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Mostrando postagens de Novembro, 2013

LAVA

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A lava escorria pela encosta da montanha, Quente, crepitante, de fogo e de lama, Lânguida descia, queimando no caminho -Tudo o que tocava: flores, relva, ninhos...
A lava sem perdão buscava redenção, Nascida do vômito daquela montanha... Que sem piedade, sem qualquer vergonha, Eruptava enxofre, lama e peçonha!
Mas a mãe natureza aguardava tranquila Pois tinha a ciência de quem jamais medra... Sabia que a lava fogosa nas trilhas Ao frio da manhã, transformava-se em pedra.
E as flores rebrotavam, a relva crescia, Voltavam os pássaros, cantos, e ninhos... A paz renascia, e por sobre a fria pedra Abriam-se fortes e novos caminhos.

O que Não Tem Preço

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Há alguns minutos, eu me enxugava do banho quando a campainha tocou. Acabei de me vestir correndo, e ainda de chinelos de pompom, abri à porta a uma senhora que identificou-se como mãe de meu ex-aluno Augusto, que deixou o curso esta semana porque encontrou um emprego.
Ela me abraçou chorando, entregando-me estas lindas orquídeas da foto e me agradeceu pelo que fiz pelo filho dela. Não acho que eu tenha feito muito, embora eu sempre faça meu trabalho  com  carinho, visando sempre o melhor para meus alunos.  A recompensa que recebi não tem preço. Está em algo além desta linda flor.
Eu é quem agradeço a você, e a todos os meus alunos!

Algumas Coisas

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Algumas coisas nos entram pelos ouvidos, Fazendo volteios pelos caminhos curvos Do pensamento. Os sentidos vão, aos poucos, se criando, Se mostrando, em gritos sustenidos Sustentados gritos em elevação.
Outras coisas, nos entram pelos olhos, Causam-nos escândalo, ferem as pupilas, Arranham as meninas. Estas coisas ficam nas retinas, Impedem o sono nas noites escuras, Seguram, nas unhas, o amanhecer.
Ah, mas tudo isto faz parte, tudo é viver! E é melhor senti-las a não ter sentidos, E a dor sempre virá amarrada ao prazer, Pois isto é viver, sim, isto é viver!...



A Felix o que é de Felix

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Felix - personagem magistralmente interpretado pelo ator Matheus Solano - tem sido o alvo de muitas análises psicológicas, críticas, simpatias e antipatias. Ninguém negaria sua maldade; mas será que toda  maldade é inata? 
Seu charme é irresistível; sua maldade, quase sempre, explícita. Um personagem que, talvez por ter sido vítima de preconceito durante toda a sua vida, exerce uma tirania preconceituosa contra todos que ele considera estar em posição inferior a dele na escala social.



Uma criança que cresce sem ser aceita pelo pai - a quem passa a vida tentando impressionar, tentando ser amado, valorizando cada olhar e cada migalha de atenção - e que tem o apoio incondicional da mãe em virtualmente qualquer situação, poderá tornar-se um adulto equilibrado? Alguém que teve sua sexualidade reprimida, sendo tratado como um anormal, obrigado a casar-se com uma mulher e ter um filho a fim de salvar as aparências e garantir uma pequena réstia de admiração paterna, poderia ter se tornado al…

Para Lembrar de Mim

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Se quiseres recordar-me, Procure um canto vazio, Escute o silêncio, escute... Por favor, não diga nada, Aquiete teu pensamento... Permaneça sem palavras E te chegarei no vento.
Um cantinho de jardim Numa tarde avermelhada, Capim verdinho brotando Na beira de alguma estrada, Barulho de água de rio, Latido de algum cachorrinho, Se quiseres recordar-me, Basta ficares sozinho...
Quem sabe, um céu estrelado, Ou nos anéis em arco-íris Que circundam a lua cheia Em noite quente de seca?... Talvez, na poça de água Que reflete as nuvens negras No cimento da calçada... Se quiseres recordar-me, Basta não dizeres nada!
Se quiseres recordar-me Na essência do que sou, Leia sempre poesias, Pois é nelas que eu estou! E  em contos e histórias, Crônicas e pensamentos... Porém,  mais do que nas letras, Eu estarei no silêncio.







Aquilo que Tocas

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Pensas, com orgulho, que tu me decifras, Como se eu fosse a frágil rosa em jardim sórdido, Que achas - despetalas entre os dedos mórbidos...
Ah, como te enganas com tuas armadilhas, Eu estou além da trama que dedilhas, E que esticas sempre, tentando me reter!
Mas se te divertes, assim, eu o permito, Melhor teu verso torto, que teu agudo grito Qual o rito de quem nada tem de útil a dizer!
Queres que eu morra, mas Deus é quem decide, Enquanto isso, eu vivo, e passo, e tu denigres O que jamais, em vida, hás de compreender...
E aquilo que tu pensas transformar em podre, E jorra da tua boca, e cai em torpe odre, No fundo, é intocável, e gargalha de ti...
E é essa a tua raiva; a de não seres, enfim, Nada que tu possas associar a mim, Insignificância - és tu, a debater-se...


A Rosa Amarela - Conto

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A ROSA AMARELA


Era uma vez uma rosa amarela. Nada de especial, em ser uma rosa amarela, já que há muitas por aí... e existem vários tons de amarelo: claros, escuros, alaranjados... amarelos como o sol, iluminados, ou amarelos pálidos e sem vida. Mas no fundo, todos os amarelos são amarelos.


Mas voltemos à nossa rosa amarela: ela tinha sido plantada por um habilidoso jardineiro em um lindo jardim, onde havia várias outras espécies de rosas e de flores. Cada uma mais linda que a outra, em cores e perfumes tão variados, que ficaria muito difícil elaborar uma lista. Cada espécie ficava em um canteiro diferente, e os canteiros eram muitos, muitos... havia canteiros de margaridas brancas, monsenhores brancos e monsenhores amarelos, papoulas vermelhas, roxas e amrelas, lírios brancos e lírios amarelos, agapantos roxos, miosótis azuis, violetas lilases e violetas cor de rosa, enfim, cada flor com suas iguais. Mas a nossa rosa amarela – a especial, que dá título a esta história – tinha sido p…

Paraíso

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O que é um paraíso Sempiterno, Quando os anjos perdem as asas E queimam juntos Nas brasas do inferno?
De que me valem Esta paisagem,  Esta miragem, Se me faltam as nuvens, Se me falta a aragem?
Amanheço tarde, Tarde demais, Na hora exata Em que tudo escurece...



HOUVE UM DIA

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Houve um dia Em que nossos olhares se cruzavam Com inocência e alegria. Estar presente era vital, Essencial E não estar, inconcebível...
Houve um tempo Em que não existiam Essa distância, Essa falta de esperança, Essa impaciência Nada santa...
Hoje, esse riso sofrível, Esse olhar atravessado, Essa boca sussurrante A gritar Que nada, jamais,  Será como antes,
Pois quando o brilho é ofuscado, Morre tudo aquilo Que tinha valor E que deveria ter sido guardado!
Morrem os dias, as manhãs, Morrem o respeito, as lembranças,  Quebram-se as alianças, E tudo é recoberto (Sem o menor apelo) Por uma densa camada intransponível De puro gelo, Para o qual não há verão...
E nem veremos mais a mesma velha união, Desde que a distância se criou (Ou foi criada?) Causando uma bifurcação na estrada Que leva a caminhos divergentes, Cada vez mais distantes...
E a cada dia, Estamos mais descontentes, Somos menos gente, Mas mantemos o sorriso e a indiferença, Para que o outro não perceba Que no fundo, nós liga…

As Melhores Fotos que Jamais Tirei

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Há uma casinha de madeira pendurada em minha varanda, e todo ano um casal de cambaxirras vem fazer seu ninho ali. Após algumas reformas, colocam seus ovinhos e dias depois ouço o chilrear baixinho dos filhotes. Os dois pais revezam-se o dia todo trazendo comida. Decidi que desta vez eu fotografaria o evento, já que não é possível fotografar os filhotes - os pais construíram uma barreira de galhos na entrada redonda da casinha. Sempre vou deixando para depois, ou então estou ocupada demais para ficar de plantão diante da casinha... Mas naquele dia, decido que este ano terei a tão planejada foto: Pego a câmera e fico parada ali perto durante algumas horas, até que finalmente a mamãe surge na portinhola da casinha, vinda de algum lugar do jardim, segurando uma pequena minhoca no bico. Prendo a respiração, e bato a fotografia, tentando controlar minha ansiedade, no momento exato em que ela pousa na entrada, posicionando-se para alimentar os filhotes. 
Mas a  bateria da câmera acabou, e a…

RETRATO

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És tão eloquente nesta imagem, Agora, que mais nada dizes... Escuto apenas o que quero, É sempre o mesmo, o teu sorriso...
O teu olhar, sempre gentil, Me olha agora o tempo todo, E seu eu quiser privacidade, Jogo meu véu sobre o teu rosto.
Ah, e as lembranças que ficaram São as mais belas e queridas... Canonizei-te em minha mente, És o retrato mais perfeito...
Descansa em paz em minha estante, Solta o fantasma pela casa... Estás agora mais presente Do que em vida, jamais foste!





Não Sonhar

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Já não tenho mais sonhos. Basta-me a paisagem à janela, Bastam-me os sinos de vento, As cores e sons do momento.
Nada mais quero alcançar, A não ser esse olhar Que hoje eu tenho sobre as coisas, O caminhar pelos caminhos que eu abri, E ver florir aquilo que plantei.
Já não tenho mais sonhos, Não anseio mais nada, Tenho as palmas das mãos voltadas para o céu, Recolho o vento, os raios de sol, A chuva, as folhas que caem, E nada mais arde Nesse meu existir real!
Descansei as ambições, Coloquei-as para dormir seu sonho eterno, Eterno... Entrei, voluntariamente, Nesse inverno entre verões...
Há memórias o bastante Que me sustentem pela vida, Há presentes espalhados no meu espaço, Que me satisfazem, Que me aprazem, Suficientes para o resto De minha viagem...
Já não tenho mais sonhos, E mesmo os pesadelos que me afligem Somem, de manhã, Na mesma fuligem da qual nasceram!
Ah, é tão bom estar assim, Tão perto e tão longe de mim, Sem sonhos, sem ambições, Sem desejos de vencer, de chegar, de …

SUMIDA

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Eu sei que eu ando sumida, Quase uma nuvem de brisa, Quase um sussurro, um leve gesto De água escorrida...
Eu sei que meus olhos se perdem Agora, nas flores da vida... Os jardins por onde ando São os de leves margaridas, Rosas cálidas, sofridas, Brancas acácias, cheias de vida...
-Me vês? Eu sou a que passa De leve, em teus pensamentos... Meus passos não fazem ruídos, Meus véus eriçam tua pele, Mas sempre de leve, Sempre de leve...
Eu sei que eu ando sumida, (Perdida, ou quem sabe, encantada?...) Nas sutilezas da vida Na voz da passarinhada... Meu cheiro se encontra no mato, Respire bem fundo - eu te digo, E encontrarás meu abrigo,
Pois sei que eu ando sumida, Mas estou sempre contigo!

TV e Bons Exemplos

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Hoje em dia, muito se fala sobre a má qualidade das novelas, reality shows e programas exibidos nos canais de TV. Em algumas casas, assistir TV é proibido, e os pais acham que assim estão protegendo seus filhos. Acontece que, na realidade, aquilo que eles são proibidos de assistir pela TV, eles assistem através de seus iPhones, computadores e tablets, e se eles não os tem, assistirão através dos aparelhos de seus colegas de escola. Com certeza, aquilo sobre o que a criança está curiosa e que os pais se recusam a responder e esclarecê-las, elas aprenderão através de amigos ou de outra forma, nem sempre adequada ou correta.
Portanto, proibir e esconder não é a solução. 
Acredito que a solução seja educar; ao assistir uma novela, por exemplo, dizer à criança: "Você vê a atitude daquele personagem? Você acha que ele está agindo certo?" E explicar que certas atitudes são erradas, pois magoam pessoas ou levam a outras consequências desastrosas. Até mesmo os atos imorais podem ser…

Abstração

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Nunca fez muito sentido Essa palavra seca Pendurada em meus ouvidos... Meio-dita, mal-dita, não dita, Mas intencionada!
Não quero, de ti, Mais nada; Finjamos, então, Que jamais pretendeste Dizer o que não disseste,
E que eu Jamais escutei Aquilo que insinuaste.

Ainda Procuro...

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Ainda procuro por aquela paz quase budista, impossível de ser alterada ou contaminada, não importa o que aconteça; quando penso tê-la alcançado, os acontecimentos vem para provar-me que ainda não... Procuro por aquela paz que tem raízes profundas dentro de mim mesma, aquela, que se mantém sempre brilhando através de qualquer escuridão que tentem nos impor, e que nos dá uma força e sabedoria tão grandes, que nada do que aconteça do lado de fora possa fazer diferença.




Ainda procuro por aquela paz ricamente construida, aos poucos, e para sempre; será que um dia a encontrarei? Será possível que, apesar de tantas nuvens negras que o vento sopra, serei capaz de um dia ter a certeza dessa paz?



Procuro por aquela paz que falam os livros, as orações, os scraps de Facebook, as religiões. Aquela, que nada altera, nada muda, nada fere. Se ela existir de verdade, um dia chegarei até ela. Porque eu não vou desistir de procurar.
Seguirei em frente, tentando enxergar dentro de mim mesma aonde ela se…

Crônica de Uma Manhã Chuvosa

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Acordo, e após tomar meu banho, chego até a varanda para olhar a chuva. Ela sempre me hipnotiza quando preciso. Olho as casas e suas janelas fechadas. Olho as árvores e os gramados encharcados. A paisagem é linda e desolada. A chuva cai no mesmo ritmo constante, sem pretensões de aumentá-lo ou diminuí-lo. Parece que choverá o resto da vida.
Olho para a casa do vizinho e vejo a imensa piscina azul clara levemente agitada pelas gotas de chuva; identifico uma pequena mancha escura próxima a uma das margens; aperto os olhos para ver melhor: é um rato que está se afogando! As batidas do meu coração aumentam de repente, e enquanto vejo o pobre animalzinho agitar as patinhas tentando chegar à margem, já tão próxima. Às vezes, ele para, tentando ganhar forças. A quanto tempo estará assim, perdido no meio dessa mortal imensidão azul, lutando para salvar-se? Provavelmente, a madrugada inteira!
Olho para ele, e lamento profundamente não poder fazer nada que o resgate; se eu chamasse alguém, às …

CEPA

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Nunca mais eu hei de expor À cepa, as pontas dos dedos... Usa-las-hei para a escolha, Para  as cordas de minhas harpas, Para escrever meus poemas, Para apontar as estrelas.
Pintarei meu céu de azul Com os tons que eu escolher, Cruzarei as minhas mãos No silêncio da oração, Amassarei o meu pão, E acenarei um adeus A tudo o que me faz mal.
Para isto servem as mãos.

Imprecisão

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Eu miro um horizonte enfermo Lá, onde jaz o meu desterro Ermo retrato do porvir.
Ir ou ficar: é só o tempo Que escreve as linhas desse intento Céu ou inferno: mesmo caminho?
E a nossa dor de sermos sós Põe-se ao nascer de um novo sol... -Mesmo horizonte, o que a acolhe.
Nesse saber que a vida tolhe Não há retornos no final Somente as cores do arrebol.


GOTAS DE CHUVA NO VIDRO

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Olhos presos à janela Mas sem enxergar a paisagem Diante dos olhos dela.
Pinga uma gota no vidro, E outra, e outra e mais outra... O tamborilar a desperta E os olhos chovem com elas...
Gotas de chuva no vidro De uma vida já distante, Nada será como antes, Nada será como antes...
O vento assovia segredos A ela, ininteligíveis... Mas fica no peito o sentido Daquilo que nunca foi dito...
E as gotas de chuva no vidro Trazem risadas de um tempo Que Não voltará a ser,  Não voltará a ser,
Pois o tempo, quando acaba, Não deixa nada, a não ser A voz do vento que sopra E gotas de chuva a chover...

ECOS

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Não estarei aqui Para escutar o eco - se houver -  Das minhas palavras, Mesmo assim, hei de dizê-las.


O eco não raciocina, Repete, apenas, o que ouviu do vento Quando há uma voz viva Que lhe jogue a palavra.





Algumas palavras enterradas Voltam da Terra dos Mortos Psicografadas Pelas almas dos que ainda vivem.
Outras, por mais que gritadas, Jamais deixam o nível das sepulturas Onde foram enterradas, Pois o eco detesta palavras rasas.



Nos jogos de palavras, Não há perdedores Mas também não há vencedores, Pois os ouvidos que ouvem E as bocas que repetem Serão todos preenchidos Pela mesma terra (talvez haja algum eco).