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Mostrando postagens de Dezembro, 2013

...E Ela Cantarolava...

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E ela cantarolava Enquanto arrumava a casa, Guardando nos seus lugares Cada coisa, cada caixa, Limpando seu coração E também o nosso chão... Às vezes, ela gritava, De pura insatisfação...
E ela cantarolava, Wando, Iglesias, ou Roberto, Cortava, assim, as cebolas Que a faziam chorar... Cozinhava outro jantar, Lavava, mas não passava A dor que ela trazia... Mesmo assim, ela cantava!
E ela plantava flores Canteiros que ela cuidava; Escondia os dissabores Da vida que ela levava Por sob os panos de prato Que no arbusto, ela coarava. Cabeça cheia de sonhos Distantes, que ela guardava...
E ela cantarolava, E eu abria meus cadernos Sobre a mesa de madeira Enquanto eu só estudava; Tanta coisa eu aprendia, Outras, que eu só decorava... E ela apontava o dedo Na página mal-pintada.
E ela cantarolava Tentando esquecer as perdas Dos que a morte levava, Enquanto espanava a sala. Depois de pronta a comida, A gente então se sentava Em frente à Sessão da Tarde; E assim, a vida passava...
Para Minha Mã…

HAIKAIS

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Gota de orvalho Um pequeno milagre Brilha na folha.









Passa o riacho Corta a noite ao meio Levando a lua.









Zilhões de estrelas Quais sinos cintilantes Dobrando brilhos.









A joaninha De um voo de bolinhas Pousa em meu braço.









Sinos pendentes Psicografam o vento Aos meus ouvidos.









De manhãzinha Um sol preguiçoso Estica os raios.






Gotas pesadas Saraivam poças d'água Balas de chuva.


OITO RAZÕES PARA ODIAR O NATAL

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OITO RAZÕES PARA ODIAR O NATAL
TEXTO TRADUZIDO DA INTERNET DO ORIGINAL DE Marc Lallanilla “Eight Reasons to Hate Christmas”
Procurando na rede material natalino para meus alunos, algo que fugisse ao lugar comum e a letra da canção “Happy Christmas” de John Lennon, deparei com esta pérola de artigo em um site, escrito por Marc Lallanilla. O original é longo demais para ser usado em sala de aula, e tomei a liberdade de resumir algumas partes tentando não apagar o brilhantismo do autor. Quem desejar conferir o texto original, basta ir atéWWW.greenliving.about.com.
Aqui estão as oito razões para se odiar o natal, segundo o autor:
1) Toneladas de lixo natalino O EPA (Environmental Protection Agency – Agência de Proteção Ambiental) determinou que a quantidade de lixo doméstico nos Estados Unidos aumenta em mais ou menos um milhão de toneladas entre o dia de Ação de Graças e o Ano Novo, e a maioria deste lixo está relacionada às embalagens de presentes de Natal, caixas natalinas, etc... O …

VERÃO

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Foi naquele verão: o sol no azul Tingindo de bronze a pele, Biquine branco, debruns de cores, Mar e ondas, sons e espumas...
Areia erguida qual chicote Pelo vento forte, Risos , petecas, bolas, sorvetes, E o açaí derretendo Em manchas lilases Sobre os dedos...
Foi naquele verão: as alegres gaivotas, Pequenos e tímidos caranguejos, A pedra molhada, o mar em volta, A poça salgada e cheia de vida...
E os barcos passavam no horizonte, Lá longe, onde o olhar se perdia... E com eles, a alma ia, Mas nunca chegou...
Mas sei que foi naquele verão: Naquele, quando a menininha Olhou sobre os ombros, e viu a lua Serpenteando sobre as ondas...
Ali, ela soube que jamais saberia, E a onda trouxe nas espumas O grampo, com o qual ela prendeu Aquele dia em seus cabelos.
E ela percorria  a praia Catando conchas que traziam Dentro delas, o ruído do mar... Muitas coisas a aprender E histórias a contar Sobre aquele verão Onde a menina ficou morando...




Só Uma Mensagem de Natal

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Olá todo mundo!
Tenho andado meio relaxada com meus blogs... essa época é sempre mais difícil: muitas coisas a fazer, compras, faxinas... mas agora, eu entrei de férias. Estarei de férias até 13 de janeiro, e assim, espero colocar minhas atividades internáuticas (ou seria 'internéticas?)  em dia.
Mas, caso eu tenha algum problema ou algo inesperado aconteça - se a luz acabar, a internet cair, ou eu ganhar na Megasena e sair em uma viagem ao redor do mundo, ou se a Dona Morte me pegar, quero deixar aqui meus mais sinceros votos de 

FELIZ NATAL E UM 2014 DE MUITA PAZ, SAÚDE, AMOR E PROSPERIDADE!
Tem sido muito bom interagir com vocês, e saibam que adoro ler e comentar a todos.




ANGÚSTIA

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Enquanto escrevo, todas as fibras do meu corpo retesam-se ao ouvir os uivos profundos do cão do vizinho, que é idoso e está sofrendo com seu câncer terminal. Ele é bem cuidado e recebe assistência; seus donos são carinhosos, e o recolheram da rua, como a maioria dos cães que eles possuem. Ele já foi operado duas vezes, mas não há solução para o seu problema, e sua única saída para livrar-se deste sofrimento, é morrer. Precisa usar um daquela colares plásticos enormes e incômodos a fim de não morder as partes feridas pela doença.
Olho para ele, vejo seu estado miserável e irreversível. Latidos alegres de cães não me incomodam, nem mesmo no meio da noite, mas os uivos dele me perturbam imensamente. Eu sei o que faria se ele fosse meu: aliviaria seu sofrimento. Como fiz com meu Aleph, de 14 anos, após o veterinário me confirmar que o caso dele não tinha jeito. Cuidei dele por mais de uma semana, trocando fraldas e colocando-o ao sol, mas quando ele parou de beber e comer, e começou a to…

AS CARTAS DE JOHN LENNON

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Recebi de presente de meus alunos Priscila e Rafael - irmãos - um livro que mal posso esperar para começar a ler e depois, resenhar: As Cartas de John Lennon, de Hunter Davies.
Sabendo da minha Beatlemania, os dois não poderiam ter agradado mais!
Obrigada, Priscila e Rafael. Pessoas como vocês fazem com que a gente se sinta querida e valorizada. Obrigada também pela dedicatória. Se vocês tivessem simplesmente escrito estas palavras em um cartão, sem presente, agradariam tanto quanto me agradaram escrevendo-as no livro.


UMA REDE NA VARANDA

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Uma Rede na Varanda

Para ler na rede, tem que ser leve. Tem que combinar com natureza, silêncio, pensamentos como plumas de pássaros. Para ler na rede, tem que ter um balanço suave entre sonho e realidade. 
Assim é o novo livro de Lu Narbot, "Uma Rede na Varanda," que li prazerosamente deitada... em minha rede, na varanda!
As crônicas de Lu são tão bem escritas, que a gente se sente caminhando ao lado dela, enquanto ela nos mostra o seu mundo, o mundo que ela enxerga através de seu olhar às vezes terno e doce, às vezes crítico, às vezes saudosista. narrativas que encantam e fazem relfetir. Crônicas para ler com cuidado, devagar, parando às vezes para olhar as copas das árvores, ou as pessoas passando lá em baixo na calçada (se você morar em um prédio).
Minhas três favoritas:
"O Cão" (não poderia deixar de escolher esta) que narra as aventuras de Zé, um cão de rua adotado pelos moradores.
"Just Walking in the Rain," pois fez com que eu lembrasse muito de …

Soluções Modernas?...

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(escrito há 10 minutos)  A tecnologia avança todos os dias. Acho maravilhoso. Tudo muito bom e moderno para satisfazer às necessidades das pessoas! Mas às vezes, eu simplesmente não consigo entender certas disparidades tecnológicas; explico: ainda agorinha eu estava com problemas na minha conexão banda larga. Tentei a “Solução de problemas” do Windows, e adivinhem só? A resposta que obtive foi a seguinte: “Não é possível solucionar o problema. Tentaremos conectar o site http//WWW.Microsoft.com.” Não é uma gracinha?
Li há alguns meses a notícia fabulosa de que uma bicicleta voadora tinha sido inventada na República Tcheca. A proeza decolou do solo e manteve-se voando por cinco minutos no meio de uma praça pública em Praga. Maravilhoso! Infelizmente, a bateria que a mantém no ar dura apenas cinco minutos. Talvez, daqui a cinquenta anos, li mais adiante, quando a tecnologia em baterias for mais avançada, eles consigam melhorar o invento. E eu me pergunto: se não há tecnologia disponível…

O Ardor do Sol

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A cortina apara e suaviza O ardor do sol. Oferece suas cores à brisa, E elas desbotam...
Beijadas pelo sopro do vento, As cortinas lascivas, Levantam as saias suavemente...
E a moça à janela se esconde Por trás dos seus panos, Sussurrando sonhos Na manhã caliente...



Leituras

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Leituras


Recentemente, li as "Cartas de Van Gogh." No prefácio, é dito que ele perdeu uma posição como pastor porque não era suficientemente eloquente ou convincente para encantar e convencer os fiéis. Penso que estes últimos não gostavam de poesia. As "Cartas a Theo," de Vincet Van Gogh, formam um dos relatos mais humanos e comoventes que já li. Nelas, ele revela ao irmão suas fraquezas, seus sonhos e seus medos. Talvez, se ele não as tivesse escrito, pouco saberíamos sobre a personalidade deste grande artista. Infelizmente, enlouqueceu e suicidou-se por não sentir-se aceito em um mundo de pessoas preconceituosas que não o compreendiam.
Também li alguns livros de Paulo Coelho - o escritor que muitos consideram uma fraude, e a quem, movida pelas opiniões alheias, passei muito tempo criticando e evitando, com aquela famosa atitude de quem não comeu e não gostou (afinal, odiar Paulo Coelho é sinal de inteligência) - e percebi que ele é um excelente cronista. Um dia…

DUENDES NO TELHADO

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Eis porque eu prefiro acreditar em fadas e duendes:
Abro o site jornalístico, e a primeira fotografia que vejo mostra-me Dilma, Lula, FHC, Collor e Sarney abraçadinhos, sorrindo para as câmeras, junto ao avião que os levará ao funeral de Nelson Mandela. Adequados sorrisos! Penso: "Mas eu gostava do Fernando (o Henrique)..."
Hoje cedo, durante o banho, olho para o novo vidro de xampu que comprei, e está escrito: "Shampoo restaurador. Restaura em trinta dias danos causados em três anos." Será que não existe nada que possa restaurar em quatro anos danos causados desde 1500? Ah, e a gente gosta dessas mentiras! Gostamos de comprar o remédio anunciado no Facebook, onde aparece a fotografia do 'antes' e 'depois', mostrando uma mulher gorda e infeliz que, após tomar o medicamento durante trinta dias, perde 18 quilos! "Meu deus! São seiscentos gramas por dia!" E agora ela aparece sorridente, barriga de tanquinho bronzeada, cabelo e unhas feitos, …

CURA

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Às vezes, a cura É escura, Cicuta lambida Da pedra dura  Da vida.
Escuta, Corta a veia, Deixa jorrar A carótida Sobre o altar!
Dezfaz-te do mal, Desfaçatez! Limpa a escura tez, Joga sal Na ferida, Te apruma Com a dor ardida E te cura!

Salada Crônica - ou Uma Crônica Salada

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Tarde de quinta feira; cabelos cheios de tinta, aguardando o tempo para poder tomar banho. O céu começa a escurecer (a Latifa já estava inquieta, andando atrás de mim há algum tempo) e de repente, cai uma tempestade com direito a rajadas de vento e granizo. Raios e trovões fazem estremecer as paredes da casa. Cinco e trinta, e nada da chuva parar; de repente, ouço um 'crack' na área de serviço: a calha quebra, e começa a entornar rajadas de água sobre o piso, e rapidamente, a água começa a encaminhar-se para a porta da cozinha; vassoura em punho, começo uma luta furiosa para que a cozinha não inunde. Enquanto isso, ligo para meu aluno, e usando o viva-voz, cancelo a aula.
Mais um barulhão enorme, mas não tenho como ir verificar o que aconteceu, pois se eu parar de varrer, a cozinha inundará. Mais tarde, descubro que meu pobre manacá da serra, todo florido, tombou no jardim com raiz e tudo. 

Mais tarde, sem TV e sem internet. Acaba a luz, volta a luz, acaba a luz. Uma trégua n…

Cavalo deTroia

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Não há como apagar O que está guardado Em todas as nuvens, Em todas as mídias Dispositivos móveis e imóveis, E foi impresso em papéis, Circula no sangue, Ecoa nos ouvidos...
É perda de tempo Querer negar o que se deu, Espalhar vírus perigosos e mortais, Querer fingir que já passou, Ou que jamais aconteceu!
Também descansam na mente As provas daquela história, E mesmo que o vento as leve, Sempre ficarão os traços, Resíduos armazenados No HD da memória!
De nada adianta Tentar apagar, Invadir os espaços Brandindo espadas, Montado em cavalos de Tróia!
Pois esta, É a nossa história.

Água Para um Poema

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Morre tão seco o poema, Pois já não mata-lhe a sede A tinta daquela pena!... Morre, silencioso e frio, Morre sem brio ou verdade, No abismo imenso do vazio Morre sem qualquer saudade!
-Tragam água para o poema, Antes que seja tarde! Parte-se ao meio a palavra, Ardem as chamas da pira Na qual ele queimará...
Entram e saem de cena O poeta e seu poema, Tentando aplacar uma sede Que lhe fere feito adaga,
Tentando exprimir uma dor, Quem sabe, conter uma mágoa... -Água para um poema, Tragam água, tragam água!...
A noite o cobre de negro Abraça-lhe, diz-lhe um segredo; E o poema agonizante Resiste ao terrível degredo Que o poeta lhe impôs Por pena, por dó ou por medo... -Tragam-lhe um copo de água, Que amenize o vil enredo! 
-Água para um poema, Que morre ao nascer do dia, Entre rimas de agonia, Assim que desponta o sol!
Entre as fendas dos olhos cansados O poema enxerga um troll Como um monstro que dançasse Uma giga ao arrebol...
Por isso, morre o poema, De uma sede inacessível A qualquer…

Dedicação

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DEDICAÇÃO

Eu pendurei minhas estrelas no teu céu E espalhei minhas pegadas no teu chão Te entreguei todo o meu ouro, meu tesouro Mas só colhi desdouro...
Eu hoje morro, mas eu morro devagar Qual passarinho que o vento derrubou E que olha o céu, na esperança de voar Mas as asas quebraram.
E me sobraram, qual vingança, os meus poemas, Onde moravas, quando contigo habitei Porém,  rasguei cada palavra, cada verso, E os pedaços, eu queimei.
Mas me enganei, pois eu te vejo em cada dor, Em cada estrela que despenca em meu caminho, E em cada flor, em cada espinho, eu te percebo - Ah, meu Deus, como eu te amei!