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Mostrando postagens de Julho, 2013

Um Ipê de Caráter

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Quando o ganhamos de presente de minha irmã, ao nos mudarmos para esta casa, era apenas uma arvorezinha magrela e pequenina. Ao perguntarmos de que espécie se tratava, ela respondeu-nos: "É um ipê roxo!"
Já temos um amarelo, que já estava na casa desde que ela existe, e pensei na beleza efêmera das flores todo mês de setembro. E quando elas caem e se esparramam pelo gramado e pelas escadas qual flocos amarelos, parece ainda mais encantador. Pensei que adoraria ter um outro, de outra cor.
Plantamos a árvore há alguns metros do muro que separa nossa casa da casa vizinha. O tempo foi passando, e ela crescendo. Todo invernos, deixa cair as folhas até ficar totalmente nua, os galhos crescentes  estendidos como finos dedos ansiando pelo céu.
Um dia, procurei saber mais sobre os ipês roxos, e o que descobri, espantou-me: quando em florestas, eles podem crescer mais que trinta metros! Meu marido ficou com medo: o nosso já estava quase na altura da casa, que é de dois andares. Penso…

Levou Consigo

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Levou Consigo

Após fechada e deixada Em sua derradeira caixa, As mãos cruzadas no peito, Levou consigo o silêncio Sobre o que havia feito, Levou a falta de amor, Levou tudo o que não disse, Não teve, nem demonstrou.
Levou consigo a saudade De alguém que ignorou, Levou a dor da vontade Do abraço que frustrou, Levou o medo da morte, (E foi o que mais pesou.)
Deixou lembranças apenas Naquele alguém que a amou Um dia, em tempo passado, Mas que ela deixou de lado Usando de todo escárnio Fortemente, machucou.
O que havia cultivado -ouro, prata, alguns dobrados Não pode levar consigo, E tudo ficou perdido Em algum outro lugar Que escondeu bem escondido Com medo de alguém levar!
E aquilo que levou Foi só dor, pena, tristeza, Arrependimentos feitos De toda a sua vileza Em seus últimos momentos Teve, na frente, mil rostos Banhados em densa tristeza Eram rostos do passado, A quem só causou desgosto!
E o féretro seguiu só À sua última morada, Pois ninguém compareceu, Não houve prece rezada... E …

AMARGURA - SONETO

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Amargura

Guardei minhas mágoas dentro de um lenço E sobre estas páginas, o sacudi. As duras palavras, moí no silêncio. Já dei por perdido o que há muito perdi.
Não levo comigo senão uma dor, Que já nem me lembro se eu mesma escolhi. A dor, já dormente, perdeu o amargor Caída no tempo, penso que morri.
Mas há uma criança querendo viver, Que dentro do peito, reclama e se agita... Se a deixo dormir, a vida a desperta.
E esta criança quer ser, ressurgir, Pois teima em sorrir, mostrar que está viva, No fundo, eu entendo que ela está certa.


Poema de Amor Platônico

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Poema de Amor Platônico

Juntos levitavam, Se olhavam, Sonhavam... A vida suspensa No meio dos dois, Entre o existir, O agora e o depois.
Não falavam - ficavam Suspensos, planando, Futuando... Não pronunciavam O impronunciável, Sabiam que o sonho Não era palpável.
História contada Por quem só em sonhos A experimentou. O sonho passou, Ninguém despertou...


A Idosa

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A Idosa

Passava a mão pela testa Enxugando o cansaço. Apertando os olhos, Mirava o horizonte Tentando ver algo novo, Diferente, Curioso.
Cabelos brancos esvoaçavam Em volta de um rosto magro E às vezes, a chuva seguia Nas valetas das muitas rugas.
Avançada em anos, Tinha tão poucos bem vividos... Chinelos gastos de tanto errar Pela vida e pelos caminhos.
Mas ainda havia flores Mesmo que já desbotadas Na estampa do vestido.

Face-cara-de-pau

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Fico escandalizada com algumas sandices que vejo sendo compartilhadas no Facebook. Acho que Mark Zuckerberg criou uma ferramenta infernal, embora não tenha sido esta a sua intenção. Infelizmente, o Facebook no Brasil tem se tornado uma ferramenta para espalhar calúnias, agredir pessoas verbalmente, difamar cidadãos honestos e espalhar a violência.
De repente, alguém não concorda com o que a gente diz, e adentra a nossa página com abordagem irônicas e agressivas, e nem sequer se preocupa em disfarçar que toda aquela agressividade direcionada só estava esperando por uma pequena chance a fim de revelar-se - pois tratava-se de coisa 'encomendada' por outros.
Mas bem além das ofensas pessoais, o Facebook está sendo usado por gente ignorante que nem sabe o que está partilhando, ou que nem sequer leu a postagem até o fim antes de clicar sobre ela. 
Ainda há pouco, deparei com o seguinte compartilhamento:

"A Globo te mostra um dono de loja chorando, te faz sentir pena dele, mas n…

Ausência

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Zumbidos na tarde morna, O sol entornando os raios Por sobre as montanhas lisas.
Uma borboleta agoniza Numa teia de aranha.
Um passo dentro do mato, Farfalhar de folhas secas. Um suspiro de cansaço, Um maço de flores secas À espera do teu braço.
Serena fotografia, Teu sorriso eternizado Entre as tramas do passado.
Finalmente, a tarde morre, E os raios de sol, já fracos, Escrevem teu nome nas flores Que sobre a cerca, murcharam...



A Casa & a Alma

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"A casa é a morada do corpo. O corpo é a morada da alma. Portanto, a casa é a morada da alma."
É o que eu sinto quando vou passando pelos cômodos da minha casa, arrumando, limpando e perfumando. Depois de tudo pronto... curtir! Aproveitar as energias renovadas, o cheirinho de limpeza, o aconchego do relógio tiquetaqueando na parede do corredor. 
E pensando em minha casa, e em outras casas que conheci ou que gostaria de conhecer, acabei abrindo mais um blog: A casa e a Alma  acasaeaalma.blogspot.com

Espero você para um café e um dedo de prosa.





AVENTURAS EM PORTUGAL

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Texto inspirado nas dificuldades e diferenças linguísticas entre o português falado no Brasil e o português falado em Portugal.



Entramos naquele restaurante maravilhoso – eu e meu amigo português. Uma garçonete mal-humorada aproximou-se de nossa mesa, estendendo-me o cardápio. Dentre tantas variedades de pratos, achei melhor que ela sugerisse alguma coisa. Franzindo o cenho, ela respondeu: - Sugiro a punheta. Olhei-a, sem acreditar no que acabara de ouvir! Meu amigo permanecia impassível, olhando o cardápio. Tentando não criar um caso, decidi: -Vou comer uma bacalhoada. Enquanto isso, meu amigo decidiu: - De entrada, traga-nos cacetes amanteigados. Para beber, um sumo de laranja. Eu vou ficar com a punheta. Aos berros, a garçonete faz o pedido: -Dois cacetes amanteigados e sumo de laranja para a mesa oito! Uma bacalhoada e uma punheta! Senti-me corar. Meu amigo percebeu, e achando que eu estava chocada pela maneira escandalosa da garçonete, ele comentou, rindo: -Não te preocupes! Ela…

Punhal

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PUNHAL




Havia um punhal na bainha, Acomodado à cintura, Um punhal bem afiado, Brilhando na noite escura...
Havia um punhal, e eu o via, Mas não soube, ninguém disse Se ele ali estava, em riste, Para cortar os nós da corda Ou da concórdia, os laços...
Mas sei que senti sua presença No meio daquele abraço...

A tristeza Fecha as Janelas

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A tristeza fecha as janelas, Todas elas.
Deixa no ar um som de lamento, Causa uma dor que olha para fora Da escuridão que está Do lado de  dentro.
A tristeza pode não dar nenhum momento de paz, Nenhum  momento!...
Pinta de negro as cores de um dia, Renega tentativas De qualquer paz, qualquer alegria, A tristeza não perdoa, E quando dói, é dor fremente, Doa a quem doer...
A tristeza recolhe-se em si mesma, Planta gavinhas no coração, Que se agarram cada vez mais.
A tristeza não perdoa: Faz chorar qualquer sorriso...
Mas a tristeza, quando vem, Traz sempre consigo uma mensagem, Que se encontra no final De uma estrada escura, e talvez, longa, Mas somente quem a cruza, Sem negação, vencendo o medo, Poderá reencontrar  Sua alegria, e a si mesmo.




Colagem

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Ponha ali, bem à esquerda,  Um pedacinho de azul, Mas que seja bem clarinho, Como o céu num final de tarde.
Deixe que a chuva caia E espalhe pelo dia Um cheiro de terra molhada, Formando poças de espelhos Para refletir o céu.
Coloque do outro lado, Roseiras e margaridas Flores em rosa e lilás, E uma poltrona macia Para eu ver o por do sol.
Lá longe, ponha eucaliptos, Pinheiros, cedros, ipês, Fruteiras, um jacarandá E um salgueiro chorão Para ser meu companheiro.
Coloque no centro de tudo, As lembranças mais bonitas, Aquelas, que trazem-nos vozes, E imagens coloridas.
Escolha uma trilha sonora Para cada movimento, Salpique estrelas de prata, Deixe o luar branco e redondo Bem no centro.
Cubra tudo com beijo de vento, E perfume de café; Emoldure com cuidado, Pois esta, É a minha vida, É...

Partidas Sem Chegadas

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Partidas Sem Chegadas

Naquele braço de rio, Um barco tão esperado Que nunca, jamais chegou... E o braço fica esticado, Desenhando no horizonte A esperança malograda.
Tarde esquecida, noite parda, Sem luar e sem estrelas... Nas águas do rio, mágoas, Sono agitado na esteira.
Naquele braço de rio Não houve barcos ou águas Que trouxessem algum alento, Que lavassem tantas mágoas!...
E a distância anunciada Pelo silêncio total Dos barcos que se perderam Em mil portos diferentes Que anunciam só partidas, Mas partidas sem chegadas...

Dias

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Dias


Um a um, qual gotas esparsas, Perfume de nuvem branca Nas asas das garças Que passam, Penas que caem Até que estanque o voo.
Pétalas roxas Caídas do vaso de violetas. Lagarta passando, lentamente, Corpo em ondas sinuosas E de repente, -Passou!
Colar de contas enfileiradas, Como os passos calculados De uma jornada...
-Arrebenta, Caem as contas, Espalham-se, Fio pendurado Pendendo no vazio.
Nenhum sinal, Nenhum aviso, A brisa soprada que ergue a pluma Arrancada De uma asa que há muito Não mais existe, Mas fica a pena (Da asa e da vida).

Quando Tudo Era Lindo

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Quando Tudo Era Lindo

Será o piano tocando, Música de fundo do meu dia? Só sei que de repente, Me veio uma tristeza, Ao pensar que antes Era tudo mais lindo...
Acordar bem cedo, Os pais conversando na cozinha, Sons abafados De quem ainda estava dormindo... Lá fora, os passarinhos, Um galo cantando ao longe E a certeza de que eu era querida E estava sempre Protegida.
Hoje, somos todos tão sozinhos! Criamos tantos abismos, Mas nos esquecemos das pontes. Não criamos asas, Há paredes demais nas casas...
Nos esquecemos de que um dia, Secam todas as fontes Quando abandonadas, Quebram-se as calçadas, fazendo gretas, Por onde a chuva escorre, Gastando caminhos.
Deixamos, no chão, Apenas as pegadas De uma estrada perdida, esquecida, Por onde não passa mais nada.
Sim, talvez seja o piano...
Mas é que hoje eu me lembrei De tantas coisas que passaram, De tantos rostos sorridentes, Das histórias que contei E das que um dia, me contaram...
Olho para fora; nuvem cinzenta sobre as casas, Com rasgos …

Sobre Culpar os Pais

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Sobre Culpar os Pais

É sempre complicado assumir a responsabilidade pelos nossos próprios erros e atrasos na vida. Quando muito jovens, alguns tendem a culpar os pais pela maioria de seus desacertos - e durante algum tempo, a psicologia vem contribuindo para que isto aconteça. Apesar de jamais desconsiderar a importância da psicologia no processo de autoconhecimento, acredito que inúmeras vezes ela tem criado rótulos que em nada o facilitam. 
Durante a infância, as impressões que vão ficando marcadas em nós podem ser muito importantes para ajudar a definir que tipo de adultos nós seremos; mas a qualquer momento, cada um deve ter a responsabilidade de escolher o próprio caminho e segui-lo sem a necessidade de culpar os pais, a escola, a sociedade ou as condições de vida pelo seu insucesso.
Vemos, muitas vezes, irmãos que foram criados sob as mesmas condições de vida (favoráveis ou não); enquanto alguns obtém sucesso e atingem seus objetivos, outros entregam-se ao exercício da lamentaç…

Mãos Vazias

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Pra ser feliz, às vezes É preciso uma gota De egoísmo...
-Vês?
A dor do outro Quando nada há Que possa ser feito, Queima o peito, Cala a voz!
Ah, triste cenário, Ver que o que deve ser feito Não o será,
Pois falta um simples gesto De vontade própria, Que não cabe em minhas mãos!
E eles seguem sempre, Ansiando pelo perfume de uma rosa Que jamais plantaram!


Ainda Bem que Existe a Poesia!...

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Ainda Bem que Existe a Poesia!...

É tanta coisa, tanta, todo dia! Da mais profunda e límpida tristeza À beira da mais louca alegria... E o sol se deita, e se levanta, Todo santo dia!
Enquanto isso, a lágrima de esperança Escorre devagar por entre os dedos, Formando imensos, densos, tristes rios Da mais total e pura nostalgia!...
-Ainda bem que existe a poesia!
E é ela quem derrama, entre linhas, O doce do alcaçuz, o fel das rinhas, A vida traduzida em verso e prosa,
Da cega e escura noite À singeleza da rosa!
-Ainda bem que existe a poesia!
E quando vem a chuva, em gotas lindas Fazendo transbordar muitas saudades, É ela quem nos salva e nos resgata: Uma consolação de pura arte!
-Ainda bem que existe a poesia!
E quando na memória mais profunda Insiste a dor mais forte, mais fecunda, De repente, nos chega um passarinho, E a mente assim se solta, de mansinho...
-Ainda bem que existe a poesia!

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Eu Menina na Menina dos Teus Olhos

Te olho; E quando te olho, Me vejo menina Nas tuas pupilas, A brincar Com a menina dos teus olhos.
Nos damos as mãos, Corremos, cantamos, E vemos tudo, Como cores de algo novo:
A nossa casa, O céu, as plantas, A lua açucarada, Docinhos de estrelas...
De mãos dadas brincamos Dentro dos olhos, Até que rolamos Nas lágrimas, Aterrisamos Na grama orvalhada.
Corremos em rios Entre risos e lágrimas, E o que nos une É que nos vemos, Eu, nos teus olhos, Tu, nos meus olhos.

Minha Vida

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Minha Vida

Nada muito grande, A minha vida. Pode ser, por todos, Ignorada, Deixada de lado, esquecida, Pode acabar-se de repente, Nalguma esquina perdida.
Basta que alguém puxe uma alavanca, Ou quem sabe, acelere, Ou aquele encontro em Samarcanda?...
Um quase nada, A minha vida. Frágil sopro distraído Que saiu da boca De um deus cansado Enquanto ele suspirava!
Foi como surgiu o universo: Um simples espirro, E veio um verso De um poeta entediado.
É assim, a minha vida: Nada tão importante, Ou relevante, Que morre ao fechar dos olhos Na beira de cada noite, Como um simples talho Que corta um fio.
Mas desperta toda manhã, Nas gotas de orvalho.

Retorno

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Retorno
Pensei jamais voltar aqui, Mas a estrada me trouxe Estendendo aos meus pés Os caminhos de outrora.
Puxei, sem querer, os fios da memória E me lembrei de ti.
Tudo, nesse jardim É planta sem flor, sem viço, Caminhos musgosos Cobertos de densa neblina Onde um dia, tu passaste.
Queria ouvir de novo a tua voz No bico de um pássaro, Ou ver um segundo do teu rosto No espelho silencioso destas águas!
Mas há um rio entre nós, E nos olhamos Cada qual, do seu lado, Sabendo que não há pontes E nem há barcos.
A vontade afunda, afoga-se, Sem jamais chegar às margens.

Inesperado

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Inesperado

Por mais que seja noite, -Cliché: um dia, amanhece! E os cedros negros, Que lembravam monstros, Serão flautas para o vento.
E num momento de pura surpresa, As nuvens recolherão as tempestades, Abrindo um caminho no meio do céu Para que o sol passe.
O musgo do abandono Que cresceu pelo caminho não trilhado Será estrada aveludada Que levará ao reencontro tão sonhado.
Num dia inesperado, Quando os olhos estiverem secos E o riso tiver voltado.



Realidade

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Realidade
As lentes cegam, Mudam as cores, Põe no cenário O que não está.
Realidade, Qual a verdade, Com quantas cores Podem pintar?
Torcem as cordas Chamam coragem O que é vertigem, Não enxergar...
Realidade, Qual o teu nome? Holografia Do que não há...
Já nem bem sabem Seus próprios nomes, Penam de fome Sem saciar!...
Realidade, Fecho meus olhos Sonho contigo Para te achar...

In memoriam

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Sob o teu nome, eu li: "In Memoriam." Lembrei-me do teu riso solto e fácil. Coisas boas me vieram à cabeça, e também, as piores coisas.
Lembrei-me de você pequeno, correndo pela casa com seus primos, andando de bicicleta no quintal, fazendo manha, gargalhando. Lembrei-me de você com o uniforme da escola, e nas festinhas de aniversário. Revi fotografias onde ficou guardado o teu sorriso, e a tua presença entre os amigos. Era sempre tão difícil encontrar uma foto na qual você estava só!
Lembrei-me de você durante as suas aulas de inglês, aos sábados de manhã, quando você e a Dani vinham juntos, e das conversas depois da aula, quando descíamos a rua à pé, falando dos planos para um futuro que não aconteceu.
As coisas boas de se lembrar logo foram sendo substituidas pelo que vivemos nos teus últimos dias.
Lembrei-me daquele último ano novo, do quanto foi difícil festejar, tentar encontrar algum motivo para sorrir, sabendo que aquele era o teu último ano novo. Lembrei-me daquele…