terça-feira, 30 de abril de 2013

MAIO






Este ano,
Maio desceu como um raio,
Perturbando tudo,
Tudo cinza e frio,
E um grande vazio...

Ninguém cantará,
Não haverá festa
Ou presentes.
-Estás ausente de nós.

Maio ficou mudo.
-Para onde foi a voz de maio?

Este ano,
Maio brotou de repente
Sem necessidade
De nenhum ensaio.
Veio, e passará como flecha:
Rápido e mortal.

Maio passando
Pela minha janela
Uma tela em branco
Sem cores, sem pássaros,
Sem velas, sem cantos...

Ordinário maio,
Sem Feliz Aniversário.


Reencarnação - Almas Antigas, de Tom Schroder




Trechos do livro de Tom Schroder, "Almas Antigas".


(...) Em 1972, Weiss (Dr.Brian Weiss) hipnotizou uma jovem mulher. Ela estava deitada de costas no sofá, os olhos fechados, as mãos pousadas ao lado do corpo, envolta num lençol imaginário de luz branca, levada a um transe através da voz do médico e da vontade de sua própria mente. Ele ordenou que ela retrocedesse até suas mais tenras memórias, de volta às raízes da fobia que atormentava a sua vida. (...)


(...) A primeira sessão revelou lembranças significativas de quando ela tinha três anos - um encontro sexual perturbador com o pai bêbado - mas não houve nenhuma melhora em seu estado emocional. (...)

(...) Weiss decidiu fazer uma sugestão aberta. Com voz firme, ordenou: "Volte aos acontecimentos que deram origem aos seus sintomas." Em transe profundo, ela respondeu, numa voz baixa e rouca: (...) "Vejo degraus brancos que me levam até um edifício...estou usando um vestido longo, uma bata feita de tecido rústico... Meu nome é Aronda. Tenho dezoito anos... (...) O ano é 1863 antes de Cristo."



"Suzanne Ghanem tem cinco anos.
Ela insiste em afirmar que não é Suzanne Ghanem.
Ela diz aos pais que se chama Hanan Mansour, que morreu após uma cirurgia nos Estados Unidos e que quer seu marido e filhos de volta.
As famílias Ghanem e Mansour nunca tinham ouvido falar uma da outra. Entretanto, Suzanne (Hanan?) procurou seus filhos e entrou em contato com eles. Agora, os filhos - todos adultos - estão convencidos de que sua mãe é uma menina de cinco anos que mora em Shwaifat, uma área ao sul de Beirute.
(...) Suzzy identificou todos os parentes e disse seus nomes com precisão."




"Há muito mais mistérios entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia." - Shakespeare, Hamlet, ato 1, cena 5. 







segunda-feira, 29 de abril de 2013

São Nossos





Aquela flor junto ao muro,
O pássaro pousado no galho
Que voa livre, quando bem quer,
A paz, o amor, o sonho
Da vida o mister,
Não são meus nem seus, 
São Nossos!

O céu imenso estendido
Por sobre as cabeças humanas
Também se estende, generoso
Sobre todas as outras cabeças!

O mundo,
Tal qual ele é
Ou como o tornamos
Através da nossa fome desmedida,
O mundo que subdividimos 
Em fétidos feudos
Que são 'dele', 'teu 'e 'meu,'
É nosso!

A paz que eu tanto desejo
E a paz que tu almejas,
Os sonhos que acalentamos
E aqueles que matamos
Através de nossas pelejas,
Não são meus, nem teus,
São nossos!

Sob a terra, os nossos ossos
Um dia, irão estar...
E o espírito já livre,
Viajará
Para um outro lugar,
Onde 'meu' e 'teu' não moram,
Onde encontraremos, enfim,
Apenas o que é nosso.



Sobre a Ganância




Sobre a Ganância



"Aquele que é ganancioso, sempre está desejando." - Horácio








"A ganância insaciável é um dos tristes fenômenos que apressam a autodestruição do homem." - textos Judaicos





"A terra provê o bastante para satisfazer a necessidade de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens." - Gandhi






"Para a ganância, toda a natureza é insuficiente." - Sêneca






"A ganância é uma cova sem fundo, que esvazia a pessoa em um esforço infinito para satisfazer a necessidade, sem nunca alcançar a satisfação." - Erich Fromm





"O perigo constante, é abrir a porta para a ganância, um de nossos inimigos mais insaciáveis. É aí que se deve por em prática o trabalho da mente." - Dalai Lama






"O dinheiro é uma felicidade humana abstrata. Por isso, aquele que já não é mais capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele." - Arthur Schopenhauer





























domingo, 28 de abril de 2013

Amargos Desejos





Dentro dos olhos,
Queria a imagem de tudo o que existe,
Como quem possui e absorve
Como quem nunca foi triste!

Desejo de possuir e guardar
Como se fosse possível
Abraçar tantas coisas
Em uma só vida!

Queria todas as flores,
Todos os pássaros,
O céu e as nuvens
Que com o vento, passavam...

Queria agarrar entre os dedos,
Segurar sem soltar...
Esquecia-se do medo,
Dos dias escuros 
Em que só a luz bastaria!

Fugindo da própria noite
Escurecendo o dia,
Achando que as pedras e pilastras,
As fontes, os rios, as casas,
Os livros, as terras, as palavras
Salvar-lhe iam 
Das garras do nada!

E as esperanças alheias,
As vidas alheias,
Pisoteadas 
Nas calçadas amargas!

Queria ter, possuir, selar,
O fogo, a terra, a água, o ar,
Que nunca seriam o bastante
Para conter tanta agonia!

E a pequena criatura
Que sob o sol, se movia,
Tentando apenas viver,
- Pisoteada!
Em meio a tanta amargura
Sob  botas tão pesadas!

Ah, nada é o bastante
Para quem, o tudo,
Transforma em nada!















Poeira no Vento - Dust in the Wind - Kansas





Letra da canção Dust in the Wind, do grupo Kansas




Dust in the wind -    Poeira no vento


I close my eyes -  Eu fecho meus olhos
Only for a moment - Só por um momento
And the moment's gone - E o momento se foi
All my dreams - Todos os meus sonhos
Pass before my eyes - Passam diante dos meus olhos 
A curiosity - Uma curiosidade


Dust in the wind - Poeira no vento
All they are is dust in the wind  - Tudo o que eles são é poeira no vento


Same old song - A mesma velha canção
Just a drop of water - Só uma gota d'água
In an endless sea - Em um oceano sem fim
All we do - Tudo o que fazemos
Crumbles to the ground - Se esfarela no chão 
Though we refuse to see - Embora nos recusemos a ver

Dust in the wind - Poeira no vento
All we are is dust in the wind - Tudo o que somos é poeira no vento

Don't hang on - Não se apegue
Nothing lasts forever - Nada dura para sempre 
But the earth and sky - A não ser a terra e o céu
It slips away - Escorrega para longe
And all your money - E nem todo o seu dinheiro
Won't another minute buy - Comprará outro minuto

Dust in the wind - Poeira no vento
All we are is dust in the wind - Tudo o que somos é poeira no vento

Dust in the wind - Poeira no vento
Everything is dust in the wind - Tudo é poeira no vento.










sexta-feira, 26 de abril de 2013

Hoje Estamos Aqui








A partida de nossa colega Maria Cecília - A Flor Enigmática - deixou-me esta reflexão 














Hoje estamos aqui. Mas quantos de nós sabemos o quanto caminhamos na beirada da vida? Hoje, somos criaturas enigmáticas que se pensam rasas, mas afogamo-nos em profundidades assim que alguma coisa nos tira do frágil equilíbrio em que nos encontramos. 




Hoje estamos aqui. Escrevemos nossos poemas, espalhamos pelo mundo palavras e cenas de vida. Achamos que seremos eternos através de nossas palavras, e acreditamos, realmente, que elas nos farão mais fortes e presentes nas almas das pessoas; mas de repente, vem a ventania, e nos arranca de nossos galhos, jogando-nos, flores frágeis, nas correntezas tumultuadas e enigmáticas de um incerto adormecer. E ficam aqui as nossas obras - poemas, crônicas, pensamentos e palavras - até que alguém decida o que fazer com eles; apagá-los? Fazer um backup e colocá-los em algum CD que um dia alguém encontrará, ou que será perdido? Colocá-los em um livro? 




Esquecê-los? 




Hoje, estamos aqui; eivados de tolo orgulho pelas nossas aparentes 'conquistas' que, acreditamos, nos farão transcendentes. Mas quando formos embora, elas ficarão aqui; não as levaremos conosco! Ficarão à mercê de quem se disponha a decidir o que fazer com elas. Ou talvez, quem sabe, sejam copiadas por outras pessoas que tomarão para elas a autoria do que escrevemos. E de nada adiantará revoltarmo-nos, pois nada poderá ser feito. 




Hoje estamos aqui. Amanhã?... Melhor não pensar! Talvez a graça da vida esteja no dom de não pensar demasiadamente. Melhor que continuemos a ser canais para nossos poemas, e que tenhamos sempre a generosidade e a humildade para espalhá-los por aí, para quem desejar ler, sem a pretensão de que os possuímos. Porque, na verdade, hoje eles estão aqui; amanhã... 








Abraham Lincoln -Mensagem ao Homem do Povo



"Mensagem ao Homem do Povo e aos Homens que Dirigem o Povo", por Abraham Lincoln


"Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.
Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes.
Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que o paga.
Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes.
Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos.




Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado.
Não evitarás as dificuldades, se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás  dignidade e o ânimo, 
Se subtrairdes ao homem a iniciativa e a liberdade
Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente, se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios."



Enigma










Enigma


...E que seja o enigma da Flor
Finalmente decifrado
Nos jardins do amor.


*


Para Flor Enigmática


Vá com Deus.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Tanta Coisa





Tem tanta coisa em ebulição dentro de mim, tanta coisa!...
As palavras mesclam-se aos sentimentos,
E quando escrevo, desmancho os nós.

Jorram tantas emoções
Aos borbotões!

*

Não Quero Esquecer





Não me venha dizer que tudo vai mudar,
Que o sol amanhã
Vai aparecer,
Que a saudade vai afrouxar...
Não acredito, e nem espero,
Não quero apagar da mente,
Não preciso tentar esquecer
O que já me fez feliz!

Mas deixo frouxas as cordas
Dessa lembrança,
Pois senão, ela me enforca,
Me amarra aos pés do passado.

O que dói, não é lembrar
Aquilo que foi consumado;
O que me dói, nessa vida,
É saber que tanta dor
Em quase nada nos mudou.



EXAGERO





Exagero


Mandei buscar uma estrela 

Para bordar o teu casaco 

A lua minguante, tiara 

Para ornar tua cabeça. 


Colhi uma espécie de cada 

De todas as flores que existem 

Mandei colocar em vasos 

Para enfeitar tua casa. 


As gotas da chuva de ontem, 

Recolhi, e pus na fonte 

Mandei desaguar em um rio 

Que passa pela tua porta. 


Colhi alguns raios de sol 

Com eles, fiz um enfeite 

Coloquei-o sobre a estante 

Apenas para teu deleite. 


Aluguei um aviãozinho 

Mandei escrever o teu nome 

E o meu, no céu azul 

Pra saberem que te amo. 


Mas isto tudo foi ontem, 

Hoje, já mudei de ideia... 

Acabou-se todo o encanto, 

E o efeito do feitiço. 


Quase não existem rimas 

Para compor-te um poema, 

E a métrica perdeu-se 

Quando o amor saiu de cena... 



Lições da Vida - Ronald Russel




Lições da Vida, por Ronald Russel




A criança que vive com o ridículo
Aprende a ser tímida.
A criança que vive com crítica
Aprende a condenar.
A criança que vive com suspeita
Aprende a ser falsa.


A criança que vive com antagonismo
Aprende a ser hostil.
A criança que vive com afeição
Aprende a amar.
A criança que vive com estímulo 
Aprende a confiar.




A criança que vive com a verdade
Aprende a ser justa.
A criança que vive com o elogio
Aprende a dar valor.
A criança que vive com generosidade
Aprende a repartir.



A criança que vive com o saber
Aprende a conhecer.
A criança que vive com paciência
Aprende a tolerância.
A criança que vive com felicidade
Conhecerá o amor e a beleza.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

No Céu




...E havia algo no céu,
Uma cor ansiosa
Não sei se de amanhecer 
Ou de por de sol...
Mas havia algo no céu,
Que transpassava cada alma
E alinhavava uma dor
Que nunca passava!...

Havia um espelho na terra,
Que refletia a insanidade
E a ansiedade
Por tudo o que está sangrando
Em volta do mundo
Pela tola intolerância.

Havia na sinuosidade
Do contorno de cada nuvem
Avermelhada
Um fio de sangue
Pelo sangue que aqui jorrava.

Havia algo no céu, 
Eu sei que havia,
Mas no passar rotineiro de cada dia,
Quase ninguém olhava.


Passos Amarrados



Amarrei meu passos 
À tua vida,
Para que eu nunca te deixe,
Para que nunca me deixes
E que jamais nos distanciemos.

Amarrei meus passos, em vão...
Pois na ânsia, eu me esqueci
Do quanto é livre, sempre,
Cada coração.

.
.
.

O que a Manhã Me Trouxe




A manhã me trouxe a rosa,
Tímida, simples, pequena,
Que eu plantei com minhas mãos,
Mas a rosa, sempre livre
Só brotou porque bem quis...

A manhã me trouxe a rosa,
De perfume tão suave,
Quase, quase inexistente,
Enfeitada pelo orvalho
E teiazinhas de aranha
Cintilantes pelo sol.

A manhã me trouxe a rosa,
Fresca, limpa, quase rosa,
Que a natureza, em prosa,
Emprestou aos versos meus.

A manhã me trouxe a rosa,
E eu, tola e orgulhosa
Por tê-la plantado, me esqueço
Que ela floriu porque quis,
Não pra me fazer feliz.



Bocage - Contrição





Contrição - Bocage




Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah, cego eu cria, Ah, mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana;



De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
mais eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.



Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
no abismo vós sumiu dos desenganos;




Deus, oh, Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos,
saiba morrer o que viver não soube.


Uma Tarde no Jardim

Memórias subiam rentes aos troncos  E pendendo dos galhos das árvores, Caíam devagar sobre o telhado da casa Formando esta...