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Mostrando postagens de Março, 2013

Memória

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A memória chora Pelo que ficou... Antes, Tivesse ido.
No silêncio, Os risos... Ecos E fantasmas Do que não está.
Cacos de vidro, Sementes secas Poeira seca, Retratos Amarelecidos..
Páginas abertas De um negro livro Que aprisionou A luz E o riso Daquilo que não foi Nem será, jamais, Esquecido.

Relâmpago

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De repente, a luz, Mas a que não salva; A luz menos alva, Que nos traz A tempestade.
Prenúncio, Presságio, Revela a cruz Sombra de nuvem, Trovão.
E eu me encolho, Crispando as mãos; Recolho-te dentro Do meu coração.




O Corso

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Passou o corso, trazendo alegria, Deixando, no meio da rua, Os ecos de sua folia Pedaços coloridos De doce ilusão.
Passou o corso, aliviando as mágoas, Esmagando as dores, A ilusão caía, Em chuva de prata, Acenos na carreata.
Risos passavam com ele, As serpentinas jogadas Entranhavam-se nas tristezas, Arrancando-as E elas voavam...
Passou o corso, entre risos de alcaçuz, Mas como tudo na vida, Ele se foi, Cessou a escansão  Deixando atrás  Do seu rastro de luz A escuridão.

Um Pouco de DNA - Para melhor entendermos as nossas origens

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Trecho do livro "Sobrenatural - os mistérios que cercam a origem da religião e da arte" - por Graham Hancock


(...) Uma segunda linguagem química da mesma antiguidade pode ser vista nos ácidos nucleicos, DNA e RNA. Classificados entre aquela ampla categoria de compostos sintéticos conhecidos como polímeros, eles são cadeias de moléculas gigantes, cada uma das quais caracterizada por padrões repetitivos - "bases" - de apenas quatro elementos químicos. Para o RNA eles são adenina, citosina, guanina e uracil (representados pelas letras iniciais A, C, G e U). para o DNA, as primeiras três bases são as mesmas - ou seja, adenina, citosina e guanina, enquanto que a quarta é timina (T), parente tão próxima da Uracil que não cria nenhuma incompatibilidade nas constantes interações que aparecem ao nível celular entre filamentos de DNA e filamentos de RNA.
Esses dois polímetros (com o DNA geralmente 'no comando' e o RNA fazendo as funções subalternas de 'mensageir…

Troca de Olhares

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Um segundo os aproxima, 

Uma abertura no tempo... 

É mais que um simples momento, 

Muito mais que só rotina... 


De repente, duas almas 

Reconhecem-se nesta vida, 

Uma delas, como gente, 

E a outra, como cão. 


Vê-se logo, nas pupilas, 

Que ali dentro, mora um anjo... 

É um amor sem proporção, 

E se houver uma carícia, 

Selará uma amizade, 

Preenchendo um grande vão. 






Textos de Humor

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Textos de Humor

Como muitos já sabem, há algum tempo faço parte da escrivaninha dos Cavaleiros do Apocalipse, e meu personagem, chama-se Anna Vagalume. Outras pessoas, além de mim, também já fizeram parte, mas por motivos pessoais, nos deixaram; atualmente, ficamos Marcelo Braga (ou Magrelo Praga) e eu.
O que é um texto de humor?
Desde os primórdios da comédia, os textos de humor tratam do cotidiano, das pessoas comuns, e antigamente, estes personagens eram retratados nos palcos de teatro em todo o mundo; lá estavam eles: o cobrador de impostos, a dama hipócrita, o vizinho, o plebeu  e até o Rei! Todos eles retratados de forma cômica, com suas piores 'qualidades' ricamente caricaturadas. E os teatros ficavam cheios, pois todo mundo gostava daqueles personagens - com os quais, muitas vezes, se identificavam.
Porque rir de si mesmo é uma das coisas mais relaxantes que existem. Apenas as pessoas realmente desprendidas são capazes de tal proeza. Nós mesmos, que fazemos parte da es…

Poemas & Poetas

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Poemas & Poetas


Ah, a arte de escrever poemas... é preciso antes passar pelo coração, e então, esticando o fio que nos une ao invisível - e que só é encontrado dentro do coração de cada um -, segui-lo, trazendo de lá (embora eu não saiba onde é 'lá) as linhas do poema. Mas todo poema deve, primeiro, passar pelo coração. Ou cairá natimorto na folha, seco, sem sentido, embora metricamente correto. 

Eu não tenho um estilo preferido de poema, quando leio. Jamais conto métricas, jamais procuro rimas. O que eu procuro, está além da beleza estética, embora esta seja importante. A beleza real de um poema, para mim, descansa na sua alma. Um poema, após escrito, adquire alma própria, e torna-se vivo. Não importa seu formato: pode ser um soneto, uma aldravia, um Haikai, um indriso... tanto faz! Pode até ser o que chamamos de 'livre.' A única condição, é que ele tenha alma, e sobreviva, após criado, sem a interferência do criador. 

Escrevo poemas, preferencialmente, livres. Rara…

Uma Feliz Páscoa a Todos!

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Amanhã é Sexta-feira da paixão. Para todos, um dia um tanto triste... depois, vem o Sábado de Aleluia, que também traz algumas lembranças tristes - afinal, Judas enforcou-se por arrependimento após trair Jesus (e até hoje, mesmo por quem é Cristão, jamais foi perdoado...).
Mas então, vem o domingo de Páscoa. Geralmente, passado junto ás pessoas de quem gostamos, a fim de celebrarmos a ressurreição de Cristo. Para mim, a Páscoa tem um significado especial, não apenas por causa das lembranças boas que ela traz da infância, mas também pelo seu significado em si. A Páscoa é renovação.
Que possamos passar pela tristeza da Sexta-feira Santa e perdoar Judas no Sábado de Aleluia. 
Tenhamos todos uma Feliz Páscoa.
Obrigada a todos os colegas blogueiros!

Da Páscoa

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Da Páscoa, eu me lembro de minha irmã com caixas de sapato e papel de seda, fazendo 'ninhos' para o coelho por os ovos. Ela cortava alguns babados de papel, colava à volta da caixa, e depois, fazia palha fininha com o que sobrava dele, enquanto eu ficava imaginando o que encontraria na manhã seguinte.

Da Páscoa, lembro-me das quaresmeiras em flor. O morrinho ao lado da casa ficava salpicado de roxo e amarelo. 

Da Páscoa, lembro-me de meus pais me acordando no domingo bem cedinho, e de eu levantar da cama correndo para ir olhar meu ninho de caixa de sapato, cheio de ovinhos de chocolate e bombons. 

Da Páscoa, lembro-me da família reunida na sala de estar, assistindo àqueles filmes religiosos que passavam na semana santa, todos comendo bombons. Havia bombons que não existem mais, com sabores de frutas: figo, ameixa, pera, laranja. Não gostávamos deles, e eram sempre os últimos a serem comidos. 

Da Páscoa, lembro-me de minha irmã e eu, e das outras crianças do bairro, todos unid…

Cartas

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Surpreende-me, A maneira como  embaralhas E distribuis vidas Como se fossem cartas...
Jogas, Descartas, E roubas no jogo Para a nefasta glória De uma sórdida vitória.
E a mesa Ganha sempre, Cartas marcadas, Nem lembras que são gente...
¨¨¨¨

FLORES

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FLORES


As flores da tua casa Estão roxas de saudades... Derramam-se pelo chão, Penduram-se em cada galho. Quem passa e vê tanta cor Pensa logo que é alegria, Mas quem olhar bem de perto, Verá que é só agonia...


As flores da tua casa Cansaram de florescer... Exalam exuberância Mas sofrem por não te ver. Espalham sua beleza Mas quem as vê, logo sente Que se elas desabrocham, É apenas de tristeza!


As flores da tua casa Que um dia, você plantou Tem as pétalas sem riso Sonhando com o paraíso... E quando chegar o inverno, Eu não sei o que vai ser... Será que na primavera Voltarão a florescer?...


"As flores do jardim da nossa casa morreram todas de saudades de você." - Roberto Carlos


Paz

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Enquanto me desfias, divirto-me, Pois pensas que me desnudas, Que achas novo planeta, Quando nada em mim está sob, Nada...
Rio da tua giga, Do peso que pões em teu dorso... Pois não é preciso esforço Para desvendar o óbvio!
É só olhar nos meus olhos, E verás o que desejas (Ou talvez, o que não queres) Sem sofreres qualquer opóbrio!
Pois de todos os mistérios Que procuras desvendar, Sou o menos misterioso, Cedo ao peso de um olhar...
*

DEVOÇÃO

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Ama-me, este cão, Cobre-me com seu olhar amado, Deseja minha presença, Quer-me ao seu lado, Sem nem sequer pedir compensação.
Compreende-me em silêncio, Não indaga, Dedica-me o calor de suas patas, E o seu amor sincero - devoção...
Ama-me, e como, Este cão, Esta inocente e pura criatura, Que alguém mandou dos céus com a missão De ser o meu anjo guardião...
Ama-me, sem nada pedir em troca, A não ser, um pouco de carinho, A não ser, uma gota de atenção.
*

Porta Fechada

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Atrás da porta Eu ando nua, Me sento nua, Faço o que quero.
Atrás da porta, Eu me revelo, Digo o que penso, Faço o que quero.
Atrás da porta Dentro da casa, Eu sou mais eu, Fecho a cortina, Ninguém vê nada.
Atrás da porta Vivo trancada E mesmo assim Existe gente Incomodada...
*

Das Marcas

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...E quando eu me for, deixarei poucas marcas, Todas rasas, Perder-me-hei no vão das estradas Por onde passa o esquecimento, Apagando todas as pegadas.
Minha memória será breve, Lavada pelo pranto igualmente raso Dos que jamais me amaram ou compreenderam Ou souberam, realmente, quem eu fui.
Talvez demorem-se um instante no caminho, Olhando para trás,  Enquanto um bando de pássaros em revoada Carregam consigo o que restou de mim, Para bem longe, Para o infinito, Onde esquecem-se as memórias.
Talvez meditem no enigma daquela Estranha criatura, que nasceu E cresceu entre eles,  Sem jamais tornar-se como eles, Uma alma caída não-se-sabe-de-onde, Ou por qual objetivo.
Pois se hoje mesmo, sinto o quanto sou efêmera Nos corações que cultivei Por onde plantei flores que cresceram E murcharam, Negligenciadas.
Talvez seja melhor que eu seja assim, Uma alma que passa, como uma nuvem carregada, Que chove e cai na terra abençoada, Fertilizando tudo,  E depois retorna, evaporada, Sem que seja lemb…

ÍNFIMO

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Aquela gota sobre a folha, 

Ínfima, 

A nuvem quase derretida, 

Qual fiapo de vida que passa, 

Mas deixa seu encanto em algum canto... 


A borboletinha que voa de manhã, 

Espalhando graça, 

Gotículas de chuva na vidraça... 

Pequeno besouro, tão perfeito, 

Que as asas parecem pintadas 

Pelo pincel de um grande artista 

De grandes efeitos... 


A minoria, desprezada, ignorada, 

A que dorme nas calçadas 

Com quem ninguém se importa, e quem sabe, 

Tenham a alma mais lavada! 

Suaves nuances de poesia, 

As sombras que aos poucos se transformam 

Trazendo a tarde, 

A noite, e outro dia... 


As coisas que nascem e morrem 

À margem de tudo aquilo 

Que a maioria considera importante, 

Passando despercebidas, 

Esquecidas... 


Vem e vão sem nenhum grito, 

Arrancam-lhes a dignidade 

E o direito de existir 

Violentamente, 

Com os ganchos da maldade! 


Disseram-me 

Que as minorias 

Deveriam ficar à margem 

Da vida, da sociedade, 

Pois nada tem a dizer 

Ou a acrescentar ao mundo... 

Devem permanecer no esc…

memória

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Às vezes, é bom 

Que a memória seja curta, 
Noutras, que ela se estique, 
Se lance no espaço 
E procure novamente 
Os braços do passado... 

Às vezes, é bom 
Que a vida tenha traços 
Marcantes e marcados, 
Das memórias boas, 
Vividas e partilhadas 
Pelos que se amaram. 

Às vezes, é melhor 
Que a memória esqueça, 
Para que a vida não apodreça, 
Para que o tudo não se perca 
Ante a ingratidão, 
A arrogância e o desprezo 
De quem nunca soube amar. 

A infelicidade e a insatisfação 
Hão de sempre deixar marcas, 
Qual profundos arranhões 
Naquilo que poderia 
Ter sido o mais bonito, 
O mais importante motivo 
Para recordar vida afora. 

Tudo tem sua hora, 
E quem sabe, um belo dia 
O orgulho e a arrogância 
Sejam amansados 
Pela constância e a humildade 
Da auto-observação? 

Quem sabe, assim, a alegria 
Substitua, de vez, 
A tristeza e a hipocrisia 
Daquele sonho abortado 
De quem jamais aprendeu 
A receber da vida, o dom 
De aprender a perdoar, 
De amar e ser amado?... 









Sílabas

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Enquanto escrevo, brotam as ideias. Geralmente, é assim; sento-me para escrever, e as ideias brotam, e não o contrário. Quando elas brotam antes que eu me sente para escrever - ou em momentos nos quais isto é impossível, porque encontro-me longe de lápis e papel, ou em alguma situação na qual escrever não é possível - as palavras fogem e não voltam nunca mais, nem que eu tente durante horas.
Adoro sentir as sílabas enquanto martelo as teclas do computador. O ruído das teclas sendo pressionadas, para mim, é o ruído da vida... mas também gosto de sentar-me lá fora com lápis e um caderno ou agenda velhos, e deixar os pensamentos fluírem. É como um exercício de autoconhecimento, e muitas vezes eu sinto que, se não fosse pelo que escrevo, se não fossem as sílabas que me procuram e me revelam, eu já teria sucumbido a alguma força externa que me destruiria. Talvez, tivesse enlouquecido!
Penso que todo mundo precisa ter uma válvula de escape. Alguns caminham, outros, pintam quadros, outros f…

A Vida é...

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A vida é imprevisível, caprichosa, misteriosa, bandida. Todo mundo já ouviu uma destas afirmações alguma vez... na vida. Porque a vida é um cliché, e ao mesmo tempo, uma caixinha de surpresas. Como entender a vida? Melhor nem tentar muito, e ir vivendo-a como der, aceitando as coisas que ela impõe e não faz o favor de explicar. Mesmo assim, a vida ensina; aprende quem quiser.
E é triste constatar que muitas vezes a vida reapresenta situações, como as reprises de um filme antigo, porque ela quer que as pessoas aprendam alguma coisa, atentem para algum detalhe da história que elas não viram antes - porque foram até a cozinha pegar batatas fritas, ou foram ao banheiro durante o filme. Ou, simplesmente, caíram naquele sono quase hipnótico que o filme da vida, através da rotina, nos impõe. Bem, a vida passa uma ou várias  reprises, e nem assim as pessoas atentam para os detalhes; apenas prestam atenção ao sofrimento que vem com aquele padrão de repetição.
E o mais incrível, é que ao passa…

Missão

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Dos meus dedos Escorre o mar, Dos meus olhos Brotam estrelas A brilhar na noite escura.
-Só não consigo te dar A paz, que tanto procuras!
Nascem ventos Da minha voz, E no meu peito, Brotam flores Da mais fina suavidade...
-Só não sei como curar Do teu coração, a saudade!
Corre mel Da minha boca, E eu guardo Em meu sorriso Vertentes do Paraíso...
-Só não sei como tirar Ou sequer, aliviar A dor do teu peito contrito...
Te peço, fica comigo, Embora eu nada te dê Que te devolva o sorriso.
Mas te dou o meu amor, Esperança que tu vestes Por cima da tua dor.


Trovas - natureza

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Folha de palmeira
Tiras navalhadas
Projetando sombras
De esguias fadas.





Estrelas azuis
Num céu de veludo
São olhos de um santo
De alcance profundo...






Água farfalhante
Jorrando na fonte
Juntando-se às gotas
De uma chuva errante






Nuvens de silêncio
Passando no céu
Deixam brancas marcas
Como um longo véu.






Pétala escarlate
De rosa, que cai
Qual um arremate
Da vida que se esvai...






Quadrado de grama
Entre muros de hera
Cenário da trama
De uma longa espera.






Nos teus olhos verdes
Traços de beleza
Que matam minha sede
E a minha tristeza.



Lenitivo

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Nos olhos, pupilas de pedra, na boca, um gosto de vento.. No peito, um antídoto certo Para todos os tormentos.
Basta esse céu sobre mim,  E as cores aquareladas De uma tarde, após a chuva, Basta-me o dom da palavra...
Num canto, um canto de passaro Enfeita a esquina da vida Como um doce lenitivo Para cada coisa perdida
E a poesia se espalha Pelo fio da navalha Que corta a corda que aperta Soltando a voz que me falha.

Quando os Cães Envelhecem

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Bem cedo na manhã de domingo, desperto com um uivo profundo e melancólico. 
Eu nunca tinha escutado a Latifa- minha cadela Rottweiler que completará 9 anos em abril - uivar daquele jeito. Desci as escadas correndo, e fui ver o que estava acontecendo com ela. Parecia calma e serena, arfando alegremente em seu colchãozinho, deitada à porta da sala, na varanda. Só queria atenção, e assim que me aproximei, ficou de barriga para cima, a fim de ganhar massagens. Ela agora não quer mais ficar no canil, e ultimamente, nem mesmo na adega, cuja porta deixamos sempre aberta para que ela entre e saia quando quiser. Deseja ficar onde se sente mais perto de nós.
Lembro-me da cadela hiper-ativa, cheia de marra e de vida, que me fez perder a cabeça várias vezes há alguns anos, quando arrancava e devorava, sem a menor cerimônia e sem importar-se com os espinhos, todas as minhas nove mudas de roseiras que eu plantara com as minhas próprias mãos. Cavava buracos imensos no jardim, arrancava a grama com …