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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Morrer de Fome

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Existem várias formas de se morrer de fome. A forma física é dolorida, cruel, inadmissível. Acho simplesmente bizarro que em pleno século XXI ainda haja pessoas que morrem de fome pelo mundo, porque a distribuição de comida é tão injusta. Todos nós cometemos o crime de jogar comida fora, nem que seja aquela sobrinha de arroz no fundo da panela, o pão que endureceu, a comida que foi feita a mais e ninguém comeu e acabou estragando. Somos campeões em desperdício. 
Mas há uma forma de morrer de fome que é mais lenta, talvez fisicamente menos dolorida, mas que mata uma coisa muito mais importante do que o corpo: mata a alma. É quando alguém delimita nossos caminhos, dizendo por onde podemos ou não seguir, a quem adorar e a quem odiar, quanto dinheiro podemos ter, onde podemos morar, e com quem, a quem pertencerá aquilo que produzimos através do nosso trabalho, quais ideias podemos propagar e quais ideias devemos calar sob risco de morte. 
E ficam as pessoas que morrem desta morte vivendo…

Google, O Paaaai

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Ainda me lembro de quando eu fazia pesquisas para a escola: primeiro, ia a uma biblioteca e pesquisava o assunto em vários livros diferentes, selecionando (e copiando à mão) as partes que interessavam para a minha pesquisa; depois, chegava em casa e procurava figuras em revistas a fim de ilustrar meu trabalho (piquei muitas revistas das minhas irmãs e levei algumas broncas por isso); depois, passava o material todo a limpo, torcendo para não errar (alguns professores não admitiam qualquer tipo de rasura, e tinha que começar tudo de novo se cometesse algum errinho). Também tinha que fazer uma capa para o trabalho, com letras de imprensa para o título, colorindo com canetas hidrocor. Eu, que nunca tive habilidade para desenho, sofria muito nessa parte.
Levava pelo menos quatro horas para terminar tudo, sem contar a parte da pesquisa, que significava ter que tomar um ônibus, ir até a biblioteca, ficar lá uma tarde inteira e depois tomar outro ônibus para casa.
Hoje em dia, as crianças t…

A Morte Não Mata

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A Morte Não Mata

A morte não afasta; até aproxima Agora  e para sempre, pelo pensamento O que já está fora e o que ficou dentro, E que pelo físico se afastaria.
A morte não mata o amor, nem o ódio, Não se deixa de amar, ou se passa a amar... Um foi, um ficou, mas se o laço ainda existe, Não há recomeço, nem mesmo algum pódio.
A morte é apenas janela fechada, Mas ainda há a casa, e o seu morador Que guarda a saudade, ou todo o rancor Daquele que passa por sua fachada.
A morte não mata; o morto não morre, Pois a sua ausência ainda traz dor (Quem sabe, alegria, se não houve amor) Quem fica carrega consigo as lembranças.
Mas e quem se foi – lembrar-se há, ainda, De quem adorou ou odiou nessa vida? Eu creio que ‘sim’ é a certa resposta, Não há mais a chave, mas ficou a porta.






"O amor não mata a morte, a morte não mata o amor. No fundo, entendem-se muito bem. Cada um deles explica o outro."

Jules Michelet






Sentidos

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Eu acho que o amor É uma briga de sentidos: Cheiros, sabores, cores, sons Ecoando em vários tons Na ansiedade de um par de ouvidos.
Uns pensam que amor é só sentimento, Volátil, feliz ou sofrível, Um sentir que ninguém explica Porque não cabe em ‘sim’ ou ‘não.’ Mas eu acho que amor é carne, alma e sangue, Um pouco abaixo da loucura Que se situa na paixão.
Depois, o fogo abranda, e ficam Entre os gritos, silêncios e meiguices, As brasas quentes e vermelhas As mesmas que nos aquecerão (Meias de lã não bastarão) Nas noites frias da velhice.




Momento de Paz

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O Paraíso É quando estás em paz, Envolto em branco Bem no meio do arco-íris, Descansando na  serenidade, Sem querer prender a liberdade.
Estar em paz, é não querer mais nada, A não ser agradecer pelo que tem, Pelo que já é, e até Pelo que jamais poderá ser.
É sentar-se lá fora, sobre a grama, E fechar os olhos para melhor ver, Abrir os sentidos, Sentir no vento os cantos dos pássaros Vindo, vindo, vindo, vindo...
Se houver chuva caindo, Multipartir-se com as gotas E cair junto com elas, Achando que o dia é lindo, Lindo, lindo, lindo, lindo...



VIDA

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Sons de cristais que brindam, Sons de cristais que quebram: Assim tem sido minha vida Nos caminhos que me levam.
Sonhos e pesadelos, Vontade de despertar Ou de dormir para sempre E nunca mais acordar.
Cheiro de flor e mato, Cheiro de asfalto quente: Eu sigo, aceitando os fatos No meio de tanta gente.
Ora triste, ora contente, Assim como todo mundo Que vai procurando um rumo Entre o raso e o profundo.


Lembrança de um Dia Feliz - e Outras Lembranças

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Não sei por que eu fui me lembrar deste dia logo hoje, que está chovendo e faz frio. Mas de repente, ele me surgiu lá do baú das coisas perdidas, quem sabe, trazido à tona pelas gotas pesadas de chuva que caem umas sobre as outras, e que eu - enquanto esperava por meu aluno - olhava da janela. 
Era uma tarde de verão. Minha mãe tinha um irmão por parte de mãe que morava em São Paulo, de cuja existência ela só ficou sabendo depois de adulta. Ele às vezes costumava nos visitar, e quando vinha, dormia no sofá da sala, e trazia alguém com ele: uma das filhas ou sobrinhas. Eu gostava muito do Tio Eugênio. Ele fumava muito, e vivia tossindo. Toda vez que ele tossia, colocava a mão sobre o coração e respirava fundo, os olhinhos caídos, e dizia: "Meu coração vai falhar a qualquer momento..." Na verdade, ele viveu bastante, embora pudesse ter vivido bem mais se não fumasse tanto. 
Naquele dia, ele estava lá em casa. Estava sol e muito calor, e eu e minha irmã, que estávamos usando b…

Se Você me Deixar

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Se você for embora, Não vai levar consigo um pedaço meu, Não me fará andar pela rua, entre o breu, Nem ficarei cheirando a tua camisa usada.
Não, não vou ficar aqui, te esperando voltar, A cama desfeita, a luz apagada, A chorar, encharcando a fronha onde eu bordei Teu nome com tanto zelo, no meu travesseiro.
Se você for embora, O tempo vai passar, e eu vou te esquecer (Mas escolha ir embora sem jamais morrer) Pois o vento e a chuva levam tudo o que fica E o teu nome vai embora na enxurrada, a escorrer...
Sei que o que sempre houve morrerá aqui, Porque a vida seguirá, e o tempo não para Para contarmos o tempo, nem ao sentirmos saudade...
Porém, há uma grande verdade que o futuro assiste, Ao olhar para trás, lembrar você há de deixar-me Mesmo que só às vezes, tremendamente triste...




No link abaixo, eu cantando Tim Maia

http://www.smule.com/recording/tim-maia-voc%C3%AA/240746628_762838393?utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=share





Lembrança

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Quem morre, É como um pássaro que se lança num abismo E nunca mais pousa.
Gosto de olhar para o céu E pensar em voos eternos, Asas que movem-se, abertas Por sobre a saudade dos vivos. Estranho, como nos tornamos Tão próximos de quem se vai, Pois é possível, sempre, Olhar para cima e revê-los, Abranger distâncias  Através dos pensamentos.
E essas águias que planam, O que sentem? Escutam as preces sopradas, Ou pairam sobre as saudades Num voo longo e solitário Sem pousos, sem sofrimentos, Adormecidos?
Mas há manchas no azul, Há sombras dentro das nuvens E um brilho diferente