domingo, 31 de agosto de 2014

A DIFERENÇA


A diferença,
É que sob todos os meus rostos,
Há o mesmo nome.

Há quem fique parado, 
À porta da igreja
Enquanto apedreja.

Rosto piedoso,
Após a fotografia,
Esmaga o pássaro entre os dedos.

Já eu, deixo que se vá,
Que voe livre e sem medos,
E agradeço.

Eu subo e eu desço,
Do céu ao inferno;
-Conheço o caminho.

Mas não arrasto, jamais
Ninguém comigo
(Nem os inimigos).

E quem me segue,
Sempre o faz
Por sua conta e risco.

Esta é a diferença,

E se alguém pensa
Que quero ser perfeita,
Parecer isto ou aquilo,

Não me conhece,
E perde seu tempo
A discursar
Sobre o que não entende,

E nunca entenderá,

Do alto da sua fingida bondade,
Do cadinho de sua maldade,
Derrama um amargo xarope 
Que ela mesma não engole.



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DESENLACE





Começo
Por desprender meus pés,
E logo, as mãos,
E então, a alma
As linhas das palmas
E o coração.

O olhar resvala,
A boca cala
O que ele vê.

E no cantinho
Da escura sala
As fibras raras
Puídas, ralas,
De minhas lembranças
Se desenlaçam
 Vão para o chão...

Caem as traças,
(Mortas ou não...)




terça-feira, 26 de agosto de 2014

APLICATIVOS INTERESSANTES




Gosto de saber o que acontece no mundo da tecnologia, embora não faça disto uma obsessão. Sou do tipo de pessoa que, se pudesse, trocaria de computador todo ano. Mas é claro, infelizmente, não posso. Adoro saber sobre as novidades, e ler sobre as tendências do futuro, mas confesso que estou bem longe de estar, como dizem, "antenada", pois falta-me o tempo necessário para tal.

Mesmo assim, ando experimentando alguns aplicativos que acho divertidos e úteis ao mesmo tempo:

-Smule - Este aplicativo permite-nos cantar em um karaokê mundial; explico: escolhemos a música, fazemos o download da apresentação e cantamos sozinhos ou acompanhados por pessoas que podem estar em qualquer parte do mundo e que deixaram suas partes já gravadas para quem desejar acompanhá-los. Temos nossa própria página, onde guardamos todas as nossas apresentações, e podemos também convidar pessoas para cantar conosco. Se errarmos, poderemos apagar a gravação e começar tudo de novo. E o mais importante: ninguém ali é profissional, as pessoas cantam apenas pelo prazer de cantar. alguns desafinam bastante, o que nos deixa mais à vontade e seguros quanto às nossas 'performances', hehe... Uma pena que só existam canções na língua inglesa. Espero que um dia alguém tenha a ideia de criar um Smule brasileiro.

-Hanks Writer - Um aplicativo criado por Tom Hanks, para os saudosistas das velhas máquinas de escrever. É um editor de texto que apresenta três modelos de máquinas de escrever antigas, e enquanto as usamos, desfrutamos do bom e velho ruído das teclas e do 'plim' quando chegamos ao final da linha. A aparência do texto é igualzinha a dos textos datilografados antigos, com a vantagem de apresentar corretor e previsor de texto.  Um aplicativo divertido, que se não é útil, é muito prazeroso. Eu amo o barulhinho da máquina de escrever. Após terminarmos o texto, podemos salvá-lo e e enviá-lo através de email. 

- Garage Band - Para quem é músico, uma ferramenta muito útil para ajudar a compor. O aplicativo oferece vários instrumentos musicais - guitarra acústica, guitarra elétrica, vários tipos de pianos, bateria, etc... - através dos quais o usuário pode compor músicas ou simplesmente, tocar Cai, Cai Balão, conforme suas habilidades... a minha vai até o Parabéns Pra você, mas é útil para quem entende de música e divertido para quem não entende ou está aprendendo. 

-Afterlight - Um editor de fotografias com recursos incríveis de filtros e molduras. Para quem adora fotografar. Alguns recursos precisam ser comprados para estarem disponíveis, mas os gratuitos já oferecem muitas possibilidades diferentes. Achei bacana.

-4Shared - Meu companheiro antigo, através do qual podemos ouvir e baixar músicas, textos e outros tipos de arquivo gratuitamente. É rápido, fácil e até agora não encontrei nada melhor.

-Relax M-HD - Para as pessoas que adoram músicas suaves e sons relaxantes de pássaros cantando, água de rio correndo, sininhos de vento, vento soprando... um fundo musical para quando estamos trabalhando, este aplicativo nos deixa relaxados e tranquilos. E inspirados! 

-Drawing Carl - Ótimo para quem tem crianças ou para quem ainda tem a sua criança interior. Através dele, é possível desenhar com o dedo na tela e criar lindos quadros com efeitos de pincéis, lápis de cor, lápis de cera, aquarela, etc..., e ainda salvar e partilhar em redes sociais como Facebook e Twitter. 

-Wikipedia - Adorei poder ter a Wikipedia comigo o tempo todo, pois é um dos aplicativos que mais utilizo, e que nos leva direto ao site da Wikipedia, onde podemos encontrar todo tipo de informação. Excelente para pesquisas, embora nem todo conteúdo seja confiável, pois são os próprios leitores que colocam os textos e os editam. Mesmo assim, uma fonte excelente de informação. 

-Megaphoto - Para os fãs dos modernos 'selfies', através deste aplicativo o usuário pode editar seu 'selfie' das maneiras mais criativas e engraçadas. Bem, realmente não é lá muito a minha praia, mas mesmo assim, achei legal.

-Office Mobile - Para quem trabalha e precisa ter um bom editor de texto sempre à mão, o Office para tablets oferece recursos suficientes para criar apresentações e editar textos. Dentro destes recursos, também gostei bastante do Notability. 

Todos estes aplicativos estão disponíveis na loja da Apple.



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

CANÁRIOS




Os canarinhos pousam leves
Suavemente sobre o arbusto
Trazendo o dia nas penas.

De repente, por um susto,
Em bando, eles alçam vôo 
Roubando, da aurora, a cena...




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O Palavrão e seu Contexto

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O Palavrão e Seu Contexto


Todos sabemos do uso do palavrão na literatura e nas artes cênicas - Rubem Braga e Dercy Gonçalves que o digam. O palavrão está tão incorporado à comunicação e expressão que existem dicionários e tratados sobre seu emprego. O palavrão às vezes dá o tom exato a um discurso, pois quando pessoas educadas o dizem, é porque talvez este seja o único linguajar que seu interlocutor realmente compreenda.

É preciso que haja contexto para o uso do palavrão, pois aqueles que o repetem constantemente, incorporando-o habitualmente ao vocabulário, acabam por chocar seus interlocutores; mas, dito de maneira privada a quem realmente merece escutá-lo, o palavrão pode ser o resumo de muitas palavras inúteis que, não importa o quanto fossem repetidas, jamais seriam realmente escutadas. O palavrão muitas vezes serve para selar conversas com pessoas ignorantes, insistentes e extremamente vaidosas, que só compreendem este tipo de linguajar. Sem contar que um palavrão dito na hora certa alivia a tensão de quem o profere, evitando medidas mais drásticas. 

Um bom palavrão pode colocar os pingos nos 'is' , definir fronteiras e estabelecer limites. Se eu digo um palavrão a alguém que me aborrece, será após já ter tentado ignorar e responder educadamente. E nessas horas, digo-o sem o menor arrependimento e sem fazer a menor questão de parecer educada. Nunca me arrependo destes momentos. Procuro viver a minha vida de forma a não precisar arrepender-me de nada que faço ou digo; portanto, se alguma vez refiro-me a alguém utilizando palavrões, é porque a pessoa o fez por merecer. Não tenho vergonha nenhuma das poucas vezes em que utilizei palavrões em meus escritos ou em meus discursos.

O palavrão, dito no momento certo, pode colocar um ponto final a uma discussão sem sentido. Mas nem sempre isto acontece.

Na verdade, vivemos em um mundo livre no qual cada um tem o direito - garantido por lei - de expressar-se como desejar, embora a boa educação ensine que palavrões nem sempre sejam bem vistos quando ditos entre pessoas que não merecem escutá-los; mas, em contexto privado e dito a quem realmente merece, o palavrão pode ser uma maneira de 'baixar a crista' de pessoas petulantes, arrogantes, perseguidoras, maníaco-depressivas e vaidosas.

Quem jamais disse um palavrão, que atire a primeira pedra.





No Dia em que me Perdi de Mim




Chovia,
No dia em que me perdi de mim.

Peguei carona em um raio azul, 
Aterrissei pesado em nuvem carregada,
Nasci trovão,
Desci na enxurrada,
E inconsequentemente,
Fui desaguada 
Num mar de fúria e naufrágios
(Por meu próprio sufrágio).

No dia em que me perdi de mim,
Havia neve sobre o asfalto quente,
Ranger de dentes,
Um falso sol de neon que brilhava,
E me iludia,
E me enganava,
E me arrastava 
Para a escuridão.

No dia em que me perdi de mim,
Não tive medo,
Nem percebi
A intenção
Assaz maléfica 
Do teu sorriso,
Que me sorria
Naquele espelho,
Caco de vida,
O olhar de esguelho
Da tua alma
Tão desabrida...

E eu então me perdi,
Desci ao inferno,
Onde colhi meus desafetos,

Mas aprendi 
A livrar-me dos insetos
Que me infestam,
Que me circundam,
Os vis maestros
Da barafunda
Que vivem nas tocas imundas
Sempre a olhar,
Fazendo contas,
Roendo os dedos,
Sempre a olhar...


Amar Você




Amar você é dia de sol,
Dia de sol e céu azul,
Quando estás azul,
Quando o sol por dentro 
Brilha.

Amar você é caminho aberto,
Caminho aberto e certo,
Quando estás estrada,
Quando tu caminhas
Sem amarras.

Amar você é liberdade e festa,
Liberdade e festa de mil cores,
Quando estás festivo,
E te sentes vivo,
Quando estás amor.

Amar você é sempre uma aventura,
Aventura de porta entreaberta,
Viagem incerta,
Misto de ansiedade,
Paz e loucura,

E não encontro um jeito,
E não acho a cura
De tanto te amar,
E te amar de novo
(Apesar da chuva,
Do mato fechado,
Do cinza gelado,
E do céu nublado
Que por vezes, és).



Nas Noites Frias das Lembranças




Guardo pedacinhos de caminhos,
Como o pão jogado na trilha
Por João e Maria,
Para quando eu me perder
Nas noites frias das lembranças.

Ensaio uma dança mais discreta,
Guardo vestidos de festas
E uso vestidos mais simples.

E embora eu ame o viver,
Tinjo os dias com cores mais claras,
E as noites,
Com sonhos mais raros.

Sei que estas noites logo chegam,
Logo descerão sobre mim,
Sobre nós,
E nos farão recordar a vida
Em pedaços coloridos de sorrisos paralisados
Que ficaram presos nas fotografias.

Mas quero que nestas noites frias,
Estejamos, ainda, de mãos dadas,
Olhos no horizonte, almas entrelaçadas,
A esperar o novo dia 
Que sempre chega,
Após cada noite fria.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

LUA EM LIBRA




Me parece
Que a lua está em libra,
E quando isto acontece,
As urtigas semeadas
Nos jardins alheios
São transplantadas
Por seus próprios jardineiros,
E viçosas, crescem
E se multiplicam
Nos próprios jardins
De quem as plantou.

Quem não as plantou,
Agradece.



Pássaros Tensos





Pássaros tensos


Enfileirados sobre os fios
Como notas musicais,
Os pássaros,
Silhuetas desenhadas 
Contra o céu da tarde,
Observam.

E vê-los assim, tão tensos
Na pauta perigosa
Dos fios de alta tensão,
Causa, de repente, uma melancolia...
Gostaria
de poder voar,
E se eu pudesse, eu juro,
Jamais pousaria assim, 
De maneira tao triste,
E tao silenciosamente.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cara Senhora...

Pude ver hoje de manhã, através de um link que recebi de uma pessoa que gosta de mim e me admira (ficou surpresa? Tais pessoas existem!) que você continua publicando coisas ao meu respeito em sua escrivaninha naquele Recanto do qual ambas participamos há tantos anos. Fui dar uma olhada, e apenas constatei que, ao publicar os emails que trocamos - e que começou com um enviado por você em fevereiro último :

Luna Di Primo

22 de fev
para mim
fico boba de ver a capacidade que tenho sobre sua mente, 
o poder que exerço sobre seu 'intelecto'
sempre escrevendo em cima de meus textos, pobrezinha...
adora chamar minha atenção, escrever para mim rsrs
o que escrevo cai-lhe como carapuça, embora você não me inspire nem o mal
aliás você não inspira nada
mas as pessoas veem que você escreve em cima do que escrevo e imagina o que elas pensam...
bjim querida escritora 'autentica'

Você acabou me prestando um favorzinho: mostrou a todos o que eu sempre soube: não passa de uma fofoqueira, difamadora, e ainda por cima, covarde, pois republica sempre coisas que a administração do site retirou a meu pedido, mas tem o cuidado de trocar os títulos dos textos para que eles não voltem a ser retirados. Sob títulos "inocentes", posta coisas escabrosas, mentirosas, difamando não apenas a mim mas a muitas outras pessoas dentro do site. Engraçado, você me escrever dizendo que eu gosto de brigar com as pessoas... apenas me defendo de abordagens grosseiras.

Quanto ao palavrão em forma de mindim que usei para responder a um de seus assédios, mantenho-no. Pena que você ainda não 'foi,' pois se tivesse 'ido', talvez estivesse mais calma.

Pedi-lhe que identificasse o texto que você diz ter sido plagiado por mim, mas até hoje, você não o fez. Acha que porque as pessoas publicam poemas inspirados pela lua, estão falando de você. Bem, se for assim, todos os poetas são culpados! Você NÃO é a lua, e a lua não é você. Seu ego do tamanho de um bonde faz com que se ache musa inspiradora.

Bem, volte lá para o topo do mundo (não se sente ridícula proclamando por aí que é escritora de renome internacional apenas porque publicou uma cartilha em inglês? Qualquer um pode publicar livros virtuais e tê-los no mundo todo, o que não significa ABSOLUTAMENTE NADA! ).

Mesmo assim, apesar de tudo, continuo te desejando sorte e saúde, e que a sua 'carreira internacional' te conduza aos píncaros da fama, cada vez mais alto e cada vez mais longe.

E olhe só que trecho de email ridículo você me mandou recentemente:


...mas estou com textos para postar e um deles é exatamente sobre o que acaba de sugerir, já está pronto e os outros programados e então sairei, como está escrito no texto que deixei nas postagens... mas provavelmente vocês denunciarão como sempre fazem... a dor só dói em vocês... 

meus leitores é que estão com medo de vocês, por isso estou falando sozinha como você diz em seus textos... (eu disse isso?! Onde, senhora?!)mas não preciso andar atrás de ninguém para ler o que escrevo... as leituras estão lá... posso postar textos o dia todo que o povo vai ler sem que eu tenha que buscá-los.

Então os teus leitores não te leem por minha causa?! Mas que coisa absurda! Não te leem porque tem medo de mim?! Não será porque não gostam do que você escreve? E ler outros escritores, para mim, não é buscar leituras, eu leio por prazer, e também em retribuição a leituras que me fazem, pois existe na internet algo chamado 'interação' - já ouviu falar? Não espero sentar-me em um trono e que as pessoas venham até mim adorar a minha imagem apenas porque eu escrevi um texto. Para isso, é preciso haver reciprocidade, além de admiração e respeito pelo que o outro escreve. Mas para você, a única pessoa que escreve bem é você mesma, e o que os outros tem para mostrar é lixo, e interagir, é mendigar leituras... que pensamento pobre!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

SANTOS





Se formos santos,
O que faremos
Com os outros tantos
Que não o são 
E nem serão?

Sacrificá-los  
Aos nossos deuses,
Buscando, assim,
A redenção?

E se 
Não somos santos,
Eles o são?

Canonizemos,
Demonizemos...

Jamais seremos,
Ou entenderemos
O que nós somos,
O que eles são...

Não ha contexto
Ou solução...
Sejamos soltos,
Então.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

FAMA, DROGAS, SUICÍDIO: UMA SUPOSIÇÃO

robinwilliams.jpg
IMAGEM: GOOGLE


Diante de mais um artista que suicidou-se, nosso grandioso Robbin Williams, após o susto, a indignação e a tristeza, sempre surgem-nos também muitas indagações. Por que uma pessoa famosa e rica, que conseguiu atingir na vida coisas com as quais a maioria de nós nem sequer ousa sonhar, não teve também incluída no pacote a tal felicidade? Estar na mídia, poder ir aonde quiser, ser admirado pela maioria das pessoas, conhecer as pessoas mais importantes, morar nas casas mais maravilhosas e ter os melhores carros não foi capaz de trazer felicidade; por que?

Acho que a fama pode trazer também uma certa estranheza; o mundo ao qual o famoso pertencia antes de tornar-se conhecido torna-se um lugar distante no mapa, para onde ele não poderá mais voltar. A fama talvez seja como uma estrada sem volta, que o afasta cada vez mais de suas origens e pontos de referência, de quem aprendeu a ser. De repente, vem a vontade de estar com aqueles que o conhecem bem, o amam e ensinaram-lhe a maioria das coisas que sabe, e ele faz o caminho de volta penas para descobrir que tais pessoas já não o reconhecem mais, ou não o aceitam como antes, ou aceitam-no apenas como algum ilustre famoso/desconhecido. É como constatar que todo aquele amor não era assim tão forte... e como é difícil constatar a fragilidade de um sentimento tão importante quanto o amor!

Um bom exemplo deste retorno é o jogador de futebol Adriano. Felizmente, ele ainda conseguiu encontrar suas origens, mas a maioria das pessoas não consegue, e é doloroso saber-se não aceito entre as pessoas com quem cresceu. O lugar que a pessoa famosa ocupava naquele contexto de vida já não existe mais.

A fama pode vir como um rolo compressor, e enquanto o envolvido se deixa levar por ela, mergulhando na roda viva de compromissos, fotos, entrevistas, convites e glamour, acaba muitas vezes vendo-se cercado por pessoas interesseiras, que nada sentem por ele de verdadeiro, e que só estão por perto a fim de desfrutarem também de um pouco de fama ou aproveitarem-se de sua influência. Também é o momento no qual aparecem parentes distantes e supostos “amigos de infância.”
Muitas vezes, penso eu, o famoso encontra-se entre dois mundos: um ao qual não mais pertence e onde não é mais aceito e outro ao qual  descobre não desejar pertencer.

As relações humanas são complicadas. É duro para o famoso descobrir que aqueles que antes eram considerados amigos não suportam o seu sucesso, e que no fundo, desejavam que ele permanecesse sempre o mesmo, relegando-o à indiferença assim que ele conseguiu ascender. Este tipo de atitude pode vir até mesmo de membros da família: pais, irmãos e demais parentes.

É claro que isto não é uma regra, e todos sabemos de pessoas famosas que tem, até hoje, o amor e o amparo de amigos e familiares. Mas a maioria daqueles que desejam ser famosos, na verdade não sabem o que estão desejando. Como em tudo na vida (inclusive o anonimato), a fama tem um preço a ser pago, e quem a ela aspira deve ter a contabilidade em dia, além de muita maturidade e força espiritual.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

TUDO FICA BEM NA TUA BOCA




Tudo fica bem na tua boca,
O sorriso torto,
Os lábios caídos
Num esgar de riso,
Os dentes trincados
De medo e de raiva,
A palavra mais suja,
Mais rasa.

A injúria traçada
Pelas linhas tortas
Da língua ferina,
O sopro de lava
Que queima e que trava
A minha palavra.

Tudo fica bem 
Na tua boca aberta,
Escancarada:
O fel da mentira,
O sabor da ira,
O beijo amargoso
Que fere meu rosto.

Tudo fica bem na tua boca,
Ah, e que coisa mais louca
Esse poder que ela tem
De refletir, de mostrar
Exatamente
Sem necessidade de lentes,
O que teu coração guarda!

OSMOSE




Sempre a mesma dose!

No fundo do copo, o mais forte,
O que sobrou
Do absinto
Eles me servem.

Aprendo não por palavras,
Não pelas travas,
Mas por osmose,
Aos trancos,
Pelos barrancos
E arrancos
De quem me aponta
E de si mesmo
Foge.






sexta-feira, 8 de agosto de 2014

NUNCA MAIS É SÓ ATÉ AMANHÃ




É comum a todo ser humano, após passar por alguma experiência traumática, dizer coisas como: “Nunca mais faço isso!” ou “Nunca mais eu me apaixonarei de novo!” e “Nunca mais terei outro cachorro!” Não queremos repetir as experiências negativas que o fim sempre traz. No momento em que estamos sofrendo, só pensamos no que está sendo ruim e tendemos a esquecer o que foi bom, os momentos felizes que aquela convivência nos trouxe. Talvez, se pudessem  lembrar-se do que foi bom, as pessoas não odiassem tanto os seus ex. Quem sabe...
Nem percebemos que, se a separação ou o fim de alguma situação nos dói tanto, é porque foi bom! E quando nos recusamos a tentar novamente, a começar de novo, nos protegemos não apenas das dores, mas também das alegrias que as coisas trazem. E estas últimas são geralmente bem maiores – nós é que temos sempre a estranha mania de focar no que é ruim.

Depois que choramos pela despedida, depois que nos acostumamos à ausência de algo ou de alguém que se foi, as feridas começam a cicatrizar, e a vida (ou o instinto de sobrevivência) nos força a começar a pensar em procurar a felicidade novamente; se isto não acontecer, é porque nossas almas adoeceram, e precisamos de ajuda para superar. E muitas vezes, o melhor remédio para superarmos uma perda, é dar-nos a chance de começar tudo de novo, com pessoas ou coisas novas, e em outros lugares, talvez.




Por isso, estamos trazendo para casa um novo cão. Mootley (como naquele desenho animado onde Dick Vigarista sempre grita, ao meter-se em alguma enrascada: “Mootley! Faça alguma coisa!” E o cachorrinho, cobrindo a boca, começa a dar risadas). E eu sinceramente acredito que Mootley fará mais que apenas alguma coisa por nós: ele trará de volta à casa a velha alegria de uma presença que é mágica e confortadora. Ele trará de volta a inocência, a espontaneidade, a simplicidade e o deslumbramento que significa a presença de um cão para aqueles que, como nós, amam os animais.
Ninguém jamais substituirá nossos antigos cães; eles tem presença cativa em nossos corações, e seus nomes estão escritos nas pedras do jardim, no buraco da cerca viva por onde eles passavam (que nunca mais voltou a crescer), nas imagens que registramos dos muitos momentos felizes que vivemos ao lado deles, nos brinquedinhos que guardamos de lembrança, enfim, nas nossas memórias. Jamais os esqueceremos ou deixaremos de amá-los e de nos lembrarmos deles com todo carinho e saudade. Mootley não os substituirá, e nem pretendemos tal coisa. Ele virá para ocupar o seu próprio lugar e escrever sua própria história na história de nossas vidas. 




quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O que eu Vejo






Eu vejo
Os ponteiros do tempo
Nas tuas pupilas
Quando tu me olhas.

Eu vejo os acontecimentos
Percorrendo os trilhos
Das nossas histórias
Que se cruzam,
Seguem paralelas
E voltam a cruzar-se
Em uma configuração
Aparentemente aleatória.

Eu vejo a poesia
Passando como o vento
Deixando sussurros
Que eu recrio
E reinvento.

Mas o que mais fica,
É o tempo,
Que passa voando,
Que passa correndo
Enquanto me olhas...





SONO





O dia foi curto,
Mas a tua noite, será longa.
Sem mais delongas,
Vem te deitar.

Já pendurei,
Uma por uma
As estrelinhas
Para enfeitar
Os sonhos teus;
Venha sonhar!

Fecha teus olhos,
Esqueças logo 
Todo esse medo
De adormecer.

Verás que é fácil,
É só deitar,
Fechar os olhos,
É como morrer!

Traga um brinquedo
Para abraçar,
Um travesseiro
Pra sustentar
Tua cabeça
Já tão cansada
De só pensar.

Quem sabe, eu cante
Uma canção
Pra te ninar?...
Venha  deitar,
Venha esquecer,
Venha sonhar,
Venha morrer.





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A TRAÇA

A TRAÇA


A traça ameaça
Roer, corroer,
Esburacar tecidos
E antigos livros.

Tão ruim, tão sem-graça
O mote da traça!

A traça quer jaça,
A traça faz pirraça,
A traça estica o olho
E olha no buraco
Do ferrolho.





A traça
Quer desgraça,
E isto não passa!

Entala-se de linho podre,
Mordisca ataduras
Úmidas de pus.

Penso:

"Entre dois polegares,
Cala-se a traça."

Abrem-se as vidraças
E morre de frio
A traça.




É QUE ÀS VEZES, O ADEUS PESA...

Não, não pude olhar para trás,  Atravessar aquela rua, Ir ao pé da tua janela E me despedir. Não, eu  não pude hes...