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Mostrando postagens de Junho, 2013

Coincidência?...

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Quando minha mãe estava no hospital, em seus últimos dias, eu chegava junto à cabeceira de sua cama, e embora soubesse ser improvável que ela me ouvisse, eu conversava com ela. Nos dois últimos dias - quando eu realmente percebi que ela não sairia de lá - eu pedi-lhe que, se houvesse alguma coisa 'do outro lado', ela desse um jeitinho de me avisar, me mandasse algum recado, sei lá.
Bem, na última sexta-feira, durante minha sessão de acupuntura (as luzes são apagadas, ouve-se barulhinho de uma fonte de água e música suave, pois a terapeuta cria um ambiente propício ao relaxamento) acabei adormecendo. Não a vi, mas ouvi a voz dela me dizendo: "Leia o salmo 23." Foi rápido. Durou menos que cinco segundos.
Cheguei em casa, e abri a Bíblia que ela me deu há muitos anos, e estava escrito (ela tinha marcado a passagem com um 'x' e o número '1', não sei o motivo:


Salmo 23

"O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me…

Ousa-dia

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Ousa-dia

O dia quer seu prazer, Esfrega sua luz sobre os montes Que passivos, a recebem, Espalhando-a sobre a terra.
As águas lambem as pedras, As aves abrem suas asas E voam para os cumes altos, Numa entrega desenfreada.
A manhã explode em vermelhos, Que após o êxtase, tornam-se  Rosados tons de açúcar.
E eu fico qual voyer, Por trás de minha janela Enquanto a vida copula.

Sobre a Maldade

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Não sei como a maldade pode brotar em alguém, mas o que eu sei, é que nenhuma pessoa nesse mundo está livre de ser abordado por ela, ou sequer, de perpetrá-la. Algumas vezes, a maldade age com a ajuda consciente de quem a faz, enquanto noutras, acaba-se atingindo, sem intenção, outras pessoas, a fim de  se defender  espaços, entes queridos  e interesses.
Não acredito em quem se diz essencialmente bonzinho o tempo todo. Tenho visto que os bonzinhos são aqueles que adoram apontar os erros e 'maldades' alheias, colocando-se sempre em um pedestal, como se jamais houvessem caído ou cometido erros. Não são humanos: são deuses e anjos!
Ontem, passando por textos de outros autores em um site de escritores, deparei com um na qual a escritora - muito competente, por sinal - dizia que o mal não merece atenção em nenhuma circunstância. Sinto muito, senhora, mas vou discordar, e explicarei meus motivos:
Na segunda guerra mundial, quando milhões de judeus estavam sendo cruelmente extermina…

Incomparável

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As estrelas do céu As estrelas da terra, O vento, a calmaria, A tristeza, a alegria, O trem que aqui chega, O trem que se vai, A lágrima seca, A lágrima que cai, Palavra calada, Palavra caída Nas páginas brancas De mais uma vida...
As águas do rio, As ondas do mar, Céu de tempestade, O azul impecável A noite e o dia, O sonho, o real, A prosa, a poesia, O homem, o animal, E o livro fechado Que nós escrevemos Daquilo que foi Por nós, desprezado...
A dor do viver, A alegria de ser, O início, o final, Chegadas, partidas, A fome, a fartura, O grito, o silêncio, O que foi jurado, Promessas quebradas... O adeus de quem foi Sem nem deixar rastros, E a tal da saudade Que fica, que fica...

Calma X Alma

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Às vezes me dizem para eu ficar em silêncio, Fingir que não percebo esse lenço que se agita Diante dos meus olhos, quando passo, Tentando chamar minha atenção Para o monstro que dorme no fundo do lago. Às vezes, Existe tanto veneno em uma simples palavra, Em um contexto supostamente inocente, mas inadequado, Que espalha cristais de sal e tramam um intricado enredo Fechando caminhos por todos os lados, Que o melhor é mesmo permanecer quieta, calada, Fingindo que não houve nada.
Mas às vezes eu sinto nas costas As pontas dos dedos apontados,  Os sussurros açucarados e eivados de murros bem-intencionados, O julgamento feroz daqueles que dizem-se pacatos E espiritualizados.
Meus murros surgem dos meus pulsos, E são sempre de frente, diretos, jamais disfarçados! Mas só aparecem naqueles momentos em que meu sangue está sendo sugado, Quando os vampiros atacam,  Por isso, não me justifico, nem peço perdão Pelo que devolvo, na contra-mão direta de quem me atropela, Jamais deixarei o meu coraç…

O Poder do Fogo

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O Poder do Fogo


O fogo fascina o felino Faz festa nos olhos, Aquece o pelo, Relaxa o flanco.
Nas chamas alaranjadas, Extasiadas, As salamandras dançam.




Imagem: o gato Peter, por Josie Lopes

Um Rio

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Um Rio

Por mais que agitadas as margens, Por mais que guerras e mortes, Um rio segue sereno, E deságua numa fonte Sem jamais reter suas águas.
É assim que tem que ser, É assim que deve ser: Enquanto o rio só passa, Sereno, e segue seu curso, Na terra, morrem os vermes Pela sede de uma água Da qual, jamais beberão.
Segue o rio, e a correnteza Promove fertilidade, Mata a sede das cidades, Fertilizando colheitas. Bebem dele os abutres, Assim como os passarinhos, Pois o rio não escolhe A quem doar suas águas.
É assim que tem que ser, É assim que deve ser, E é assim que será, Até o final dos dias, Enquanto o rio correr.

Mal-entendidos

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A internet é um caldeirão fervente onde cozinham os mais absurdos mal-entendidos. As pessoas que se postam por trás dos computadores tem as mais diversas personalidades, e ninguém sabe, ao certo, quem está acompanhando as nossas atividades, e com qual intenção. Ou seja: é igualzinho aqui fora! A única desvantagem, é que online existe a possibilidade de anonimato - se bem que hoje em dia é possível rastrear postagens onde quer que elas tenham sido feitas. O anonimato não é mais tão anônimo assim.
Existem todos os tipos de malucos espalhados pela internet, e alguns, quando cismam com a gente, resolvem não dar descanso! Os místicos dirão que sou eu quem os atrai através de meus próprios pensamentos e de minha conduta; mas eu não vejo as coisas deste modo. Estou cá, quieta em meu canto, cuidando de minha vida, quando de repente, um destes malucos me encontra.
E como eu já assisti a esta novela outras vezes, minha gentil senhora, para seu desespero (tentei enviar-lhe um e-mail privado, ma…

O Amor

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O Amor

O amor que ele viu Ao mirar-se, de repente, No cristal dos olhos dela, Foi tão grande e inesperado, Que o coração se abriu; Aos seus pés, uma torrente Borbulhante, qual um rio De mil sonhos derramados!
Todo o fogo que surgiu Elevando a ebulição, Somente ele sentiu, Ela nem sequer notou, E assim, quedou-se mudo, Dolorido, nauseado, Pois não foi correspondido No amor que tinha dado!
Ah, o orgulho tão ferido, O amor ignorado, Deixou o peito partido, O olhar amargurado... Achou melhor disfarçar, Dizendo que era ódio Tudo aquilo que sentia E não sabia matar!
E a história terminou, Aparentemente, como Milhões de sonhos quebrados E muitas noites sem sono. E a imagem que ele viu Nas pupilas, refletida, Aos poucos, se ressentiu, Murchando qual flor colhida...



Em Petrópolis

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Em Petrópolis

Assistimos à passeata pela TV. Desde cedo, a concentração começou na Praça D. Pedro - principal praça da cidade. A TV local tem apenas a imagem de uma câmera, que pela posição, o cinegrafista parece estar filmando do alto de uma árvore. Às vezes, um galho entra em cena. E no meio de todo aquele verde, as pessoas tocando samba.
Deitados sobre o gramado do jardim, alguns cachorrinhos a tudo observam. Parecem curiosos com a movimentação. Um garoto ainda pinta um cartaz, sentado na grama.
Passa um vendedor de algodão doce, o espeto totalmente cheio de algodões cor-de-rosa, azul-claros, brancos e verdes-água. Passa um menino de bicicleta. Alguns manifestantes são entrevistados, e falam de suas reivindicações. Passa um rapaz com um menininho no colo. Há vários idosos observando o movimento.
Os policiais a tudo observam. O Comandante da Polícia dá uma entrevista, e ele parece calmo. Está sorridente, e é muito simpático.
A passeata começa. Dez minutos depois, ainda da Praça D.…

Minha Cidade

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Minha Cidade

Minha cidade amanheceu, Ainda se espreguiça entre as montanhas, E as árvores Penteiam as folhas com pentes de vento. Os passarinhos Anunciam o dia, e nem sabem Da tensão que se esconde em cada esquina, Do mal que se espalha, pouco a pouco, Abrindo caminhos de pesadelos Entre os sonhos Ainda dormentes.
No ar, rasgando a paz, Uma certa apreensão, Um pequeno medo crescendo em meu coração, E eu rezo, apenas rezo, Para que minha cidade não seja quebrada, Para que a frustração não se arrebente Ao encontro dos monumentos Praças, parques, lojas, carros, Cidadãos, asfalto... nosso chão!
E que não fique na história De minha histórica cidade Uma outra  história, de ódio, Ignorância e atrocidade!




Hoje Petrópolis fechará suas portas mais cedo. As lojas e serviços de transporte encerrarão suas atividades às três horas da tarde, para que as pessoas tenham tempo de ir para casa se proteger das possíveis atrocidades e atos de vandalismo que certamente ocorrerão. Temo pelos jovens bem int…

Me Desculpem, Senhores, Mas "Eu Não estou entendendo!"

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Há apenas alguns meses, Lula era herói, e o bolsa-família, a melhor coisa já feita na história deste país. PT era grito de guerra, partido do povo. Dilma, a sucessora, uma pessoa coerente e durona, que estava investigando a corrupção e blá, blá, blá...
É que eu não entendo nada de política.
Mas acho que estou começando a entender de politicagem. Como é que as coisas podem mudar assim, tão de repente? Isso cheira a manipulação.
Eu ainda não consigo, embora esteja tentando arduamente, ver todo esse barulho com bons olhos. Dizem que o gigante está acordando, mas acho que ele está apenas tendo um de seus piores pesadelos. Se eu estou certa ou errada, o tempo dirá, e estarei pronta a mudar meu discurso caso a correnteza dos acontecimentos prove o contrário.
Para mim, esse movimento tem líderes - e são comunistas - e nada mais é do que pura manipulação de massas. E o fermento da massa está crescendo. Vai transbordar no forno a qualquer momento. 
Amanhã, será aqui em Petrópolis. Temo pela m…

Páginas Sobre a Areia

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Ficou o caderno aberto, As letras desbotando ao sol, Os poemas morrendo de sede, A capa sendo carcomida, aos poucos, Pelo que antes, fora a vida.
Ninguém recolheu as palavras, Ninguém fechou o caderno, Porque o autor, já ausente, Não deixou nenhum herdeiro...
E assim, o destino das folhas, Era o de serem aos pouquinhos, Apagadas pelo vento, Enterradas pela areia, Desbotadas pelo sol... E os poemas, Ah, os poemas?...
Seguiriam, num rastro de estrelas (Quando nada mais restasse Daquele pobre caderno), O seu criador.
A dor de um poema, ao morrer, É bem maior que qualquer outra dor.


Um Sabiá

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Um Sabiá
Paradinho no chão, No meio da grama, Junto ao pé de laranja, O sabiá sonha. Seus olhinhos de alfinete Estão ausentes, O coração minúsculo Protegido do frio Entre penugens eriçadas.
A brisa ergue algumas penas Junto às asas, Mas ele não quer voar, Ainda não... O sabiá está parado, Em contemplação, A meditar.
Eu o olho, da janela, Atrás do vidro, Enquanto também medito, Buscando sentidos E esperando a brisa soprar Sob as minhas asas paradas...
Temos muito em comum, sabiá, Pois tu pensas que sabes, Mas não sabes nada...

Espaço

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ESPAÇO
Desta vez Não te darei nenhum espaço, Mas deixarei Que tu tropeces em teus próprios passos, E que te enredes nas sujas fitas Dos teus próprios laços!
Pensas que não sei o que tu queres? Pensas que sou tola, Que não conheço Aonde queres Cavar-me, com tuas colheres?
Se é briga, o que queres, Estás sozinha! Arranje um espelho, Pois que tua própria imagem Já te espezinha, Criatura falsa, Covarde e mesquinha!

MOMENTOS BRANCOS

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MOMENTOS BRANCOS
Ah, esses momentos brancos Nos quais a poesia se ajeita E relaxa sobre os flancos Das palavras, que descansam!...
E vem e vai o sentimento A procurar por certas tintas Que o revelem, que o traduzam, Sobre o papel seco e vazio Da folha branca, que o rejeita!
E um poema se espreme Rolando pela folha muda... Senil e frágil criatura, Nascida de um deus sem paraíso...
E a lágrima vira um sorriso, Em homenagem ao sentimento Que mesmo sendo sofrimento, Revela-se, como é preciso...

A Vida é Irônica!

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O mundo dá voltas, e nas voltas que o mundo dá, a gente se perde... este texto é apenas uma reflexão, já que não tenho partido político e jamais defenderia os políticos que fazem parte do contexto de nosso país - aliás, de nosso mundo - mesmo porque eu não entendo bulhufas de política, e portanto, não me considero politizada. Mas é quase impossível não olhar em volta e tirar algumas conclusões (que não levarão a lugar nenhum, tratam-se apenas das reflexões de uma pessoa um tanto confusa):
Há muitos anos, a  mulher que hoje ocupa a cadeira da presidência da República de nosso país, era militante e lutava contra a repressão, a ditadura, a dita mole, etc, etc, etc. Foi presa e torturada. Seus companheiros eram aqueles que hoje ocupam os cargos políticos mais importantes. Alguns foram exilados do país naquele estranho movimento da ditadura que dizia: "Brazil (desculpem, é com 's') amem-no ou deixem-no."  Dizem que um deles, já falecido, chegou a fugir vestido de freira.…

Essa Causa é Válida?

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Esse Causa é Válida?


Antes de seguir uma liderança e abraçar uma causa, acho que todo mundo deve fazer a si mesmo as seguintes perguntas:
-Quem são os líderes, e quais são os seus interesses?
-Quem está por trás daqueles que lideram a causa?
-A causa é real e justa? As reivindicações são possíveis de serem obtidas, ou estarei clamando por uma causa impossível?
-Existem causas mais urgentes do que esta, pelas quais ninguém está lutando? E se elas existem, por que até agora ninguém se mobilizou por elas? Quais os motivos para se lutar por esta causa, especificamente, quando há tantas outras mais urgentes?
-Qual o contexto no qual esta ‘luta’ está inserida? Há eleições se aproximando, ou é do interesse de algum partido político que o governo vigente seja desmoralizado?
-O que há nesta causa que vá trazer algum benefício real para mim e para o meu país? Acredito, realmente, nesta causa, ou participo a fim de ajudar meus amigos, ‘curtir uma onda’ , aparecer na mídia ou entrar para a histó…

Partidas Sem Chegadas

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Partidas Sem Chegadas

Naquele braço de rio, Um barco tão esperado Que nunca, jamais chegou... E o braço fica esticado, Desenhando no horizonte A esperança malograda.
Tarde esquecida, noite parda, Sem luar e sem estrelas... Nas águas do rio, mágoas, Sono agitado na esteira.
Naquele braço de rio Não houve barcos ou águas Que trouxessem algum alento, Que lavassem tantas mágoas!...
E a distância anunciada Pelo silêncio total Dos barcos que se perderam Em mil portos diferentes Que anunciam só partidas, Mas partidas sem chegadas...

Me Desculpem, mas Será que Ninguém Enxerga?

Me desculpem, mas eu não aguento mais essa mania que as pessoas adquiriram, de se acharem coitadinhas! Por que passe livre? A vida toda, apesar de ter sido estudante carente, meu pai - que era serralheiro e ganhava pouco - pagava as passagens da gente. Estudei com dificuldades. Cresci num Brasil que as pessoas chamavam de 'ditadura' e o que eu sei, é que naquela época, as pessoas trabalhavam e pagavam suas contas. Passava de ano quem estudasse. Professores eram respeitados, e ter um professor na família era motivo de orgulho, de honra, e não de pena!
Hoje em dia, as coisas estão bem diferentes: as pessoas só querem pensar no que podem obter de graça. Choraram de emoção quando colocaram o PT na presidência, adoraram quando as bolsas-pobrinho foram lançadas, aplaudiram quando decidiram que alunos de escolas públicas não mais seriam reprovados e vibraram quando trouxeram a Copa do Mundo e as Olimpíadas para o Brasil; agora estão nas ruas, quebrando tudo porque houve um aumento d…

DISCERNIMENTO

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A violência assola o país. Manifestações em Salvador, Niterói, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo... e não serão por causa de vinte centavos de aumento nas passagens. O que eu acredito, é que a maioria das pessoas estão sendo usadas como buchas de canhão para fins políticos, e nem percebem isso. Há os líderes - pessoas contratadas para espalhar a violência e acender o pavio, liderando estes movimentos. E como elas são líderes natos, encontram sempre centenas de seguidores, que sem pensar muito no assunto, fazem o que elas mandam. Nem sabem muito bem por que estão ali no meio. Querem mais é aparecer, protestar, mas sem parar um segundinho para pensar que aquilo que elas destroem, lhes fará falta! Além disso, existem pessoas que nada tem a ver com isso, e estão tendo suas lojas e carros destruídos. Há pessoas que estão apenas tentando chegar em casa após um dia de trabalho, e acabam feridas no meio dos conflitos.

Manifestante destroem patrimônio público e privado, picham a cidad…

Meu Primeiro e-book

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Bom dia, amigos pessoas dos blogs!
Acabo de receber de Helena Frenzel o meu primeiro e-book! São quinze poemas que selecionei com todo carinho. Ficou simplesmente lindo! Muito obrigada, Helena, mais uma vez, por este lindo presente. 
Muito obrigada também a Celso Felício Panza, que escreveu um prefácio maravilhoso.
Vocês podem fazer o download (seguro e gratuito) através de minha página no Recanto das Letras; basta ir até minha escrivaninha (lá está como annabailune, com dosis 'ns'): procurem "annabailune" em "autores", na capa do site; o livro está no meu perfil, em 'e-books.' Não ponho o link porque não tenho a menor ideia sobre qual ele seja, hehehe...
Espero que gostem!

ps: Obrigada, Chica! hehehehe... me trouxe meu link:


http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/4342350

Adeus, Bonsai!

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-Posso fazer um canteiro ali atrás, Dona Ana? -Pode sim... mas vamos ter que comprar as plantas primeiro. Não tem nada aqui.
Meu novo jardineiro, entusiasmado, respondeu:
-Depois a senhora compra. Pode deixar comigo, vou arranjar umas plantinhas por aqui mesmo, só para não deixar o canteiro vazio. Posso usar essas plantinhas aqui nesses vasos?
Havia alguns vasos de margaridas já murchas que eu compro para enfeitar o peitoril das janelas, e quando as flores morrem, troco por outras. Perto delas, estava também o meu bonsai, uma jabuticabeira que tenho há muitos anos, e que andava um tanto mirradinha ultimamente. Acho que eu não sei como cuidar de bonsais. Mas não pensei que ele a incluiria em seu projeto de jardinagem.
Concordei com ele, e fui cuidar de minhas obrigações caseiras.
Ao final da tarde, quando fui lá fora ver o resultado do trabalho, achei um canteiro bastante eclético, com diversas espécies de plantas, todas misturadas. Entre elas, o meu bonsai.
Ele plantou o meu bonsai!

O Mundo nas Pontas dos Pés

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Imagem: João Menerés

Este poema é fruto de uma parceria com João Menerés, que cedeu-me a imagem. Ele é do blog Grifo Planante




O Mundo nas Pontas dos Pés

Movimentos quase lânguidos Braços desenhando encantos, Abraçando imaginárias Nuvens de Agapantos brancos.

O mundo nas pontas dos pés,
Tocando a terra em silêncio...

Os dedos em desenvoltos  E graciosos movimentos Marcam as notas do piano Passeando etereamente Sobre as teclas, em stacato.

Mais um rodopio, um passo, Ali, uma pirueta E o final apoteótico Da bailarina que para Em pose de estatueta.

Tempero

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Metade do que me corre  Pelas veias esticadas, É sangue puro e espesso, A outra metade, é água. Dentro do meu pensamento, Metade é um barulho intenso, Que não descansa nem cala; A outra metade, é nada.
Das estrelas onde procuro Nas noites desembestadas A tua metade perdida Que completa a que me falta, Uma parte é uma estação, E a  outra, um longo trilho Onde nunca está seguro O trem que a memória assalta.
Assim, sou feita de carne, Pele, osso, sangue, órgãos, E de uma alma de gaze Lacerada por um rasgo Que nem o tempo costura Com as linhas já partidas Do que chamam sanidade.




Tão Pouco...

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Tão Pouco...
Tão pouco tinha a mostrar! Uma lata polida de lixo, Um braço poluído de mar, Palavras em descapricho, Enrodilhadas tal qual cobras, Prontas a dar o bote Sujando o pote de mel...
Fazia perfis de esculachos Enquanto mexia o seu tacho Misturando todo o fel Em cada verso, em cada mote.
Ah, houve o derradeiro bote Das palavras engolidas Que com suas pernas elásticas Convidavam as platéias À falsa e desenxabida Exibição carcomida!
Falava do que não via, Afirmava, veemente, Sobre o que ela nem sabia... Triste, tão triste espetáculo De vaidade e amargura De quem diz que não tem tempo E nem assim, se situa...

O Espaço de um Abraço

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O Espaço de um Abraço


A casa da gente é um lugar para o qual geralmente convidamos apenas as pessoas de quem gostamos – se um dia, por forças das circunstâncias, precisarmos convidar pessoas com quem não tenhamos muita afinidade, ou não conheçamos muito bem, pelo menos estas pessoas provavelmente pertencerão a algum círculo de pessoas mais próximas, nossas conhecidas. Bem, eu penso assim. Jamais convidaria um perfeito estranho, alguém que acabo de conhecer, para adentrar minha casa, partilhar de minha vida íntima ou de minha cama (embora algumas pessoas o façam sem o menor problema; não as julgo, apenas não me incluo neste grupo, de, digamos, ‘pessoas muito espontâneas’).
Para mim, a mesma coisa é o espaço ocupado por um abraço. Abraço é contato físico bem próximo; é sentir, quem sabe, a pulsação do coração de outro ser humano, seu cheiro, a textura de sua pele e cabelos. Íntimo demais. Pelo menos, sob o meu ponto de vista. Não me sinto confortável abraçando estranhos; preciso conhec…