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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Conversa com Cecília

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Me disseram, Cecília, Que a poesia Não passa de um amontoad De métricas e rimas, E que é proibido Mostrar nela sentimentosf, Verdades, tristezas E alegrias.
Me disseram, Cecília, Que eu me desnudo demais, me exponho demais, Me mostro demais, E que isto, Não é poesia.
Me disseram, Cecília,  Que poesia não é desabafo, Não é cantoria Do que de bom ou ruim Nos acontece.
Mas eles a leram, Cecília? Deitaram a alma sobre os teus versos (Ao invés de apenas percorrem, com os olhos, As tuas linhas), Ouviram teu coração quebrado Além do alinhado das rimas? -Não?!
Agora eu entendo melhor As mil pessoas de Fernando, E os muitos sapos que coaxaram No poema de Bandeira, E o porquê Drummond desejou tanto Ser gauche na vida!
Eles sentiram na pele A poesia incompreendida, A poesia-retrato De mil faces e mil nomes, Cecília...



Poema de Sete faces - Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto  desses que vivem na sombra  disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens  que co…

Escrito à Tinta

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Quando eu estava para completar dez anos de idade, minha mãe me chamou e perguntou-me o que eu preferiria ganhar de aniversário (o dinheiro era pouco): uma bola perereca, daquelas que quicam bem alto quando a gente as joga no chão - eu adorava jogar bola e era doida para ter uma daquelas-, ou canetas esferográficas e um caderno de dez matérias igual ao da minha irmã mais velha que já cursava o ginásio. Eu ia começar a quinta série ginasial no ano seguinte, e não via a hora de poder começar a escrever à tinta e ter todas as matérias da escola em um só caderno, ao invés de ter que carregar todos os dias os vários caderninhos encapados com um feioso plástico amarelo. Eu queria as duas coisas: a bolinha e o caderno com as canetas. Mas minha mãe me disse que eu teria que escolher, pois eles não poderiam comprar as duas coisas. Escolhi o caderno, embora só fosse começar a usá-lo no ano seguinte – estávamos em setembro. Deixei para trás, embora não sem certa nostalgia, a bolinha que pulava …

POSSO PROVAR

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Se eu quiser, posso provar Que estrelas são vermelhas, Que é frio no verão, Que é quente no inverno.
Se eu quiser, posso provar Que há dores nos sorrisos, Que há anjos no inferno, Demônios no paraíso.
Posso provar que na vida Nem tudo é o que parece, E o que aparece, não é Nem a ponta do iceberg...
Se eu quiser, posso provar Para que todos enxerguem, Que os joelhos esfolados Não estão assim por rezar...
Mas deixo à cargo do tempo As palavras e as provas E que tudo se revele Quando chegar o momento.





A CRÔNICA

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Estive pensando sobre as crônicas. Geralmente, o que eu escrevo é como se fosse uma fotografia do meu pensamento, e não me atenho a estilos, pois prefiro deixar as palavras surgirem e se acomodarem dentro do texto como elas quiserem. Porém, como tenho recebido algumas críticas ultimamente, alegando que não tenho talento como cronista ( e como poeta, contista ou seja lá qual for o estilo literário), decidi pesquisar mais sobre o assunto. Afinal, é através das críticas que mais aprendemos. Comecei com uma pesquisa rápida em um de meus sites preferidos, a Wikipedia, que diz (as partes em destaque sublinhadas no texto, foram escolhidas por mim):
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o fato de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições.Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos di…

Dúvida

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Faço ou não faço? Mando de volta Como resposta Ou recolho o aço?
Nos meus rascunhos Os testemunhos Do estardalhaço!
Ficam guardados -Mas até quando? Já preparados.
Faço ou não faço?, Já me pediram, Incentivaram, Me aconselharam:
-"Faça!", Disseram, "E denuncie Essa ameaça! Que a muitos grassa!"
Pois traz no peito A vil chantagem, Falsa amizade, Que pega a dor De quem está fraco Distorce e torce, Muda, desnuda, Joga na rede, Difama, prende Em vis chantagens...
Faço ou não faço?... Deixo que a noite (Mais uma noite) Traga a resposta...




O que acontece aqui começou bem antes de fevereiro, mas tentei ignorar até que recebi o primeiro e-mail vindo desta senhora que diz ser mundialmente reconhecida, estar "No topo do mundo" e ser a Rainha dos Mindins. Só não compreendo porque alguém tão famoso perde tanto tempo com alguém que, segundo ela, é tão insignificante quanto eu.


22 de fev (Há 2 dias)

O que está em vermelho é a minha reflexão sobre o que ela escreveu.


Lu…

Extensões

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Puxas os fios Querendo ouvir os assuntos De minha mente.
Fazes gambiarras, Gatos, ligações, E de todas as ilícitas formas possíveis Tiras conclusões.
Mas há estática nas extensões, Não escutas direito, Concluis e completas As minhas conversas Com tuas próprias palavras.
Depois, passas adiante, em noites insones, O que não sabes, Lábios sussurrantes colados ao bocal Do teu telefone, Crias, qual aranha que tece uma teia, As tuas verdades.
-ASPONE! Assistente de Porra Nenhuma, Flutuas e afundas, flutuas e afundas Num mar de psicoses, neuroses, Psicopatias e escolioses mentais, Os pensamentos tortos e distorcidos Pela vaidade Que sai da tua bunda.




O Riso da Lua

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O riso permanece,  Um selo sobre a face De uma língua que mingua Tal qual lua abandonada Num céu escarlate (E vê-se sempre cheia.)
Em volta, as estrelas.
E quando a língua arde, A lua se parte, Derrama-se em lavas frias A recitar Sobre o que não sabe.
Tão sem brilho, Tão sem arte!... Trem sem trilhos, Canção Sem estribilho...
A língua da lua Passa nua, Lambendo todo o mel Que encontra no céu, Sôfrega E desesperada, Desiludida...
E as coisas que ela cita, Embebidas na sua cicuta, Caem como lavas Esfriadas Sobre um solo batido Onde não brota nada.
-Ah, coitada da lua, Coitada!... Perdia-se nas rimas De uma poesia  Sempre inacabada!



ACROSS THE UNIVERSE - RESENHA

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RESENHA ACROSS THE UNIVERSE MUSICAL – ANO: 2008 – Revolution Studios DIREÇÃO: Julie Taylor ELENCO: Jim Sturgess (Jude) , Evan Rachel Woods (Lucy), Joe Anderson (Max), Dana Fuchs (Sadie), Martin Luther MacCoy (Jojo), T.V. Carpio (Prudence); participações de Joe Cocker e Bono Vox.
Obs: não-recomendado para quem não for fã incondicional dos Beatles.

Anos sessenta; o mundo, um caldeirão onde cozinham mudanças e revoluções. No meio de todos aqueles acontecimentos que mudaram radicalmente toda uma geração, Jude e Lucy se apaixonam. Ele, de origem proletária, nascido em Liverpool e criado pela mãe, decide largar sua vida e ir até Nova Iorque em busca do pai que nunca conhecera. Lucy, uma estudante de classe média alta que vive a vida como em um conto de fadas, logo vê seu castelo ruir ao saber que seu namorado, enviado ao Vietnã, não mais voltará.
Across the Universe é muito mais que um musical produzido apenas com músicas dos Beatles; é o relato histórico de uma época em que os Estados Un…

SORRISO

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Nada me disse o teu sorriso Preciso, Forjado, Tão isento de mágoas, Afogado nas águas Dos teus nadas.
Consolação que eu não pedi, Solidariedade forçada, Sorriso fúnebre, Daqueles que passam nos velórios, Sob as ceras das velas Apagadas.







Brincar de Poesia

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Poesia é coisa livre, Nos chama para brincar Seja de riso ou de dor, Poesia é o que é amar...
Poesia é brincadeira, Fogueira de São João Sobre a qual, à meia-noite, Pula sempre um coração.
Poesia não tem dono, A não ser o sentimento; Nasce livre, e sempre cabe Dentro de qualquer momento.
Poesia é navegar Nas águas de um mar que é doce... Levar a concha aos ouvidos Escrever - fosse o que fosse!
Momento de pura graça Sem barreiras ou grilhões; Poesia só agrada Se brotar nos corações.
Poesia é sempre livre, Não tem dono nem senhor... Nasce do que traz a vida, Seja riso ou seja dor.
Ela é sempre democrática, Seja qual for a temática... Poesia é fantasia, Sem grilhões, jamais estática!
Pode ter métrica ou rima, Mas o arremate final Tem que vir sempre das linhas De um sentimento abissal!
Poesia é a expressão Mais profunda, mais bonita Nasce em todo coração Que queira cantar a vida!



É TÃO FÁCIL ODIAR!

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Hoje em dia, principalmente porque vivemos em uma era tecnológica na qual ideias e pensamentos transitam livremente, chegando aos lugares mais distantes, odiar tornou-se muito fácil; por exemplo, basta que alguém diga ou escreva: "Não concordo com você." Esta curta frase é suficiente para causar desentendimentos, transtornos e discussões sem o menor sentido! 
As pessoas acham-se donas das ideias, e inflamadas por um ego que desconhece limites, acham-se no direito de impô-las; motivadas pelo anonimato, tecem comentários equivocados sobre a vida de pessoas que não conhecem, e desenham sobre seus rostos as piores feições, tracejadas de desejos de vingança. Chegam a proferir ameaças de agressões físicas e surras, desencadeando uma trilha de desamor e maledicências contra seus desafetos, angariando súditos que passam, através de sua influência, a também odiar aquela pessoa - que nem sequer conhecem.
Acredito que pessoas que agem desta maneira talvez estejam mal consigo mesmas. D…

TRISTE FLOR

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Triste, triste, triste flor A debruçar, sobre o muro Pétalas brancas de dor!
Vem a chuva, e as recolhe Tolhe sua florescência...
Triste, triste, triste flor! No meio-fio da calçada, Murchas manchas de amor...
Vem o vento, e as assopra, Espalham no ar sua essência...
Triste, triste, triste flor! Tua vida derramada, Buquê transido de adeuses, Murchas ausências sem cor...



Uma Mulher à Moda Antiga

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Acredito que eu seja uma mulher à moda antiga. Gosto muito quando um homem me cede o lugar em um espaço público, ou permite que eu adentre um ônibus ou sala diante dele. Gosto quando meu marido faz questão de pagar a conta do restaurante sozinho e me ajuda em pequenas tarefas caseiras. Acima de tudo, adoro quando vejo cavalheirismo genuíno, sem segundas intenções, aquele que vem do berço, da boa educação e de um sentimento de solidariedade ao próximo - seja o próximo homem ou mulher.
Infelizmente, homens assim fazem parte de uma rara categoria hoje em dia... o que mais vemos, são jovens que dirigem-se a garotas chamando-as de 'popozudas', 'cachorras' e outros codinomes menos honrosos. Pior de tudo: elas sentem orgulho ao serem desvalorizadas desta maneira. Há homens que furam filas, empurram mulheres e dizem palavrões diante de senhoras e crianças, desrespeitando o espaço comum e a sociedade onde vivem.
Hoje em dia, o apelo sexual parece ser a 'qualidade' mais…

O Bolor Nojento da Mentira

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Alguém confessa um crime; diz que vendeu-se por cento e cinquenta reais. Por causa desta quantia de dinheiro, não hesitou em quebrar, matar, ferir. E ainda se contradisse, alegando  que o fez porque espera um futuro melhor para seu país.
Ao ser indagado sobre quantas vezes ele participara nas manifestações, disse ser aquela a primeira. Ao mesmo tempo, filmagens eram exibidas, mostrando outras manifestações nas quais fez parte, e brigas nas quais participou. A cara dele estava ali, o que torna impossível a contestação. 
Disse não saber que o artefato que acendeu e colocou no meio da população se tratava de um rojão. Ora, até mesmo uma criança reconhece um rojão. Qualquer um sabe, ao acendê-lo, qual o seu poder de destruição, e colocá-lo no meio de pessoas desavisadas torna clara a intenção de ferir, de matar. 
Disse que alguns manifestantes estão sendo pagos para causar badernas e quebra-quebras. Por quem? "A polícia deve investigar, é o trabalho deles. Temo pela minha integridad…

Laconismo

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A gente vai - e isto é certo. Há flores e cores no caminho, Há dores, Há desertos.
Laconicamente passamos, Quase sempre, nem prestamos  A atenção que a vida merece; No fim de tudo, Resumimos toda uma existência Numa pálida prece.


SININHOS

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Antes, Os sininhos retiniam de mansinho, salpicavam luzes e estrelas Sobre as calçadas e gramados... Repicavam ventos Em doces e sutis dobrados...
Que saudade, meu Deus, Dos tempos em que os sininhos Soavam como vidrinhos de luz colorida Multipartida em prismas Quando alguém os tocava!
Ah, os sininhos de hoje, Não tocam mais os corações: Incitam violências, Tecem maledicências E acendem revoluções!
Há pavios nos sininhos, Choram as brisas entre noites Sangrentas e empedernidas, Sons rascantes e vazios!...
Os sons da dor e da morte Cantando sobre as calçadas, Casas quebradas, Palavras de ordem Desordenadas...

Paradoxo

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Deslizamos pelo éter De uma antiga galáxia incompreensível.
Somos seres tão estranhos!...
A nossa missão é sonhar, Mas nem todo sonho é missão...
Vagamos sempre hesitantes Entre desejos e vontades (Mas poucos nos são concedidos).
E entre o não e o talvez Ficam os sonhos, perdidos...


O Segundo Adeus

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Há um adeus após o adeus.
O primeiro adeus descansa Em algum espaço Entre o agora e o depois, Lá, onde chega a saudade Que é logo recolhida Entre carinhosas mãos.
O segundo adeus É o caminho de volta, O continuar - separados - Sem o aperto na garganta, Em algum lugar Que a saudade já não alcança.
É preciso ter coragem Para o segundo adeus.



Um Futuro Sem Memórias

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Histórias gravadas na pedra, papiros, pergaminhos, livros de papel... antes, tudo era registrado usando estes materiais, e acho que se não fosse por isso, nós não saberíamos tantas coisas sobre o passado quanto sabemos. Mas hoje, tudo é armazenado em nuvens que a qualquer momento, podem ser sopradas por algum vento virtual e desaparecer do céu; fotos, textos e reportagens são postadas em blogs e sites que podem sumir mais rapidamente do que piscamos os nossos olhos. Pendrives (já tive várias músicas e textos perdidos devido a pendrives defeituosos) e midias guardam nossas lembranças e memórias de família - que antigamente, ficavam em álbuns de papel.
E tudo pode sumir, desaparecer devido a uma simples pane na eletricidade ou na internet. De repente, um hacker pode invadir nossos espaços virtuais, apagando o conteúdo de toda uma vida, a obra de muitos anos. Sem falar na mais nova modalidade de sequestro - o sequestro de dados. Um cracker entra nos computadores de grandes empresas, e l…