quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mãos






Que eu possa colher
Nas minhas palmas
Os ventos loucos,
Os gritos roucos,
Tornando muito
O que for pouco,
Esmigalhando
As más intenções...

Que sejam grandes o bastante,
As minhas mãos...

Que eu consiga, em um só gesto
De varinha de condão
Dispersar tudo aquilo
Que for indigesto!...
Que eu purifique
Estas paredes,
Purifique as águas
Matando as sedes!

Que sejam ágeis o bastante,
As minhas mãos...

Que eu possa, agora,
Entre os meus dedos
Desfiar, bem devagar,
Os fios da memória,
Entrelaçando-os
Ao coração....
Que fique tudo
O que foi bom!

Que sejam habilidosas,
As minhas mãos...

Que eu consiga, numa oração
Juntar as palmas,
Abençoando, assim,
As almas tristes
De um mundo agreste...
Que eu esmigalhe
O mal que lastra...
-Que não se espalhe!

Que sejam fortes o bastante,
As minhas mãos...

Minha Cor é o Azul





Tenho fases, em relação as cores... já fui rosa-choque, preto, verde-musgo, verde-água, branco, amarelo, laranja, azul-marinho, marrom. Quem abrisse meu guarda-roupas, veria a cor predominante do momento. Dizem que as cores tem influência sobre a nossa aura, e também interagem com as nossas energias. Certa vez, quase tudo o que eu tinha era azul.

Também passei por uma fase de estampados coloridos (que não durou muito, pois eu logo enjoo das peças de roupas que tem muitas cores). Hoje, eu estou azul. Exatamente o tom de azul que se encontra no meu blog: suave, frio, nem claro, nem escuro. Acho que, desta vez, eu cheguei a um acordo quanto a aparência deste espaço! E acho que desta vez, vai durar.

É incrível  a maneira como vamos passando de uma fase para outra em nossas vidas! Gosto de observar tudo, e principalmente, de observar-me. Se você me perguntar, após uma ou duas horas que passei em companhia de alguém, qual a roupa que a pessoa estava vestindo, eu provavelmente não saberei responder - a não ser que seja algo realmente chamativo ( feio ou bonito), mas se me perguntar sobre o que eu achei da personalidade da pessoa, eu com certeza serei capaz de dizer algumas coisas que, mais tarde, se revelarão verdadeiras... o que eu observo primeiro em alguém, está bem além da aparência.

E procuro estar aberta às minhas mudanças pessoais - por mais sutis que elas sejam. Portanto, posso afirmar que durante um bom tempo, minha cor será o azul.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

JÓIAS





Dormem as jóias 
Sob os tijolos,
Esquecidas do seu tempo
De brilhar...

Dormem e aguardam
Com paciência
Que algum dia
Alguém as venha resgatar.

São de verdade, 
Não se desfazem,
Não enferrujam,
Não perdem o brilho...

Dormem as jóias,
Sob as memórias
No fundo opaco
De um longo rio...

*

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nem Tanto...





Tudo não é tanto assim:
As alegrias, as tristezas,
Incertezas, desencantos,
Se soubermos, desde o início
Que a vida escreve, sempre,
Sobre cada acontecimento:
"Nem tanto!"

Partículas de momentos
Numa dança intransigente
Sob a batuta de um vento
Que rege a vida da gente,
Mas até mesmo esse vento
Tem escrito, nalgum canto:
"Nem tanto!"

Caminhamos sobre a prancha
De um navio de incertezas
Com a ponta de uma espada
Espetando as nossas costas...
Mas até a boca aberta
Do faminto celacanto
Tem escrito em sua goela:
"Nem  tanto!"

Finalmente, nos veremos
Em um barco, soçobrando, 
Transidos de dor e de medo,
E a vida, nos matando...
Mas ao chegarmos ao fundo
Na lama de um mar imundo,
Haverá alguém escrito:
"Nem tanto!"

*

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Jamais Conseguirei Entender a Mentira Como Solução...






Coisa de novela, mesmo. Fico assistindo ao comportamento da personagem de Nanda Costa , "Morena", na novela das nove horas da Globo, e não entendo o porquê da moça mentir tanto, sobre tudo, o tempo todo, e para todo mundo! Ela começou mentindo para o namorado; depois, para a mãe e para os amigos, e agora, mente para as únicas pessoas que ela encontrou no inferno onde se meteu, e que realmente propuseram-se a ajudá-la. Mente porque acha mais prático, mais adequado, melhor? Mente por medo, mania de querer ser a 'dona da verdade', para ter o controle da situação? 

Ou mente por compulsão?

Tenho visto muita gente que mente por compulsão, até mesmo sobre as mínimas coisas; coisas sem importância alguma, mas mentem, talvez por acharem divertido, interessante, sei lá... dizem que gostam de coisas quando não gostam; dizem que comparecerão a um evento no qual jamais pensaram em ir; chegam em uma loja, e após passarem muitos minutos (ou horas) enchendo a paciência do vendedor- sem terem, desde o início, a menor intenção de comprar coisa alma - saem, dizendo: "Vou ali e já volto. Por favor, separe a mercadoria para mim que eu volto para buscá-la daqui a cinco minutinhos." E mentem!

Algumas pessoas mentem até para si mesmas! Dá para entender?!

Às vezes, quando alguém acha difícil ter que lidar com as consequências da verdade, acabam contando algo que eles chamam de 'mentirinha branca', a fim de controlarem a situação, ou adiarem uma decisão que precisa ser tomada. Mas essas tais mentirinhas brancas logo tornam-se cinzentas, depois, bem negras, e acabam tomando proporções absurdamente grandes... e fica muito mais difícil ter que dizer a verdade depois! Sem contar com o fato de que, pessoas que tem o hábito de mentir, ficam logo marcadas pelas outras, e ninguém mais acredita nelas.

Eu não gosto da mentira; não suporto o cheiro que ela espalha por todos os lugares, o som de sua voz, sua aparência. Tenho verdadeiro horror a qualquer tipo de mentira inútil - e no fim das contas, toda mentira é inútil, pois apenas adia o momento da verdade, que virá, quer gostemos, quer não. Se eu não quero ir, digo: "Não quero ir." Se eu não gosto, digo: "Não gosto." 

Se eu já menti? Mas é claro que sim! E sempre me arrependi mais tarde. Mas hoje em dia, aprendi (como diz um velho ditado árabe) que "O campo das respostas evasivas é tão vasto, que torna a mentira desnecessária!" Tenho aprendido que quando eu vejo que a minha opinião poderá ferir alguém, guardo-a para mim mesma. Mas por favor, não insistam em querer sabê-la...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

O LOBO






Ele se foi de mim,
E hoje uiva nas estepes,
Solitário lobo,
Sem casa e sem pouso,
Tão longe de mim!...

Ah, e eu te procurei,
E eu te quis por perto,
Num resgate
De peito aberto
Desse meu triste e imensurável
Deserto!

Lobo, se tu uivas
Em noites assim
De luar claro,
Algo estremece em mim...
Pois és a parte que me falta,
A que fugiu de mim
No dia em que nasci!

E eu espero, 
E eu procuro,
Deixo a porta sempre aberta
E um bom naco de minha carne
Na esperança de rever-te,
Na esperança de juntar-me a ti,
Pedaço de minha alma!

Anseio pela alegria
De finalmente, reencontrar-te,
Parte ausente de mim,
Nem que seja
No limiar da incerteza,
No meu último dia,
Criatura Divina...




Livrar-me!





Quero livrar-me de toda a pressa,
Toda urgência,
Toda hora marcada,
Toda pura aparência.

Quero perder-me em horas vagabundas,
A olhar as flores,
Os passarinhos,
A chuva.

E se um dia arrepender-me de repente
(Pois decerto, alguém dirá que me perdi)
Eu só pretendo ir em frente,
Com a branda incerteza de quem ri
Daquilo que nem sequer compreende...

Quero poder ser inocente
Diante de todas as maldades,
(Bem, para isto, talvez seja tarde...)
Mas tentarei, eu juro,
Refugiar-me em mim mesma
Quando , do escuro,
Vierem , para mim, as setas!

Quero alimentar-me docemente,
E bem tranquilamente
Das tetas da vida,
Sugando o que me for oferecido,
O leite doce, o leite amargo,
Com o mesmo prazer,
E sem enfado.

Quero livrar-me,
Livrar-me de qualquer amarra,
Qualquer cadeado ou palavra
Que tente, novamente, 
Limitar-me!


ESPERA





Sou como aquele cão,
A espera de que caia
Algum farelo,
Algum resquício de carinho
Da tua mão.

À noite, eu uivo,
Deitada no chão,
Arranho o assoalho,
E faço frangalhos
Do meu cobertor...

Mas somente a lua
Escuta meu ganir,
Pois você não me vê...
Passa por mim,
Olhos sonolentos
Semi-fechados por algum vento
Que te deixou dormente.

Sou como aquele cão,
Perdido, faminto,
E tu nem sequer sentes!...

ENCANTO









Por trás da tristeza, o encanto,
A magia de viver
Espalhada em cada canto.

Uma nesga de jardim,
Colibri beijando flor,
Besouros fazendo amor.

Cantam, preguiçosamente
As cigarras lá na mata:
Este dia será quente!

Joaninha de bolinha,
Borboleta distraída,
Por trás, essa dor fininha...

Lindo dia se anuncia,
Mais um dia sem você...
Sem resposta e sem porque.

Olho o sol que se levanta,
Mais um dia sem você,
Ou será menos um dia?...

Esperança




Uma dor hipócrita acaricia-me o peito
Usando luvas de veludo e espinhos
E uma chuva ácida encharca-me o leito
Afogando-me a alma quando estou sozinho.

São meus olhos que chovem essa chuva que rói
E é em meu coração que habita essa dor.
Sou eu quem a alimento e a mantenho viva
Iludindo-me, no afã de ser meu teu amor.

E à noite os meus sonhos me fazem lembrar
Pois revejo os teus olhos, o que me prende e cativa.
Eu não posso abrir mão, não consigo matar
Essa dor-ilusão, que é a razão de minha vida.



Olhar o Mar







Ondas salgadas
Sem piedade
Quebram-se em mim...

Olhar o mar, e não pensar,
Apenas
Olhar o mar!...

Perco as pupilas
Por entre as vagas
Cheias de mim...

Olhar o mar, e não pensar,
Apenas
Olhar o mar!...

As horas passam,
O sol escalda
Os pensamentos...

Olhar o mar e não pensar,
Apenas
Olhar o mar!...

Vou pelas águas
Verdes do mar,
Só me perdendo...

Olhar o mar e não pensar,
Apenas
Olhar o mar!...


Uma gaivota
Pousam na praia,
Tuas lembranças...

Olhar o mar e não pensar,
Apenas
Olhar o mar!...

Como é difícil
Olhar as ondas
E não pensar!...

*

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma Noite Animal






Quase todas as noites, eu e meu marido saímos para dar uma volta com a nossa cadela Rottweiler, a Latifa. Ela é um doce de pessoa, digo, de cadela, mas pensa que é gente (não sei porque), e detesta outros animais; toda vez que encontramos com outros cães, gatos e até mesmo esquilos, passamos por um verdadeiro estresse a fim de controlar os impulsos assassinos da Latifa.

Na noite passada, assim que terminamos de descer a ladeirinha da nossa rua com ela, meu marido avistou um animal estranho passeando no meio da rua escura, a uma certa distância de nós. Ele apontou-me o bicho, dizendo: "O que é aquilo? Uma galinha?!" E eu, apertando os olhos para enxergar melhor: "Não... onde já se viu, uma galinha passeando à noite? É um gato!" Fomos chegando mais perto, e constatamos que tratava-se de um galo com o pescoço pelado. Parecia ter passado por poucas e boas...

Voltei e toquei a campainha de meu vizinho, pois sei que ele cria aves e outros animais. Quando minha vizinha atendeu, perguntei se alguma de suas galinhas havia escapado. Ela disse:

-Não, Ana, este galo não é meu. Quando cheguei em casa, tinha uns homens estranhos, muito esquisitos, fazendo macumba ali na esquina. Estavam com esse galo, e um deles, parecia que ia cortar o pescoço dele com uma faca. Tem até umas velas acesas ali, olhe! Pensei até em chamar a polícia, mas eles foram embora."

Olhei para o pobre galo, e vi que suas penas e pescoço brilhavam, mas não consegui perceber o motivo. Era como se ele estivesse banhado em óleo, ou algo parecido. Em seguida, minha outra vizinha, a Helaine - que adora animais e recolhe todos os que aparecem por aqui, encaminhando-os para doação - apareceu com o filho dela e um lençol, a fim de capturar o galo. Foi uma linda cena: meu marido segurando a Latifa, que queria, de qualquer maneira, pegar o galo; eu e o menino cercando a ave, e Helaine, com um lençol esticado, tentando capturá-lo. Tudo sob a luz do luar, no meio da rua.

Neste ínterim, chega em casa o marido de minha primeira vizinha, e passa por nós de carro, olhando-nos, curioso e confuso. Enquanto ele entra em casa, Latifa tem um verdadeiro piti por causa do galo, e arranja o maior escândalo no meio da rua... mas conseguimos pegar o penoso, e Helaine o enrolou no lençol, trazendo-o para mais perto  da luz de um poste. Percebemos que o coitado, além de ter tido todas as penas do pescoço arrancadas, foi completamente coberto com cera de vela quente, e sua pele está muito vermelha. Como as pessoas são cruéis! E acham que agindo assim - torturando animais - conseguirão alguma resposta positiva para suas vidas e seus problemas...

Acabada a 'festa,' vamos subindo a rua de volta para casa, e encontramos o marido de minha vizinha - a primeira mencionada -descendo a rua com seu filho. Paramos para conversar e damos boas risadas com a história do galo, e ele nos conta que estava vindo da casa  de um outro vizinho, cujo gato invadira sua sala de estar e quase comera sua calopsita. Além disso, o felino arranhara todo o seu tapete e vomitara bolas de pelo pelo chão. Graças a Deus, a calopsita foi encontrada viva e passa bem. Reclamação feita, calopsita encontrada viva, Latifa acalmada, passeio terminado e galo resgatado, fomos todos para casa.

Mas na esquina da rua, ficaram um alguidar e uma vela acesa - mas sem o galo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cancro




Eu acho
Que o nosso cancro
Vem da vida vazia
Que vamos levando,
Da mágoa calada
No peito guardada,
Qual faca afiada
Que vai nos cortando,
Daquela  palavra
Que nós não dizemos,
Da raiva aumentada
Que vai sufocando.

O nosso cancro
Vem do desencanto
De amores frustrados
Que vamos vivendo,
Das escuras ruas
Da mente e da alma
Por onde, no ontem,
Vamos nos perdendo,
Da casa fechada,
Da falta de vento,
Da dor costurada
Que nós escondemos,
Da falsa alegria
Que vamos vendendo.

Eu acho
Que o nosso cancro
Vem daquelas contas
Que nós não devemos
E vamos pagando,
Vem da gratidão
Que nós não sentimos,
Vem dos olhos cegos
Com os quais enxergamos,
Dos ouvidos surdos
Que nós educamos,
Da falta de amor
Que por nós sentimos,
De espaços vazios
Que, com qualquer coisa,
Nós vamos enchendo.

Eu acho
Que o nosso cancro
Vem das despedidas 
Que não aceitamos,
Da indiferença
Que sempre fingimos
Que não percebemos,
Da injúria gritada
Sobre a nossa face,
Da maledicência
Que nós só fingimos
Que já perdoamos,
Da fome de vida
Que na nossa lida
Só vai nos matando.

O nosso cancro
É uma resposta
A todo desgosto
Que vamos fingindo
Que vamos levando,
Ao ódio e ao medo
Que nós cultivamos,
À inveja sentida
De nós, e por nós
Qual pedras agudas
No meio da estrada
Nas quais tropeçamos.

O nosso cancro
É aquele momento
No qual estancamos
E vemos que a vida
Que estamos levando
É a boca da morte
Que está salivando,
É o vento do nada
Que está nos soprando,
É aquela palavra
Que nunca dissemos,
Aquela vontade
Que não permitimos,
E aquele sonho
Que nós nem tentamos.


E vamos fingindo,
E vamos levando,
Vamos reprimindo,
Vamos disfarçando,
Vamos nos fechando,
Vamos nos calando,
Vamos só mentindo,
Vamos aceitando,
Vamos adiando,
E nem percebemos
Que somos a vida
Que estamos matando...

*

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

GUIZOS







Penduras guizos
Aos teus sorrisos:
Profundos silêncios...

Desfolham-se as rosas
E os narcisos.

A lágrima bruta
Tal qual diamante
Não lapidado,
Teu olhar
Dilapidado
Em teu rosto cansado...

Penduras guizos
Nos cantos dos lábios,
Os lentos passos
Que não chegaram
E nem chegarão
Àqueles paços!

Te entregas ao abismo
Fugindo, sempre,
Dos meus abraços!

Caem os guizos:
Soam tristonhos
Dentro da curva
  Num chão sem passos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

PAR





Dulcíssima dupla,
Nascida em união
Metafórica e lúdica. 
Encontro de almas 
Num céu-tobogã 
De altos e baixos, 
Perdidos estavam 
Nos muitos caminhos 
Do buraco da maçã. 

Um par, que tão ímpar
Surgiu de uma bruma 
Soprada entre os dentes 
De um Deus de lunetas 
No solo tão fértil 
Da imaginação,
Mente e coração 
Frutos sem caroços, 
Sem centro, sem chão... 

Como é abominável
Toda perfeição! 
O sonho mais lindo 
E mais cintilante
Não resiste à força 
Da palma da mão, 
E morre esmagado, 
Por fim, revelado,
Trazido ao real 
É desmascarado. 

Um par tão perfeito,
E tão adorado! 
Como viverá 
Se for separado? 
As máscaras caem, 
Derretem na chuva 
Mandada do céu 
Pelo mesmo deus 
Que os havia criado... 

Não é um triste fado?

*

Cuidar da Casa e da Alma





 De vez em quando, como todos sabem, é preciso limpar a casa onde moramos. Para isso, existem vassouras, detergentes, paninhos, aspiradores, sabão e água. E se fizermos esta limpeza regularmente, ela não será tão difícil; mas quando deixamos a sujeira acumular por muito tempo, a limpeza durará muitas horas - ou dias! Vejo na TV os programas sobre os 'acumuladores de objetos,' cujas casas estão abarrotadas de coisas - as mais inúteis - até o teto, de forma que torna-se impossível limpá-las ou circular por elas. É claro, estas pessoas sofrem de problemas emocionais e psicológicos profundos, e precisam de ajuda.

Eu gostaria que houvesse um programa que mostrasse o que acontece um ano ou dois após a limpeza das casas daquelas pessoas... será que elas continuarão a manter tudo limpo e organizado, ou voltarão a acumular coisas, deixando a desordem e a sujeira se instalarem? Bem, eu acho que a maioria delas voltará ao ponto de partida, pois a sujeira e o acúmulo que elas expressam do lado de fora, em suas residências, está dentro delas. Se estas pessoas  não se tratarem, não se livrarão dela.

Assim é com as nossas almas: acumulamos sentimentos ruins, tristezas, medos, sofrimentos. Depois, ficamos tão carregados com estas coisas, que torna-se trabalhoso nos livramos delas! Daí, procuramos ajuda psicológica, terapeutas, religião, orações, aconselhamentos de amigos e familiares. Tudo isso adianta; mas se não mantivermos uma rotina diária de analisarmos nossos sentimentos e compreendermos o porquê de eles estarem ali (e não simplesmente jogá-los sob o tapete e fingir que não existem), em breve estaremos novamente deprimidos, negativos e sem vontade de viver.

Cuidar da casa e da alma: um exercício, um hábito que deveríamos cultivar sempre, e não simplesmente apenas quando a casa e a alma estiverem 'sujas.'



TRAMA








Os meus poemas
Não usam gravatas,
Polainas ou ternos,



Surgem da lama,
Eternos dilemas
Da alma insana
Que versos derrama
E até mesmo,
Às vezes,
Ama.



Os meus poemas
São de outro universo,
Avesso da trama
De um rico tecido:
Não brilham, não vencem,
Mas traçam os desenhos
E as estampas.



E de repente,
O fio arrebenta,
Cansa-se a roca
E a alma sangra.

*

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ribalta




Não sei o que rola
Nas ribaltas
Desse grande teatro...
Meu lugar é o palco,
O picadeiro,
Pois sou palhaço!

Apupos, aplausos,
Risadas e 'Ohs..'
Aprumo meus passos,
Levanto minha voz
E pinto no rosto
Uma lágrima de tinta.

Mas não sei
O que rola nas ribaltas,
Não quero saber
Das notas dissonantes
Nessa pauta!
Mantenho apenas
No canto do rosto
Lágrimas retintas...

(E no canto da boca
Um riso escondido
Pelo que se move
Nos corredores cinzas
Desse imenso circo!)


*

REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...