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Mostrando postagens de Maio, 2013

Torcer e Retorcer

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De nada adianta o quanto alguém pode tentar torcer e retorcer a verdade; mesmo assim, ela continuará sendo verdade. O melhor, é admiti-la!
De nada adianta tentar encontrar desculpas que possam justificar uma conduta errada, pois ela continuará sendo errada. Nada torna o errado, certo. Um erro não justifica outro, e os erros alheios não servem de desculpa para justificar os meus.
Aquilo que eu faço de mal, voluntariamente, a outra pessoa, ficará para sempre marcado no caminho que eu percorro. Haverá sempre aquele feio arranhão que me segue pela estrada, e que não me deixará em paz. E nem que eu tente justificar aquilo que fiz de errado, usando mil desculpas e mil argumentos, um erro será sempre um erro.
Se for possível corrigi-lo, que eu o faça; mas às vezes, quando deixamos passar tempo demais sobre o erro, ele torna-se impossível de ser corrigido. Se meu arrependimento sobre ele for sincero, só me resta perdoar a mim mesma e nunca mais cometer um erro como aquele; se meu arrependime…

POÇO

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Poço ambicioso Que nunca se enche, Por onde gotejas E te esvazias?
O que te incomoda, O que te transforma As águas em poças Tão estagnadas?
Por mais que te encham, Por mais que te enchas, Jamais é bastante, Tua sede não estanca!
De nada adiantam  As águas que chegam, A chuva profusa, Ou mil afluentes,
Pois nada preenche A tua secura, A tua loucura Ah, poço de mil sedes!

O Céu Está em Todo Lugar - Resenha (livro)

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O Céu está em Todo Lugar - Autora: Jandy Nelson Título Original: The Sky is Everywhere Categoria: Romance juvenil Editora Novo Conceito 2011 - 423 páginas
Lennie Walker é uma adolescente que acaba de perder a irmã mais velha, Bailey, também adolescente. Bem, a partir desta descrição, imagina-se uma história sempre triste e pesada, mas Jandy Nelson consegue dar ao luto uma nova face - mais leve e até mesmo bem-humorada, através dos olhos de sua personagem.
Lennie mora com seu tio Big e a avó, uma ex-hippie dada ao misticismo, cuja filha saiu pelo mundo, deixando as netas aos seus cuidados. A imagem da mãe ausente entra na vida das meninas através de uma pintura inacabada feita pela avó - a Mãe Pela Metade - que fica na sala de estar da casa.
A fim de tentar extravasar e tentar compreender as emoções naturais de seu luto, misturadas à aventura  de crescer, Lennie escreve poemas, e os espalha pela cidade, nos locais mais inesperados: sob pedras, em lixeiras, em folhas de caderno, e até …

Título

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Título


Queria ter todos os os direitos naturais e autorais Sobre as palavras e os sentimentos, Esquecendo que na vida Se repetem e se entrecruzam Diferentes momentos.
Queria ostentar a liberdade que aprisiona Dentro da sua sofisticada Embaçada,  E falsa redoma.
Queria ser o dono, o senhor de um vil castelo, Enquanto , com o seu cutelo, Cortava as palavras emperrando as aldravas, Lançando setas agudas e envenenadas, Tal qual um maricas das palavras!
De cavaleiro, sobraram-lhe apenas as ferraduras De uma montaria que fugiu, Já cansada das surras, E alguns súditos que inda viviam sob o seu jugo, Adoradores de um falso ídolo.
Queria ser o tal, negar o existencial, Pregar o evangelho de uma bíblia que não seguia, Pois que da refrega se empanturra e se esfrega, Enquanto murmura obscenidades.
Queria achar-se dono de um falo desejoso, Enquanto nem notava toda pena e todo entojo Causados por sua pena, em fortes ânsias de nojo!
Ah, título emprestado, ou quiçá, talvez roubado De uma tal nobreza…

Eu Vejo

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Eu vejo, e nem sempre entendo...
Caminhamos por um mundo Cheio de falsos "lords" e "mestres," Preconceitos e salamaleques, Rapapés e risos  Onde os incisivos sempre sobressaem.
Caminhamos, e vamos achando Pelo caminho, espinhos, Enquanto as pétalas servem de ninhos Às serpentes e  salamandras mancas.
Caminhamos, e enfim chegamos Ao final da jornada, ao muro Onde nos aguarda Um imenso espelho Diante do qual, ninguém se engana.
E finalmente, a malfadada trama Onde se engalfinham os egos errantes Revela que os "lords", os" príncipes" e os "plebeus" Vieram da, e para lá voltarão, todos juntos mesma luz e ao mesmo breu De onde nasceram - que coisa aberrante!





Prisma

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Prisma

Prisca combinação de cores, De onde derivam Todas as outras cores... O prisma absorve E as devolve em feixes Multicores.
Assim é a alma da gente, Prisma Captando a vida E re-interpretando as alegrias  E as dores.
Mas no fim, Tudo são apenas Cores.
*

AMOR OU ESCUDO?...

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Amor ou Escudo?...

Que jamais usemos O amor como escudo, Como teto e proteção, Contra as intempéries da vida E do mundo.
Que ele seja a semente De algo que já nasce com a gente, E cresce um pouco mais a cada dia, Simplesmente...
Que ele seja forte, e domine a mente Sem que sejam necessárias forças Para abrir caminho entre os espinhos Que na vida, encontraremos Pelo caminho!
Que o amor não seja a resposta, nem a pergunta, Mas que esteja no ar que respiramos, Na terra onde pisamos, Nas fontes onde bebemos, Nos frutos dos campos Dos quais nos alimentamos...
Que o amor nos faça transcender Todo e qualquer julgamento, Separação ou explicação minusciosa, E nos ajude a respeitar tudo: A vida, a morte, A alegria, o sofrimento, Os espinhos da rosa!
Que o amor faça de nós aceitação, E não escudo! E que nós amemos o amor por ele mesmo, Sempre sabendo Que ele não nos protegerá de qualquer dor, Não nos salvará da morte, Não nos poupará dos sofrimentos, Não nos fará imunes a nada neste mundo, Poi…

ABRAÇO O DIA

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Abraço o dia devagar, 

Com mansa alegria e reverente cerimônia, 

Sabendo que ele é dádiva, 

Sabendo que meus sonhos ficarão descansando 

Na fronha. 



O dia colhe os pesadelos, 

Enrolando-os em pesados novelos 

E lançando-os todos ao abismo 

Da claridade, 

Onde eles se desfazem. 



Abraço o dia com gratidão, 

Sabendo que qualquer dia, 

Será o último 

Em que nós estaremos juntos, 

Em que eu te verei - e te abraçarei. 



O dia suspira surpresas, 

Espalha delicadezas 

Em forma de gotas de orvalho pendentes das pétalas, 

Fiapinhos de nuvens no céu da manhã, 

Cantos de passarinhos com frio, 

Florzinhas miúdas nos cantinhos... 



Abraço o dia como quem não quer nada, 

Embora em meu coração despertem vontades 

E desejos de estradas... 

Sigo por aquelas que o dia me apresenta, 

Passo a passo, com respeito e reverência, 

Até que chegue a próxima noite. 


Mensageiros dos Ventos

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Mensageiros dos Ventos

Faltam ventos para os sinos, Que silenciam. Nenhum passo, nenhum assovio A soar no quarto frio!
Permanecem, assim, parados, Os meus sinos, Mensageiros de um vento Que não manda mais mensagens, Preso está na calmaria Das palavras sem vontade.
Mas ás vezes, ah... às vezes, Sopra um vento assim, tão forte, Que os sinos desesperam-se, Agitando-se, E despertam As almas no além-morte!...
Mas logo depois, silenciam Os meus sinos; nenhum som, Vai-se o vento, cai a noite, E só as asas dos morcegos Fazem soar um tilintar Quase inaudível - poeirento.

Nada Sei do que se Passa

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Nada sei do que se passa Na tua casa, Entre as paredes, Não te conheço.
Assim, Prefiro não especular, Não criar verdades mentirosas, Histórias escabrosas, Ridículas suposições Que só rebaixariam A minha própria imagem, Enfraquecendo minhas palavras.
Nada sei do que se passa Na tua casa, Ou com quem vives, Se trabalhas, se matas E escondes cadáveres na geladeira, Ou se apenas rezas, de joelhos, A vida inteira!
Nada sei, e nem desejo saber, Nada tens a temer.

Reflexões

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Na minha idade, certas coisas trocam de lugar, e as que antes eu achava que eram importantes deixam de ser, e outras que eu costumava ignorar, tornam-se importantes. Tudo o que fiz durante meus anos de juventude, começa a aparecer; os excessos, e também os cuidados: as horas dedicadas ao exercício físico, a boa ou má alimentação, ao sedentarismo, ao tipo de leitura e lazer aos quais eu me dedicava e a maneira como tratei das coisas do espírito.
Tem gente que gosta de dizer que a idade não importa. Eu acho que elas cometem um erro. A idade importa sim, e para mim, é preciso prestar atenção à passagem do tempo e à maneira como nossos valores vão se transformando, e nossas vidas, se adaptando às novas idades.
Ficar mais velha nos faz pensar que, quanto mais longa for a nossa vida, mais nos aproximaremos da morte. E eu confesso que olho para esta inevitável senhora sem nenhum medo ou ressentimento, pois para mim, ela é apenas mais uma etapa da vida. Acho estranho o assunto morte ser cons…

A Emenda e o Soneto

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Às vezes, a gente se cansa De aparar arestas, Consertar buracos, Emendar sonetos E tapar as frestas.
Então, aprendemos Que a melhor escolha, É não escolher, É se recolher, Não mais opinar, Não se aborrecer.
Às vezes, a gente percebe Que o momento passa, As portas se fecham, Se empenam, emperram, E que já não há Nenhuma abertura.
O melhor é deixar Lastrar a loucura, Fechar bem os olhos, Esquecer as rimas, Maldizer a métrica E a harmonia.
Às vezes, as ervas daninhas Tapam para sempre Tudo o que restou Daquele caminho Voluntariamente Não mais percorrido.
A distância é tanta Que já não se cobre, Que já não há passos, Apenas espaços Já intransponíveis Entre os frouxos laços.
A emenda e o soneto Já não se conhecem, E o poema cai Natimortamente Na página branca Sem rima, sem graça, Lamentavelmente.




A Caixa

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Quem sabe, talvez  só precise De uma caixa que me caiba Quando chegar lá na frente,  Diante da porta fechada.
Aqui ficarão os meus sonhos, As roupas, as modas, a casa, Amigos, família, parentes, Cabelos, os pelos, os dentes.
Os ossos, as unhas, os sumos De um corpo que um dia foi gente, Lá dentro da caixa fechada, Entre a eternidade e o nada.
Um brinde, uma gota de fel, Um copo de cólera e mel... Ah vida, megera indomada, Ah, morte, o fim da picada!



Fim de Tarde

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Aquele cheiro de carros Chegando na rua, Cachorros latindo nos portões, Pais com os pães pendurados nos dedos, Mães em roupões e pantufas, Jantar sobre a mesa.
A novela rolando na TV, Talheres e copos tilintando, O cheiro da comida escapando pela janela, A adolescente no quarto, em frente ao espelho,
Sem pensar em problemas, Apenas nas novas cores dos esmaltes de unha, Na prova que teria na manhã seguinte, Em ser uma estrela num banho de espuma, E no que contar, amanhã, à amiga.
Conversas chegando nas vozes dos ventos, As ruas vazias, tão cheias de lua, E de repente, alguém chega à janela, Olha as estrelas, respira fundo, Planeja o outro dia, Silencia.
Era assim.

Orgulho, Cobiça, Competição - Desabafo

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Tenho visto o orgulho , a cobiça e a competição deixarem seus rastros pelo mundo, separando amigos, destruindo lares, causando verdadeiros tsunamis na vida das pessoas. Tenho visto pessoas que pensam que ter a última palavra é mais importante do que manter um relacionamento saudável com as pessoas que as cercam. Vejo e lamento. 
Existe nas pessoas um desejo de vingança que extrapola a convivência. Aquele ressentimento que ficou lá no passado é cuidadosamente cultivado por anos e anos, até que haja uma oportunidade de vingança; e mesmo que as coisas tenham mudado, que a vida tenha dado mil voltas e que as pessoas tenham crescido, a vingança é alimentada todos os dias, à sangue e lágrimas.
Existem algumas pessoas que só ficam felizes e só se sentem seguras quando acham que tem 'o controle da situação,' ou seja, o domínio sobre as demais. Usam como lema, o conceito 'Dividir para dominar,' e só ficam felizes quando conseguem seu intento.
Existem pessoas que não tem dentro…

QUEBRAR-SE

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Quebrar-se
Não sabia ser inteira; partia-se Sempre que alguém partia! E ao quebrar dos laços, Apenas a alma doía!
Ah, a impermanência Na qual ela vivia! Quebrava-se sempre Que alguém partia...
A vida emendava os pedaços, Juntava os traços, fazendo colchas de mil retalhos, Amarrava as lembranças Em um triste feixe...
E ela, sozinha, Fragmentava-se, Cortava-se, Quebrava-se Em mil saudades, Ao final de cada dia!
Ah, se ela soubesse Manter-se inteira, Reconstruir-se, Costurar-se!...
Quem sabe, até mesmo Doesse menos Cada partida, Cada quebrar-se!
E as memórias Juntavam-se todas Aos pés da moça, Em frente ao fogo, Sobre o tapete, Entre as paredes, Sob as cortinas E as cobertas, Na fronha lisa Quase sem sonhos...
De madrugada, Alguém partia, E ela fechava os olhos Ainda tonta de sono, Ainda transida de medo, Até que um dia - bem de repente Ela partiu.

Uma Menina

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Uma menina

Ramo de flor preso na mão, Ela estava quieta, Estanque entre o passado E o futuro.
Tinha medo de que Um movimento Desmanchasse a realidade, Tinha medo da saudade.
Em volta, o tempo crescia, Mudava, Envelhecia, Mas não a menina!
Na pele do braço, Uma palavra tatuada, Na menina dos olhos, Uma imagem bordada.
Pintura da alma Em cores suaves e calmas, Uma menina frágil e forte Que o vento desmancharia, Mas jamais destruiria!
Seu pó de menina Ficaria para sempre Voando pelas estepes, Ao sabor do vento,
E sua voz encantada Seria ouvida Pelo transeunte que tivesse Uma alma De olhos azuis.
*
Imagem: um presente de Lady Laura, a quem dedico esta poesia.


A BORBOLETA

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A borboleta
As asas ainda úmidas, Amarrotadas e tímidas Que devagar, desdobrava E secava no beijo da brisa...
As cores nacaradas Aos poucos, reveladas, As anteninhas esticando-se, As patinhas esfregando...
Alçou voo num raio de sol, E se foi, recém-nascida, Transformada Em alguma coisa Bem melhor que uma lagarta

MENTIRA

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Mentira

A tua estrela brilha, Mas é tão fria, Só de mentira!...
O teu olhar De superfície lisa E escorregadia, De quem carrega apenas Ironia!
Lágrimas copiosas Copiadas de algum folhetim, Desses antigos, Reprisados nos canais Cult.
Quantas fantasias, Todas rasgadas!... Nem sequer serviriam Ao final cansado De algum carnaval!


Ninguém Nasceu de Óculos, Mas...

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Estou na idade em que os braços vão ficando cada vez mais curtos; as letrinhas começam a embaralhar-se umas às outras, e brincam de esconder por trás das linhas - que andam estranhamente embaçadas. Como é que pode ficar assim, tão 'nublado', numa simples folha de papel?
Adiei, mas não teve jeito: assumi os óculos. Tive que assumir. Já estava ficando constrangedor, corrigir as composições dos alunos esticando o braço e segurando a folha por baixo da  lâmpada. E logo eu, que sempre enxerguei tão bem!
Mas até que nem foi tão cedo; tem gente muito mais nova que eu usando óculos há tempos! Eu já tenho 47. nada mal... é como eu disse para o meu marido: daqui para frente, não vai melhorar nada... fisicamente, é ladeira abaixo. A lei da Gravidade - esta dama impiedosa - começa a fazer mostrar sua força. Os cabelos brancos cismam em dominar os pretos, brotando a intervalos cada vez menores entre uma tintura e outra. God damn it! 
Mas tenho notado algumas coisas boas: ando um pouco - e…

Alma Invisível

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Alma Invisível

Havia alguns lírios brancos brotando bem junto ao muro, E sobre o mármore escuro, um retrato já apagado Tão amarelado rosto, onde se via um sorriso Cedo levado da vida sem piedade, sem aviso...
Havia um vaso de flores sobre a lápide, murchando, Como se  alma e  perfume,  alguém os fosse levando O lume da vela acesa a queimar, tal qual as dores Fincadas dentro do peito como os caules das tais flores...
Havia alguém que rezava, dizendo palavras secas Molhadas pela torrente de lágrimas tão profusas, Confusas palavras ditas à sua falecida musa,
Que a ele observava, alguém que não era visto E que de angústia penava por ser alma invisível A vagar eternamente num limbo incompreensível.


Oboé

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Oboé
A nota vibrou em cada nervo, Entre cada pulsação, Enchendo os espaços entre os ouvidos E o coração.
Um sustenido, Se enrodilhando, sofrido, Pingo de lágrima Caído do oboé.
A noite ouviu, A música ascendeu às estrelas Que cintilaram azuis e brancos, No toque suave e gentil Das notas retintas...
-Como foi possível Fazer soar tanta tristeza De um oboé?


Os Seios de Angelina

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Angelina Jolie acaba de passar por uma dupla mastectomia a fim de prevenir o aparecimento do câncer. Ela viveu a experiência, segundo relatos a repórteres, de ver sua mãe enfrentar a doença durante dez anos, e ser vencida. Como os médicos constataram que ela tinha 84% de probabilidade de desenvolver a doença, preferiu fazer a retirada preventiva dos seios. 
 Angelina foi corajosa ou agiu apenas movida pelo medo? Não sei. Não estou na pele dela.  Mesmo assim, acho que eu jamais teria coragem de fazer o que ela fez. Manteria meus seios sob vigilância cuidadosa, mas não os retiraria caso não houvesse evidências da doença já em curso. Acho que apostaria nos 16% de chance de não desenvolvê-la.
Na mesma página onde li a notícia sobre Angelina, descobri que Rita Lee, Sharon Osbourn e a atriz Christina Applegate passaram pelo mesmo procedimento. Sharon Osbourn, que em 2010 passou pela cirurgia aos 60 anos, declarou que não desejava passar o resto da vida com uma sombra a seguindo. Mas não pa…

Se Fosse Vazio

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Se fosse vazio, 
Não contaria, 
Não seria nada, 
Ninguém veria, 
Sequer seria, 
Não doeria. 
Se fosse um buraco, 

Eu passaria, 
Sem perceber, 
Seguiria 
No caminho 
Onde estou. 

Se fosse vazio, 
a gente encheria 
Com o que quisesse, 
Com o que houvesse, 
E inventaria 
Uma nova história 
Sobre o que restou. 

Se fosse uma nuvem 
Ela passaria, 
Choveria, 
Evaporaria, 
Sem qualquer mancha, 
Qualquer mácula 
No azul. 

Se não fosse nada, 
Seria mais fácil; 
Mas o que dói, 
É o que preenche, 
O que a gente sente, 
E jamais esvazia. 




Nunca Fui Mãe

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Nunca Fui Mãe

Nunca fui mãe, Assim, mãe de ventre, Mas não quer dizer Que eu não seja Uma mãe diferente.
Pois fui e sou A mãe de gatos, Joaninhas, colibris, De muitos cães que já se foram E de passarinhos, Que caem dos seus ninhos, E eu tento salvar...
Fui mãe dos sobrinhos, Pois levei-os à escola, Ao médico, ao balé, Cantei para que dormissem, Muitas vezes, aconselhei-os, Alimentei-os, Ouvi suas piores angústias,  E mesmo quando eles me esquecem, Não me esqueço jamais De nenhum deles.
Fui mãe de alunos Algumas vezes, Quando traziam para mim Seus sonhos despedaçados, E eu os remendava O melhor que podia...
Sou mãe de aluguel Algumas vezes, E talvez por isso, Jamais sinta falta De filhos de sangue, Ou me lamente Por não ser mãe biológica.
Pois sou uma mãe Além da maternidade, Bem além de qualquer ventre, De qualquer lógica.
*

A todas as mães, lógicas, biológicas, emprestadas, alugadas, amadas, esquecidas, vivas e mortas, um dia feliz.

Meus passarinhos

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Preciso dos meus passarinhos, Da leveza das asas,  Das cores suaves das penas...


Preciso do seu movimento, Ao sabor do vento, Do canto imaginado.


Deixai-os voar, deixai-os, Pelas páginas e letras, Pelas linhas e entrelinhas!


Preciso dos meus passarinhos, Trazendo no bico As primeiras letras De cada poema.

O MAL!!!

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O MAL!!!

Com olhos faiscantes, Arredondava os lábios, Colando a língua ao céu De uma boca tempestuosa, Enquanto dizia Palavras em polvorosa; A voz proferia a mesma frase, Sempre:
"O MAL!!!"
E assim passavam-se os dias, Sempre de olho nos cantos escuros, Sempre procurando O ponto negro No meio de cada facho iluminado... E se o vento soprasse, uivando, Ou uma porta batesse, se fechando, Uma flor caísse, morrendo, Os lábios rachados Iam logo dizendo:
"O MAL!!!"
E nem mesmo se o sol brilhasse, Se a chuva caísse, lavando tudo, Se um passarinho, inocente, cantasse, Veria qualquer outra coisa no mundo,
A não ser o que sempre via, A não ser o que trazia Dentro do coração fechado Que os dedos frios do vento Tapando os buracos de uma flauta surreal Faziam soar:
"O MAL!!!"
Morria de medo, morria, Tinha tanto medo de escuro, Que nele se escondia  Para que ele não notasse, Para que seu pesadelo Jamais terminasse, Pois no fundo, gostava de estar Naquele negrume abissa…