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Mostrando postagens de Abril, 2013

MAIO

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Este ano, Maio desceu como um raio, Perturbando tudo, Tudo cinza e frio, E um grande vazio...
Ninguém cantará, Não haverá festa Ou presentes. -Estás ausente de nós.
Maio ficou mudo. -Para onde foi a voz de maio?
Este ano, Maio brotou de repente Sem necessidade De nenhum ensaio. Veio, e passará como flecha: Rápido e mortal.
Maio passando Pela minha janela Uma tela em branco Sem cores, sem pássaros, Sem velas, sem cantos...
Ordinário maio, Sem Feliz Aniversário.

São Nossos

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Aquela flor junto ao muro, O pássaro pousado no galho Que voa livre, quando bem quer, A paz, o amor, o sonho Da vida o mister, Não são meus nem seus,  São Nossos!
O céu imenso estendido Por sobre as cabeças humanas Também se estende, generoso Sobre todas as outras cabeças!
O mundo, Tal qual ele é Ou como o tornamos Através da nossa fome desmedida, O mundo que subdividimos  Em fétidos feudos Que são 'dele', 'teu 'e 'meu,' É nosso!
A paz que eu tanto desejo E a paz que tu almejas, Os sonhos que acalentamos E aqueles que matamos Através de nossas pelejas, Não são meus, nem teus, São nossos!
Sob a terra, os nossos ossos Um dia, irão estar... E o espírito já livre, Viajará Para um outro lugar, Onde 'meu' e 'teu' não moram, Onde encontraremos, enfim, Apenas o que é nosso.


Amargos Desejos

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Dentro dos olhos, Queria a imagem de tudo o que existe, Como quem possui e absorve Como quem nunca foi triste!
Desejo de possuir e guardar Como se fosse possível Abraçar tantas coisas Em uma só vida!
Queria todas as flores, Todos os pássaros, O céu e as nuvens Que com o vento, passavam...
Queria agarrar entre os dedos, Segurar sem soltar... Esquecia-se do medo, Dos dias escuros  Em que só a luz bastaria!
Fugindo da própria noite Escurecendo o dia, Achando que as pedras e pilastras, As fontes, os rios, as casas, Os livros, as terras, as palavras Salvar-lhe iam  Das garras do nada!
E as esperanças alheias, As vidas alheias, Pisoteadas  Nas calçadas amargas!
Queria ter, possuir, selar, O fogo, a terra, a água, o ar, Que nunca seriam o bastante Para conter tanta agonia!
E a pequena criatura Que sob o sol, se movia, Tentando apenas viver, - Pisoteada! Em meio a tanta amargura Sob  botas tão pesadas!
Ah, nada é o bastante Para quem, o tudo, Transforma em nada!














Hoje Estamos Aqui

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A partida de nossa colega Maria Cecília - A Flor Enigmática - deixou-me esta reflexão 













Hoje estamos aqui. Mas quantos de nós sabemos o quanto caminhamos na beirada da vida? Hoje, somos criaturas enigmáticas que se pensam rasas, mas afogamo-nos em profundidades assim que alguma coisa nos tira do frágil equilíbrio em que nos encontramos. 



Hoje estamos aqui. Escrevemos nossos poemas, espalhamos pelo mundo palavras e cenas de vida. Achamos que seremos eternos através de nossas palavras, e acreditamos, realmente, que elas nos farão mais fortes e presentes nas almas das pessoas; mas de repente, vem a ventania, e nos arranca de nossos galhos, jogando-nos, flores frágeis, nas correntezas tumultuadas e enigmáticas de um incerto adormecer. E ficam aqui as nossas obras - poemas, crônicas, pensamentos e palavras - até que alguém decida o que fazer com eles; apagá-los? Fazer um backup e colocá-los em algum CD que um dia alguém encontrará, ou que será perdido? Colocá-los em um livro? 



Esquecê-los?…

Enigma

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Enigma

...E que seja o enigma da Flor Finalmente decifrado Nos jardins do amor.

*

Para Flor Enigmática

Vá com Deus.

Tanta Coisa

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Tem tanta coisa em ebulição dentro de mim, tanta coisa!... As palavras mesclam-se aos sentimentos, E quando escrevo, desmancho os nós.
Jorram tantas emoções Aos borbotões!
*

Não Quero Esquecer

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Não me venha dizer que tudo vai mudar, Que o sol amanhã Vai aparecer, Que a saudade vai afrouxar... Não acredito, e nem espero, Não quero apagar da mente, Não preciso tentar esquecer O que já me fez feliz!
Mas deixo frouxas as cordas Dessa lembrança, Pois senão, ela me enforca, Me amarra aos pés do passado.
O que dói, não é lembrar Aquilo que foi consumado; O que me dói, nessa vida, É saber que tanta dor Em quase nada nos mudou.


EXAGERO

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Exagero

Mandei buscar uma estrela 
Para bordar o teu casaco 
A lua minguante, tiara 
Para ornar tua cabeça. 

Colhi uma espécie de cada 
De todas as flores que existem 
Mandei colocar em vasos 
Para enfeitar tua casa. 

As gotas da chuva de ontem, 
Recolhi, e pus na fonte 
Mandei desaguar em um rio 
Que passa pela tua porta. 

Colhi alguns raios de sol 
Com eles, fiz um enfeite 
Coloquei-o sobre a estante 
Apenas para teu deleite. 

Aluguei um aviãozinho 
Mandei escrever o teu nome 
E o meu, no céu azul 
Pra saberem que te amo. 

Mas isto tudo foi ontem, 
Hoje, já mudei de ideia... 
Acabou-se todo o encanto, 
E o efeito do feitiço. 

Quase não existem rimas 
Para compor-te um poema, 
E a métrica perdeu-se 
Quando o amor saiu de cena... 


No Céu

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...E havia algo no céu, Uma cor ansiosa Não sei se de amanhecer  Ou de por de sol... Mas havia algo no céu, Que transpassava cada alma E alinhavava uma dor Que nunca passava!...
Havia um espelho na terra, Que refletia a insanidade E a ansiedade Por tudo o que está sangrando Em volta do mundo Pela tola intolerância.
Havia na sinuosidade Do contorno de cada nuvem Avermelhada Um fio de sangue Pelo sangue que aqui jorrava.
Havia algo no céu,  Eu sei que havia, Mas no passar rotineiro de cada dia, Quase ninguém olhava.

Passos Amarrados

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Amarrei meu passos  À tua vida, Para que eu nunca te deixe, Para que nunca me deixes E que jamais nos distanciemos.
Amarrei meus passos, em vão... Pois na ânsia, eu me esqueci Do quanto é livre, sempre, Cada coração.
. . .

O que a Manhã Me Trouxe

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A manhã me trouxe a rosa, Tímida, simples, pequena, Que eu plantei com minhas mãos, Mas a rosa, sempre livre Só brotou porque bem quis...
A manhã me trouxe a rosa, De perfume tão suave, Quase, quase inexistente, Enfeitada pelo orvalho E teiazinhas de aranha Cintilantes pelo sol.
A manhã me trouxe a rosa, Fresca, limpa, quase rosa, Que a natureza, em prosa, Emprestou aos versos meus.
A manhã me trouxe a rosa, E eu, tola e orgulhosa Por tê-la plantado, me esqueço Que ela floriu porque quis, Não pra me fazer feliz.


Fala-me!...

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Fala-me do quanto era lindo, e tão profundo 

Aquele crepúsculo, 

Que escondia fios de esperança 

Ao final de cada dia!... 





Fala-me dos sorrisos, 

Das palavras de quem jamais desistia, 

E mantinha-se firme, e acreditava, 

Sem nunca crer que não seria!.. 




Fala-me daquela vontade de viver 

Que nunca, jamais morria, 

Da beleza engrandecida e suave 

Daquela alma que nem notava que sofria! 



Conta-me, mil vezes, a mesma história, 

Pois eu preciso de motivos 

Para crer que houve motivos!... 




Fala-me então, da tua dor abstersa 

Purificada através dos meus pobres versos 

Que tentam reter, nas linhas, memórias 

Do que ainda está - e sempre estará 

Tão perto... 
















Prisão

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Agitava-se, Sonhava com a liberdade Que estava do outro lado da vidraça. Às vezes, se aquietava, Como a ganhar forças Para romper o que as separava.
Não via a porta aberta atrás de si, O enorme espaço que se estendia, E lhe oferecia a saída Para a sua desolada situação.
Debatia-se na vidraça, Sonhando com a liberdade Que sobre suas asas, docemente soprava.

Quebramos os Ovos; O Que fazer Com as Cascas?

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Olho em volta, e sinto que passamos por um momento de grande transição. Algo tumultuado, como nos anos 60 e 70. Lembro-me de toda aquela revolta, os hippies, a liberdade sexual, a liberação feminina, a guerra do Vietnam, a Ku Klux Kan, os Panteras Negras, Martin Luther King... eram tantas coisas acontecendo juntas, que as pessoas nem tinham tempo de assimilar e digerir tantas mudanças! Ninguém queria ser como os pais, e muitos passaram a fugir daquilo que chamavam de sociedade consumista e começaram a viver em comunidades alternativas. Surgiram religiões, como os Hare Krishna (que se é anterior aos anos 60, eu desconheço a origem, mas tornou-se moda naquela época). Vieram as drogas alucinógenas e os gurus. Aconteceu o festival de Woodstock, algo como nunca se tinha visto. Saiu o filme Easy Rider, que oferecia uma nova maneira de viver. Surgiram os Hell's Angels. Vieram The Beatles, Rolling Stones, The Who, Led Zeppellin e outras bandas que mudaram o mundo - ou mudaram junto com o…

Sinos de Vento

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Desde que nos mudamos para nossa primeira casa, sempre fui maluca por sinos de vento. O primeiro que compramos, veio de uma feira de antiguidades; era um carrossel de elefantinhos de bronze com guizos na ponta. Ele ainda existe, embora esteja em péssimo estado... alguns guizos e um elefantinho soltaram-se e foram perdidos.

Hoje eu tenho aqui em casa dez sinos de vento, espalhados pelo jardim, pendurados em árvores e nas varandas. Adoro o som que eles produzem! Uma pessoa que me visitou (meio-amarga) uma vez, me disse que detestava o som dos sinos de vento, pois parecia som de casa velha e abandonada. Sorri, e disse a ela que eu adorava meus sinos de vento, e que sempre teria muitos deles em minha casa. Afinal, a casa é minha.

Agora eu finalmente consegui colocar os sininhos também nos meus blogs. Posso curtir o som até mesmo quando não estiver ventando. Com certeza, eles vão me inspirar muito!


Se Soubéssemos...

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Se soubéssemos Quantos adeuses se escondem, Adormecidos, Por trás de cada 'olá', Talvez nós não deixássemos A vida passar,  As pessoas irem embora Sem nosso mais atencioso olhar...
Se soubéssemos Que a estrada sob os pés Pode, a qualquer momento,  Desabar, Talvez prestássemos mais atenção À linda paisagem que nos cerca, E que foi com amor, criada Para que a possamos desfrutar!
Se soubéssemos Que cada palavra proferida Pode ter um imenso, enorme peso Por sobre uma vida, Talvez as medíssemos com cuidado Antes de deixá-las caírem Em ouvidos errados!
Se soubéssemos Que tudo o que hoje vivemos Em breve, tornar-se-há lembranças Que, no futuro, teremos  Para reviver em noites longas e vazias, Talvez fôssemos mais felizes, Quem sabe, escolhêssemos cores mais bonitas Para pintarmos cada dia!...

Uma Pergunta Para Deus

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Estava escutando "What if God Was One of Us" (E se Deus Fosse um de Nós). A canção  diz coisas como: "Se Deus tivesse um nome, qual seria, e você o diria diante de Sua face se estivesse cara a cara com ele? E o que você perguntaria, se tivesse apenas uma pergunta?"
Tenho certeza de que, pelo menos uma vez na vida, todo mundo já imaginou isso.
Daí, fiquei pensando nas possíveis perguntas que eu faria a Deus, como por exemplo, "Existe vida após a morte?" Bem, acho que Ele ia rir desta, já que se o próprio Cristo prometeu-nos a Vida Eterna, esta é uma pergunta bastante idiota. Bem, eu poderia perguntar por que estamos aqui, mas ah, já vejo Deus dando um longo suspiro e me olhando com aquela sua antiga cara cansada, como se fosse começar a ensinar equações de segundo grau a uma criança que, até hoje, aprendeu a contar de um à cem. Então, eu achei que poderia perguntar quem somos, de onde viemos e para onde vamos; mas imaginei a cena de Deus tentando ensinar …

Eu Gostaria...

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Eu gostaria Que teu riso fosse assim, sempre tão frouxo  E constante, Gostaria de ver, mais vezes, As rugas do teu rosto adormecidas, Quase sumidas...
Queria sentir-me assim, sempre tão protegida, Quando caminho ao teu lado, Seja sob sol ou chuva, A qualquer hora do dia.
Queria ver, mais vezes, A cor da tua alegria, Sentir o calor da tua mão sobre  a minha E saber que vai durar, Desta vez.
Eu gostaria Que os céus te concedessem, a cada dia, A coragem de olhar a vida Sempre de cabeça erguida,  Confiando que, ali na esquina, É só virar, e tudo vai dar certo.
Te quero sempre perto, Sempre certo, Mesmo diante dos erros que possas cometer, Que tu jamais os tema, Mas que teime, sempre, Insistindo na vontade de viver.

*

Conduta

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A santidade não faz bem Nem a mim,  Nem a ti Nem a ninguém.
Planto rosas, Partilho o perfume Assumo os espinhos.



Não Tem Importância...

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Acredite-me, 

Não tem importância - pelo menos, 

Não tanto assim - 

Aquilo que eu penso ou digo, 

Sou apenas uma voz 

Clamando no próprio deserto, 

E decerto, 

As minhas areias 

Não vão sujar 

Tuas aldeias! 





Acredite, 

O vento sopra ao contrário, 

Meu cheiro e o teu 

Jamais hão de misturar-se, 

E as minhas pegadas 

Nessa areia amaldiçoada 

Hão de sumir nas tempestades. 





Portanto, não te incomodes, 

Pois cada estrada é solitária, 

Cada destino é só mais um, 

É tão leve, cada palavra, 

Mesmo aquela que sangra, 

Mesmo aquela que mata! 













De manhã Bem Cedo

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De manhã bem cedo, A paz, A vida rebrotando, Esperanças fresquinhas Ainda sem as escaras Do medo. Aquele minuto Antes dos olhos se abrirem, Antes dos sonhos se desmancharem A vida entre as pálpebras e cílios, Sem nenhum martírio!...
Um raio de sol que penetra Nas frestas da cortina, O canto do primeiro pássaro, O apagar da última estrela...
De manhã bem cedo, Antes que passe o primeiro carro na rua, Desfazendo os laços frágeis do sono, Antes do grito berrante do despertador, Antes que a gente se lembre, Antes...






No Rosto

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No Rosto

No rosto, rugas e rusgas Da vida, as marcas Rotas, Arranhões do tempo, Retratos de um coração Despedaçado Cujas partes ainda rolam Por um chão sem pecados,
Pois como chamar de pecado Aquilo que alguém escolhe, Pensando que é o melhor? As rotas da vida Riscadas à ferro e fogo, Pés queimados - pecados pagos.
Rugas e rusgas, retratos Armazenados no peito, Momentos guardados para sempre Dissolvendo-se nas lágrimas Que resvalam pelas rugas Vagarosamente, antes de caírem.
Mas posso dizer sem medos: Tua história é simples, Não é melhor ou pior Do que a minha. Te olho nos olhos, e me vejo, Pego a tua dor comprimida E estendo-a em meus poemas, Para te trazer, quem sabe, Algum alívio.















Se Fosse Hoje

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Se fosse hoje, eu fecharia os olhos, E talvez Enrijecesse o corpo E soltasse mais a alma. Quem sabe, eu até pudesse Manter a calma E fazer, cinicamente, Meu último pedido?...
Só não teria pena, Não levaria, comigo, Traços de arrependimento Pelo que não foi dito Ou vivido.
Trataria de esquecer  Tudo o que não foi bom, E num gesto de pura Covardia, Poderia até falar em perdão!...
Se fosse hoje, eu ergueria A cabeça pesada  e cansada Bem acima das nuvens, Para ver o que me aguarda, Talvez subisse bem alto, Lá, na mais solitária, austera e augusta Montanha, Onde a bruma faz morada, E ficasse ali, parada, Esperando para ver o que surgiria.
Só esperaria Que fosse frio, e bonito, e silencioso, E que houvesse luzes coloridas piscando entre a bruma, Jardins lindos, com pedras cobertas de musgo, Lagos espelhados, misteriosos e profundos, Cavernas imensas, de onde pingasse não só umidade, Mas verdade, Um nascer e um por de sol A cada vinte minutos,  E um céu crivado de estrelas, e cheio de luas…

Nada Disso me Pertence

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Elas vão brotando sob os fios espessos da grama Pelo de Urso que faz renda ao cedro. Quando eu dou por elas, já são árvores-bebês: pitangueiras, laranjeiras, pés de tangerina, ameixeiras, goiabeiras, amoreiras... os pássaros e morcegos, ao se alimentarem na árvore, deixam cair os caroços das frutas, ou então, depositam os mesmos no solo através de suas fezes.  Quando retiro as mudinhas, os caroços das frutas das quais elas nasceram ainda estão nas pontas das raízes.
Algumas eu consigo doar; mas o número de pessoas que eu conheço e que tem espaço para árvores no quintal, e que já receberam uma mudinha,  diminuiu bastante.
Já não tenho espaço para árvores em meu jardim. Ele é bem pequeno. Tenho o cedro, um pau-d'água, uma laranjeira, um xaxim, um ipê amarelo, um velho manacá da serra, e um ipê roxo que ainda não floriu, mas que já ultrapassa o telhado da casa, e por isso, cogitamos cortá-lo. Uma árvore assim, tão grande, e tão próxima à casa, nos dá um certo medo. Ganhamos de prese…

Beira do Sempre

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Sentada à beira do sempre, Coração envolto em sol, Observo o que se passa Quanto àquilo que não passa...
A saudade vem e grassa, Gasta as beiras do presente, A memória acorda e sente O que não foi apagado.
Sentada à beira do sempre,  Eu fico, pranto calado...





O Jardim

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Da janela Ela o olhava o jardim Por onde jamais passaria,  E sonhava...
Sonhava com as árvores, As folhas caindo sobre ela,  Como uma homenagem Quando passasse por ali  Pela última vez.
Pensava na beleza das flores Que colheria no caminho, No canto dos passarinhos Que em festa, voariam sobre ela.
Pensava em dar passos pequenos, Aproveitando a luz do sol Que atravessaria, em raios finos,  As copas das árvores Só para festejá-la!
Queria aproveitar cada momento Daquele jardim derradeiro, Até que chegasse ao portão de saída E dele se despedisse para sempre...
Sonhava com a casa, o quarto, A velha TV sobre a cômoda, Os livros dentro do armário, E o seu antigo rosário... Sentia o perfume doce e rascante Das damas da noite,  Entrando pela janela da casa Numa noite de luar.
E olhava o jardim, em sonho, Depois, voltava para o leito, E de olhos fechados, Acordava.

"A saudade é uma aldrava que a lembrança usa ao bater às portas da memória."