segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Arte da Guerra - Resenha


Palácio Rio Negro, Petrópolis






A Arte da Guerra - por Sun Tzu

Tradução de Frater Sinésio
Organização de Rafael Arrais

Edição Kindle, 
Ano 2013

"Se não quiser lutar, pode impedir o inimigo de atacar, mesmo que as linhas do acampamento estejam apenas marcadas no chão.
Basta atirar algo fora do normal e inexplicável em seu caminho." - Sun Tzu


A arte da Guerra é um livro muito antigo. Segundo o site Wikipedia, "A Arte da Guerra é um tratado militar escrito no século VI antes de Cristo. O tratado é composto por treze capítulos, cada qual abordando um aspecto da estratégia de guerra, de modo a compor um panorama de todos os eventos e estratégias que devem ser abordados em um combate racional. Acredita-se que o livro tenha sido usado por diversos estrategistas militares através da história como Napoleão, Zhuge Liang, Cao Cao, Takeda Shingen e Amo Tse Tung."

Despertou-me a curiosidade enquanto eu navegava pelo site virtual da amazon.com.br justamente pelo título, que tem tudo a ver com os acontecimentos que o mundo vem enfrentando ultimamente - já que estamos todos correndo o risco iminente de entrarmos em uma nova guerra, quem sabe, de proporção mundial. 

O livro traz aforismos muito interessantes; e sua maior contradição, é que ele não incentiva a guerra, nem exalta a batalha. Pelo contrário, prega que a guerra deve ser evitada sempre, mas se como último recurso ela dever ser travada, que o seja com arte e respeito pelo inimigo.

Alguns pensamentos interessantes retirados do livro: 

"Todos podem ver as sua táticas no campo de batalha, mas não podem saber qual a estratégia que lhe trouxe a vitória."

"Não podemos formar alianças sem conhecer as intenções dos nossos inimigos."

"Ó, a divina arte da sutileza e do sigilo! Através dela aprendemos a nos movimentar invisíveis e inaudíveis. Através dela marchamos sem deixar rastro, como misteriosos espíritos da floresta. Através dela, temos o destino do inimigo em nossas mãos."

"Servir-se da harmonia para desvanecer a oposição, não atacar um exército inocente, não fazer prisioneiros ou tomar saques por onde passa o exército, não cortar as árvores nem contaminar os poços, limpar e purificar os templos das cidades e montanhas do caminho que atravessa, não repetir os mesmos erros de uma civilização decadente, a tudo isto chamamos de Tao e suas leis."

"A grande sabedoria não é algo óbvio, o grande mérito não se anuncia. Quando você é capaz de ver o sutil, é fácil ganhar; quem tem isto que ver com a inteligência ou a bravura? Quando se resolvem os problemas antes que eles surjam, quem chama a isso de inteligência? Quando há vitória sem batalha, quem fala em bravura?"

A Arte da guerra tem muitos conselhos que podem ser postos em prática até mesmo em tempos de paz - e um deles, que sempre sigo à risca, é o de não proclamar meus planos e objetivos antes de concretizá-los. Esta é uma estratégia que pode desviar de nós a inveja e a negatividade.

Este livro é usado não apenas por estrategistas de guerra, mas também por empresários e pessoas comuns.

Um livro útil, de leitura bastante agradável a todos que gostam de ter uma vida pacífica - mas que não se acovardam diante das batalhas impostas pelas circunstâncias do viver.


domingo, 29 de setembro de 2013

Coisa Mais Feia, Seu Moço!





Existe algum limite para a honestidade? Será que existe uma demarcação imaginária, do tipo "Até aqui eu posso ser um ladrão desonesto sem nenhum problema?"

Há algum tempo venho notando períodos de extrema lentidão em minha conexão de internet. Agora, que possuo wireless em minha casa, descobri que um distinto senhor anda usurpando a minha conexão. Que vergonha! Já foi pego pela operadora de TV puxando sinal do poste sem autorização; agora abre a sua rede wireless a fim de roubar sinal? E ainda usando um decodificador para chegar à senha de quem paga pelo serviço? 

Pelo amor de Deus, será que vale a pena ficar mal com os vizinhos por tão pouco? Tome vergonha na cara, meu senhor, e pague por uma conexão como todo mundo - pelo menos, como as pessoas honestas fazem!



sábado, 28 de setembro de 2013

Meu Verso




Meu verso é o nanquim
Que contorna as curvas sinuosas das montanhas,
A aquarela que pinta, de leve,
As cores das águas...
Meu verso
É o vermelho indizível do anoitecer,
O nascer de cada estrela
E o brilho que nos chega
Anos-luz após uma delas morrer.

Meu verso é o quadrado onde me abrigo,
E trago sempre, comigo, a poesia,
Porque sem ela, eu não me entendo, eu não me explico,
Meu verso é o branco do meu sorriso,
Meu sul, meu norte, 
Meu inferno e meu  paraíso...

Meu verso, algumas vezes, sofre e sangra,
Ora caminha ereto, ora manca,
Ou arrasta-se no chão do meu caminho,
Mas é ele que me leva, se me perco
Sempre,
De volta ao ninho.



Controlar & Reprimir



Controlar as emoções não pode ser confundido com reprimi-las. Estas são duas coisas totalmente diferentes.

Quando eu controlo as minhas emoções, eu não nego o que estou sentindo, mas coloco-me em uma posição na qual eu escolho como eu desejo lidar com elas. Não é uma tarefa fácil... por exemplo, se alguém me confronta, eu posso imediatamente reagir de forma a rebater a confrontação - e confesso que muitas vezes, é o que eu faço. Mas ultimamente, tenho conseguido controlar minhas reações de uma forma bem melhor do que eu o fazia no passado, embora seja um processo, e não algo que acontece num estalar de dedos. É um trabalho lento e gradual, e acho que estou no caminho certo. Mas às vezes simplesmente não dá para engolir certas coisas, e se eu o fizesse, estaria reprimindo minhas emoções.

O que eu tenho feito, é pensar melhor antes de reagir. Se após um ou dois dias eu não tiver sentido vontade de calar-me, respondo. E assim, a minha resposta será mais justa, sensata, ponderada. Tenho evitado a resposta imediata, pois esta nunca é baseada no bom senso. Geralmente, quando respondemos imediatamente a uma afronta, é o nosso ego que o faz - e nem adianta tentar negar a existência dele, pois todos nós o temos, ele nasce conosco.

Eu gosto de permitir-me SER como sou. Aprendi a gostar de mim mesma, com todos os defeitos que eu sei que tenho, e que precisam ser trabalhados, embora eu não creia na perfeição e jamais a almeje, pois a perfeição também é outra máscara do ego. Tenho pavor dos que se julgam perfeitos e acredito que parte dos maiores conflitos que existem no mundo e entre as pessoas é devido à falsa convicção da perfeição.  Mas nada existe que não possa ser melhorado.

Talvez um dia eu possa dizer de mim mesma que superei todas as coisas pequenas do mundo, e que aprendi a caminhar com mais tranquilidade. Enquanto isso, não custa tentar.




quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CÍNICA




Um dia, eu me descuidei: fechei os olhos, e quando os abri, eu estava à beira de completar quarenta e oito anos de idade. 

Hoje de manhã, mexendo nas caixinhas de minha mãe, achei fotografias dos tempos em que eu era jovem: magrelinha, cabelão comprido, bonita e sem ter a menor ideia do que me esperava lá na frente... ou seja: aqui onde estou. Mas o meu consolo, é que a velhice chega para todo mundo - chegou até para divas de beleza, como Sharon Stone, Sophia Loren, Xuxa Meneguel e Regina Casé. Ei! Eu sou mais bonita do que esta última! 

Uma outra coisa que me consola, é que todas as minhas irmãs são mais velhas do que eu. Todas! A mais próxima, ainda dista 5 anos. Quando eu ainda era um bebezinho, ela já andava, falava e ia à escola. A minha outra irmã - que por acaso, nasceu no mesmo dia que eu de parto normal (existia cesária naquele tempo?), em um 29 de setembro qualquer, ainda teve a infelicidade de fazê-lo onze anos antes de mim. Ah, coitada! 

Chego agora de minha visita relâmpago ao Facebook, e uma de minhas irmãs - a que é cinco anos mais velha - postou o seguinte scrap: 



Meu comentário: "E qual é a vantagem de se transformar em um maracujá de gaveta? Estou até agora tentando descobrir!"

Muitos dirão: Ah, minha filha, nada paga a experiência de vida! Daí, eu me lembro de uma das falas do personagem Henry, do romance "O Retrato de Dorian Gray," de Oscar Wilde: " 

"Experiência não representa nenhum valor ético. É apenas o nome que os homens dão aos seus erros."

E quando vamos à praia, vemos que trocaríamos todos os nossos anos de experiência de vida pelo direito de ter, durante duas ou três horas, o corpo daquela gostosa que faz virar cabeças quando passa. Mas esperem: ela tem a unha do dedão encravada! E com certeza, aquilo ali é silicone... não é?

Os que acreditam na eternidade do espírito, dirão que nos aproximamos do encontro final com o Pai. Bem, esta também não é uma perspectiva muito animadora, pois a fim de chegarmos a este encontro, precisamos morrer antes. E quem é que sabe, realmente, o que nos espera lá do outro lado? Quem sabe, não é uma eternidade durante a qual passaremos com a mesma cara que tínhamos ao sair daqui? Socorro!

Bem, mas a única certeza que todos temos, além da mais óbvia e filosófica, que é a que soa como uma praga: a de que vamos todos para o mesmo buraco, é que se ficarmos por aqui durante muito tempo, iremos envelhecer. 

Se é assim, melhor assumir!

E sinceramente, antes envelhecer conformadamente e de cabeça erguida, a chegar a este ponto desesperador:

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SE EU NÃO TE SALVO...







Se eu não te Salvo


Se eu não te salvo,
É porque do alto do meu abismo
Eu mesma tateio, no escuro,
Sentindo as bordas com os pés nus
E crivados de espinhos...

As minhas asas amarradas
Sonham com a Mão que as desamarre,
Sonham com a brisa abençoada
Que traga, enfim, algum alento...

Por isso, eu não te salvo!
Mas mesmo assim, insisto, tento
Me transformar em uma outra
Que alcance, então, as tuas mãos
Que a mim se estendem na distância...

Se eu não te salvo, enfim,
É porque espero que tu possas
Triunfante, vencer essas fossas
E quem sabe, chegar até mim!



terça-feira, 24 de setembro de 2013

DISTÂNCIA






Nem mesmo todos os teus passos
Vencerão as distâncias que nos separam.
Nem todos os barcos e todas as ondas
Caminhos ou estradas, voos ou mapas
Hão de trazer-te até onde estou.



Mas há uma maneira - o pensamento!
É ele a porta que se abre entre nós!
De olhos fechados, me enxergarás,
E no teu silêncio, ouvirás a minha voz.




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Coincidência?




COINCIDÊNCIA?...


Da escrivaninha de Simplesmente Romântica, escritora do Recanto das Letras:



ORAÇÃO DA MANHÃ
(Recebi num e-mail e passo para vocês...)
Senhor, no silêncio deste dia que amanhece
venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força.
Quero hoje olhar o mundo com os olhos cheios de amor.
Quero ser paciente, compreensivo, manso e prudente.
Quero ver além das aparências teus filhos
como Tu mesmo os vês, e
assim, só ver o bem em cada um.
Fecha os meus ouvidos de toda calúnia.
Guarda a minha lingua de toda a maldade.
Que só de bênçãos se encha o meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre que todos aqueles que
achegarem a mim, sintam a Tua presença.
Senhor reveste-me da Tua beleza, para que
no decurso deste dia, eu te revele a todos.
Amém!
( autor desconhecido)

*

Esta oração está escrita à mão pela minha mãe, na primeira página da Bíblia que ela me deu de presente : há muitos anos, ela a emprestou a mim. Quando quis devolvê-la, ela me disse que ficasse com ela. 

Noite passada, sonhei muito com minha mãe. Não consigo lembrar-me de detalhes, a não ser que eu examinava fotografias onde ela aparecia. Hoje de manhã acordei pensando muito nela, e comecei a visitar as escrivaninhas que eu gosto no Recanto das Letras. Após algumas visitas, encontrei esta oração na página de Sempre Romântica.

A imagem acima é a fotografia que acabo de tirar da página da Bíblia de minha mãe.

Coincidência? Há muito tempo deixei de acreditar nelas. Acredito em sintonia, acredito nas mensagens da vida. Acredito, acima de tudo, na sincronicidade - essa coisa misteriosa, inexplicável e maravilhosa, que se apresenta toda vez que paramos para prestar atenção na vida com humildade e paciência.







Braços ou Asas?






Braços ou Asas?


Com os braços, te prendes,
Abraças,
Reténs.


Com as asas, tu voas,
Te entregas ao vento
Desafias abismos.


Braços ou asas?



Mas antes da escolha,
Respondas:
-Tu sabes voar?


domingo, 22 de setembro de 2013

Jardinar



Céu aqui em casa hoje, às 5:40 da manhã



Ontem o dia estava lindo, e meu marido e eu decidimos almoçar em Teresópolis. A subida da serra é um espetáculo deslumbrante, ainda mais em um dia claro de céu azul como ontem. Chegando lá, fomos comprar umas plantinhas para colocar no jardim. Afinal, é primavera.







Hoje acordei cedo, junto com o sol. Fui lá para fora, peguei minhas mudinhas e uma pazinha de pedreiro e fui plantar meus canteiros. Espalhei cravos, violetas, prímulas, margaridas, lírios e uma bela roseira. A manhã passou lenta, e foi muito bom entregar-me a esta tarefa. Terminei cedo - oito e trinta - e depois de regar as plantas, troquei também os vasos de flores que sempre mantenho sobre o muro junto à porta da cozinha e à janela da sala de estar. Tudo pronto, tomei um banho e fui apreciar o resultado...





Se não fosse pelo sol e o calor, acho que eu até gostaria de jardinar. Mas cortar a grama e aparar a cerca de hera (coisas que fiz na sexta-feira) é dureza! Apesar de tudo, o resultado é sempre muito gratificante. 




Passar tempo com as mãos na terra, junto às plantas e flores, ouvindo os passarinhos e sendo docemente 'vigiada' pela minha cadela Latifa, deixa a alma mais leve.




O mês de setembro é muito importante para mim, pois nele, comemoro meu aniversário, o aniversário de meu pai (se estivesse vivo), o de uma sobrinha, uma cunhada e  o de minha irmã, e também meu aniversário de casamento e o aniversário de nossa mudança para esta casa... e a primavera, é claro.



Mais do que motivos para comemorar e encher a casa de flores!


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PAZ






PAZ


Minhas mãos desenham silêncios,
Pingam sorrisos dos meus dedos,
Caem sobre as pétalas.

Horas marcadas, incertas,
E já nem me importa
Qual o destino que descansa
Além das portas...


Tenho  a mim mesma,
Tenho as maçãs e as cerejas,
Raios de sol tingem de ouro
As poças d'água.

E alguém passa, do outro lado,
Pisando silenciosamente...
Alguém suspira, estanca o passo
Por um momento, 
E segue em frente...




O que Faz Durar?


No último dia 16 completamos 23 anos de casamento. Fizemos as contas: nos conhecemos há 29 anos! Estive pensando no que faz um casamento durar, e cheguei a algumas conclusões (sobre o meu, pelo menos):

Não existe relacionamento perfeito. Ninguém será totalmente feliz e satisfeito em todos os aspectos o tempo todo; mas é preciso saber medir as vantagens e desvantagens de se estar juntos,  o que é bom, o que pode ser melhorado e o que deve ser aceito. Tentar modificar a maneira do outro ser pode ser desastroso... é preciso que cada um tenha espaço suficiente para ser, existir, manter sua personalidade e seus gostos pessoais. E de nada adianta desfazer-se das coisas que o outro aprecia: eu gosto de escrever, ele gosta de futebol, e pronto. Jamais gostarei de futebol, e ele jamais gostará de escrever, e isto é um fato. Mas um respeita os gostos do outro. E é claro, há várias outras coisas que gostamos de fazer juntos!

Também não é uma boa ideia (aliás, é péssimo) intrometer-se entre o cônjuge e sua família, especialmente, seus pais. Ao nos casarmos com alguém, querendo ou não, estamos também entrando para um a família, da qual faremos parte. Certa vez ouvi alguém dizer que para saber se o(a) cara metade será um bom marido ou não, temos que observar a maneira como ele (a) se relaciona com os pais. E se o relacionamento é bom, por que tentar estragá-lo? Ciúmes? Competição? Com certeza, quem vem de uma família sólida, jamais aceitará esse tipo de coisa.

É preciso não ir dormir com raiva um do outro - embora nem sempre isto seja possível. Mas que seja raro! Mas segurar a raiva ou o ressentimento 'em prol de uma boa convivência' pode criar uma bomba relógio que fatalmente explodirá. Melhor expressar de uma vez como cada um se sente em relação ao que acontece. Dizem que existem dois tipos de casais que não dão certo: os que brigam o tempo todo e os que jamais brigam. Eu concordo.

Ciúmes? Tratar de controlá-lo... é certo que muitas vezes ele até pode ter fundamento, mas é preciso saber agir nestes casos. Uma coisa boa: quando eu sinto ciúmes, procuro melhorar minha imagem: saio, vou ao cabeleireiro, compro uma roupa nova e vou visitá-lo no trabalho. E se necessário, dou um 'chega-pra-lá' educado no objeto do meu ciúme - quando eu percebo que ela está tentando se aproximar demais. Sempre é bom mostrar que o lugar está ocupado, e que tentar sentar-se aonde não foi convidada não será nada fácil. Mas se tem algo que abomino, é o escândalo. Prefiro ser discreta nestas situações... rsrsrsrs...

Enfim: não sei bem o que faz um casamento durar. Existem casamentos que duram, embora os parceiros se odeiem mutuamente, e fiquem o tempo todo competindo entre si ou tentando controlar o outro. São relacionamentos doentios, baseados na dependência e na falta de autoestima (como o casamento dos protagonistas da novela das nove da Globo, os personagens de Suzana Vieira e Antônio Fagundes, Pilar e César). Mas eu preferiria não ter um relacionamento assim, e jamais ficaria com alguém apenas por conveniência. 

Mas sem respeito, amor, cumplicidade e uma boa dose de tolerância, não há casamento que dure.




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cheiro de Flor







Ah, esse cheiro de flor murcha, sufocante!
Esse aroma que me segue na vida...
Flores mortas e frouxas
E cera de velas...

Ah, esse aroma que o vento traz
Sempre, cedo ou tarde,
E agora, mais que nunca,
Esse cheiro que me acorda
No meio da noite
Mais negra e mais profunda!

Quisera poder abrir as janelas
E expulsar, para sempre, este aroma!
Mas não há ninguém que dele a vida poupe...
Ninguém!

Não existe uma redoma
Que dele nos proteja...
Seguro entre os dedos os caules dessas flores
Que há muito já murcharam...




Fases da Vida


Uma borboleta não nasce borboleta. Antes, ela precisa ser lagarta, arrastar-se pelo solo e conhecer o caminho das nervuras das folhas. Ela precisa sonhar com as asas, antes de obtê-las, e fazer por merecê-las. Uma lagarta necessita conhecer seus predadores naturais, e como evitá-los. 

E mesmo depois desta fase de arrastar-se rente ao chão , às folhas, e aos galhos, evitando os bicos dos passarinhos e os ferrões das formigas, a fim de tornar-se borboleta uma lagarta tem que submeter-se voluntariamente à morte. Ela precisa morrer. Recolher-se em um casulo, envolta em teias, e aguardar pacientemente até que a borboleta esteja pronta. E qual será o sonho da lagarta em seu casulo? Quais caminhos ela percorre durante seu sono metamórfico? 

Finalmente, chega a hora de romper o casulo e vir à luz. Mesmo assim, a borboleta ainda não está pronta para o voo: precisa secar e desamassar suas asas, e lembrar-se quem são seus predadores,  vasculhando em sua memória de lagarta os caminhos do solo e das folhas para que saiba onde pousar quando necessário. 

E quando ela abre suas asas, entregando-se à beleza de sua nova vida e à sua missão de percorrer as flores, ela sabe que será breve a sua nova existência; mesmo assim, terá valido a pena todo o período em que viveu como lagarta e fechou-se em seu casulo!

O mais importante, é que a borboleta jamais se esqueça de onde veio, e lembre-se sempre de que ela é apenas uma lagarta que se transformou... que ela jamais despreze as lagartas que encontrar em seu caminho!

E que as lagartas saibam que, dentro delas, moram as asas de uma borboleta.

Triste é aquele que pensa que já nasce borboleta, e pensa que voa entre as outras lagartas com asas imaginárias e por caminhos que não lhe pertencem, para os quais, não se preparou! Cedo, o vento sopra forte e derruba seu voo de arrogância. E como esta lagarta passou toda a existência pensando ser uma borboleta e negando sua verdadeira forma, quando a queda chegar, ela nem ao menos saberá escolher um pedaço de solo sem espinhos ou pedregulhos... as dores serão muitas! O tempo de metamorfose será muito mais longo e sofrido.

Portanto, quando eu vejo uma lagarta, lembro-me sempre que dentro dela, mora uma borboleta; e quando vejo uma borboleta, sei que dentro dela, mora uma lagarta.



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Café




O café escorreu lentamente,
Desceu queimando
Pela garganta,
Fazendo sangrar a manhã
Em tons marrons.

O futuro se escondeu na borra forte,
E o sabor coloriu a alma anêmica.
O perfume despertou a ilusão
De que talvez fosse mentira.

O dia seguiu, quase hipnótico,
O azul imenso e monocromático do céu
Agredia as vistas,
Sem o menor respeito pela minha dor.

E as aves cantavam, atrevidas,
Nas árvores próximas à janela...
Mais um gole de café
Que não trouxe de volta o que eu queria...

Não despertei daquele pesadelo,
E a tarde descansou, finalmente,
Sobre tuas mãos cruzadas...


domingo, 15 de setembro de 2013

TRANSGRESSÃO




Nasci para andar descalça.

Meto os pés na lama
Sem hesitação,
Cubro-me das pétalas
Que das flores caem,
Orno-me das folhas
Que as árvores enjeitam,
Mato minha sede
Com a água que nasce
Das loucas enchentes,
Revolta da chuva,
Revolta dos rios.

Aparentemente,
Sigo a linha reta
Que a vida desenha,
Mas dentro de mim
A estrada não segue
Caminhos conhecidos:
Sou de poucas palavras,
Poucas perguntas,
Poucos amigos.


Prefiro o silêncio, 
E dele eu me visto,
Sou bicho das sombras,
Ando equilibrando-me
Pelo meio-fio
Só porque assim
Eu me divirto,
E seu eu cair,
Não há abismos.

Aprendi a ser
Aquela que cai,
E sempre se ergue
Um milhão de vezes.
Não desisto nunca
De recomeçar.
De cabeça erguida
Sacudo a poeira,
Só pago o que devo
(Se acho que devo)
Choro quando quero.

É duro, é difícil,
É quase impossível
(Desista, eu te digo)
Me fazer cair,
Me manter no chão,
Calar minha voz,
E ferir a pele
Do meu coração
Que bate sozinho,
Sem necessidade
De adrenalina.


Eu pago meus micos
Sem pedir descontos,
Não tenho vergonha,
Nada me constrange,
Nada me intimida,
Nada .


sábado, 14 de setembro de 2013

Eu Levo








Eu Levo


Eu levo esperança e perdão
Nas dobras da minha mortalha.
Levo os sonhos que ficaram
Sob o fio da navalha.

Deixo a dor e a incompreensão
Por sobre a laje de pedra.
E a saudade (se sentirem)
Deixo em cada coração.

Na fotografia em sépia
Fica a imagem dessa máscara
Que a mim por Deus foi dada.

Talvez leve algum remorso
Por aquilo que eu não fiz...
Mas não levarei mais nada.


LIXO EXISTENCIAL - MEU NOVO LIVRO





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Obrigada!
Ana Bailune

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MOMENTO




Me deixa dormir
No balanço frouxo desta rede,
Me deixa matar a sede
De por um momento, não existir!

Me encerro toda
Completamente
Neste momento.

Não quero nada,
Não tenho medo,
Nem do tempo.





É só o agora
Que me importa,
Abro as janelas,
Arranco as portas
Do meu viver.

Ser, 
Agora,
Calor do sol,
Beijo de brisa,
Canto de pássaro.




Não Gostas de Mim?





Ponha os teus olhos
Em outro lugar,
Vire teu rosto
Quando eu passar.
Esqueça meu nome,
Ignore tua fome
De me decifrar!

O que te vicia,
O que te convida
A vir visitar-me,
Se minhas palavras
Te enchem de asco
Te escandalizam,
E queimam tua carne?

Recolha tua câmera
De fotografar
As almas humanas!
Ela anda sem foco,
Sem perspectiva,
Retorcendo fotos,
Maculando imagens,
Retratando intrigas!

Não gostas de mim?
-É só não me olhar,
Tão fácil, tão certo!
Eu tenho o direito
De despedaçar-me,
De reescrever-me
Nas linhas do verso!

Pareces um cão
Faminto e egoísta
Que não larga o osso,
Mas que rói as patas...
Te alongues de mim!
Por que vens aqui,
Se aquilo que eu digo
Tanto desagrada?

Se eu mato os meus versos,
Se eu sacrifico
Aquilo que chamas
De 'vera poesia,'
Faça o teu trabalho,
Macaco, te ajeites
No mofo seguro
Dos teus próprios galhos!







IRIS




O sol cintila entre os meus cílios,
E eu vejo o mundo
No entreabrir dos olhos.

Mora uma menina
Nas minhas pupilas.
Seu nome, é Iris,
E ela às vezes
Afasta os cílios,
Sai pela fenda
E vem brincar no mundo.

Faz as montanhas
De tobogã,
Pousa nas árvores,
Deita-se nas nuvens,
Pula amarelinha
Nas entrelinhas
De algum poema.

Recolhe as cores
E o cheiro das flores,
Pega, nas mãos em concha,
A chuva que cai
E aspira fundo
A terra molhada.

Cata pedacinhos da vida
Guardando tudo
Nos bolsos do vestido.

E quando ela volta
Fechando os cílios,
Espalha no chão tudo aquilo
E faz para si
Um caleidoscópio.

Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...