terça-feira, 29 de abril de 2014

No Silêncio





No silêncio mais profundo,
Daqueles, no qual se escuta
O toque de um lenço que cai,
É que eu encontro minha paz.

E sempre, e cada vez mais,
Ando aprendendo que a vida
De cada um, é o que pode,
E o que precisa ser.

E o que eu não puder fazer,
Não estando ao meu alcance,
Deixarei sempre à deriva,
À espera do momento
Que arrebate aquele instante...

Sou bem menos que eu pensava,
E acho que menos ainda
Do que dizem que eu sou,
E ainda bem menor
É minha alma perdida
Que caminha sem destino
Nos corredores da vida...

Mas mesmo sendo uma chama
Na qual, com orgulho, alguém pisa,
Minha alma não se apaga:
Sobrevive à queda livre
Da intenção envenenada.








segunda-feira, 28 de abril de 2014

VELUDO










Cresce um musgo verde

Macio e aveludado

Sobre tudo,

Sobre o muro,

Sobre as almas

Entre as palmas

E as palavras.




Suave ao toque,

Nem se percebe que ele é morte.

Mais parece um caminho

Enfeitado

Verdejante de vida.




Mas as borboletas não se enganam,

E flanam

Bem longe dali.




O musgo cresce sobre tudo,

Envolve o mundo,

Cobre de umidade a verdade,

Lastra sobre as bocas

E as cidades.




Disfarça em seu veludo

O absurdo e a falácia

E o quanto pode parecerer linda

A iniquidade!




E o musgo cresce sobre os caules

E os troncos das árvores,

Sufoca e mata

Até que não haja mais folhas e flores,

Até que não haja mais nada.




(Mesmo assim, é verde a paisagem)






domingo, 27 de abril de 2014

Cartas Entre Amigos - Sobre Ganhar e Perder (resenha)





Cartas Entre Amigos -Sobre Ganhar e Perder
Gabriel Chalita & Fábio de Melo
Editora Globo –Ano: 2010 -
225 páginas







Hoje em dia, quase ninguém mais escreve cartas; ficamos presos à rapidez e informalidade dos e-mails, redes sociais e mensagens por telefone. A beleza e a verdade da palavra cuidadosamente escrita (e refletida) parece estar, cada vez mais, perdendo-se. E é neste exato momento que me caiu às mãos o livro Cartas Entre Amigos – Sobre Ganhar e Perder, de Gabriel Chalita e Fábio de Melo. O livro, como deixa claro o título, é o resultado da troca de correspondência entre dois grandes amigos, onde ambos discursam e refletem intensamente sobre o mundo de hoje, as pessoas, os relacionamentos, suas agruras, tristezas e vazios; e no meio de tudo, eles encontram e nos mostram o caminho de sua fé, sem a qual ficaria ainda mais difícil seguir em frente.

O respeito e a reverência que os dois amigos demonstram um pelo outro também é uma grande lição nesses tempos em que relacionamentos ganham contornos cada vez mais superficiais, frágeis e artificiais, e onde a palavra amizade tornou-se um clichê e a barreira entre a amizade e o excesso de intimidade é tão facilmente (co)rompida.

Um livro para ser lido e relido bem devagar. As histórias dos dois amigos entrelaçam-se com as nossas, e nos sentimos, ao mesmo tempo, personagens e autores coadjuvantes nos cenários que eles tão bem descrevem.

Alguns trechos do livro:

Carta de Fábio de Mello:

“Meu amigo, a escolha do filtro é determinante para o que conseguimos como resultado final. A vida é dura em todo canto. É dura em mim, é dura em você, é dura em todos nós. O sofrimento é normativo na condição humana. Há sempre uma dor sendo gestada, sendo sofrida em algum canto deste imenso mundo.”

Carta de Chalita, sobre a amizade:

“Amigos são poetas da alma. São andarilhos duais, alegres e tristes. São malabaristas, e, se necessário, palhaços. Brincam para que o sorriso não se faça de rogado. Testemunham o aconchego de um fim de tarde. Exalam o perfume agradável de uma flor que não se encontra em atacado. Amigos tem o poder da unicidade e não merecem a economia de nossos sentimentos. Se o convite é para o banho de cachoeira, para que perder tempo com a bica rala?

É uma vitória ter amigos. É uma derrota querer que os amigos sejam a projeção de nossas frustrações. O outro não é um pedaço que vai preencher um buraco do manto que me aquece. O outro é um manto inteiro. Mas um outro manto. Diferente do meu, e portanto, necessário.

Amizades interesseiras não são amizades. Na solidão das nossas decisões e no vazio de nossas escolhas, vamos percebendo quem é necessário e quem não entendeu o que é amar. Nada de parasitas, nada de sugadores nem de bajuladores hipócritas. Quantos são os que oferecem o perfume da euforia para que o cheiro da falsidade fique imperceptível? Cedo ou tarde se esquecerão de usar o perfume, e o odor natural será sentido.”

Fábio de Melo, sobre seu pai:

Meu amigo, pude viver muitos aprendizados ao lado do meu pai, mas há um fato que se tornou muito marcante para mim. Um aprendizado que aconteceu ao longo da minha vida, fruto de uma atitude que o acompanhou a vida inteira. Ele tinha o hábito de lavar o prato em que comia. (...) Depois de tanto tempo, fico pensando na mística que estava escondida naquele gesto. Lavar os pratos era um jeito que ele tinha de consertar o mundo. Herbert Viana tem um verso muito bonito em “Vamos Viver” que propõe: “Vamos consertar o mundo/Vamos começar lavando os pratos.” Meu pai aceitou a proposta, mesmo sem tê-la ouvido. (...) Talvez quisesse mostrar que, se cada um de seus oito filhos repetisse o gesto, minha mãe poderia descansar mais cedo depois das refeições.”

Chalita, sobre o luto:

(...) O luto necessário fortalece. O choro nos aproxima de quem somos, seres dotados de emoção. As janelas fechadas significam que a casa está sendo arrumada, que a sujeira está sendo limpa e que os enfeites estão encontrando o seu espaço para adornar e dar aconchego. Há o tempo da reforma e o tempo da inauguração. Em tempos de reforma, é melhor não trazer muita gente. A poeira pode dar uma impressão desagradável, as toalhas sobre as poltronas não são tão convidativas. Quando tudo estiver organizado, os convidados serão bem-vindos.”

Fábio de Melo:

“Nosso empenho precisa estar nisso. Fazer caber nas mãos o que queremos da vida.”

“(...)É isso que nos faz reconhecer, com Fernando Pessoa, que nada, absolutamente nada somos:

Não sou nada
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.

(...) Leiam de novo:

Não sou nada.
Nunca serei nada.

E quantas vezes forem necessárias. Leiam Pessoa os críticos de plantão, os fofoqueiros ou futriqueiros, como queiram. Leiam Pessoa os sujos, os que se emporcalham na avidez de emporcalhar os outros. Leiam Pessoa os que maltratam aqueles que servem. (...) Mas o poema continua. Se ficássemos apenas na negativa do que somos e do que seremos, negaríamos a própria razão da existência.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(...) Depois de constatar que não somos nem nunca seremos nada, Pessoa nos alívia com a água fresca dos sonhos. Temos em nós todos os sonhos do mundo. E só temos porque primeiro nos esvaziamos. Antes de saber que os sonhos do mundo moram em nós, precisamos concluir que não somos nada.”


sexta-feira, 25 de abril de 2014

CAMINHAR

Imagens: ruas por onde caminho

Bem cedo ainda; a manhã ainda tenta desvencilhar-se dos dedos brancos e macios da neblina. Saio para caminhar pelas ruas silenciosas do meu bairro, as casas ainda fechadas, até chegar à Avenida Barão do Rio Branco - uma belíssima via petropolitana, ornada de árvores centenárias (algumas paineiras, quaresmeiras e ipês ainda coloridos pelo amarelo, roxo e rosa de suas flores), que liga o centro à Itaipava, Correas e outros bairros.

Passam poucos carros neste feriado. Vou caminhando, caminhando, e de repente, sinto que estou mais leve, os passos avançando mais macios, tendo seu impacto devolvido pelas solas dos tênis. Passarinhos e raios de sol brincam entre os galhos das árvores. Alguns madrugadores passam por mim, e trocamos "Bons dias." 

Do outro lado da pista - que é separada da pista onde caminho por um rio - passa um rapaz correndo. Ele não me vê. Está sem camisa, e traz um sorriso leve no rosto. Ao olhar para ele, penso: "Saúde, juventude, alegria!" Percebo que, como eu, ele está totalmente imerso naquela caminhada, naquele momento. Sua pele branca mistura-se aos últimos traços de neblina. Parece etéreo.

Aos poucos, vou deixando este mundo. É engraçado... parece que caminho entre dimensões. Num instante, estou completamente isolada, só, suspensa e inacessível a qualquer coisa desagradável: memórias tristes, maus pensamentos, problemas corriqueiros do dia a dia, cansaço. A caminhada flui como as águas de um rio manso.


No forro dos meus pensamentos, de repente surge-me um antigo mantra, que eu costumava recitar em minha juventude: "Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare. Hare Rama, Rare Rama, Rama Rama, Hare Hare." E ele começa a elevar-se, dominando a minha mente, enquanto os outros pensamentos vão ficando pequeninos... reparo apenas nas árvores e nas gotas de chuva que ainda estão penduradas nas folhas como pequenos diamantes, e nos raios de sol que quaram a neblina já quase totalmente dissipada pelo frescor da manhã. 

Quando dou por mim, estou no final da Avenida Barão do Rio Branco, e começo a fazer o caminho de volta, desta vez, caminhando mais rápido. Acho que são cerca de dez quilômetros, no total de minha caminhada, ida e volta. Encontro com outras pessoas - alguns vizinhos - que estão começando agora a mesma jornada. Mais "Bons dias" e acenos. Eu adoro isso!

Percebi que estou mais leve, tanto física quanto emocionalmente. Fisicamente, deixei para trás nessas caminhadas quase sete quilos em dois meses. Emocionalmente, tive ótimas ideias para preparação de minhas aulas, cuidados com minha casa, reflexões sobre vários assuntos e material para escrever meus textos.

Às vezes, quando tem feirinha, eu paro para comprar legumes e flores. Noutras vezes, passo na padaria ou no mercado para comprar alguma coisa que a casa precisa.

O sol agora está alto. Uma sexta-feira Santa ensolarada. Talvez Ele esteja querendo dizer que já é hora de deixar a tristeza para trás, celebrar mais a vida, esquecer o que foi pesado. Talvez Ele queira, finalmente, descer da cruz na qual o pregaram para dizer que está vivo, e que não há mais motivos para lamentar o que ocorreu há tantos e tantos anos. Mas os homens não esquecem, e não perdoam. 

Quem sabe Judas Iscariotes e Jesus estejam hoje sentados juntos à mesma mesa, tendo longas conversas?


terça-feira, 22 de abril de 2014

Vinho





Estenda a taça,
Beba do vinho
Bem encorpado
Que a vida serve
Enquanto passa!

Da uva, o doce,
Noutras, o amargo...
Ficam no fundo
Da mesma taça.

Algumas gotas
Bem perfumadas,
Sangue travoso,
Manchas de borra...

A vida serve
No mesmo copo
Todos os vinhos
-E esta é a graça!

Bebê-los todos,
Aproveitá-los
Pois são da vida,
Amaros, doces,
E avinagrados...




segunda-feira, 21 de abril de 2014

Almoço Experimental




O bacalhau não deixou-me dormir na noite de sábado para domingo. De vez em quando, acordava tendo-o em meus pensamentos, nadando para lá e para cá nas minhas imagens - que à noite, são sempre mais intensas. No dia seguinte, logo de manhãzinha, teria como tarefa preparar uma bacalhoada para a família, que viria almoçar no domingo de páscoa. Nunca havia feito este prato.

Bem, mas tinha a macarronada da Josie - uma de minhas convidadas - que poderia "salvar a pátria" caso algo desse errado. Detalhe: para ela,
aquela macarronada também seria experimental.

Acordei bem cedo na manhã de domingo, e após reunir todos os ingredientes, comecei a preparar a misteriosa bacalhoada; já tinha imprimido várias receitas pela internet, mas acabei optando pela mais tradicional, as camadas de bacalhau, pimentão, azeitona, batata, tomates e bastante azeite. E fiz uma panela imensa de arroz branco. Calculei mal a quantidade, e quando vi, o arroz transbordava panela afora... até parece que não passei quase trinta anos de minha vida preparando almoços e jantares! Mas não estou acostumada a cozinhar para tanta gente.

Bem, lá pelas dez da manhã, ficou tudo pronto, e achei que tinha acordado cedo demais... daí, preparei uma salada para servir de entrada. E por que não, um bolo de carne? Afinal, meu sobrinho não gosta de bacalhau. Mas ainda sobrou muito tempo, e fiz uma salada de frutas para a sobremesa: "Vai que a sobremesa experimental de chocolate de minha irmã não dê certo..." Para arrematar, acabei cozinhando também uma panela de feijão para a complementar o almoço do meu sobrinho (o feijão ficou lá, intocado, pois quem é que come feijão no almoço de páscoa?). 

Resultado: deu tudo certo! O bacalhau ficou muito bom, e todo mundo comeu e repetiu (menos o meu sobrinho, que ficou com o bolo de carne, que todo mundo adorou). O macarrão experimental da Josie também fez o maior sucesso, e a sobremesa de chocolate da minha irmã foi a chave de ouro. Todo mundo comeu de tudo. Uma tarde de orgia gastronômica e pratos que não combinavam entre si, mas que agradavam a todos os gostos. Minha sala de almoço parecia um bufê de restaurante à quilo.

Sobrou o pote inteiro de salada de frutas. Quem come salada de frutas quando se tem sorvete e uma sobremesa cremosa de chocolate? Ai, ai... a salada de frutas vai virar uma vitamina hoje. 

A Josie ainda levou macarrão de volta para casa, e minha irmã Dal, um pote de arroz cheinho. Afinal, aqui em casa só tem duas pessoas, e o que faríamos com aquela comida toda? Mas o que importa, é que todo mundo se divertiu, e a Páscoa foi muito boa. Agora, é caminhar e fechar a boca para não recuperar os quilos que arduamente perdi...




sábado, 19 de abril de 2014

Feliz Páscoa


Foto: A todos do Facebook meus mais sinceros votos de uma Páscoa mágica e muito feliz!



Sempre gostei mais da Páscoa do que do Natal, embora também goste muito do segundo. Mas a Páscoa parece-me uma data mais reflexiva, e também, um pouco menos comercial. A morte, a ressurreição... o erguer-se da escuridão e ascender em direção à luz. Acho o simbolismo muito bonito.

A Páscoa também me traz lindas lembranças da infância, e creio que o mesmo se dê com a maioria das pessoas. Espero que nesta Páscoa todos possamos filtrar apenas o que for bom para dentro de nossas casas. Que fiquem as lembranças alegres de quem se foi, e que a presença de quem está à nossa mesa seja desfrutada plenamente.

A todos da blogesfera, meus mais sinceros votos de uma Feliz Páscoa, inesquecível e muito farta e reflexiva.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pérolas e Pedras




Das pérolas, faço um colar,
E das pedras, um caminho.
Jogo o que sobra no ar
Aos porcos e aos passarinhos.

E é com a mesma alegria
E com o mesmo prazer,
Pois a voz da poesia
É de quem a escolher.



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Coisas Um Tanto Estranhas que me Acontecem



Fatos reais; tive a ideia de escrever sobre essas coisas após um post no blog da amiga Ivone- Levitar em Brancas Nuvens- , que li há alguns dias.


Quem nunca viveu alguma coisa inexplicável, algo que todos consideram fantástico ou sobrenatural? A maioria das pessoas já passou por coisas assim, mas prefere calar, pois teme a incompreensão e o escárnio dos descrentes. Por este motivo, estes pequenos milagres cotidianos acabam ficando perdidos na estrada da nossa história, desvalorizados, morrendo de sede no meio da pista... e quando não sabemos valorizá-los ou escutá-los, eles vão se tornando cada vez mais raros, até desaparecerem por completo; é como alguém que bate insistentemente à uma porta, mas como ninguém vem abrir, acaba desistindo e indo embora.

Minha vida, assim como a vida de muita gente, está salpicada por estes fatos considerados 'sobrenaturais' - mas que eu considero apenas percepções normais que todo mundo tem, mas alguns não dão atenção ou importância.

Lembro-me de quando meu pai faleceu, quando eu tinha 22 anos; meses antes, eu tivera um sonho com um homem acompanhado de um menino que vinha à minha casa; ele me dizia que em breve, eu perderia alguém da família. Depois que meu pai morreu, quando eu sonhava com ele, aparecia-me sempre acompanhado por este homem ou pelo menino - ou ambos. Em um dos sonhos, vi meu pai subindo os degraus da casa, cansado (ele sofria do coração, e antes de morrer, precisava parar várias vezes para descansar quando subia escadas). Perguntei-lhe o que estava fazendo ali, e ele me respondeu que estava visitando; perguntei-lhe: "Mas se você está morto, como pode estar cansado?" O homem que o acompanhava respondeu minha pergunta: "Ele não está mais nesta vida, mas continua sendo a mesma pessoa, com as mesmas manias que sempre teve."

Meu avô também sempre me aparecia em sonhos acompanhado de um menino. Certa noite, sonhei que batiam à porta da sala, e era ele. Eu estava um pouco assustada, pois abrir a porta ao avô morto há anos não é um fato corriqueiro. Mas ele chegou como sempre fazia; sentou-se à mesa da cozinha, e eu, criança de novo, sentei-me ao colo dele. Ele me perguntou se estava tudo bem e se precisávamos de alguma coisa. Respondi:"Está tudo bem. A única coisa que precisamos, é do inventário da casa pronto. Já faz dez anos que começamos." Ele ficou pensativo, e decretou que cuidaria daquilo. Uma semana depois - após dez anos tentando finalizar o inventário - o advogado chamou minha mãe ao seu escritório, e pedindo mil desculpas pela demora, entregou a ela o inventário pronto. Coincidência?...

A morte de minha mãe também foi cheia de eventos e sonhos que a precederam, como já narrei aqui neste blog. E o pior ano de minha vida deu-se após  um sonho com um eclipse solar, onde eu abria o portão da casa a um misterioso estranho, que no sonho pensei tratar-se de algum aluno do qual não me lembrava bem - um rapaz alto e negro - e imediatamente, o dia escurecia. Eu perguntei a ele se era um eclipse, e ele respondeu: "Não; é o fim do mundo." Os eventos que se seguiram foram terríveis, e duraram um bom tempo.

Por incrível que pareça, às vezes aparece um besouro grande, de antenas longas e enormes, que emite um chiado horrível. Ele tem asas listradas, e gosta de serrar com o ferrão galhos finos de árvores. Tenho pavor deste bicho, pois quando ele aparece, sempre morre alguém.

A maioria das coisas estranhas que me vem, vem através de sonhos. Mas às vezes, também há alguns pressentimentos, que se confirmam ou não. Às vezes eu digo coisas para as pessoas que eu não sei de onde eu tiro; elas simplesmente vem à minha cabeça. Imediatamente após dizê-las, eu me arrependo. Acho que é muita irresponsabilidade afirmar coisas assim sobre as pessoas! Mas ao mesmo tempo, eu sinto que se eu digo, é porque elas precisam saber. Certa vez, disse a uma amiga,  que acabara de perder o emprego que ela seria readmitida; eu não queria falar aquilo, mas 'saiu...' ela me olhou de um jeito estranho, dizendo que era impossível, pois já tinha assinado a demissão. Logo no dia seguinte à noite, ela disse que a diretoria chamou-a e deu-lhe o emprego de volta.

Às vezes, quando converso com uma pessoa pela primeira vez, sinto uma atração ou repulsa imediatas. Não é sempre, mas quando acontece e eu ignoro, algo importante (muito bom ou muito ruim) acaba acontecendo entre aquela pessoa e eu, dependendo se o sentimento é de antipatia ou simpatia. O problema, é que eu nem sempre levo meus instintos em consideração...

 Dois anos antes de ficar sabendo da doença de meu sobrinho Ricardo - um câncer que o levou em um ano - chegou-me um aluno, também chamado Ricardo, que sofria de um tumor cerebral inoperável. Era sempre emocionante estar perto dele. Certa vez, após uma chuva, olhamos para a vidraça da janela e havia dezenas de pirilampos pousados nela. Interrompemos a aula, e fomos olhar para eles mais de perto. Eles piscavam suas luzes verdes... foi um momento mágico...

 Nós conversávamos muito sobre viver e morrer. Já no finalzinho, pouco antes de ele parar de vir às aulas, telefonou-me dizendo que tinha se casado e estava muito feliz. Uma semana depois, ele morreu. Eu ficava pensando: "Por que comigo? O que fez com que este rapaz procurasse logo a mim para ser sua professora? O que faz um paciente terminal desejar aprender inglês?" Durante sua missa de sétimo dia, a mãe dele me disse que eu tinha sido muito importante para ele, e que nossas conversas ajudaram-no muito. Anos depois, durante a doença do meu sobrinho, lembrei-me daquele outro Ricardo, e achei que tudo tinha sido uma preparação...

Às vezes eu fico sentada lá fora no jardim, pensando em todas essas coisas. Nessas horas, acredito que há mesmo um motivo para tudo o que acontece, uma sequência de eventos, e que nada ou muito pouco em nossas vidas é aleatório. Mas a rotina me leva de volta à roda viva dos eventos planejados, onde não há ligações cármicas ou momentos mágicos e inexplicáveis; a vida "real", onde cada um precisa trabalhar para sobreviver e agarrar-se a qualquer coisa que pareça mais sólida. Daí, acho que passou.

Até que acontece de novo.


CHOCOLATE






Só a pronúncia, o som da palavra “chocolate” faz a minha boca encher-se d’água. Acho que o chocolate foi algo que Deus inventou para que a vida tivesse mais sentido, mesmo nas horas ruins – aquelas, em que nos sentamos em frente à TV com uma caixa de bombons, querendo que o mundo acabe em... chocolate!
Segundo a Wikipedia, os mais antigos vestígios da plantação de cacau (planta que dá origem ao chocolate como o conhecemos) datam de 1100 a 1400 Antes de Cristo, em Honduras. Há também vestígios encontrados em uma peça de cerâmica Maia que mostra que o chocolate era utilizado como bebida no ano 400 Depois de Cristo. Os espanhóis descobriram sua utilização em 1585, após conquistarem (e dizimarem) o Império Asteca. 

No século XVII, além de ser consumido como bebida, ele passou a ser também consumido como doce... que ideia maravilhosa! Os portugueses trouxeram-no para o Brasil.  Ainda bem! 

Na Páscoa, o chocolate tornou-se uma tradição, embora alguns achem que o ato de presentear crianças e adultos com chocolates nesta época seja apenas um evento comercial e sem sentido. Antigamente, na Idade Média, povos pagãos Europeus presenteavam uns aos outros com ovos de galinha pintados com sumos coloridos por ervas. Era uma homenagem à festa da Primavera, um ritual de fertilidade. Mais tarde, este hábito foi incorporado pelos nobres, que passaram a presentear uns aos outros na Páscoa com ovos de ouro cravejados de pedras preciosas. 
O primeiro povo a fabricar ovos de chocolate foram os franceses. Isto ocorreu apenas duzentos anos após a conquista dos Astecas pelos espanhóis.

O chocolate, quando consumido em doses moderadas, é muito benéfico à saúde, pois contém vitaminas do complexo B, manganês, potássio e magnésio. Os médicos indicam que o melhor chocolate é o amargo, ou meio-amargo, que contém 70 a 80 por cento de cacau. Bem, eu particularmente prefiro o chocolate ao leite.
Dizem até que o chocolate pode ajudar a combater o câncer de intestino, devido às suas propriedades antioxidantes. Ele pode melhorar o fluxo arterial e prevenir problemas de coração. Hoje em dia, o chocolate é usado até mesmo na estética! Há máscaras de chocolate para o rosto e escovas de chocolate para os cabelos. 
Mas para mim, o que mais importa é o prazer que eu sinto ao comer uma barra de chocolate ou bombom... ah, aquele pedacinho de perdição despertando o olfato, derretendo no céu da boca e Espalhando-se pela língua, tingindo os dentes de marrom e escorregando devagar pela garganta!... Seja comercial ou não, não consigo dispensar chocolates na Páscoa.

Certa vez conheci alguém que não gostava de chocolate. Dizia que jamais o comia, pois não gostava do sabor. Esta pessoa também não gostava de animais ou de música. Conclusão: não era muito normal...

Lembro-me de uma professora de Educação Artística que tive aos onze anos; certa vez, pediu-nos que levássemos para a sala de aula uma barra de chocolate para que pudéssemos fazer uma experiência gustativa; ela afirmou que, após aquela experiência, alguns de nós talvez deixássemos de gostar de chocolate. Ela mandou-nos colocar na boca, sem mastigar, um pequeno pedaço de chocolate, e de olhos fechados, seguíamos sua instrução de levar o pedacinho a diversos cantos da língua, sentindo o sabor. Ficamos assim durante alguns minutos. Se eu passei a gostar menos de chocolate depois daquilo? Pelo contrário; passei a gostar ainda mais, assim como a maioria de meus colegas.

Algumas de minhas melhores memórias de infância estão associadas ao chocolate: acordar na manhã de Páscoa com os gritos de minha mãe: “Ana, corre, vem ver o coelhinho!” É claro que eu sempre acordava e pulava da cama quando ele já tinha ido embora; mas no ninho, confeccionado em uma caixa de sapatos e enfeitado com papel de seda colorido e flores de quaresmeira, havia sempre um ovo de chocolate e bombons. Doces memórias!

Minha mãe nunca soube explicar-nos como o coelho conseguia por ovos – ainda mais de chocolate. Mas isto faz parte da magia.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Passo





Passo pelos meus sem ser compreendida,
Passo despercebida.
Eu inauguro cada dia da minha vida
E eles desfazem os laços.

Apressadamente viram os rostos
Quando eu passo,
Nada escutam do que eu digo,
Ou então torcem as palavras
Que  lhes caem nos ouvidos.

Desenho um arco-íris com o arco do braço,
Escolho minhas próprias cores
Para pintar meu mundo, minhas flores,
Não desejo o cinza que derramam,
Não quero a indiferença desbotada
Com a qual me homenageiam
Quando eu passo.




SOPRO




Eu sopro teu rosto, assim,
(meu rosto, invisível)
Para que te lembres de mim.

Deixo passos silenciosos
Pelo corredor da casa,
Deixo cair uma gota mínima
Do perfume que eu usava.

Mexo as saias das cortinas
Para que te lembres de mim,
Nos tempos em que eu dançava.

Eu venho naquela música
-Lembras? - que eu tanto gostava,
Derrubo em teu colo a flor seca
Que as páginas do livro marcava.

Me deito ao teu lado, assim,
Para que sonhes comigo,
Para que te lembres de mim.

Mas sei que um dia, me esqueces,
(As fotos amarelecem)
Cai a flor sêca no chão
(Tu a pisas sem notar...)

Outros perfumes virão,
Outros risos, outras danças,
Outras formas de viver:
-E então, será minha hora,
De finalmente,  morrer.



O Meu Coração...




Está chovendo, e neste momento, estou sentada na varanda apreciando a chuva e as plantas, finalmente, verdes novamente após a longa seca. Na casa da vizinha, a arrumadeira - uma senhora muito simpática - canta, em falsete: "Meu coração é de Jesus..." Às vezes ela se entusiasma um pouco mais, e capricha num grave ou num agudo. Enquanto isso, ela trabalha. Viver a vida assim, cantando: sinal de quem é simples e vê beleza em tudo, para onde quer que olhe!

Não sei dos problemas que ela pode ter na vida, mas de uma coisa, eu tenho certeza: ela os enfrenta com fé e coragem. Se não fosse assim, não cantaria daquele jeito, e nem sorriria para mim toda vez que me cumprimenta. Adoro poder conviver com a alegria autêntica de pessoas autênticas.

O dia hoje está lento... agora, um mormaço de sol aparece, fazendo brilhar as gotas de chuva tão finas quanto poeira de água. Elas caem devagar, como confetes sobre a paisagem. Que momento bonito! Da minha cadeira de balanço, eu olho a vida. E a arrumadeira da vizinha canta: "Meu Amigo, atenda meu pedido... amanhã pode ser muito tarde..."

Nada tenho a pedir a Deus. De repente, tudo ficou suspenso no ar, acima deste momento, para que ele seja único e puro. 





DECRETO




Fica então declarado
Que a partir de hoje,
Todas as estrelas me pertencem,
São meus todos os astros,
Já que não sei brilhar.

São minhas, as ondas do mar,
O sal das águas e os peixes,
Possuo todo o azul profundo
No qual descansam as sereias,
Já que não sei navegar.

Decreto , a quem interessar,
Que todos os pássaros são meus,
São meus todos os seres alados,
E também, as suas penas,
Já que eu não sei voar.

São meus também os poemas,
Todas as métricas, todas as rimas,
Decreto–as minhas por direito,
Já que eu não sou poeta,
Já que eu não sei cantar...



Morrer Todos os Dias






...E quem não morre todos os dias,
E não renasce, todos os dias,
Carrega consigo o cheiro do corte,
Profundo, negro e purulento,

Os pelos do mofo esverdeado
O odor nauseabundo e forte
Da Senhora Dona Morte.




quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sopro








Eu sopro teu rosto, assim,
(meu rosto, invisível)
Para que te lembres de mim.

Deixo passos silenciosos
Pelo corredor da casa,
Deixo cair uma gota mínima
Do perfume que eu usava.

Mexo as saias das cortinas
Para que te lembres de mim,
Nos tempos em que eu dançava.

Eu venho naquela música
-Lembras? - que eu tanto gostava,
Derrubo em teu colo a flor seca
Que as páginas do livro marcava.

Me deito ao teu lado, assim,
Para que sonhes comigo,
Para que te lembres de mim.

Mas sei que um dia, me esqueces,
(As fotos amarelecem)
Cai a flor seca no chão
(Tu a pisas sem notar...)

Outros perfumes virão,
Outros risos, outras danças,
Outras formas de viver:
-E então, será minha hora,
De finalmente,  morrer...




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Seis Horas da Tarde





Ela inclinou-se em direção ao rádio, aumentando o volume para ouvir melhor. Com a interferência, vinham alguns sons de assovios e estalos de estática, mas no meio daqueles sons, podia-se ouvir a voz do locutor com clareza. O crepúsculo iluminava a cozinha, e as luzes da casa ainda não tinham sido acesas. A mulher chama a menina:

-Aninha, vem escutar a Ave-Maria!

A menina desvia os olhos do desenho que passa na TV, dizendo:

-Depois eu vou, mãe. Agora está passando "Missão Mágica."

A mãe aumenta ainda mais o volume, perturbando o som da TV. Insiste:

-Vem ouvir a Ave-maria, Aninha. daqui a pouco, acaba.

Finalmente, Aninha suspira fundo e dá os poucos passos que a afastam da cozinha. Ela olha para fora, pelo janelão que dá para o telhado do vizinho, e vê o céu escarlate que serve de pano de fundo para as folhas de coqueiro que a brisa agita docemente. A mãe está em uma posição engraçada, inclinada em direção ao rádio, cotovelos em cima da mesa. 

O locutor lê uma carta. É uma história muito triste com música de fundo triste, que a menina não compreende muito bem. Ela pergunta:

-Mãe, o que é Ave-Maria?

A mãe faz sinal para que a menina faça silêncio, e Aninha, sentada à mesa, procura entre os feijões pretos algum grão colorido para brincar mais tarde. Ela adorava enfileirar os grãos e fingir que eram alunos, como as professoras faziam com as meninas no pátio do colégio.

O locutor termina a história e a oração, e uma música triste começa a tocar. A menina comenta:

-Que música triste, mãe....
-É linda! É a Ave-maria de Gounod. 
-Eu não gosto dessa música.

A mãe recorda, olhos no céu vermelho:

-Quando eu era interna no Colégio Amparo, todas as tardes nós rezávamos uma Ave-Maria às seis horas em ponto.
-Por que?
-Porque era assim.

Aquela cena repetir-se-ia muitas vezes na vida da mãe e da menina. Aninha já sabia rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria, embora não soubesse o que significavam aquelas palavras misteriosas e difíceis. Ela imaginava uma enorme pomba branca como sendo a Ave-Maria. E o Pai-Nosso tinha a cara igualzinha a do seu pai Sylvio. 

Havia no quarto da mãe, sobre o mármore de um camiseiro, uma imagem do Menino Jesus de Praga. Ela nunca entendia direito como o menino e o homem da cruz podiam ser os mesmos. E também não entendia como a mãe podia rezar para a imagem do menino, se quando ele morreu, já era um homem feito. Um dia, um moço bateu à porta e disse que era crente. A mãe deixou-o entrar, e quando ele viu a imagem do menino Jesus de Praga, pegou-a e jogou-a no chão, dizendo ser "coisa do diabo." A mãe colocou-o para fora e tentou colar a imagem, mas a lampadinha que ficava aos pés do santo nunca mais acendeu, e ficaram algumas lascas faltando, manchando o manto vermelho de branco.

Aninha aprendeu que seis horas é a hora de rezar uma Ave-maria e escutar aquela triste canção que toca no rádio. Por que? Porque é assim. E hoje ela estava na varanda da casa, quando às seis horas, o som da Ave-Maria na casa vizinha chegou-lhe aos ouvidos, e ela lembrou-se da mãe...

terça-feira, 8 de abril de 2014

MARZIPÃ





Marzipã


Surge,
Mistura-se à névoa que sobe
No denso silêncio
Que aos poucos, se encobre.

Um cheiro de nozes,
Um cheiro castanho de avelãs
E marzipã...

Um brilho sutil
De estrela da manhã,
Quase madrugada...

A noite foi longa,
Escura e pesada!...
Surge a deusa estilizada!

Cabelos de fogo,
Pele de romã,
E no hálito, marzipã.

-Manhã!





segunda-feira, 7 de abril de 2014

A Mentira




A mentira 
É como uma flecha
lançada nos olhos
De quem nela crê.

Negra tinta derramada
Nas águas claras de um lago,
Veneno posto no doce
Oferecido ao inocente.

A mentira
É um prato florido e vazio
Que só faz ter mais fome
Quem dele come.

Ah, mas os que o servem...
Ah, para estes
Serão reservados
Os mais belos quartos
Com vista indevassável
Dos jardins internos
Do inferno.







sábado, 5 de abril de 2014

Pisava em Nuvens







Pisava em Nuvens


Pisava em nuvens de flocos,
Flutuava sempre acima...
Lá embaixo, um mundo de dores
Que jamais a atingia...

Era pura, branca, limpa,
Lábios rosados de mel;
Não conhecia a agonia,
Nem mesmo o gosto do fel...

Da vida, sempre escolhia
O que de mais puro havia,
Não falava de tristezas,
Nada nunca a afligia!

Tecia em volta de si
Pura seda de alegrias,
Fechava os olhos e ouvidos
Para o que fere os sentidos...

Costurava em sua fronha
Material para os sonhos
Que tecia pela noite;
Sempre belos e risonhos!

Não andava: flutuava,
Jamais pisava os espinhos
Que a vida, às vezes, plantava
Pelos áridos caminhos...

Mas um dia, sempre chega
Aquela nuance mais forte
Um tom de dor, uma perda
Perpetrada pela morte!

De negro tingiu-se-lhe a vida
O sorriso se apagou...
Da sua nuvem, caiu,
E de cinzas se banhou!

Os espinhos penetraram-lhe
A sola branca dos pés
Sangrando sua confiança
Diante daquele revés...

As nuvens passavam longe,
E com ela, não sonhavam...
No chão, chamava por elas,
Mas elas nem lhe acenavam!

Seus sonhos morreram todos
De medo e decepção
Ao saber que a dor atinge
Todo e cada coração...

Aprendeu a ser mais forte,
A sonhar com mais cuidado
E a olhar quem percorria
Os caminhos escarpados.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Direito de Resposta





O espaço onde ambas participamos não dá direito de resposta; pelo menos, aqui, em meu blog, que é um espaço livre, posso manifestar-me. Jurei que não iria mais à sua página, mas você sempre me manda os links das nojeiras que publica, e também mandou-me por e-mail as respostas aos meus comentários naquele texto injurioso disfarçado de poema com o título "Um Beijo pra Você". É sempre assim, já não é a primeira vez que você republica textos retirados pela administração do site trocando os miolos de textos já publicados e mantendo títulos de outros textos mais antigos.Adora afirmar que eu tenho inveja de você e do seu trabalho - como se fosse trabalhoso criar poemas estúpidos com duas sílabas em cada verso, em tercetos. Você se diz tão cheia de luz e de brilho, e no entanto, vive de tentar empanar brilhos alheios e de soltar suas pragas rogadas a mim e a muitas outras pessoas em todos os seus textos; examine-os: grande parte deles contém mensagens direcionadas, humilhando outros escritores e ressaltando o brilho da sua "infinita luz de amor e bondade" (acrescento: luz tão forte, que tornou-a cega e pretensiosa, sempre com a mania de achar que todo mundo tem inveja de você).

Você fala mal dos gordos. Você fala mal de quem sofre e perde pessoas da família. Você sente-se vitoriosa apontando o dedo para as pessoas que estão passando por alguma dificuldade e julgando o quanto elas merecem ou não passar pelo que passam. Mas olha só: todo mundo sofre. Todo mundo passa por maus momentos na vida, e com certeza, você também já passou e passará, e espero que na pior hora, ninguém escreva poemas zombando da morte de seus entes queridos.

Cara senhora lunática, eu não tenho inveja de você. Sabe por que? Você não tem nada que eu pudesse sequer cogitar em desejar. Não troco meus poemas pelas coisinhas que você publica, e afirma que são lindas e cheias de luz. Prefiro meus poeminhas foscos e sem-brilho, pois não escrevo poesia para ganhar dinheiro na internet, como você afirmou que pretende, em um dos e-mails que me enviou. Não te desejo, como você me deseja abertamente naquele post absurdo, nenhum mal ou sofrimento; não é necessário desejar mal às pessoas. A vida se encarrega de trazer a cada um o que merece. 

Quero, de verdade, que você encontre ainda nesta vida um pedacinho de felicidade. Quero que você venda muitos poemas, muitos livros e cartilhas ensinando as pessoas como escrever a sua obra prima (ui,ui...) e que fique famosa, consiga ir ao Fantástico para uma entrevista e torne-se membro da Academia Brasileira de Letras. Desejo também que você se torne o Paulo Coelho feminino da literatura brasileira, e vá trilhar o Caminho de Compostela a fim de encontrar a paz espiritual. Desejo que você seja feliz em todos os sentidos: no amor, na profissão, na vida familiar e na literatura. Te desejo muita saúde e vida longa. Que nem você nem  ninguém de sua família fiquem doentes jamais.

Quero também que um dia você aprenda a rir. Rir de si mesma, do mundo, das vicissitudes da vida. Talvez seja isso o que te falta: alegria de viver. Olhar para as coisas simples e aprender a gostar delas, admirá-las. Porque só quem consegue ser simples pode ser capaz de admirar algo que outra pessoa faça e enxergar além do próprio umbigo  sem sentir tanta amargura.

De hoje em diante, escreva o que quiser e nem se preocupe em mandar-me por e-mail, pois você, a partir de agora, deixa de existir em minha vida. É página virada. Menos que o cocô do cavalo do bandido. Qualquer coisa vinda de você que, porventura, me chegue à caixa de e-mails, será alegremente deletada sem ser lida. Fale mal de mim para seus amigos, conte o que quiser, faça-se de vítima ou de algoz: eu não dou a mínima. Sabe por que? Porque muitas pessoas já me contataram, dizendo que também foram ou são molestadas por você. As pessoas te conhecem bem. E você, sempre tão preocupada com sua imagem de escritora de sucesso, cuidado para não escorregar no quiabo e cair de cara no chão. 

Sem mais para o momento, Feliz Páscoa, feliz natal e Próspero Ano-novo.



A MARIPOSA





O vento me trouxe uma mariposa
Morta
Jogou-a aos meus pés
No chão da varanda.

Ela agora descansa
Na palma da minha mão.

Lá longe, na mata, 
Revoam borboletas amarelas e brancas,
Cantam as cigarras.

Um grilo pequenino
Toca sua leve guitarra,
Não sabe da tempestade
Que é gerada no ventre das nuvens negras.
Um colibri chega bem perto,
De repente,
As asas zunem enquanto ele me olha
E vai embora...

Visita tão breve e tão preciosa!

Tudo é vida, tudo!...
Mas a mariposa me fez lembrar
De coisas que eu queria esquecer.
De repente, fiquei triste,
Começou a chover.





quinta-feira, 3 de abril de 2014

Aos Poucos




Boa tarde a todos!

Imaginem vocês que de repente eu me lembrei que tenho um netbook antiguinho que comprei em 2010 que já não uso há muito tempo e que estava guardado em uma prateleira (achei que nem funcionasse mais), e  através dele,estou conseguindo acessar meus blogs sem problemas, por enquanto.... Por enquanto, vou 'me virando' com ele mesmo... se receberem emails ou indicações para leitura, estarei mandando dele - livre de vírus.


Assim, vou retomando minhas atividades aos poucos, e espero, possa visitar e comentar outros blogs. Longe do ideal - prefiro o desktop com meu telão gigante - mas é o que há no momento...


REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...