sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Evidências







Evidências


Você traiu minha tristeza,
E o beijo quente do sol
Deixou suas marcas rosadas
Por sobre as suas bochechas.

Trançados nos teus cabelos
O acre perfume das ruas,
E mil reflexos da lua...

Acordes de uma canção
Ainda vibram em solfejos
No tamborilar alegre
Que escapa dos teus dedos!

Você traiu minha tristeza
Ao colocar sobre a mesa
Um vaso de flor do campo...

Nos teus ouvidos, sussurros...
Ainda ecoam os risos
Partilhados com amigos!

Nas tuas palmas, aplausos,
No teu olhar, o espetáculo
De um iluminado palco
Aonde deram-se as danças
daquele alegre teatro!

Você traiu minha tristeza,
E nem adianta negar
Diante de tantos fatos!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A FLOR






A Flor


Há um botão de flor
Dentro de cada peito,
Desde que nascemos.

E sem sabermos nada
Sobre sua natureza,
Nós muito o tememos.

Aos poucos, desabrocha
Este temido botão
Vagarosamente,

Ansiamos, contritos,
Por outros assuntos
Que aliviem a mente.

Mas o botão existe,
Seguindo sua missão
De abrir-se em negra flor,

E quando isto acontece,
A árvore fenece,
E tomba sobre o chão.

O Pio da Juriti





Hoje é uma daquelas tardes que nos convidam a ir lá para fora. Ante o cancelamento de uma aluna, foi exatamente o que eu fiz: peguei meu livro e fui deitar na rede, debaixo daquele sol de inverno, encimada pelo azul absurdamente lindo do céu. As cores estavam mais vivas. O verde parecia brilhar, e ao olhar a paisagem, tive a impressão de visualizar uma leve aura de vida sobre todas as coisas. Quase imperceptível.

De repente, pousa uma juriti - espécie de pombo selvagem - sobre o cedro. Seu pio levou-me para trás. Não sei bem como. Mas uma memória ficou cutucando a minha mente, querendo sair. Olhei para o muro coberto de hera, as folhas minúsculas brilhando ao sol. Havia no ar uma cor de alegria.

Senti cheiros de minha casa de infância, e pensei que naquele momento, eu estaria sentada à mesa da cozinha, tomando café com leite e comendo pão com manteiga. Talvez pudesse estar em frente à TV, assistindo a um filme de Elvis Presley mostrado na velha Sessão da tarde. Transportei-me para lá, e visualizei minha mãe na cozinha lavando a louça. Pude ouvir os latidos dos cães no quintal. É incrível o quanto a mente nos faz viajar!

Se a física quântica estiver certa, aqueles momentos continuam existindo em algum lugar no tempo, e eu sou ainda aquela menina, multifacetada, dividida entre muitas épocas e idades diferentes. E com certeza, serei também a mulher já idosa, vivendo no futuro, e também estarei morta em algum lugar que ainda não conheço. Quem sabe, revendo e abraçando todos aqueles que se foram antes de mim?






Em Uma Terra de Homens





Em Uma Terra de Homens


Vivemos todos em uma terra de homens, e portanto todos somos da mesma espécie: a humana. Mas alguns acham-se deuses - por terem estudado mais, por saberem de coisas que a maioria das pessoas não sabem, por desfrutarem de uma posição social mais privilegiada, enfim, por se acharem com mais direitos do que os demais. Mas a história tem provado que em uma terra de homens, aqueles que se acham deuses cedo ou tarde encontrar-se-hão com o espelho da verdade.

É exatamente assim que eu vejo a chegada dos médicos cubanos no Brasil. 

Sou totalmente favorável, pois faço parte do grupo das pessoas que vivem no mundo real; o mundo onde alguém chega a um hospital e espera horas por um atendimento que nem sempre acontece, e muitas vezes, é olhado 'de cima' por um profissional da saúde que se acha um deus; isto, quando eles se dignam a erguer os olhos para olharem para nós. Em ocasião da internação de minha mãe em um hospital público, lembro-me que conversei com alguns médicos que olhavam para mim como se eu fosse um inseto.

Não estou aqui fazendo generalizações, e tenho certeza que existem muitos profisisonais éticos e dedicados. Vivemos em um país livre, e aqueles médicos que se sentem de alguma forma prejudicados pela chegada dos médicos cubanos tem o direito de expressar seu desagrado; mas de nada adianta uivar debaixo da arvore errada. Destratar estes médicos apenas porque eles aceitaram vir até aqui para fazer um trabalho que a maioria deles recusou não resolverá o problema; que reivindiquem seus direitos junto ao governo, sem que precisem desfazer-se de seus colegas de profissão ou humilhá-los publicamente como eles tem feito.

A melhor forma de entender a posição de alguém, é colocar-se no lugar dele. Tenho certeza de que estes médicos que fizeram piquetes, reagindo violentamente à chegada dos médicos cubanos, não gostariam de serem tratados da mesma maneira. Não vejo de que forma a chegada destes últimos poderá afetar o trabalho dos que já estão aqui, já que eles irão para aqueles locais onde ninguém mais quis ir. Porém, eu não sou uma profissional da saúde, e portanto não sei de todos os lados da história; mesmo assim, achei uma tremenda falta de educação e civilidade a recepção que os médicos brasileiros deram aos seus colegas cubanos.

Estes médicos são como propriedade do governo cubano, e seus salários serão pagos ao governo de Cuba, que repassará a eles apenas uma pequena parte do que o governo brasileiro pagará. Mas são profisisonais experientes, e dizem, a medicina cubana é uma das mais avançadas. Quanto a passar pelo teste que todos os médicos estrangeiros precisam fazer para trabalhar no Brasil, tenho certeza de que a maioria dos que estão exigindo isto, eles mesmos, não passariam, caso a ele submetidos.

Esta manhã fiquei sabendo, através de um de meus alunos, que uma repórter postou um comentário no Facebook referindo-se à aparência de uma das médicas cubanas, alegando que esta parecia uma empregada doméstica; ofendeu não somente à médica, mas também à classe das empregadas domésticas! Foi absurdamente grosseira, inconveniente e preconceituosa. Esta, com certeza, é mais uma que um dia vai encontrar seu espelho da verdade.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vai Ficar Tudo Bem







"Vai Ficar Tudo Bem"

Segunda edição em e-book - reeditado


Este livro é especial para mim e para a minha família. Os poemas nele inscritos falam da trajetória de meu sobrinho Ricardo em sua luta contra o câncer. Os poemas foram a minha forma de entender o que estava acontecendo. Um desabafo e uma tábua de salvação. Muitos já leram e gostaram, pois encontraram nestes poemas palavras que descrevem sua própria dor e seu próprio medo diante das surpresas da vida. "Vai Ficar Tudo Bem" é o que todos nós afirmávamos diante daquele longo corredor que percorríamos junto ao nosso Ricardo. Um livro inesquecível.


DEPOIMENTO

Já faz um tempo que recebi de presente, o livro de Ana Bailune. Após ler de uma única vez, quis escrever algumas linhas sobre a obra. Porém, a minha limitação em usar as palavras certas para descrever tal obra e sua importância me paralisou, tornando-me indelicado com quem tanto admiro.
Hoje, procurando algo na estante deparei-me novamente com o livro “Vai ficar tudo bem” e acabei relendo salteado algumas poesias. O livro emociona a cada página, a cada estrofe, ao falar da dor da perda de um ente querido, coisa que é a prova mais dolorosa que uma pessoa enfrenta em sua passagem pela Terra.
Ana Bailune conseguiu dar aos seus versos um sentido profundo sem fazer deles uma angústia existencial. Como superar algo que parece nos fechar todas as portas? Foi na poesia que autora encontrou uma forma de manter vivas as lembranças, apesar das saudades. Sem dúvida esse livro foi um dos mais comoventes que li nos últimos anos.
O que dizer dessa grande escritora, poetisa, contista? Com certeza sua linguagem é densa de emoção, sem usar de artifícios. Sua poética está nas palavras simples do cotidiano, sua arte está na maneira de compor seus versos, revelando através deles sua alquimia de poetisa singular, que sabe impressionar e comover seus leitores.

Carlos Lopes, do blog Gândavos

PS: Este livro estará disponível hoje no final da tarde, no link acima; basta clicar, e chegando na loja, digitar Ana Bailune

. Preço: $2,00

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E é Por Isso Também que eu Escrevo!





Já faz um tempo que recebi de presente, o livro de Ana Bailune. Após ler de uma única vez, quis escrever algumas linhas sobre a obra. Porém, a minha limitação em usar as palavras certas para descrever tal obra e sua importância me paralisou, tornando-me indelicado com quem tanto admiro.
Hoje, procurando algo na estante deparei-me novamente com o livro “Vai ficar tudo bem” e acabei relendo salteado algumas poesias. O livro emociona a cada página, a cada estrofe, ao falar da dor da perda de um ente querido, coisa que é a prova mais dolorosa que uma pessoa enfrenta em sua passagem pela Terra.
Ana Bailune conseguiu dar aos seus versos um sentido profundo sem fazer deles uma angústia existencial. Como superar algo que parece nos fechar todas as portas? Foi na poesia que autora encontrou uma forma de manter vivas as lembranças, apesar das saudades. Sem dúvida esse livro foi um dos mais comoventes que li nos últimos anos.
O que dizer dessa grande escritora, poetisa, contista? Com certeza sua linguagem é densa de emoção, sem usar de artifícios. Sua poética está nas palavras simples do cotidiano, sua arte está na maneira de compor seus versos, revelando através deles sua alquimia de poetisa singular, que sabe impressionar e comover seus leitores.


Carlos A. Lopes - blog Gândavos 




Obrigada pela força, Carlos!


Em breve, uma nova edição virtual deste livro estará disponível na amazon.com. Preço: $2,00. Tirei alguns poemas, e acrescentei outros que tinham ficado de fora na primeira edição. 

domingo, 25 de agosto de 2013

Mensagem




Meus Livros







Sempre Cada Vez Mais Longe é um e-book contendo 62 de meus melhores poemas. Disponível no amazon.com.br

Preço: 2,00








A Ilha dos Dragões contém 20 contos fantásticos, que flutuam entre a realidade e o mundo mágico das possibilidades. Preço: 7,15

Disponível no amazon.com.br

Querendo adquirir, basta acessar o link e digitar ana bailune. Os livros aparecerão em sua tela, e clicando no canto direito no botão laranja ("compre agora com um clique") você poderá  efetuar seu pagamento através de cartão de crédito e fazer o download rapidamente para o seu Kindle, Iphone, Ipad, computador ou Kobo.

Podem ser lidos em:


iOS (iPhone, iPod Touch e iPad)Android
Windows 7, XP, Vista
Windows 8 (PC ou tablet)
MacOS

Tenho certeza de que vocês vão gostar, pois o material foi selecionado com muito carinho e critério. 

Em breve: uma edição virtual de "Vai Ficar Tudo Bem," revista e ampliada.



Já disponível. Preço: 2,00




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Por Onde Andam os Anjos




Os anjos andam na lama,
Cobertos de trapos,
De pés descalços
E fingem-se loucos.

As asas cortadas
Insistem em crescer,
Mas os anjos
Não querem morrer.

Bebem da vida
Pelo gargalo,
Tropeçam  tontos
Pelas ruelas,
Perdem as penas
Pela avenida...

E quem os vê, os teme,
Não sabem quem são,
Não sabem que os anjos
Não tem auréolas,
Mas caem de bêbados
Pelas vielas.

E quando morrem,
É como se jamais
Tivessem vivido
Ou sido gente...

Nas covas rasas
Dormem os anjos
Como indigentes.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Tecnologia - um pequeno comentário




A tecnologia veio para ficar. Resistir a ela é como parar no tempo. Mas assim como o cinema não acabou com o teatro, e a TV não acabou com o rádio, o livro virtual não vai acabar com o livro de papel. É apenas uma nova plataforma, uma experiência diferenciada. Acredito que daqui a pouco tempo, o livro virtual poderá estar vendendo mais que os livros de papel, justamente pela praticidade, tanto para o autor em publicá-lo quanto para o leitor em obtê-lo.

O que acontece, é que ainda existe muita resistência às mudanças que chegam cada vez mais rapidamente. Teimamos em permanecer exatamente onde estamos. Ao anunciar a publicação de meus livros pela Amazon, recebi alguns comentários de pessoas que dizem preferir os livros de papel, pois não se sentem prontas para a literatura virtual (ou seria virtualidade literária?). Eu as compreendo muito bem, pois também já estive desse lado há bem pouco tempo.

Ainda quero desfrutar do prazer de entrar em uma livraria física e ficar horas entre as prateleiras escolhendo livros; mas não quero perder a praticidade de, a qualquer momento do dia ou da noite, escolher um título em uma livraria virtual e baixá-lo em questão de segundos por um preço bem mais em conta.

Publicar um livro pode levar tempo demais, pois envolve várias etapas, e sair bem caro... fiz alguns orçamentos para publicar por conta própria, e vi que a publicação de cem exemplares  fica em torno de 4 ou 5 mil reais! Infelizmente, não disponho de tanto dinheiro. Meu grande sonho continua sendo publicar livros impressos, mas enquanto não acontece (e pode não acontecer mesmo), por que desprezar a internet, se ela se mostra um canal cada vez mais adequado e conveniente? Acredito que pode ser um caminho!

Lembro-me de ter lido um comentário que dizia que em ocasião do lançamento do televisor, alguém comentou que o invento jamais decolaria. O mesmo foi dito a respeito dos computadores caseiros. Também ria-se dos inventores de máquinas voadoras, que eram ridicularizados diante de cada tentativa de voar.

Cheguei a receber alguns comentários bastante desanimadores - caso eu decidisse dar ouvidos a eles - dizendo, de forma sutil e irônica, que a publicação virtual é uma boa saída para os fracassados. Bem, eu acho que a saída para os fracassados é criticar aqueles que tentam inovar e fazer alguma coisa boa. Continuarei lançando livros virtuais, e mesmo que ninguém jamais chegue a lê-los, eu continuarei escrevendo, pois sou uma escritora, e não apenas uma autora que visa somente lucros e reconhecimento. Minha página na Amazon vai ficar lá. Se algum dia eu me encontrar entre aqueles raríssimos escritores que tiveram a sorte de receber um convite de uma editora para publicar um livro impresso, melhor; senão, pelo menos eu não terei ficado acuada no escuro, criticando aqueles que tiveram a coragem de tentar.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Rendendo-me ao Kindle e à Publicação Virtual




Há algum tempo, dei aos meus alunos de inglês um texto sobre e-readers - leitores de e-books - e debatemos sobre a possibilidade de, um dia, os livros impressos serem substituídos pelos livros virtuais. O texto no qual trabalhamos falava mais especificamente sobre o Kindle, o e-reader da Amazon. Naquela época (até parece que foi há muito tempo, mas na verdade, foi em 2010) o Kindle era uma plataforma muito básica de leitura, com poucos recursos. Eu pensava que jamais substituiria meus livros de papel pelos livros virtuais. Gosto de fazer minhas anotações, sentar-me ao sol com meus livros e ler na cama. Achava que um leitor de e-books não me proporcionaria este prazer, pois pensei que a tela não ficaria bem visualizada em ambientes muito escuros ou à luz do dia. Também achava que a bateria do dispositivo seria uma preocupação, já que apesar de tanta tecnologia que vemos nos dias de hoje, as baterias dos smartphones deixam muito a desejar, e pensei que seria a mesma coisa com os e-readers.

Mas recentemente, com a publicação de dois livros no Amazon, decidi comprar o Kindle. Uma escolha muito acertada, pois estou adorando; para quem gosta de ler, é uma ferramenta útil e confortável! Imaginem só, estar em casa sem ter muito o que fazer e poder acessar uma livraria com milhares de títulos e baixar os que desejar para o seu leitor em questão de segundos! Sem falar nos mais de mil títulos cujo download é gratuito. Estou me sentindo nas nuvens!

O Kindle é pequeno, bonito e leve; a iluminação da tela pode ser adaptada de forma que  tanto a  leitura ao ar livre (até mesmo sob sol forte) ou em ambiente escuro seja feita com todo conforto, sem cansar a vista; podemos escolher também a fonte que desejarmos e o tamanho das mesmas. Posso ler sem meus detestáveis óculos. E mais: posso selecionar trechos e fazer anotações pessoais! Melhor impossível! E a bateria é quase um milagre: se o wi-fi estiver desligado, ela dura até oito semanas! 

Começo a acreditar que muitas portas se abrirão para nós, autores mundialmente desconhecidos; e mesmo que permaneçamos mundialmente desconhecidos - afinal, todo mundo diz que somos maravilhosos e que deveríamos publicar livros, mas quando o fazemos, ninguém compra - teremos o prazer de ver os nossos trabalhos lá, guardados para a posteridade... quem sabe, sobrevivendo à hecatombe final e sendo redescobertos daqui a milhares de anos por uma civilização adiantada.

Publicar na Amazon  é relativamente fácil, e sem custos (Helena Frenzel: minha dificuldade deveu-se à minha característica de anta virtual, e o suporte deles é o melhor que já vi; deixei o número de telefone lá e em menos de dez segundos recebi uma ligação). Meu primeiro livro, "A Ilha dos Dragões," teve alguns problemas de formatação devido a uma figura que coloquei na primeira página, e que passou a ocupar as cinco primeiras páginas do livro; terei que reformatá-lo e reenviá-lo, o que ainda não deu tempo de fazer. Mas o texto está perfeito.

O segundo livro, de poemas, "Sempre Cada Vez Mais Longe," ficou direitinho. Está lindo, lindo, lindo!  E os preços são muito em conta. Quem estiver interessado em dar uma olhada, pode ir na loja da Amazon e procurar minha página de autora - Ana Bailune. Meus bebês estarão lá, e logo aumentarei a prole.

ps: Não recebi um tostão para escrever este texto. Juro. Mas o que é bom merece divulgação.

ps: o conteúdo dos livros da Amazon podem ser visualizados em outros aparelhos, como o iPad, iPhone e até mesmo em seu computador.





Tranças





Tranças



O tempo, em transe,
Vai trançando-se às estações,
Trazendo consigo as flores do inverno,
O frio da primavera,
O calor do outono,
Os frutos do verão.

As tranças do tempo confundem tudo,
Juntam e ajuntam,
Empilham lembranças,
Arrastam consigo muitas vidas,
Estas tranças...

Até que um dia, 
A fita negra amarra as pontas,
E nada mais adianta...
Vem a tesoura, e mata
Tudo o que tempo
Não arremata.



domingo, 18 de agosto de 2013

Lealdade & Fidelidade





Lealdade & Fidelidade



Ao passar por uma banca de jornal ontem à tarde, li na capa de uma revista a declaração de uma jovem e talentosa atriz Global da novela das nove, que dizia mais ou menos o seguinte: "Preocupo-me mais com lealdade do que com fidelidade." 

Passei, mas a frase ficou em minha cabeça, e fiquei pensando... no dicionário, temos: 

Lealdade: s.f. Consideração aos preceitos que dizem respeito à honra, à decência e à honestidade. 
Que honra com seus compromissos com retidão e responsabilidade; probidade. 
Característica daquilo ou de quem se pauta nessa probidade. 
(Etm. leal + dade)

Fidelidade:s.f. Exatidão em cumprir suas obrigações, em executar suas promessas: jurar fidelidade.
Afeição e lealdade constante: fidelidade de um amigo.
Obrigação recíproca dos esposos de não cometer adultério.
Exatidão, semelhança: fidelidade de uma narração.
Lealdade; probidade.

Em conversa com meu marido, ele tentou me explicar o que a atriz quiz dizer: "Por exemplo: Sou súdito de um rei, e leal a ele. Mesmo assim, de vez em quando, eu 'durmo' com a rainha. Sou leal, mas não fiel."

Mais uma vez, fiquei pensando, e concluí que lealdade e fidelidade são sinônimos, e uma não pode existir sem a outra! Como posso dizer-me leal a alguém, se eu o trair com outras pessoas? E como posso ser infiel, continuando a ser leal? Achei o cúmulo da hipocrisia a declaração da moça. É como tentar tapar o sol com uma peneira cheia de buracos enormes.

Para mim, leal e fiel são a mesma coisa.  Porque se lealdade consiste em respeitar, honrar e ser honesto, ao mesmo tempo que ser fiel significa afeição e lealdade constantes, como posso ser leal sem ser fiel, e vice-versa?

E os conceitos vão sendo readaptados à realidade atual, para que as pessoas se sintam melhor a respeito do que elas fazem de errado, e se justifiquem pelas promessas que elas não cumprem. Melhor não prometer nada, e assim, ser leal e fiel.



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Garganta de Flor




Garganta de flor
Corredor de cor
Um pólen de voz
Perfume de amor.

Lá vem beija-flor,
O sumo da foz
Despeja-lhe  a flor,
Não pensa na dor.




quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pegue um Poema







Pegue um poema,
E com a fita
Meça-lhe as métricas,
Corte-lhe os versos,
Escolha apenas
Frases formais
E rebuscadas...
Pintando a cena...

Pegue um poema,
Ajeite o tema,
Corrija tudo
O que é ruim,
Estique um pouco
Aquela letra,
Rebusque o estilo
Antes, chinfrim.

Trabalhe nele
Como um soldado,
Deixando os versos
Bem martelados,
Alexandrinos,
Seja o que for,
Mas com cuidado:
Não mate o amor!




terça-feira, 13 de agosto de 2013

FRIO




Amanhece;
Como numa fotografia,
A vida coberta de neblina.
Sobre tudo, o frio pousado.

Pássaro quieto sobre o fio,
Que balança e solta, aos poucos,
Gotas de orvalho chorado.

Vem um raio de sol, cintila
Sobre as cores das asas do pássaro
Que do dom de voar, declina;
Medita sobre a paisagem.

Parece triste, o passarinho...
Seu canto destoa de tudo,
E as notas hesitantes
Modificam as imagens.

Antes, ficasse mudo.

Cutuca-lhe as asas
Mais um fio
De raio de sol.

E de repente, lá vai ele,
Asas abertas
Ao chamado 
Do vento e da vida...

Mas deixa cair uma pluma
Sobre o gramado.

Das Coisas que eu Vejo





Passando os olhos pelo Facebook, muitas vezes deparo com fotografias de animais - geralmente, cães e gatos - que estão abandonados nas ruas, magros, esqueléticos, doentes, os olhares tristes e sem esperanças. Da mesma forma, às vezes, na correria do dia a dia, passo por animais assim aqui mesmo em minha cidade. Não posso recolher esses animais. Não tenho condições de cuidar deles. Quando é possível, ponho um pouco de água e comida. A dor da vida dói muito mais quando atua sobre os inocentes.

Vejo gente brigando e reclamando da vida que tem, desejando mais, maldizendo aqueles que tentaram ajudá-los, esquecendo-se de que a gratidão deveria ser a flor mais cultivada da vida, a mais plantada e oferecida.

Vejo jovens se drogando e morrendo nos noticiários, e me lembro de meu sobrinho de 24 anos ( e tantos como ele) que morreu de câncer, na flor da idade, desejando tanto continuar vivendo.

O tempo todo, vejo pessoas que não aprendem nunca através de suas experiências, cometendo sempre e cada vez mais, os mesmos erros. Existem algumas que se acham acima do bem e do mal, e que acreditam, realmente, que dinheiro, diploma e posição social são importantíssimos para definir o caráter de alguém.

Vejo pessoas que, por medo de se mostrarem vulneráveis, jamais dizem coisas como "Eu sinto muito," "Eu errei, me perdoa!"  Elas acreditam que pessoas que o fazem são fracas, e que as outras pessoas tirarão vantagem delas se elas admitirem que erraram. Assim, acabam criando suas próprias verdades, através da distorção dos fatos. Tentam adaptar a realidade às suas necessidades - e não o contrário - como se isto fosse possível.

Eu vejo coisas tão tristes nesse mundo de meu Deus. Coisas que eu preferiria não enxergar. Às vezes, é difícil acreditar que elas sejam verdade. Mas são. Fazem parte da realidade diária de todos nós.

Mas daí, há dias em que eu acordo e percebo uma tonalidade diferente de azul no céu, e o horizonte rosado se abrindo para o sol que nasce. Vejo uma pequena cambaxirra carregando galhinhos para depositar na casinha de passarinho que está na minha varanda; observo a calma e a simplicidade de seus movimentos, e a paciência com que ela transporta e adapta cada galhinho, até que o local esteja confortável para receber seus filhotes. Chego no jardim e, ao olhá-lo, eu vejo uma porção de borboletinhas voando. Respiro fundo, e sinto o cheiro de grama, terra e cedro.

E então eu me sento na grama, e começo a lembrar-me de tantas coisas boas que já me aconteceram, e percebo que elas estão em maior número do que as ruins. O sol de inverno aquece as minhas costas, e eu sinto nascer dentro de mim uma força, e uma gratidão, e uma alegria intensas! E de repente, eu fico triste, porque eu sei que estas pessoas que eu vi pelo caminho raramente se sentirão assim... mas eu gostaria que fosse bom para elas. Sinceramente, eu gostaria que elas vivessem em paz. Todo mundo! O mundo todo. O tempo todo.

Gostaria que as pessoas deixassem de se comparar às outras o tempo todo, e parassem de invejar, desejar o mal, querer possuir o que não lhes pertence. Gostaria que as pessoas pudessem se sentir bem a respeito delas mesmas sem que para isso precisassem humilhar ou rebaixar os outros. Queria que as atitudes fossem mais honestas, de modo que todos pudéssemos olhar nos olhos uns dos outros sem medo e sem culpas. 

Queria que as pessoas parassem de abandonar seus animais de estimação nas ruas, e que jamais os maltratassem ou permitissem que alguém os fizesse. Que elas tivessem mais responsabilidade, para com eles e para com as outras pessoas também.

E quando a gente errasse - porque todo mundo erra - que fosse mesmo sem querer, sem intenção, sem maldade. Apenas um erro, uma escolha ruim, e não um plano deliberado, direcionado para prejudicar alguém, para tirar vantagens de alguém. Sem maquinações! Só assim a energia deste planeta - que anda cada vez mais pesada - poderia ser depurada.





segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Como me Lembro de Você





Quando eu me lembro de você - e isto acontece muitas vezes durante o dia - não procuro fazê-lo apagando todos os seus defeitos, e muito menos, acusando-a por causa deles. Também não fico me lembrando apenas do que foi maravilhoso, endeusando a sua personalidade. Sei que todos nós temos defeitos e qualidades, e isto não nos torna melhores nem piores do que ninguém.

Mas quando eu me lembro de você, me vem cenas do nosso cotidiano; revejo momentos, conversas que tivemos, momentos em que nos desentendemos mas também nos entendemos bem. Lembro-me da sua voz, do seu rosto, dos seus medos, e de tudo o que você procurava me ensinar. Lembro-me de que inúmeras vezes eu precisei de você e você não estava lá, presente, para me defender ou para me aplaudir.

 Hoje mesmo acordei me lembrando de uma ocasião, durante um desfile de Sete de Setembro na escola, em que eu a procurei na platéia e você não estava lá. Eu tinha sido retirada do pelotão minutos antes da parada começar, pois havia excesso de alunos. Eu e mais uma meia-dúzia (um garoto gordinho, uma menina de cor e um outro que usava óculos e estava com o uniforme incompleto, e ainda outros que como nós,  não eram tão populares). Eu me preparara durante meses para aquela ocasião, e na última hora, me retiraram... eu queria que você estivesse lá para me defender, mas você chegou apenas no final da apresentação, porque perdeu o ônibus. Quando eu perguntei se tinha me visto, e para não me magoar, você mentiu: "Vi sim, você desfilou muito bem!" E eu fiquei aborrecida, porque eu nem tinha desfilado.  

Lembro-me que muitas vezes eu não concordava com suas atitudes ou seus pensamentos. Às vezes, quando eu era adolescente, me envergonhei de algumas delas...eu era demasiadamente preocupada com o que os outros pudessem pensar. Condenava a tua franqueza e a tua maneira simples e direta de dizer e fazer as coisas. Mas com você, eu aprendi a não ser dissimulada. 

Engraçado... aprendi muito com as suas qualidades, e mais ainda, através dos seus defeitos, quando eu a observava, pensando: "Eu não quero ser assim..." e no fim, o saldo foi muito positivo.

Eu a conheci bem, mas não a conheci completamente. E sei que o mesmo se deu com você. Tenho certeza que houve ocasiões em que você e meu pai me olharam, tentando compreender aquela garota tão diferente dos outros irmãos, tão complicada, como meu pai dizia, "uma fiteira." E se perguntaram de onde eu tinha vindo. A garota que sonhava em ser cantora, bailarina, escritora, que queria aprender a tocar piano, que desejava aprender música, filosofia, mitologia, inglês. De onde surgiam estas ideias?! De todos os sonhos que tive, apenas um vocês tiveram condições de me ajudar a realizar: tornei-me professora de inglês. Minha carreira de 'bailarina' foi curtíssima, limitando-se à algumas aulinhas no colégio, e a de aprendiz de música, mais ainda. 

Mas o que ficou de tudo o que vivemos nesses quarenta e sete anos, foram as coisas boas que aprendi, as memórias bonitas e acima de tudo, a sua honestidade incontestável! Você era uma pessoa muito, muito honesta! Preocupada com a sua integridade, com o empenho da sua palavra, jamais fingindo gostar de quem não gostava ou dando-se a paparicar pessoas a fim de conseguir favores. Franca ao extremo - qualidade (ou defeito?) que herdei, e que ando tentando lapidar um pouco. Você sempre pagou todas as suas contas religiosamente em dia. Sempre assumiu os seus compromissos, e também aprendi isso com você.

E acho bonito isso. Que tenha ficado comigo a imagem de uma pessoa íntegra, literalmente inteira, mas que também errou muito, demasiadamente, em várias ocasiões. Mas afinal de contas, quem não errou? Por isso mesmo, eu jamais admitiria que alguém sujasse a sua memória. Principalmente agora, que você nem está mais aqui para se defender.

E é justamente na esperança de que respeitem o que você tentou me ensinar, que eu o faço.



Noite de Medo e Surpresa





Há muito tempo, quando eu tinha apenas vinte e dois anos, meu pai nos deixou. Bem, ele estava doente há algum tempo, e o médico nos preveniu de que ele poderia morrer a qualquer momento, pois tinha um coração muito fraco. Mas ninguém está totalmente preparado para a morte de alguém, mesmo quando ela é iminente.

Eu era a última filha - a caçula - e fiquei morando com minha mãe. Os outros irmãos já eram casados e tinham suas próprias casas. Pela primeira vez, sentia-me insegura por morar em uma casa; mesmo sabendo que meu pai era um gomem muito doente, ter uma presença masculina dava-me segurança. Quando ele se foi, eu e minha mãe nos sentimos bastante vulneráveis...

Certa noite, acordamos com o ruído de alguém forçando uma maçaneta. O banheiro ficava dentro da área de serviço, cuja porta que ligava à cozinha, nós trancávamos durante a noite. Concluímos, após escutarmos por alguns instantes, que tinha alguém forçando a porta do banheiro, provavelmente pensando que ela conduzia ao interior da casa. Aos cochichos, minha mãe e eu deliberamos o que fazer. Decidi colocar uma chaleira de água para ferver, pois se alguém tentasse invadir, receberia um banho de água fervente! Ela achou melhor deixar claro de que a c asa não estava vazia, e começou a falar em voz alta:

-"Nós estamos aqui, e temos uma arma! Nem pense em entrar!"

Mas os ruídos não cessavam. Eu estava quase em pânico! Ficamos um bom tempo tentando decidir o que fazer. Naquela época, não tínhamos telefone em casa, e não poderíamos chamar a polícia. Talvez se gritássemos?... Pensei nisso, mas minha mão falou:

-Eu vou abrir uma greta da porta para ver quem é.

Quase morri de susto quando ela falou aquilo! Pedi-lhe que desistisse da ideia, mas ela insistiu, já começando a girar devagarinho a grande chave antiga da porta da cozinha. Enquanto ela olhava pela greta (eu apreensiva atrás dela, pronta a 'atacar), vi quando o rosto dela se desanuviou:

-Dá uma olhada nisso, Ana.

Olhei, e vi a nossa gata (cujos filhotes estavam em uma caixa, dentro do banheiro) tentando abrir a porta, pulando na maçaneta e agarrando-a com as patas. Ela saíra pela janela do banheiro durante a noite, subindo na pia e pulando para fora, mas era alto demais para ela pular de volta para dentro.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Noite





A Noite

A noite permite o sonho,
Dá espaço ao que não vemos
Durante o dia; desejos
Que num afago, afogamos.

A noite dá corpo às almas,
Que a vagar, se encontram
Sob o brilho de um luar
Que paira noutro recanto.

A noite salva o encanto
E permite a fantasia...
Prepara, bem devagar,
Nova mesa para o dia

Que nasce, junto com o sol
Surgindo por trás do ontem
Até que em horizontes opostos
O sol e a lua se encontrem.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cedo ou Tarde




Cedo ou tarde,
Faz-se um silêncio
Pesado e denso
Dentro da gente.

 Foge a palavra,
Esconde-se, cala-se,
Resvala pela fresta da janela
Põe-se como o sol
Num horizonte mudo.

Turva-se o mundo,
Envolve-se em neblina
E nem que se tente,
Por mais que se tema,
A palavra não surge,
Não amanhece o silêncio
Não há poema.

E é como o ar que nos falta,
A luz que não brilha,
Verão sem cigarras,
Fogo sem calor,
Guitarra sem canção,
Canção sem amor...

E a alma  se perde,
Qual sombra a fitar-nos no espelho
Dentro de um olhar vazio
E taciturno.

E há de ser assim,
Para que não nos esqueçamos
De que palavra é dom,
E como dom,
É coisa dada,
Não nos pertence
E nos pode ser tomada.


Razão





Razão


Lembro-me bem;
Já passei por aqui,
Há muito, muito tempo...

Deixei beijos sobre as folhas,
Suspiros de encantamento
Ecoando entre estes muros.

Eu nada trouxe comigo,
-Nem levarei nada, eu juro,
Vim apenas de passagem
Sem pretender causar danos
Sem amassar o relvado.

Quero apenas reviver
Tentar saber se 'inda resta
Um pouco do que encontrei
Naquele tempo acabado...



terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Cão





Um cão raivoso,
Osso bem preso
Entre suas patas...

Nada lhe agrada,
Ou alivia
O seu pesar...
-Nada!

Uiva sozinho
Pelo caminho
Sonha com um mundo
Bem diferente...

Ele reclama 
Do osso duro
Da vida dura
Que há de roê-lo;

Ele reclama,
Do osso duro
E a si engana,
Pois não o larga
Nem o consome.

Morre de fome
O pobre cão
Sem ter ninguém
Que o assista...

Mas na verdade,
O que ele quer,
O que deseja,
É que lhe notem!

Então, rosnando,
Faz um buraco,
Enterra o osso
E deita sobre
A terra fofa.

Quem se aproxima
Daquele cão
Ganha um rosnado
E a exposição
De muitos dentes
Bem afiados!

Mas não; não larga,
Jamais entrega 
O osso duro
Que tanto odeia!


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Segunda Feira Morna





Amanheceu cinzento e nublado hoje. Geralmente, adoro dias nublados, mas não sei o que há com este, especificamente: uma névoa cinzenta paira sobre as coisas, como se fosse poluição - embora não haja esse tipo de coisa aqui onde moro. A paisagem está baça, e as cores perderam o viço.

Será que é porque é segunda feira?

Ontem tivemos um dia esplendoroso. O céu azul-brilhante e puro, o sol quase quente, mas não o suficiente para queimar, os passarinhos cantando. Agora, nem passarinhos. Ouvi um bem-te-vi distante hoje de manhã, e só. Bem, também há alguns beija-flores teimosos.

Vontade de fechar as cortinas e ligar a TV, e dormir, dormir, dormir... mas não dá; daqui a pouco, tenho que trabalhar mais. Como em toda segunda feira, começo bem cedo até a hora do almoço, e depois, após as três da tarde, até às nove da noite.

Geralmente, tenho sonhos estranhos nas noites de domingo, e acordo cansada... pode ser isto também.

Até a inspiração para escrever foi ali e ainda não voltou.

Pode ser também porque a gente vê tanta coisa, tanta coisa... coisas que nos deixam tristes, às vezes, mesmo sabendo que não temos nada com isso; as pessoas são como desejam ser, e não se pode fazer nada. É sempre assim: as gaivotas nadam, enquanto os abutres observam, esperando que uma delas morra.

Bem, mas sobreviverei a esta segunda feira morna, e com certeza, amanhã será um ótimo dia. Ou quem sabe, hoje mesmo?


domingo, 4 de agosto de 2013

O Sonho





O Sonho


Pés dentro da água,
Cabeça nas nuvens,
Coração no vento.

Tudo assim, etéreo,
Envolto em mistério,
Segredo, sussurro.

Silêncio! -Ela dorme,
Igual a quem morre,
No vão do absurdo...

A cripta aguarda,
A alma se esquece
Querendo ficar.

Silêncio, silêncio,
Se ela acordar,
Ah, se ela acordar!...

A Minha Vida

Parada na esquina De pé,  Mas cansada, A bolsa jogada nos ombros Pronta para a viagem Há tempos planejada. And...