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Mostrando postagens de Março, 2016

EVENTOS ALEATÓRIOS

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Se você for pensar na vida de forma prática, clara e objetiva, sentirá como se a vida fosse feita de uma série de coincidências, eventos aleatórios que não tem sentido e não estão interligados: as coisas acontecem porque tem que acontecer, e não há nada que possamos fazer a respeito desta (des)ordem.
Mas se você pensar melhor – e nem basta ir longe demais: é só pensar na sua própria vida – sentirá que muitas vezes, alguma coisa a mais aconteceu: de repente, você sentiu uma inspiração, algo totalmente fora do comum e sem explicação, a fim de agir desta ou daquela forma. E este pensar o conduziu em direções inesperadas, onde as portas pareceram abrir-se magicamente, levando-o a outros caminhos interessantes. Pode ser que uma simples decisão baseada naquilo que alguns chamam de intuição o tenha livrado de algum perigo. Você decidiu não seguir por aquela rua, e mais tarde, ficou sabendo de um grave acidente que aconteceu por ali, exatamente na hora em que você iria passar por ela.
Há coi…

O CASTELO DOS MEUS SONHOS

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Eu sonhei com um imenso castelo. As imagens deste sonho ficaram muito nitidamente presas à minha memória quando acordei. Era um lugar imenso, lindo, e também terrível. Minha mãe, meu pai e minhas irmãs estavam comigo. Quando acordei, não consegui mais dormir, com medo de perder as imagens deste sonho, e então levantei-me e anotei-as aqui. O sonho deu-se exatamente como se segue:



Eu sonhei que minha mãe Havia herdado um castelo Que era cheio de magia, Tão imenso quanto belo E era eu a responsável Por guia-la, em um só dia, Levando-a a conhecer A sua herança tardia.
À direita da entrada Escondido atrás de um muro Encontramos um casebre Velho, feio e obscuro... As paredes amarelas Sujas, tristes e mofadas, E do teto a umidade Sobre tudo gotejava.
E eu disse a minha mãe: “Nós podemos reformá-lo, Quem sabe, redecorar, Mudar a cor, e trocar Toda essa velha mobília Por alguma mais bonita!”
Minha mãe, impaciente, Respondeu-me, erguendo a voz: “Nós herdamos um castelo, Tão imenso e luxuoso, …

QUEM É, E O QUE É UM COXINHA?

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Pesquisando um pouco mais sobre este termo tão em voga nos dias de hoje, descobri algumas coisas interessantes. Nas redes sociais, percebi que ser chamado de “coxinha” por alguém não é nenhum elogio. Sem conseguir entender, exatamente, o que significa ser coxinha, achei que uma pesquisa me ajudaria a entender onde eu me encaixo (ou onde me encaixam).
Descobri que ninguém sabe, ao certo, como este termo nasceu, mas alguns desconfiam que foi das pessoas que tomam sol usando bermudas e que por isso  tem as coxas brancas. Mas há quem diga que esta palavra vem de uma gíria antiga, usada para definir um policial. Quanto a mim, costumava usar este termo para definir os rapazes que vão à academia malhar e se esquecem de exercitar também os membros inferiores, que permanecem finos e desproporcionais ao resto do corpo, tornando estes rapazes fisicamente semelhantes às coxinhas de galinha. Mas o que estas definições tem a ver com os “coxinhas” descritos por membros de certo partido político, eu r…

Em Verde e Amarelo

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Pintaram as caras, As máscaras, As escaras. Palavras de ordem, Os passos passando Nas calçadas.
Não sabem se o sim é sim, Se o não é não, Ou talvez... As fotos postadas, Camisas suadas, Crianças, cachorros, E esperanças Levadas às ruas.
Na cena, o sonho, Desejo expresssado De uma expressiva mudança Que começa  Sempre no outro, Nunca em si ...




DEBOCHE

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Eu hoje me enfeito das flores Que os outros jogam fora, Construo buquês anêmicos Com suas polêmicas E com elas,  Decoro a minha casa.
-Não levo a vida a sério! Faço pouco de tudo aquilo A que chamam de mistério, Ergo o queixo com desdém Enquanto o povo se debate Entre os debates.
Eu hoje me divirto Com o que mais irrita, E fabrico meu açúcar Do que lhes sobra de cica.



Mundo Sem magia

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Matamos toda a magia Que ainda havia no mundo! Cortamos as asas das fadas, Banimos todos os anjos, Enterramos gnomos e faunos... Já não nos resta mais nada!
A meia-noite é calada, Não existem mais portais, Não há mais círculos mágicos Que possam nos proteger.
O azul aveludado Do coração das florestas, Antes, tão misterioso, Não conta com vagalumes Ou mágicas criaturas.
As crianças riem das lendas Que nossos avós nos contavam, Não há monstros nos armários Ou fantasmas sob as tendas, Ninguém mais as observa Na escuridão do quarto.
Das copas das velhas árvores, Só as corujas nos olham, Não há mais céu nem inferno, Não há demônios a temer Ou santos que nos atendam.
As princesas não mais beijam As faces feias dos sapos, Preferem os príncipes prontos, Bem vestidos e engomados, Belos e desencantados.
Não há mistérios no ar, Os corações são tão rasos! E a magia do viver Transformou-se em mero acaso.





BONECA

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Boneca com a qual alguém brincou, E tantos disputaram, Já foi esquecida na calçada, Já ficou na chuva,  Já passou a noite no frio, lá fora, Queimou as mãos em outras luvas...
Boneca pequena, que todos amavam, E todos queriam, e que protegiam, Cresceu, e aos poucos, perdeu seu reinado Deixada em um canto, Perdeu cada encanto, Tornou-se sucata!
Boneca tão triste, tão abandonada, Cresceu tão sozinha, tão pobre, tão órfã, Dos pais que viviam, do amor que morria, Dos sonhos partidos, jogados na estrada!
Boneca, eu espero que estejas guardada No alto do armário, Com vista pra casa Que hás de habitar - e serás amada!
Tua dor, resgatada, teus olhos fechados Tua alma encantada, Teu rosto molhado Secando na brisa que vai te salvar, -Boneca cansada de tanto esperar!


Passos de Março

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O chão suntuoso Reflete os passos macios De março. Chuva no telhado, Gotas brancas e pesadas, "São as águas de março..."
Vem uma saudade, Uma branca vontade De alçar voos, tocar os pássaros! Os olhos cansados Derramados sobre as ramagens Molhadas de brilhos...
As gotas caem nos trilhos, Perdem-se entre os espaços, Molham destinos, Marcam as rodas dos trens Que passam como raios E nos levam adiante, até maio.
E a chuva insistente Parece que não vai ter fim. Pobre de mim, A gola ainda presa em fevereiro, Sonhando setembros Entre lívidos raios!





Nasci Mulher... e Daí? (HUMOR)

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Texto escrito pensando em uma pergunta que o Recantista Sam Moreno me fez por e-mail, após eu responder a um e-mail seu me homenageando pelo Dia da Mulher


Em um 29 de setembro qualquer, há mais de cinquenta anos, eu nasci pelas mãos da parteira Dona Maria Carioca e dei meu primeiro grito neste mundo.  Minha mãe sofreu as dores do meu parto em casa, assim como ela já tinha sofrido antes as dores dos partos dos meus quatro irmãos mais velhos - um menino e três meninas. Foi assim que minha vida por aqui começou. Nasci mulher.
Desde cedo, me ensinaram que eu era menina; cresci e aprendi a gostar de brincar de boneca e de casinha. Na escola, minha mãe me aconselhava a brincar com outras meninas e a ficar bem longe dos meninos, e conforme eu crescia, mais ela enfatizava a importância deste gesto, pois meninos só queriam saber "daquilo."
Mas logo aprendi a definir minhas próprias preferências, e meu maior amigo durante a sexta e a sétima séries do primeiro grau foi um menino, e el…

RESSUREIÇÃO

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Quisera poder salvar os deuses da minha infância, Que hoje descansam De olhos fechados, Semblantes cobertos de bruma, As mãos entrelaçadas sobre o peito.

Quisera poder ouvir novamente seus sorrisos, Abrir os olhos na escuridão E saber que eles estão lá, Velando por mim.
Mas depois que a inocência morre, Nada mais nos socorre.
Quisera poder escutar suas vozes miúdas  Em meus ouvidos Fazendo-me crer que tudo vai ficar bem, Não importa o que aconteça, E que após a escuridão, A manhã mais clara estará a minha espera...
Mas aprendi a ver além das paisagens e olhares.
Quisera poder novamente encontrá-los nos vitrais coloridos Das igrejas e catedrais,  No silêncio quente da chama de uma vela, Passeando entre as palavras das preces sussurradas.
Quisera que houvesse um caminho, Um jeito de ressuscitar meus deuses moribundos Que tem fé em mim, e que me esperam.





PRÊMIO DARDOS

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Fui presenteada com esse selinho "Prêmio Dardos" e sinto-me muito agradecida. Quem me indicou foi Maria Luiza, do blog Casa da Alquimia. O link: http://marialuizasaes.blogspot.com/

Desculpe, Maria Luiza, por estar usando aqui a sua ilustração!
O Prêmio Dardos é um selo virtual criado no ano de 2008 pelo escritor Alberto Zambade do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El sentido de las Palabras.
Ele selecionou e indicou o selo a quinze blogs que ele considerou merecedores do prêmio, os quais também indicaram outros quinze e assim sucessivamente. 
Este prêmio é concedido a blogueiros para reconhecer "o esforço, criatividade e dedicação  para manter um blog" e "valores pessoais, culturais, éticos e literários".  Este prêmio também é conhecido  como Best Blog Darts Thinkin.




Regras do Prêmio Dardos: - Indicar blogs que preencham os requisitos acima para receber o prêmio;  - Exibir a imagem do selo;  - Mencionar o blog de que recebeu a indicação e colocar o lin…

Absinto

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Te deram uma estrela ao nascer, E era absinto...  Teus olhos infantis e inocentes, Sonhavam com o amor simplificado, Mas que mostrou-se inconsistente.
Numa tarde fria, entre lágrimas, Tu me disseste: “Eu só queria ser feliz!” Mas eu não pude dar-te alegria, Não, não era eu tua fada madrinha!
As flores coloridas e formosas Com as quais enfeitaram teus caminhos, Eram todas elas, venenosas E cheias de espinhos!
A felicidade que tanto desejavas, Veio em curtos lampejos, Fracos relâmpagos, entre raios e trovoadas, E noites negras de puro medo!
E foram noites longas e arrastadas, Sem sinais de qualquer amanhecer. Os deuses para os quais rezavas Eram todos obscenos, e não te salvaram.
-Será possível que alguém já nasça Com esse signo, esse cálice de dor Derramado na alma, destinada A só penar, a só sofrer?
Finalmente, o teu amanhecer, O ato final dessa peça sem ensaio, A chuva benfazeja, após o raio; Sobre tua vida, o selo da sorte,
Parece-me que o anjo cujas asas tocaste E cujos olhos jama…

A ÁRVORE CAÍDA

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As folhas arrastadas pelo vento Crepitavam no asfalto quente. Na beira da estrada, o tronco caído. Galhos murchando de tristeza Querendo ser novamente sombra, abrigo de aves, Mãe de muitos frutos, Origem, flauta de brisa, descanso...
Passei sobre seu manso morrer, Silencioso e lento, E o que mais me feriu, foi o seu silêncio, Que não se queixava, e a ninguém culpava!
Doeu-me, porém, relembrar, e calar, e saber Que cada um de nós Ergueu o machado fatal e amputou um galho, Dia após dia, palavra por palavra, De olhos abertos, de olhos fechados, Até a queda fatal, o último talho...