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Mostrando postagens de Junho, 2015

LIBERDADE

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Todas as borboletas têm o direito de serem como são.
-Eu digo todas, sem nenhuma exceção.
Algumas voarão mais alto, Outras, mais perto do chão.
Mas todas as borboletas têm o direito de serem como são.
E mesmo que alguém considere seu voo  Viagem limitada, sem reais motivos E sem nenhuma razão, Voo descabido, fraudulento, ignorante, E sem expressão,
Todas as borboletas têm o direito de serem como são.
Porque existem várias formas de exercer a censura, Existem várias formas de ferir, de cortar asas: E elas  são: veladamente limitar, tolher, intimidar, E tentar fazer com que todos os voos sejam apenas Cópias, sempre à mesma altura, Repetições eruditas de eternas e ultrapassadas cenas, Sem re-invenções, Sem quaisquer tentativas De desenvoltura.

E a mais forte forma de censura, É a intimidação, É tentar fazer o outro crer Na pior forma de loucura: A velada ditadura Do "Seja como eu, ou não vale a pena ser..."
Então: Todas as borboleta têm o direito de serem como são!


ANDAR

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Solto os passos no caminho, E deixo que ele me guie Até meu oculto destino.
O meu caminho é menino, Longo, voluntarioso, Feito de flores e espinhos.
E se passo displicente Aceitando ser guiada Pelo vento, ser levada, 
É que eu sei que eu sou folha, Que um dia , estará seca Caída na beira da estrada.


Tempo

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O dia passa pela minha janela, O sol nascendo E cruzando o céu, Sumindo Sobre o telhado de minha casa, Indo morrer atrás daquela montanha...
É assim todos os dias, O tempo passa sobre mim, O tempo passa sobre nós, E um dia, Vamos com ele, Vamos como o sol...
(A paisagem que deixamos, escura, Fica para trás Ao renascermos do outro lado?)



HAVERÁ

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HAVERÁ







Haverá um dia Em que todas as gaiolas Estarão vazias, E todas as asas Estarão no céu, Ou pousadas, sem sustos, Nos beirais das casas, Ou dentro das matas, Pairando felizes Sobre arranha-céus.
Os cantos sairão livres, Pelos bicos abertos, Sendo apreciados Por almas sensíveis Que não desejarão mais Aprisioná-los, Apedrejá-los, Ou falsificar As cores das penas.

Haverá um dia Sem asas cortadas, Sem vidas travadas, Sem cantos contidos Trinados sentidos Somente escutados Pelo egoísmo De um par de ouvidos.




CONTO

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Diante do azul Ele se sentava (Havia tantas lembranças No frio azul daquelas águas!)
Os olhos perdidos entre as letras De um velho jornal que ele olhava Mas não lia; As letras se embaralhavam, Escrevendo outras histórias.
O sol nos ombros Tentava esquentar a dor Da solidão que ofuscava A paisagem, Mesclada de antigas viagens, -Ah, e a limpidez daquelas águas...
Dentro do silêncio Que ele tentava abafar Com a música alta que tocava, As vozes chamavam, As vozes gritavam, Contando uma história feliz Que já terminara...
E destemido, O tempo avançava sobre ele, Deixando em seu rosto As marcas que ele temia, As estradas por onde ele voltava -Mas nunca chegava.
E eu o olhava Da janela da minha casa, Um mundo imenso entre nós dois Nos separava, E havia a vida que ele vivia, Surda às palavras solidárias Que eu calava.




SABER

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Não me interessa saber de tudo, -Prefiro saber de mim mesma A passar minhas horas Debruçada sobre o mundo, Segurando, entre os meus dedos Seus terços de dores, Dedilhando seus orgulhos E suas discrepâncias.

E se isto for ignorância, Sou, no mundo,  A pessoa mais ébria de insipiência!

Mas prefiro admiti-lo A  transformar  a sabedoria Em um emblema de arrogância.




Gritos Demais

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Gritos demais, silêncios de menos Nas ruas, nas curvas, nas telas, nas vidas... Os punhos cerrados, os olhos abertos Que nada vislumbram, que nada enxergam.
Gritos demais, sorrisos de menos Nas casas, escolas, nas praças, mercados... São gritos de ódio, clamando aos ouvidos Que não os escutam, de tão bem cerrados...
Gritos demais, verdades de menos Nas fotos, nos posts, nos blogs, nos sites... Na rede que enreda as almas de muitos Que nela se prendem, que a ela se entregam...
Gritos demais, sentidos de menos Cartazes e placas, retratos, protestos... A história se escreve entre ódios e pragas Nas linhas de um povo que não sabe nada...







SÓ DE PENSAR...

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Só de pensar Em me deixar dizer, Me sinto tão só... As areias do deserto, Os seus grãos em meus sapatos, Trazem o calor do sol Para o meu caminho...
-Mas são apenas grãos,  Que pesam na caminhada.
Só de pensar, Dá vontade de esquecer... Do que passou, do que não veio, Do que perdeu-se pela estrada, Do que ficou só no desejo Não satisfeito.
-Os grãos de areia nos sapatos caem pelo chão...
Só de pensar Sinto que morro, E é incrível, mas é bom... Eu fecho os olhos e te vejo, Mas não te anseio; Deixo que sigas teu caminho, Tu andas sempre pra bem longe, Bem longe de mim.
-São meus Os grãos de areia que tu pisas, Enfim...



ORDENHA

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Ordenha a pedra O poeta.
Daquela mais dura, Mais escura, Aquela,  Na beira da rua Deserta, Verte o leite mais branco, Mais doce, E escorre Pelos barrancos Dos trancos Do poeta.