domingo, 30 de março de 2014

Mensagem aos Meus Leitores - Importante




Bom dia a todos os que me leem!

Como todos sabem, já comentei que venho tendo dificuldades muito grandes ao acessar meus blogs, tentar comentar outros blogs ou abrir meus emails no Google.  Na maioria das vezes, ao tentar, a conexão cai. O mais incrível, é que se eu tentar acessar qualquer outro endereço na internet, consigo fazê-lo prontamente, sem problema algum. As dificuldades referem-se apenas às minhas contas de Google (e-mails, Google+ e blogger)  ou Facebook.

Já pedi ajuda do Blogger diversas vezes, e não recebi nenhuma assistência que resolvesse o impasse.

No início, pensei ser problemas de conexão, mas após ter minha conexão reavaliada por um especialista e  também pelo meu provedor, que me asseguraram que não há nada de errado com ela, e após pedir à assistência remota de meu programa antivírus para fazer uma varredura total em meu computador-  sem que encontrassem qualquer problema não resolvido de vírus ou malware, concluo que o problema esteja no Google.

Há algumas semanas recebi notificações do Facebook e também do Google reportando tentativas de invasões às minhas contas, e por isso, sempre que desejo exercer atividades na internet, um código é enviado ao meu telefone celular particular, tanto pelo Facebook quanto pelo Google. Na sexta-feira passada, recebi o código. Detalhe: eu não estava tentando acessar a minha conta: o meu computador estava desligado!

Portanto, venho alertá-los que, caso recebam qualquer e-mail em meu nome, não o abram: podem conter vírus. Não faço envios de fotos, vídeos, músicas ou PPSs a ninguém. Também, a partir de hoje, deixarei de indicar postagens de blogs (meus e alheios) pois não sei o que posso estar enviando aos outros usuários ao fazê-lo. Assim que conseguir solucionar o problema, postarei um novo relato, e então poderei enviar, com confiança, indicações para minhas e outras postagens.

Na medida do possível, estarei postando e comentando quando meu computador estiver de bom-humor. Caso o problema não seja resolvido, encerrarei minha conta no Google e abrirei uma nova.

Abraços a todos.

Obs: estou desde 9:50 da manhã tentando fazer este post.


sábado, 29 de março de 2014

Nanquim




Pintaram de negro as tuas memórias,
Encerraram-nas todas em caixas herméticas
Para que fosses esquecida.

As tuas flores,
Todas elas espalhadas pela vida,
Murcham, separadas,
Em jardins secos e mal cuidados.

Pintaram de negro as tuas obras,
Os teus sonhos são vidros de nanquim
-Nada mais resta de ti, é o fim,
Daqueles sorrisos nas fotografias.

Pois hoje, caminhas por uma estrada 
De uma só via, asfalto negro
Por onde nada volta!

O vento que sopra não traz teu perfume,
Apaga-se, aos poucos, o resto de lume
Que te animava.
As tuas feições, já quase esquecidas,
Somem das fotografias...

E os laços que ataste com todo carinho,
Desmancham-se, cortados por espinhos
Que o egoísmo fez crescer.

Pintaram de negro a tua história,
E nesse mar negro, afogam-se tuas palavras,
A voz calada, a garganta em borbulhos,
Teus olhos fechados, 

Tua vida?...

Ao menos tens o dom de ser esquecida,
A dor do viver já não te alcança...
És hoje uma longa e negra trança
Que pouco a pouco, se desmancha...






quinta-feira, 27 de março de 2014

Desafio!





Aceitando um convite para um desafio da colega blogueira Ingrid Flauzino, do blog A VIDA DA GUIDI: SENTE-SE, VAMOS CONVERSAR.


Como funciona o desafio?
Este é um desafio com objetivo de espalhar poesia por aí.
A ideia é publicar um poema e escolher mais 5 blogs para participar. Você deve avisar a cada blogueiro que ele foi indicado.
Pode ser qualquer tipo de poema, de autores conhecidos, desconhecidos, autoral, enfim, sendo poesia tá valendo!


Escolho um poema de Cecília Meireles, minha deusa.


Canto IV


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.


Escolho os blogs de:

1- Lu Cavichiolli
2- Professora Lourdes
3-Ivone
4-Bell
5- Evanir


quarta-feira, 26 de março de 2014

SABEDORIA








Toda sabedoria
Afoga-se num mar de palavras,
E as letras se soltam, desconexas, 
E chegam à praia espalhadas.

Algumas poucas não naufragam
-Boiam e nadam (caladas).





terça-feira, 25 de março de 2014

Nesta Casa







Janelas abertas ao sol e à chuva,
O beijo do vento, o sumo das uvas
Maceradas pelo tempo...

A revoar pela casa,
Lembranças dos meus momentos,
Retratos pelas paredes,
As plumas das minhas asas...

Ecos pelos corredores,
(As vozes das minhas dores)
Elegia à minha vida,
Esta casa me contém,
Contém tudo o que eu amei...

E um dia, eu vou embora,
Deixando vazia de mim
Esta casa, e desintegram-se
Os sonhos entre as paredes,
Desmancha-se o balançar
Tranquilo da minha rede...

E eu ficarei nos quadros, 
Na roupa de cama, o cheiro,
Sobre a mesa, as indeléveis
Marcas dos meus cotovelos,
O meu rosto sobre as flores
De um jardim que morre aos poucos,
Na cadeira de balanço,
Meu fantasma sorrateiro...

domingo, 23 de março de 2014

Pequena Folha




Pequena folha soprada,
Prenúncio de outono
Pousou na janela.

Pequena folha dourada,
Caída da mãe
No vento elevada...

Os veios marcados de tempo,
Se solta, se entrega
E sem medo, seca...

Pequena folha ferida,
Amarelecida,
Restinho de vida...




sexta-feira, 21 de março de 2014

A MAIS LINDA POESIA





Todas as manhãs, a vida se espreguiça,
Atiça a vontade, abrindo as janelas
Deixando que entre um raio de sol
-Ou beijos de chuva- e cantos de pássaros...

Ruídos de carros, pessoas e máquinas,
Veramente bela, a vida que passa!...
E quando se fecha sobre as nossas almas,
Derrama no cântaro precioso líquido.

Momentos de festa, momentos de dor,
Pedaços de cor entre a paz e a lida,
Lindamente escrita em papiros de pele,
A mais linda poesia: a vida, a vida!




segunda-feira, 17 de março de 2014

ELEGIA






Me esfolas, me cortas, me cospes,
Sou a mosca flutuante
Que passa pelo gargalo:
Mexo as patas na garganta.

Sou a fome que ainda
Permanece, após a janta,
A mentira que tu contas
Para convencer os tontos.

Sou a herege, a sacripanta,
A que rouba, sem piedade
Os teus sonhos, e os destrói,
Vertendo-os na realidade.

Sou teu saco de pancadas,
A desculpa esfarrapada
Para tua incompetência...
-Na verdade, não sou nada,

Sou bem menos que tu pensas,
Mas me fazes de estrada,
De bandeira, que drapejas
E de alvo, que apedrejas
Para aliviar as mágoas
Da tua vida desgraçada!

Ah, se ao menos eu pudesse
Ser um pouco do que dizes,
Se eu tivesse esse poder
Que tu tanto me atribuis!...

Eu faria uma magia
Mostraria o quanto és nada,
E o quanto eu nada sou,
-Nem ao menos a tal sombra
Que atrapalha a tua luz!...

Hoje eu faço uma elegia
-Presta atenção, estás vendo?
Eu te peço que a escrevas
Na minha última pedra:
"Aqui jaz quem nunca foi,
E continua não sendo."






sábado, 15 de março de 2014

Poesia





Entra de mansinho pela janela,
Pousa nas paredes, 
Traz consigo um canto
De passarinho.

Marca um raio de sol
Que se colore através do cristal,
Multipartido em cores...
Imprime-se, indelével,
Na face do coração.

Oculta-se, mostra-se,
Derrama-se
Em gotas de sangue,
Para logo elevar-se
No puxão de um sorriso,
Entre o branco e o negro, flutua,
Paz, amor, medo, loucura...

Na fronha, ela se deixa ficar
Até a manhã seguinte
Para conhecer melhor nossos sonhos...
Acorda-nos
No meio da noite, 
Num raio de lua que entra
E brilha sobre as pálpebras.

Espalha-se pela casa
Com o cheiro de café, 
Senta-se nas ondas das vozes,
Assiste ao filme na TV,
Fica lisa e esticada
Por sobre a roupa passada,
Varre o chão da casa
Presa que está
Aos fios da vassoura.

Olha-nos do rosto da flor,
Cai sobre nós, a folha seca,
Gota de chuva,
Beijo de brisa
Pétala
Precisa e efêmera,
Concreta e etérea,
Circula nas veias,
Faz parar o coração
Na última hora.

-E como ela chora!...

Ponte entre mundos,
Ela traz de volta quem se foi,
Faz-se estradas e caminhos percorridos
Por saudades e lembranças,
E é em seu rosto
Que nos revemos, crianças...

Poesia,
Minha melhor amiga,
Meu tudo, minha vida,
O motivo que me prende
E me solta
Neste e deste mundo.





quarta-feira, 12 de março de 2014

O Número de Dunbar

Robin Dunbar

O Número de Dunbar (Dunbar's Number)


Recentemente, usei em minhas aulas um artigo da revista Speak Up - gosto muito desta revista, pois traz assuntos interessantes para discutir em sala de aula com meus alunos de inglês - sobre o Número de Dunbar. De acordo com a Wikipedia (outra de minhas fontes favoritas, pois é simples e direta), Robin Dunbar (28/07/1947) é um antropólogo evolucionista da Universidade de Liverpool, Inglaterra. Após pesquisas, ele criou o Número de Dunbar. A Wikipedia explica que:

"O número de Dunbar define o limite cognitivo teórico do número de pessoas com as quais um indivíduo pode manter relações sociais estáveis. Nesse tipo de relação o indivíduo conhece cada membro do grupo e sabe identificar em que relação cada indivíduo se encontra com os outros indivíduos do grupo-1 Esse número teórico fica entre 100 e 230 pessoas, entre parentes e amigos. Deve-se reparar que as pequenas comunidades - tribos, aldeias, grupos de interesse comum - costumam ficar mais ou menos nessa faixa."

Dunbar criou um sistema de anéis concêntricos onde você está no centro, e à sua volta, um grupo social de cento e cinquenta pessoas, sendo que o anel mais próximo de você é formado por 3 a 5 pessoas, enquanto o segundo anel contém 10 a 15 pessoas, e o terceiro, 30 a 45.  As pessoas compondo o primeiro anel podem ser consideradas nossos amigos de verdade. Ele explica que, apesar de podermos considerar as pessoas dos anéis mais distantes como amigos ou pessoas com quem temos coisas em comum, dificilmente alguém conseguirá manejar relacionamentos significativos com um número de pessoas maior que 35. Os membros familiares não estão incluídos nestes números.

Segundo Angelita Viana Corrêa Scardua, pioneira nos estudos de psicologia positiva no Brasil, "...amizade que é amizade tem o suporte dos sentidos! Amigo de verdade tem olhos para ver, nariz para cheirar, mãos para tocar, ouvidos para ouvir…”Amigo virtual” pode até ser bom para “enganar” a solidão, pode mesmo até ajudar a expandir o círculo social, contribuindo com mais informações para o processamento cerebral… Mas amigo que é só virtual dificilmente poderá contribuir para que o cérebro libere muitos dos neurotransmissores que nos ajudam a nos sentirmos mais relaxados, alegres e felizes. Afinal, a ocitocina, um hormônio muito associado ao vínculo afetivo, tem no contato físico um dos seus principais gatilhos. Não é a toa que a ocitocina é carinhosamente chamada pelos cientistas de “hormônio do abraço”!

Concordo plenamente com ela. O que sabemos, realmente, sobre as pessoas com quem 'encontramos' no mundo virtual? Apenas o que elas colocam na rede. Vemos as fotografias mais bonitas, onde elas estão vestindo suas melhores roupas em lugares maravilhosos, sempre sorridentes e felizes. E quem não faz como elas, ou seja, quem não demonstra estar feliz e sorridente o tempo todo - mesmo que esta felicidade seja totalmente falsa - é considerado esquisito e desajustado. É preciso ser feliz a qualquer custo (ou pelo menos, fazer os outros acreditarem que é assim que somos). Jamais discordar, ser sempre amigo de todos, fazer cara de paisagem mesmo nas situações que normalmente nos tirariam do sério aqui fora, pois é preciso manter uma imagem de perfeição e impecabilidade.

No Facebook - uma rede social na qual tenho, no momento, 384 pessoas em meu círculo de amigos - eu sinto o quanto o Número de Dunbar realmente faz sentido.

Eu acho perigoso acreditar que realmente temos trezentos, quinhentos ou até mais amigos online. Amizade e afinidade não são a mesma coisa. Sempre tomo muito cuidado ao considerar alguém como amigo, e não tenho nenhum tipo de ilusão romântica a esse respeito. Porém, acredito que, de perto, ninguém é normal, mas também não é tão esquisito assim.




terça-feira, 11 de março de 2014

MEU AMOR NASCEU DA PEDRA




O poema abaixo foi composto a pedido de Zélia Maria Freire - participação em uma brincadeira no Facebook, onde os escolhidos deveriam publicar um poema em 24 horas ou presentear seu desafiante com um livro de poesias. Zélia desafiou-me, e ficou assim:




Meu  Amor Nasceu da Pedra



Meu amor nasceu da pedra 
Do meu coração fechado
Nasceu de um pedaço quebrado
Sem tempo, sem rosto e sem regra.

Derramei-me nessa entrega, 
Mas teu coração malvado
Lacerou-me na refrega 
E marcou de dor, para sempre
meu coração magoado...

 -Antes fosse só de pedra,
Antes ficasse fechado!




segunda-feira, 10 de março de 2014

De que Vale um Poema?




Por que escrevo? Qual o peso, sobre as coisas do mundo, de um poema? Modificarei as pessoas, melhorarei a humanidade, enriquecerei a mim mesma financeiramente? Não.

Qual o peso do teu poema? Até hoje, a quem ele modificou, a não ser a você mesmo?

Qual o peso da poesia? Por que as pessoas tem diferentes talentos? Algumas sabem escrever, outras sabem pintar, outras cantam ou compõe músicas. Há os que são mestres na cozinha e os que constróem casas. Há também os que sabem ensinar e educar.

E outros, escrevem poemas. E de todos os talentos nos quais eu possa pensar, talvez este seja o mais inútil, e o que menos possa valer aos olhos dos outros, e que menos provoque alguma reação ou mudança na humanidade.

Um poema não muda a humanidade, não melhora a nossa imagem pessoal, não é altruísta, não serve para quase nada.

A não ser para quem o escreve. Através da poesia, eu coloco meus pensamentos e sentimentos em dia. É a poesia que tem me salvado nos piores momentos da vida, e é ela quem me ajuda a expressar as minhas alegrias - duradouras ou efêmeras. Não sei o motivo desse dom. Não sei se nasci com ele. Nem sei se eu o mereço. Mas acreditemos que Deus dê a cada um de nós uma maneira de expressar-se e tornar, nem que seja apenas o espaço que nos cerca (escrever pode ser um talento um tanto egoísta), um pouco mais respirável e bonito.

Então, este terá sido o valor de um poema, e o valor de um talento.

Porque é preciso que nos troquemos por alguma coisa, e muitas vezes, este ato tem muito pouco ou quase nada a ver com as outras pessoas. E se por um acaso, alguém sentir-se tocado de alguma forma pelo que fizemos, então esta terá sido uma linda recompensa por um talento que nos foi concedido, mas jamais a maior delas. Porque, para mim, a maior recompensa é escrever.


HAIKAIS






Teia de aranha
Transparente armadilha
Para quem voa.


.
                                   
Louva o Louva Deus 
Dentro de si tem fome
Por borboletas.


.
                                     
Poça de lama
Aonde o sol se olha
Porém não se vê.

                                      
.

A formiguinha
Espionando o voo
Das andorinhas.


                                     
.

Canta a cigarra
E entrega sua vida
Por um poema.




                                                   

sábado, 8 de março de 2014

A VIDA



A vida é esse instante no qual te moves
E perguntas, e gritas, duvidas e foges
De todas as respostas que ela te der.

A vida é a paisagem à tua janela,
(Quer queiras ou não tornar-te parte dela)
A vida é o que passa, e tu passas com ela.

A vida é o que zomba da eternidade,
E conta mentiras, distorce verdades,
E ela te mata sempre no final.

E é só te matando que ela se revela,
E só te liberta quando ela te sela
No esquife ilusório da história fatal.















sexta-feira, 7 de março de 2014

Colha-me




Colha-me
Pois eu sou a flor rara,
A que tu mereces,
A que tu plantaste.
Segura firma
A minha haste,
Colha-me,
Cheira minhas partes
Erga-me
Como a um estandarte,
Ponha-me num vaso
Com água,
Olha-me,
Molha-me,
Cultiva tuas mágoas

E da próxima vez,
Escolha melhor
As flores que colhes,
As sementes que plantas,
A terra que aras,
A beleza
E a maldição
Com a qual deparas.

Faça de mim
Teu bem-me-quer,
Desfolha-me,
Sou teu mal-me-quer,
A medida certa e exata
daquilo que te encanta
E que te mata.



quinta-feira, 6 de março de 2014

SOBRE A FALSA CARIDADE



Antes de começar este texto, gostaria e deixar claro a quem possa interessar  que eu não sou uma pessoa caridosa. A caridade exige um grau de abnegação e entrega que eu não tenho. Mas alguma coisa eu aprendi, pois sou observadora e tento me aprimorar, embora esteja consciente de que há, para mim, mais caminho a percorrer do que percorrido na estrada do que chamam sabedoria, e sei também que jamais percorrerei todo este caminho nesta vida – se há outras, eu não sei, mas creio que há – e se assim for, ainda teria que nascer muitas vezes para que me sinta próxima à sabedoria.

Aprendi na Bíblia, que eu leio frequentemente, embora não siga todos os preceitos por ela indicados, que a caridade é mais do que apenas dar daquilo que nos sobra. Não significa dedicar um pouquinho de tempo livre aos necessitados, referindo-nos a este grupo de pessoas com tons de superioridade espiritual como seu eu me considerasse a sua salvadora. Não significa propagandear aquilo que eu faço de bom por alguém, expondo esta pessoa ou pessoas. Caridade verdadeira nunca é alardeada ou utilizada para fazer propaganda de si mesmo, como bem fazem a maioria dos políticos ao redor do mundo. A verdadeira caridade é aquela que dá e olha para outro lado, esquecendo-se imediatamente do que fez.
Da mesma forma, a pessoa verdadeiramente caridosa, não espera ou exige que os outros sejam como ela. Sabe que cada um tem a sua missão e está em um degrau diferente da evolução espiritual, e portanto, contenta-se em fazer o que pode e deixa em paz quem pensa diferente. O caridoso não se utiliza da sua caridade para apontar erros alheios.

Muito menos se esconde atrás dela. Não a usa como expiação para sua maldade escondida. Não aponta o dedo aqui e depois prepara uma saída estratégica do tipo “Vou ali fazer uma caridadedezinha e já volto”, como se a caridade fosse redimir seu lado obscuro. Não acredito naqueles que falam muito de sua própria luz e brilho enquanto apontam, com dedos sujos, a escuridão alheia, colocando-se acima dos demais.
Temo aqueles que dizem-se grandes líderes da humanidade e que controlam grandes massas de pessoas cegas e desesperadas, prontas a obedecê-los a fim de alcançar a salvação. Pois são assim seus seguidores: teleguiados. Se o líder apontar para alguém e ordenar: “mate!” Eles o farão. Não pensam por si mesmos. E acham que depois de perpetrarem seus crimes, basta uma pequena oração ou uma pequena caridade e tudo estará bem.

Tudo neste mundo tem o seu oposto: para a luz, a sombra; para o bem, o mal. Tem sido assim desde o princípio da humanidade, mesmo antes que qualquer religião tivesse sido estabelecida. Há um ponto de equilíbrio  - ou pelo menos, deveria haver – que nos mantém no centro. Ninguém é luz e bondade o tempo todo, e não acredito naqueles que dizem evitar contendas (abertamente), enquanto as perpetram, vingando-se de seus desafetos anonimamente e depois fazendo uma retirada estratégica que lhes traga a remissão dos pecados. Justificam-se dizendo: “Fiz pelo seu próprio bem.” Não; fizeram para que fossem aplaudidos. Seu ego e sua arrogância precisam sempre da confirmação do quanto são bondosas, abnegadas e espiritualmente elevadas.

Do que eu acho que elas precisam? Bem, já que não sou caridosa, e como tenho sido apontada e julgada por esse tipo de pessoa, dou-me o direito de opinar: elas precisam confrontar seus próprios demônios. Deixá-los sair e olhar bem dentro dos olhos deles, e aceitarem a sua sombra ao invés de projetá-las sempre nos outros. Precisam permitirem-se ser pessoas normais, ao invés de jogarem-se nessa infrutífera e hipócrita busca por uma perfeição espiritual que JAMAIS alcançarão. Acho também que elas precisam de muita análise. Anos de divã. E não o digo de maneira pejorativa, pois um bom profissional pode realmente ajudar a qualquer um que esteja em busca de si mesmo.


Quando comecei a escrever pela primeira vez na internet, em 2008, após alguns meses percebi que essas pessoas me perseguiam como os fariseus perseguiam os cristãos. Ou quem sabe, como os inquisidores perseguiam as bruxas na Idade Média. Do que elas tem medo? O que será que procuram em meus escritos, por que debruçam-se tão demoradamente sobre o que eles chamam de “Encarnação do Mal” e “Energia Negativa”, entre tantas outras coisas? Talvez elas procurem por aquela parte delas mesmas que tanto sufocam e não tem coragem de admitir que existe. Quem sabe?... talvez seja esta a minha missão: encarnar o mal. Ou aquilo que chamam de mal. E levar seu peso pelo mundo, sobre as minhas costas, para que ele sirva de espelho para os supostamente caridosos, bondosos e abnegados.


quarta-feira, 5 de março de 2014

VOU LEVANDO




Olha, eu vou levando a vida
Enquanto ela for me levando,
Pelo tardio das horas
Que o relógio vai marcando,
A tarde já vem morrendo
E as cores, desbotando...
E eu vou levando a vida
Enquanto ela for me levando...

Água seca no açude,
E caminhos vão se marcando
No chão batido das trilhas
Conforme eu vou caminhando...
É tarde para voltar,
A vida é mais que a metade,
E sempre a me acompanhar
Segue, de longe, a saudade...

E eu vou levando a vida
Enquanto ela for me levando,
Os dedos abrem feridas
Que estavam cicatrizando
Mas não doem; são dormentes
De tanto que se acostuma
Aos mesmos filmes passando
Sem haver mudança alguma!

E assim, eu levo a vida
Enquanto ela for me levando...
Passam dias, meses, anos,
E com eles, vou passando...
E um dia, eu sei que findo
Mas sem qualquer desencanto
Pois a vida sempre colhe
O que ela vai plantando...


terça-feira, 4 de março de 2014

Eu Crio Estradas





Eu crio estradas asfaltadas com palavras,
(Em cada curva, alguém me olha)
Estradas por onde ninguém passa,
Pois não são caminhos ao futuro,
Não são rotas seguras,
Não foram criadas para levar,
Mas para trazer de volta.

Eu crio estradas que ninguém jamais entende,
Pois não surgiram para serem compreendidas,
São as estradas da minha vida,
E nessas estradas, não ponho placas.

Eu crio estradas que jamais levam adiante,
Estradas que não tem começo ou fim,
Constantemente bifurcadas,
Cheias de encruzilhadas...
-Não são destinos,
Não são nada...

E eu,
Fico sempre à beira dessas estradas
Que em minha mente se criam,
Olhando as coisas e os espectros
Que por ela caminham,
Mas nunca me olham.
Aceno para eles,
E às vezes,
Eles deixam cair uma flor murcha
Que eu recolho, e levo às narinas.


                                     

segunda-feira, 3 de março de 2014

Sobre Conselhos





Os piores conselhos são sempre aqueles que não foram solicitados. 

Geralmente, pessoas supostamente bem intencionadas nos chegam com conselhos que não pedimos sobre assuntos que não lhes dizem respeito. Apontam-nos ao público e acham-se no direito de expor nossos problemas e opinar sobre nossas vidas e nosso caráter, colocando-se em um ponto acima de nós, exaltando assim seu ego inflado ao comentar sobre o nosso. 

Ninguém sabe tudo. Somente quem está passando por certa situação, somente a alma que está sob a carne açoitada, e que sente a dor do chicote a queimar-lhe, é quem realmente sabe aonde lhe aperta o calo.

É muito fácil dar conselhos: basta que eu coloque o problema de outra pessoa sob o meu próprio ponto de vista (acreditando assim que eu sou a dona da verdade universal) e diga o que eu faria se estivesse no lugar dela; mas o problema, é que eu não estou! Não sei dos motivos que levam alguém a agir como age. Não tenho o histórico de vida daquela pessoa, não conheço seus relacionamentos e nem sei, ao certo, pelo quê ela está realmente passando. Portanto, um bom conselho quanto aos conselhos: Dê-os quando solicitados - mas mesmo assim, pense bem antes.

A maioria das pessoas que gostam de colocar-se em um pedestal, expor problemas alheios e dar conselhos em público de forma generalizada, vulgarizando a dor do outro, tem o ego maior do que o daqueles a quem aconselha, pois sofre de um mal muito grave e comum nos dias de hoje: o orgulho espiritual. Se a sua intenção fosse realmente a de aconselhar e ajudar o outro com seu problema, servindo de auxílio para que ele veja as coisas com mais clareza e consiga libertar-se, aconselhá-lo ia de maneira privada, e não em público.




domingo, 2 de março de 2014

LORDOSES




Curam-se a dor das lordoses,
As feridas purulentas,
Encontra-se alívio
Para as escolioses.

Curam-se as dores de dente,
As verminoses,
Viroses e escaras,

Mas não cura, não há,
Para a tara dos Lordes!

Curam-se as mentes insanas,
Aplicam-se ataduras
Sobre as sarcoses,

Curam-se as gripes e pestes,
E lavam-se as vestes
Que cobrem fraturas.

Mas não há cura, meu Deus,
Não há cura
Para a tara dos Lordes!







REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...