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Mostrando postagens de Dezembro, 2015

Felicidades!

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Eu te desejo
Um cão correndo no quintal,
Uma torta quentinha sobre a mesa,
Boa música tocando por perto, sempre,
Noites de sono tranquilas,
Um gatinho enrolado na poltrona,
Sol e chuva na medida certa,
Trabalho durante o ano inteiro,
Saúde a maior parte do tempo,
Olhos amigos sempre te olhando,
Beijos na boca, sempre sinceros,
Um bom filme numa tarde de sábado,
Sorvete nos dias mais quentes,
Passarinhos cantando nas árvores dos caminhos que você percorre,
Lembranças bonitas no seu álbum da vida,
Dinheiro sobrando para aquele mimo,
Um grande sonho finalmente realizado,
E gratidão por todas essas coisas.





Mas... pensando bem,
Se você prestar atenção, 
Verá que já possui a maioria delas,
E as que te faltam, são por um propósito maior...
Pensando melhor ainda,
Eu te desejo mesmo é gratidão por todas as coisas,
Para que você possa, finalmente,
Atingir este propósito maior
E tornar presente o que te falta.





Que no próximo ano,
Você possa deitar-se todas as noites
Sabendo que não fez mal a ni…

Um Andarilho

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Eu vago pelo mundo Sem ter um mundo. Procuro, em outros olhos,  A minha substância, Mas eles não me veem, Apenas me assistem.
Eu morro esmagado No encontro das palmas, Em busca do que me falta, No calor dos aplausos.
Fabrico sonhos mortos, Divirto a multidão; Sou fruto dos anseios Que eu mesmo crio Ao subir no picadeiro Deste imenso circo.
Eu sou um caminhante, Palhaço, o rosto borrado Pelas lágrimas que eu disfarço, Errado, perdido, errante...
A falácia que eu propago Poderia ser honrosa -Não fosse pelo embargo Da minha própria palavra.
Ah, estive sempre tão próximo Daquilo que eu mais combato, E a distância que nos separa Está ao alcance de um braço!
Do alto da montanha, Contemplo um vasto campo Vazio de sentidos, Meu rosto decaído, Onde meus monstros estão Tristonhos e perdidos, Lá, onde eu escondo A minha solidão.




COM UMA PALAVRA - UMA REFLEXÃO

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Partilhei na minha página do Facebook uma publicação de Álvaro Garnero – de quem sou admiradora incondicional – na qual ele pedia que as pessoas definissem, em uma só palavra, como foi o ano de 2015 para cada uma delas. Eis alguns dos resultados:
-Bom -Rico -Decepcionante -Turbulento -Ambivalente -Esperança -Mudanças -Merda -Desafios -Sorte -Bênçãos -Ilusão -Tensão -Aprendizado -Constatação.
Até agora (27/12/2015, 6:50 da manhã) foram mais de 30 respostas. A maioria delas, positiva. Algumas das pessoas que deixaram palavras negativas, o fizeram por motivos que conheço muito bem: perdas familiares, dificuldades financeiras, decepções. São coisas que fazem parte da vida da gente, e das quais ninguém escapa.
Compreendo-as muito bem, pois lembro-me da pior fase de minha vida, que deu-se entre os anos de 2011 e 2012, durante a qual sofri muitas perdas, decepções, desilusões, separações e como se já não tivesse bastante com o que lidar, tive que suportar ataques virtuais de pessoas que re…

SE A GENTE NÃO CHORA

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A dor não vai embora Se a gente não chora Se a gente demora A dizer adeus... A lágrima quente É um mar de partir Pra quem finalmente Quer se despedir.
Nada vai embora Se a dor não lateja, Seja como for, É preciso soltar O que não faz mais parte, O que quer se apagar O que nós insistimos Em fazer ficar.
Nada vai embora Sem a despedida De cabeça erguida, Consciente, real Porque toda história Precisa ser lida E se foi bem vivida, A lembrança é o sal.
Nada vai embora Se a gente não deixa Se a gente se queixa Do vão do abraço Do corte no laço, Mas é essencial Depois da partida, Um ponto final.



Por que eu Não te Disse Nada?

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Eu não te disse nada Porque eu não queria fazer barulho Nessa tua paz acamada, Doente de tantos silêncios, De tantos adeuses, tão carente...
Preferi ficar calada A acordar os teus ruídos, Sustenir minha alegria Sobre os teus gemidos, Tive medo de falar demais, Perguntar demais, Ser invasiva.
Eu não te disse nada Porque temi que minhas palavras Arranhassem a tua madrugada, Desrespeitassem tua dor, E que minhas condolências Pudessem ser um cravo a mais Sobre a tua alma cansada...
Tentei poupar o teu espaço Da minha presença desajeitada, Da minha falta de tato, Eis porque Eu não te disse nada...




REPUTAÇÃO

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A minha Só a mim interessa. Então, por que a pressa?

As asas das chantagens  Estão presas na lama,  Num voo que não decola,  E só asco derrama. 

A quem nada teme, Nada deve, A opinião mundana Nada diz.
Se eu sou feliz À minha maneira, O caminho de uma vida inteira Falará por si.
A chantagem A vadiagem, Falam muito mais Sobre quem as pratica.






EU HOJE ACORDEI

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Eu hoje acordei com o gosto do sonho na língua, As saias de outros mundos pelo chão, ainda, As pontas escapando entre os vãos dos meus dedos, Um vento me beijou, selando as passagens...
Um riso manso, bonito e de tom tão profundo Ainda nos ouvidos, qual frescas aragens, Saiu pela janela, balançando as asas, Voou sobre os telhados, voltando pra casa...
Ficaram sobre a fronha algumas lembranças, Mas logo o sol levou-as - a vida prossegue, Até que um dia, o mesmo sonho assim me leve, Tornando-me riso, sabor, e esperança.





ESCUTA

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Escuta o que não dizem, Escuta o que eles calam, É bem mais verdadeiro, É bem mais eloquente, E muito mais sincero.
Escuta a cor dos olhos, O brilho das pupilas, Os cílios se movendo, As lágrimas tremendo À beira das retinas.
Escuta o gesto simples Que é feito no escuro, Na solidão das casas, Por trás de cada muro, Quando ninguém mais olha, O vento sob as asas.
Escuta o absurdo, Bem além das palavras, Escuta o que é mudo, O que nunca foi dito; No que ninguém escuta Habitam os sentidos.




SOBRE UM TÚMULO

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Aqui Não jaz nada.








FINA

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Ela era fina sobre a superfície, Qual pena de cisne em lago de nenúfares, Refletia o céu nas pupilas oblongas Quais as da serpente, quando se arrufa.
Ela era fina e escorregadia, Não se dava conta de sua alma vadia... Ela era tão fina, e no entanto, demente, Fruto apodrecido da mais vil semente.
Ela era fina, mas se abria a boca, O ar se cobria de odor nauseabundo: Da sua malícia e maldade, brotavam Palavras torcidas que arranhavam o mundo.
Ela era fina, pregava moral Discursava sempre sobre o "bem" e o "mal..." Mas suas verdades tão fracas, tão frágeis, Não sobreviviam a um outro arrebol.
Ela era tão fina, que enganava a muitos... Apontava o dedo com a unha suja Do que há segundos, ela retirara De um local escuro, fétido e profundo...





ADEUS

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Eu disse adeus abstersa, Num gesto, deixei de olhar... Fechei a porta entreaberta A quem não queria entrar.
Eu disse adeus sem chorar, Sem dramas, sem rompimentos, Ficou pairando no ar O fio de um sentimento.
Eu disse adeus num gemido, De sopro quase inaudível, Ficou perdido o sentido De um sonho não mais plausível...
Eu disse adeus porque quis, Pés nús sobre o frio chão Do solo tão duro e gris Da minha desilusão!
Eu disse adeus sem lamentos, Parti sem voltar o rosto A quem cultivou tormentos, A quem destilou desgoto.
Eu disse adeus em silêncio, Lamentando a indiferença... Meus passos soaram tensos Nas lajes da mal-querença. 
Eu disse adeus, e é tudo O que eu podia dizer... E quem permaneceu mudo, Não há de me ver morrer.



Lá, Onde eu Sou Poeta

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Existe uma terra longe, Lá, onde eu sou poeta, Onde Bocage é asceta E Pessoa se esconde Por trás de seus codinomes.
Shakespeare está perdido, Entre os sapos de Bandeira, E Florbela não é triste: Ri da dor que ainda insite, Canta e dança a noite inteira!
Lá, onde eu sou poeta, Augusto não é dos anjos, Mas amigo de Neruda. Quer beijar a boca muda De Cecília, que segura Pelo braço, seu marido Mal comido e mal roupido.
Existe uma terra estranha, Surreal, onde eles andam Procurando suas memórias, Esquecidos de suas glórias Os poetas, já morridos E os ainda não nascidos.
Lá, onde eu quero estar, Nossas letras se confundem, Somos alvos de mil setas, Somos grandes e pequenos, Entre amargos e amenos -Mas somos todos poetas.