocassem no ar toda hora, ninguém notaria a diferença.

Ah, como eu amo o carnaval! Praias lotadas, engarrafamentos, arrastões, calor infernal, gente bêbada, axé tocando a todo volume, e "Vamulá galera! É issoaí! Batendo na palma da mão e rebolando até o chão (afinal de contas, carnaval também é funk)!"

E acima de tudo, os milhões de camisinhas que o governo distribui no carnaval - usando o dinheiro dos contribuintes, é claro - para que pessoas que eu nem conheço possam fornicar à vontade nas esquinas das ruas e dentro dos carros que ficam parados à porta das nossas casas. Mas tudo bem, é carnaval!

E o carro alegórico esmaga uma porção de gente, mas tudo bem, vamos tirar esse sangue e essa gente esmagada da pista porque o show tem que continuar, e enquanto isso, a platéia não arreda pé, todo mundo doido para dar entrevista na Globo e dizer o que viu, esmerando-se nos detalhes sórdidos.

Daí eu me lembro que aqui em Petrópolis não tem carnaval há alguns anos. E então, eu respiro fundo, e tenho a sensação de que eu realmente tenho sorte na vida.






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mi-mi-mi de Facebook








Sempre me sinto bastante desconfortável se tiver que publicar alguma coisa na página de alguém no Face, ou marcar pessoas. Só faço se for absolutamente necessário, porque não gosto que o façam comigo. Acho inconveniente. Da mesma forma, não adiciono ninguém a grupos, e se fosse fazê-lo, perguntaria antes se a pessoa estaria interessada, por uma questão de respeito à privacidade e ao gosto alheios. Não acho que todo mundo deva pensar ou agir da mesma forma que eu, mas esta é a forma como eu ajo. 

Por isso, quando em comemorações de aniversário, eu preferia curtir a publicação de alguém, deixando a minha mensagem nos comentários. Daí a pessoa me chama de oportunista por ter feito isso, alegando que eu "Me aproveitei" da postagem de feliz aniversário dela... como se a tal postagem fosse algum exemplo de arte e literatura, e eu estivesse copiando, colando e assinando em baixo.

Mas as pessoas estão muito chatas! Algumas são tão repetitivas, batendo sempre nas mesmas teclas, que fica difícil conviver. Outras, clamam odiar as redes sociais, e alegam participar delas "apenas por necessidade de informar manter-se informado" (olhem-só-o-sacrifíco-que-eu faço-pelo-bem-da-informação-e-da sociedade em geral)- como se esta fosse a única maneira. Elas odeiam as redes sociais, mas estão lá 24 horas por dia, sete dias por semana, sempre reclamando de alguma coisa. Quer gente mais chata do que essas?

Há também aquelas famosas postagens contendo textos absurdos, e no final, "Não partilhe: copie e cole." Não copio. Não colo. Não partilho. Não curto. Não comento.

Quem nunca passou por algo assim no Facebook: "Gente, estou deixando definitivamente o Facebook. Esta é minha última postagem!" Geralmente, este tipo de postagem é acompanhado de muitas carinhas chorosas e comentários do tipo: "Não faça isso, amiga/o! É inveja! Não dê importância!" E se você for checar no dia seguinte, a pessoa ainda está lá... e ficará!

Ou então: "Estou fazendo uma faxina no meu Face, e se você não quer ser deletado, curta esta postagem, copie e cole no seu perfil."   Vá lamber sabão. Vá tomar banho. Pode me deletar. Não curto. Não colo. Não copio. Não comento. Não partilho.

Outra coisa totalmente absurda, é quando compartilham reportagens falsas sobre políticos ou outras pessoas famosas, sem verificar as fontes antes (cinco minutos de Google clarearia qualquer dúvida a respeito da veracidade de uma notícia). Espalham calúnias, geram ódio e fomentam o sensacionalismo.  Este é o tipo de postagem que mais me irrita.

Há algum tempo não permito mais postagens de outras pessoas nas minhas páginas, devido aos folgados de plantão que acham que a página alheia é espaço de divulgação para suas próprias publicações, propagandas políticas, ou local onde podem colocar posts de pessoas doentes ("deixem um amém se você torce pela recuperação dele(a)"), vídeos de animais sendo maltratados e coisas de pior gosto. Mesmo assim, há os que ainda usam os espaços dos comentários nas páginas alheias - ignorando completamente a postagem da pessoa - para colocar verdadeiras reportagens contendo links para seus próprios espaços. Falta de educação e de sensibilidade sem limites! E por mais que a gente apague, eles têm a cara de pau de ir lá e postar de novo, ou então enviam-nos inbox. Estou pensando seriamente em bloquear uma pessoa por isso...

Sem contar os engraçadinhos que pedem amizade - e a gente, inocentemente, aceita - e então começam a enviar mensagens inbox (que são solenemente ignoradas, e caso haja insistência, seus perfis são bloqueados por mim) e então começam: "Olá! Como vai, gata? Tá a fim?" Não, eu não tô a fim. Sou casada, se é que você se importou em olhar no meu perfil, e tenho 51 anos. Não sou gata há pelo menos 30. 

Mas apesar de tantos pesares, ainda considero as redes sociais como algo muito positivo. Através delas, divulgo meus pobres escritos - embora não os empurre goelas abaixo em ninguém. Partilho fotos e fico sabendo o que anda rolando na família. Leio coisas interessantíssimas e fico conhecendo virtualmente pessoas interessantes. Como o mundo aqui fora, as redes sociais estão cheias de gente legal e de gente sem noção. E eu ajo com elas da mesma forma como ajo com os sem noção daqui de fora: deleto e bloqueio.












quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

LEGADO









Te deixo o meu guarda-roupa,
Dele, faça o que quiser.
Deixo também alguns livros,
-Nem todos bons, nem todos lidos,
Outros, tão manuseados,
Que ficaram alguns cílios
Perdidos por entre as folhas.

Não deixo amigos, nem filhos
Que possam guardar memórias;
Sob as pálpebras fechadas,
Daqui, eu não levo nada,
E nada é o que ficará
Da minha efêmera história.

Meus discos, que tanto ouvi,
E o chão que guardou meus passos
Por entre esses corredores:
São eles a minha trilha
Sonora, mas morrerão
Depois de dias, ou horas.

Os poemas que escrevi
E que quase ninguém leu,
São a minha importância,
Representam, na verdade,
O que de verdade sou eu.

Mas quem não os quis ler antes,
Abandonando na estante
As minhas pobres palavras,
Pode bem seguir adiante,
Não entenderá jamais
O que jamais entendeu.

Um passo, e o mundo me esquece,
Um sopro, e eu vou embora
Sem levar saudade alguma,
Só a lágrima fingida, 
O fel da última hora.





domingo, 19 de fevereiro de 2017

Eloquência









A chuva
Faz crescer a erva entre os caminhos
E constrói redondas poças
Que vão ficando cada vez maiores
E cada vez mais intransponíveis.

O vento se cansa
De transportar palavras fracas
Entre diferentes pares de ouvidos,
E as mensagens morrem,
Sem deixar qualquer eco.

Mas as sementes caídas
Displicentemente, das mãos distraídas,
São fertilizadas pela mesma chuva
Que faz crescer as ervas daninhas,
E o silêncio que dorme no vento
Torna-se bem mais eloquente
Do que qualquer palavra.





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Mais um Fim do Mundo







Segundo o astrônomo russo Dyomin Damir Zakharovich, existe um asteróide com mais de um quilômetro de diâmetro vindo em nossa direção ainda hoje. O choque há de causar um tsunami gigantesco que acabará com nossos dias neste planeta. O astrônomo alega que a NASA está ciente deste fato, mas que se recusa a admiti-lo. 

Fico me perguntando o porquê de tantas anunciações sobre o fim do mundo. Quando eu era criança, diziam que o fim do mundo seria no ano 2000, e há algum tempo, em 2012. Muitos ganharam dinheiro vendendo pedaços de terra supostamente seguros, bunkers inquebrantáveis e muitos livros sobre como sobreviver ao fim do mundo - o de 2012. Mas nada aconteceu.

Lembro-me que, naquela época, tive um sonho estranho: ao levar um de meus alunos ao portão, o dia começou a escurecer rapidamente, e chegando lá, ao abrir o portão para deixar meu aluno sair, deparei com um outro aluno esperando para entrar. Eu não o conhecia, mas mesmo assim, senti que não era perigoso. Ele era muito negro, confesso que nunca vi uma pessoa tão completamente negra em toda a minha vida. Tentando comentar sobre a escuridão, eu disse: "Nossa! Parece que temos um eclipse!" E ele, muito sério, me respondeu: "Não é eclipse, é o fim do mundo." Acordei muito assustada.

Fato é que, após aquele sonho - e outros que não convém mencionar aqui - minha mãe adoeceu e morreu, e na mesma época, em outro hospital, tínhamos meu cunhado também na UTI devido a uma cirurgia de coração, e ele ficou por lá, entrando e saindo da UTI durante seis meses. Meu marido também ficou muito doente na época, e uma de minhas irmãs quebrou o pé. Foi um período muito difícil para todos nós. Quase como o fim do mundo. No meu site no Recanto das Letras, sofri vários ataques vindos de duas pessoas que me ameaçaram de todas as formas - uma delas, faleceu logo depois -, também na época em que estava vivenciando tudo aquilo na minha família.

Mas o mundo não acabou, e nós sobrevivemos. 

Acho que no fundo, as teorias de fim de mundo existem porque as pessoas estão desencantadas. Elas gostariam que alguma coisa grande acontecesse e mudasse o rumo das coisas, mesmo que isso significasse a extinção de outros milhões de pessoas e também de quase todas as espécies animais. Se existisse uma pequena chance de que elas sobrevivessem, e que tudo recomeçasse de uma maneira diferente, para elas, valeria a pena. 

Mas elas não enxergam que para que isso aconteça, o mundo não precisa acabar; basta que olhemos em volta, sem os óculos cor-de-rosa, e vejamos o quê e quem está na nossa vida, se vale a pena deixá-los ficar, e também examinar comportamentos pessoais que estejam nos prendendo ou nos mortificando a alma, e fazermos tudo o que pudermos para nos libertar deles. 

O ano de 2012 marcou-me como um dos piores de minha vida. Mas também foi o ano em que eu realmente senti que alguma coisa muito grande, uma mudança radical, aconteceu na minha vida, no meu modo de ser, nos meus relacionamentos - alguns terminaram, outros mudaram e ainda outros começaram - e na minha maneira de pensar. Aquele ano foi o meu fim de mundo pessoal, e acho que foi isso que o meu suposto aluno do sonho queria me dizer. Acho que ele era uma espécie de mensageiro, e estava me alertando para o fato de que grandes mudanças e perdas aconteceriam, mas que depois do fim daquele mundo velho e mofado, coisas boas viriam. E vieram.

Coloquei pingos que estavam suspensos em vários 'is;' enxerguei a necessidade de modificar o teor de relacionamentos com pessoas que eu pensava serem amigas, mas que não me apreciavam realmente, e que através da sua inveja, me desejavam o mal. Passei a valorizar pessoas que eu antes mal enxergava - e que eram as que realmente valiam a pena, que me apreciavam e apreciavam as coisas que eu fazia. 

Por isso, se o mundo acabar realmente hoje, eu vou poder ir em paz. Não tenho nada a reclamar, nada que ficou por fazer ou por dizer. Não tenho nenhum ódio, nenhum desejo oculto por coisas que gostaria de ter feito e não fiz. Estou pronta. 



۝

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Só Pra Lembrar...






Olá, pessoal. Abri tantos blogs ao longo destes cinco anos em que participo da blogsefera, que quase perdi a conta. Mas procuro manter todos eles atualizados!
Deixarei aqui os links para quem quiser visitar e seguir:

HISTÓRIAS - Este é o blog onde posto meus contos e pequenos romances em capítulos. Alguns contos são completos- https://anabailunecontos.blogspot.com

YOUR TICKET TO ENGLISH -Aqui é onde posto aulinhas e dicas para quem quiser aprender inglês. Blog novo!yourtickettoenglish.blogspot.com.br

A CASA & A ALMA - Aqui estão dicas para deixar a casa arrumada, e também as relações entre a casa e a alma. Diria que é meu espaço mais zen, mais 'calminho.' - https://acasaeaalma.blogspot.com

FROM MY WINDOW - Neste blog, eu posto apenas poemas e textos em inglês. - anawindown.blogspot.com.br

PASSAGEM - Neste blog, eu coloco textos, poemas e músicas de pessoas que admiro, trechos de livros que li, enfim, coisas que amo. Um dos meus favoritos. 

NADA A DIZER - Somente minhas imagens. Sem palavras.   anabailuneinstantaneos.blogspot.com

BY ANA BAILUNE - Meu site no Recanto das letras. Há contos, poemas, crônicas, artigos, resenhas... enfim, tem de tudo. Este é fora da blogesfera. 

EU VEJO PASSAR - minha página no facebook, onde republico poemas antigos. Porque a gente lê e esquece. https://pt-br.facebook.com/anabailune2

Acho que isso é tudo... ah, e é claro, tem este aqui, o EXPRESSÃO.

Adoraria receber suas visitas em um deles.




domingo, 12 de fevereiro de 2017

Do Meu Banquinho








Adoro sentar-me em um dos banquinhos espalhados pelo centro histórico ou por outras locações  de Petrópolis, e ficar apenas observando. A gente vê coisas bonitas, engraçadas, corriqueiras, especiais, terríveis... enfim, vê-se todo tipo de coisa. Eis algumas das que vi, coletâneas de algumas horas – em dias diferentes – sentada nos banquinhos das ruas e praças petropolitanas:

Praça D. Pedro, depois do almoço: Aparentando quinze ou dezesseis anos de idade, a  mocinha linda, de longos cabelos, despede-se do namorado atrás de um banco onde está sentado um tiozinho, que não os vê. O namorado vai embora, e ela senta-se ao lado do tiozinho, as longas pernas cruzadas, passando a olhar o celular. Ela é linda e muito charmosa, e logo desperta a atenção do tiozinho, que passa a dar olhadelas cada vez mais longas na direção da moça. Ela percebe, e de brincadeira, começa a incentivá-lo, trocando alguns olhares com ele. Joga o cabelão para lá e para cá, ajeita-se de forma que as pernas apareçam mais. O tiozinho está quase enfartando. De repente, ela inclina o corpo na direção dele para descruzar as pernas, e posso ver algumas mechas do seu cabelo roçando de leve o rosto dele. Ele fica azul de entusiasmo, e então, ela descruza as pernas, levanta-se do banquinho e segue adiante, passando bem na cara dele sem olhar para trás. O tiozinho quase desmaia de frustração, e logo vai embora também. Pensou que ia ganhar a gatinha?

Dezesseis de Março: Passa uma moradora de rua, muito conhecida por aqui. Ela está sempre sozinha, usa óculos de lentes grossas e parece ter algum problema mental. Ela para na frente de uma vitrine de joias caras, e passa a observar longamente anéis, pedras preciosas e pulseiras. Penso que ela deve estar fantasiando usar uma delas, pois sorri de um jeito que me faz notar que ela está em mundo que é só seu, onde ela é princesa e usa todas aquelas lindas joias.

Ainda na dezesseis de março: Uma mulher bem vestida e de boa aparência. Ela passa na calçada gritando e agitando os braços, dizendo que quer morrer. Também parece ter algum problema mental. Ela é de meia-idade, está limpa e tem cabelos bem cuidados. A garganta se enche de veias grossas quando ela grita, e os olhos estão injetados. Desespero? Solidão?

Praça D. Pedro outra vez: Senta-se um senhor com uma garrafa de cerveja em um isopor e dois copos. Ele enche um dos copos, e espera. Minutos depois, senta-se um outro homem ao lado dele. O da cerveja puxa conversa, e logo ambos estão conversando. Sobre o que será que eles falam? Não sei. Mas logo, o homem da cerveja enche o outro copo e o oferece ao recém-chegado, que aceita.  Eles continuam conversando, até que a garrafa está vazia, e ambos vão embora, cada um para um lado.

Rua do Imperador: O rapaz que se veste de anjo chega para começar seu dia. Já tem o rosto, braços e mãos pintados de branco, e começa a vestir seu traje de anjo e finalmente, as asas de papelão e espuma. Ajeita-se sobre o pequeno altar, mas não sem antes colocar uma música suave para tocar em sua caixinha de som portátil, e disponibilizar uma outra caixa de madeira para que as pessoas coloquem algum dinheiro. Assume sua posição de anjo-estátua, e quando alguém joga algum dinheiro na caixinha, ele se move lentamente, retirando do bolso um papelzinho que contém uma mensagem, e entrega à pessoa, agradecendo com um aceno de cabeça. Eu sei que é uma mensagem, porque já recebi uma de suas mãos. 

Perto de um sinal de trânsito – O malabarista se posiciona, segurando seus bastões, enquanto espera o sinal fechar. Assim que ele fecha, o rapaz de cara pintada e roupa de palhaço vai para o meio da rua, e começa a sua performance que dura alguns segundos. Depois, agradece e antes que o sinal abra, vai de carro em carro pedindo uma colaboração – que poucas pessoas dão. Ele é jovem, e está longe de casa - tem sotaque estrangeiro. Por que será que veio de tão longe?

Itaipava – Lá vem o moço do aipim. E dos limões. E das tangerinas. Ele é idoso, muito magro e quase já não tem dentes. Carrega nos ombros um saco com uma dessas três coisas que eu citei, e quando se ajoelha no chão diante de quem está sentado tomando um sorvete ou olhando o movimento, começa a desfiar a sua história, em frases desconexas: “Vim de longe... ainda não comi nada... trouxe da fazenda... colhi hoje de manhãzinha... trabalho desde madrugada... tenho patrão... trabalho na roça debaixo do sol forte... não tenho nem uma moedinha...” E de nada adianta dizer que hoje você não quer, obrigada, deixa para uma próxima vez, pois ele só vai sair depois de contar a sua história várias vezes sem obter resultado algum. E a cada vez que a conta, ele vem de um lugar diferente, e vende alguma coisa diferente. Mas seu olhar sofrido é sempre o mesmo. E lá vai o moço do aipim, dos limões e das tangerinas, com seu saco encardido no ombro debaixo do sol quente, de volta para Sardoal, Areal, ou São José do vale do Rio Preto, ou...

E todos esses personagens ficam girando na minha cabeça, me pedindo para contar suas histórias. 






sábado, 11 de fevereiro de 2017

Ninguém Volta Totalmente





Ninguém Volta Totalmente


“Se você voltar, nunca mais será o mesmo” – Tolkien, em O Hobbit – Uma Jornada Inesperada


Ninguém volta totalmente,
Traz nos pés, outros caminhos,
Traz no olhar, outras paisagens
E por dentro, o cheiro ativo
De outros solos e sementes.


Ninguém volta sem saudades,
Trazendo todas as partes
Que levou, quando se foi...
Traz consigo, outra metade
Construída na viagem
Que não mais se encaixará.


Mas não deixe de partir,
Mas não deixe de voltar,
Pois que a vida é movimento,
Água, terra, fogo, ar,
Tens no peito, a ansiedade,
A força dos elementos
Que precisam das viagens,
Para que seja cumprida
A missão de transformar.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Novo Blog! Your Ticket to English



Olá, pessoal! Comecei hoje mais um blog - Your Ticket to English - desta vez, relacionado ao meu trabalho: aulas de Inglês. Há muito tempo eu venho pensando nisso, desde que alguns de meus alunos, a quem enviei vídeos de outros professores que circulam pelo Youtube, me perguntaram: "Por que você não faz seus próprios vídeos?"

Bem que eu tentei, mas sou péssima... além de não ter habilidade para fazer vídeos, acho que fico horrorosa falando na telinha. Mesmo assim, não excluo a possibilidade... quem sabe... porém, eu navego pela blogesfera com certa facilidade, e portanto, vou utilizá-la mais uma vez.

Mas o que importa, é que  Your Ticket to English tem como objetivo dar dicas de inglês a alunos, ex-alunos, futuros alunos e também àqueles que gostam de estudar sozinhos. Lá vocês poderão encontrar aulinhas de gramática e vocabulário, links para vídeos, músicas (estas, com letra, tradução e aulinha), sugestões para melhorar o aprendizado e também textos com explicações. 

Se você está aprendendo inglês ou conhece alguém que esteja, não perca tempo: faça uma visita e comece a seguir! Você pode seguir o blog através de e-mail ou então adicionando-o aos blogs que você segue no Google. E se você não tem conta no Google, deixarei sempre os links das postagens na minha página do Facebook. 

Welcome to Your Ticket to English

Here's the link: 



Hope to see you there!




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Olhe Antes de Pular








Ontem à tarde, estava ensinando a um de meus alunos o significado da expressão idiomática "look before you leap." Traduzindo ao pé da letra, "Olhe antes de pular." O significado é bem óbvio: preste atenção antes de se jogar em alguma coisa, acreditar em alguém, fechar um negócio; não haja impulsivamente. 

E acho que este é o maior mal dos brasileiros: agimos impulsivamente. Damos fé a quem não merece, acreditamos em todas as promessas que nos fazem e nos desmanchamos diante de supostos atos de bondade abnegada.

Quem promove atos de caridade na internet, não é caridoso. Quem é caridoso, doa sem alardear. 

E lá se vão as pessoas chovendo elogios sobre o político que, diante da imprensa, revela ter doado seu primeiro salário à caridade. Eu acho melhor observar antes de começar a agitar bandeiras, encher alguém de elogios e aplaudir online - principalmente, se a pessoa em questão for um político... será que não aprendemos nada até agora?

O salário de um político representa a menor parte do que ele realmente ganha. Todo mundo sabe disso. Além do mais, esta é uma propaganda política bastante baratinha para as próximas eleições à Presidência da República. 





Concordar em Discordar







Eu sei muito bem que concordamos aqui, e discordamos ali, lá e acolá; faz parte da vida. As pessoas enxergam as coisas conforme suas observações e experiências. Mas isto não significa que eu tenha que odiar você, ou que você precise me odiar. Podemos ao menos respeitar o direito que cada um tem de se expressar e pensar o que bem quiser.

Se eu , através da minha observação, faço algum comentário desfavorável ao que você pensa, não é porque estou 'caçando briga' ou algo assim, mas porque eu penso que discutir crenças e pensamentos é saudável para que haja crescimento - mesmo que jamais cheguemos a concordar sobre um assunto. Acho que ninguém deveria odiar outra pessoa simplesmente porque ela não concorda com a gente.

Convicções podem mudar. Se me provarem o contrário daquilo que penso, não tenho nenhum problema em pedir desculpas ou admitir que estava errada. Mas o argumento tem que ser realmente bom e crível, pois minha capacidade de discernimento não deve ser desprezada. Porém, tentar me fazer pensar de acordo com o que você acredita - sem que haja algum argumento válido - é perda de tempo. Da mesma forma que não tento convencer ninguém sobre o que penso. Cada um é cada um.

No entanto, acho que ofensas pessoais sempre partem de alguém cujo último recurso não pôde provar sua razão. De qualquer forma, insistir em rebater e criticar o que alguém diz, tentando incutir sua verdade aos berros, é uma tentativa de lavagem cerebral através de constrangimento. Coisa que só serve para convencer os tímidos e os fracos.

E quando se trata de ironias, eu sou muito boa nisso. Acredito que uma boa ironia pode nos poupar horas de discussões acirradas e inúteis sobre o destino das cabras abatidas. 

Minha intenção não é convencer ninguém. Se eu escrevo, é porque esta é a minha melhor forma de expressar o que penso e sinto. É um direito meu.

Enquanto eu viver em um país livre, não dominado pela censura dos países socialistas, eu vou escrever o que eu quiser.

Procuro não entrar em espaços alheios a fim de impor minhas opiniões, e não gosto quando fazem isso comigo; mas conversar é bem diferente de impor opiniões, e disso, eu gosto.

Mas depois de cair do cavalo algumas vezes, cheguei à conclusão de que às vezes, quando  personalidades diferem muito profundamente, o melhor é concordar em discordar.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Preço









Qual é o preço
Do teu apreço?
Quanto te pagam
Pra ter ideías
Que não são suas?
Quanto tu ganhas
Alardeando
Um sentimento
Que não está dentro?

Quanto te dão
Para que enxergues
Tantas verdades 
Que lá não estão?
Quanto tu cobras,
Por que tu mentes
Dizendo mansas
Tantas serpentes?

Mas onde, as provas?

As evidências
Das indecências
Estão guardadas
Nessa tijela
Da podre canja
Que eles vomitam,
E nas cloacas
De onde brotam
Milhões de sacas
De vis laranjas!





domingo, 5 de fevereiro de 2017

Circo de Horrores








E de repente, um velório - cerimônia que deveria prestar respeito ao morto - transformou-se em um circo de horrores, em palanque para discurso político, mimimi vitimizante e destilação de ódio e desejo de vingança. 

Com direito a cartazes parecidos com os usados em propagandas políticas, foto da ex-primeira dama e seu consorte em tamanho gigantesco e filmagem ao vivo do velório postada em sua página oficial do Facebook, Lula coroou sua falta de ética e de decoro, transformando a ocasião em evento vip.

Ao acusar o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato pela morte da esposa, Lula incitou o ódio dos despreparados - usando, mais uma vez, o povo como massa de manobra - contra o fato de terem sido - ele e seus familiares - indiciados pela investigação em curso.

Não duvido que o momento da separação da esposa tenha sido difícil para ele. Não acho que ele estivesse fingindo o que não estava sentindo, ou algo assim. Não estou aqui fazendo troça da dor de outra pessoa, sequer comemorando a morte de alguém. Porém, não posso deixar de observar os fatos e tirar minhas conclusões. Não creio que quem morre vire santo, ou que quem sofre, se redima de todo o mal que praticou se não houver arrependimento e retratação. Mas com certeza, não é este o caso. Lula não arreda pé. 

Hoje de manhã, logo após o velório, já circulavam pelas redes sociais os dizeres "Lula 2018."  Não duvido nada que, daqui a pouco, ele apareça nas fotografias acompanhado de uma nova primeira dama em potencial. 





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Sobre Morte Recente









Quando alguém ouve a notícia da morte de outra pessoa, geralmente diz: "Mas como? Estive com ele há apenas alguns dias!" Como se a morte esperasse, ou seguisse qualquer tipo de cronômetro determinado por nós: se estivemos com alguém há apenas alguns minutos, significa que esta pessoa não vai morrer tão cedo.

Mas a morte é a coisa mais inesperada da vida. Até mesmo quando sabemos que alguém está muito doente e que vai morrer em breve, nunca é fácil aceitar quando recebemos a notícia. Porque após uma morte, as possibilidades de milagres se dissolvem no éter: é o fim.  Acabou.

Ao ler na internet sobre a morte de D. Marisa. Fiquei sabendo de coisas sobre a vida dela que eu não sabia: ela ficou viúva e grávida aos dezenove anos. Conheceu Lula quando estava tentando conseguir a pensão por viuvez. Os dois se casaram logo depois. Ela confeccionou a bandeira do PT, criando a tão famosa estrela, com cortes de tecido que tinha em casa. Fiquei sabendo de mais uma porção de coisas sobre ela.

Pensei : onde foi que a estrela deixou de brilhar? O que fez com que aqueles casal cheio de ideais e sonhos se desviasse do caminho? Será que aquela pessoa, que, há pouco tempo,  se referia ao povo brasileiro de maneira tão deseducada e desprezível naquela ligação telefônica gravada, era a mesma moça que criou a bandeira do partido? 

A alma humana é fraca e corrompível. Porém, acho que existe alguma coisa ruim na política que faz com que as pessoas que comecem a tomar parte nela, percam suas almas com muita rapidez. Elas se perdem delas mesmas e de seus sonhos e promessas. Acho que só quem for muito forte, e tiver uma estrutura muito boa, é capaz de resistir às enxurradas de proprinas que brotam do solo da política e se oferecem em cascatas tentadoras a quem quiser pegar. É só estender a mão. O preço, é que quem tocar nesse dinheiro, vende a alma ao diabo.

Lula está pagando o preço por esse negócio que ele fechou. Não gosto dele, não gostava de D. Marisa, assim como não gosto de Eike Batista, Renan Calheiros e muitos outros que estão nos afundando nesse imenso mar de lama. Não lamento pela morte física da ex-primeira dama, mas pela morte de sua alma, que aconteceu gradualmente, bem antes da morte física, pois antes, havia uma pessoa humilde que desejava mudar um país, e ela era cheia de sonhos. 

Acho um absurdo que a mídia e os partidários de esquerda estejam tentando usar este fato da morte de Dona Marisa para culpar pessoas que nada tem a ver com isso. Já vomitam nas redes sociais que ela morreu por 'culpa dos coxinhas.'  Que a culpa da morte dela é da 'mídia golpista' e das paneleiras. Que ela não aguentou a pressão de estar diante da possibilidade de ver a ela mesma e sua família inteira presa por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e outros. Bem, concordo com esta última afirmativa; talvez, para ela, a morte tenha sido um livramento.

Todo mundo já sabe que Dona Marisa não se cuidava bem; tinha pressão alta, um aneurisma que poderia explodir a qualquer momento e inclusive, já tinha sido avisada pelo médico desta possibilidade. Além disso, fumava demais e também consumia alimentos inadequados a alguém com o quadro dela. Mas acho que as pessoas às vezes se pensam imortais.

Não vou lamentar a morte dela; lamento sim, as centenas de milhares de outras mortes que acontecem diariamente em hospitais públicos, muitas vezes, sem que os pacientes sequer recebam atendimento médico. Tudo porque o dinheiro público é roubado descaradamente, por pessoas como ela e sua família, e também por pessoas públicas como Eike Batista. Jamais esquecerei o que ela disse que as donas de casa brasileiras - as paneleiras - deveriam fazer com suas panelas. 

Ninguém tem culpa pela morte dela. Pessoas morrem todos os dias de diferentes maneiras, e um dia, a morte chegará também para você e para mim. Que possamos agir de forma a não deixar este planeta com tanto peso nas costas e no coração.



Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...