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Mostrando postagens de Abril, 2016

Recatada ou Empoderada?

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Recatada ou “Empoderada?”
Não quero ser recatada, nem quero me “empoderar.” Sob a minha foto, eu não quero nenhuma legenda, nenhum rótulo que me classifique em um dos lados da idiotia reinante neste país. Prefiro ser simplesmente quem eu quiser ser, uma dona de casa, uma professora, esposa, membro da família, amiga, uma pessoa apenas, e que não quero nem saber se me acham recatada ou “empoderada.” Mas, se eu fosse escolher um dos lados, eu certamente preferiria ser recatada a sair por aí tirando as calças no meio da rua para defecar sobre fotografias de políticos ou seja lá de quem for. Prefiro ser “do lar” a cuspir no rosto de outra pessoa. E acima de tudo, prefiro não aparecer em fotografias segurando garrafas de bebida alcoólica e me comportando como um homem imbecil, achando que assim estarei assegurando meu “direito de ser livre e de ser mulher.”
Precisamos abrir os olhos e perceber que estamos adentrando o palco do ridículo, e que a plateia que está aplaudindo perdeu completame…

PASSARINHO

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Um passarinho azul Brincava nas teclas de um piano: Brancas E negras.
Sentia a música De cada uma: Bemóis sofridos, Alegres sustenidos
Que ele ouvia, Casando os pios Brancos E negros.
Pio contente,  Pio sofrido.
Até que um dia...





TENTATIVA

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Tentei ver sempre a vida das melhores formas, Tentei compreender os lances mal jogados... Eu quis sorver o sumo dessa coisa morna, E aprender a bem manusear os dados.
Tentei espremer pedra e tirar leite quente, E até  sentir a dor e não ranger os dentes, Mas sempre que eu quis mostrar-me muito forte, O vento do destino mudou minha sorte...
Eu hoje faço só o que posso fazer: Morrer no fim do dia, e então renascer Assim que o sol derrama os raios na montanha... -Amar, sorrir, sofrer, e não sentir vergonha.
Já nem sequer procuro entender a vida, Deixo que ela me leve, sendo seduzida Pelo que ela me dá, me toma, e não devolve Tornei-me o próprio fio com o qual me envolve.






LIVRE

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Ai de quem quer ser livre Mas não sabe a liberdade! Ai de quem olha o sol Por tempo longo demais!
Há de queimar a alma, Há de queimar os olhos, Há de tornar-se presa De sua mente obtusa!
Há de gelar no inverno, Há de encontrar sua musa Nas veredas luxuosas Do mais temível inferno!


TCHAU, QUERIDA!

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TCHAU, QUERIDA!


Mais uma vez, Ana Vagalume publicará um texto que deveria estar nas escrivaninhas do infer... digo, dos Cavaleiros do Apocalipse, mas devido à crise, figurará nas dependências desta séria e compenetrada escrivaninha, em caráter provisório, até que mude. Ou não.





Ia Ana Vagalume a caminhar alegremente pelas ruas e praças movimentadíssimas de Fake City (era dia da votação pelo impeachment) quando, ao passar por um belo jardim cheio de moitas, num canto escondido entre bandeiras vermelhas e camisetas vermelhas, ela escutou um conhecido e familiar soluçar de tristeza e indignação. Ela logo exclamou:

-Minha amiga, a Presidenta (ou será ex-Presidenta?) Dilma Tá Russef!

-Olá, vagalume. Veio aqui para pisar na minha cabeça também?

-Jamais, divina mestra! Vim tentar elevar o seu nível moral... e dizem que nada melhor do que exercícios físicos para conseguir este efeito anti-depressivo! Por que a senhora não vai dar umas pedaladas?



E a Presidenta começa a chhorar ainda mais alto, e Vag…

VINGANÇA

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Escrevo em letras vermelhas Nas linhas azuis do papel. Derramo o sangue do passado Sobre o verde e o amarelo.
Para mim, não há mais nada Que eu considere belo, Desenhei, com nanquim preto, Uma mancha na paisagem.
Desejo deixar a marca Do meu rosto, na passagem, Ser um ícone da história Sangue derramado em glória!
-Eu não consigo esquecer, Não consigo perdoar O que me fizeram morrer, O que me fizeram matar!
As bandeiras que eu levei Sobre os ombros, já queimadas, O poder que eu ansiei Finalmente conquistado,

Foi o meu maior legado, Meu pedaço de esperança A arena, onde tracei O meu plano de vingança!
Tirarei deste país Tudo o que me foi tirado, E dividirei o povo Entre presente e passado!
Minha cor é o vermelho, O meu símbolo, uma foice. Meu desejo de poder Cheira à morte e iniquidade!
A maldade, eu pagarei Com o sumo da maldade, Para todos mentirei Que tenho boa vontade...
Direi: “Nunca na história Deste país desgraçado Houve ou haverá tal circo Com palhaços mascarados!”
E o que sobr…

Naquela Flor

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...E havia algo naquela flor, Uma lágrima caída, Formatada em dor.
Pétala encolhida, Ressentida, Vazia de amor.
Mas breve foi seu tempo, Sua história, Seu tormento...
Porém, eu a vi, Soube de sua existência, Gravei seu momento.



Antes

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Palavras caídas nos cantos Entre as frestas do assoalho.
O choro ainda ecoando Batendo contra as paredes.
Os sonhos abandonados Balançando com a rede.
Segredos dentro de armários Silêncios cheios de sede.
As mágoas a gotejar Das beiradas dos telhados.
No jardim, o meu fantasma A olhar-me, de soslaio...
As lembranças que ficaram Pelo chão do corredor,
Tua ausência, a preencher O que antes foi amor.




TUDO OU NADA

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O jardim. A janela. Cortinas pretas. Fechadas.

A marreta.

A garrafa De vinho Sobre a mesa, Uma taça

Quebrada.

É a vida.

É tudo.

Ou nada.