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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Madrugada

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Madrugada

A noite foi escura, Longa e fria, E os fantasmas arrastavam As saias brancas e úmidas Pelas gotas de neblina... Branca, branca paisagem, Translúcida de incerteza Da bruma que a tudo cobria!...
Os sonhos que eu sonhara Acordaram melancólicos, Com saudades de outro mundo... Ainda, nos meus ouvidos, Alguns ecos que sumiam, E nas linhas de minha mão As marcas de um destino Que eu nunca saberei Se foi totalmente cumprido...
Comprida noite, Onde o sonho vacilou Entre a insônia e a magia! Em uma árvore, pousada, Uma coruja aguardava O começo de outro dia, E o nascer de uma outra noite Quando, outra vez, cantaria!

A madrugada arrastava-se, Tão fria, tão fria!...



*

Estranha Asa

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Estranha asa de borboleta, Desprendeu-se do corpo, Caiu no vazio De um longo sono...
Estranha asa, leve e nacarada, Sob pálpebras fechadas Sem destino, sem sonho...
Estranha asa, que não voa Por aqui, Voa além, algures, Nos céus que não vi,
Estranha asa Esqueceu-se do pouso, E paira, dormente, Num imenso léu Insosso...
Estranha asa,  Caída num canto, A espera de um vento Que a erga de novo
E que a leve, Num infinito despertar Por dentro De um infinito sono...
*

Invenção

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Invento cores, Cheiros, sabores Invento caminhos Cheios de flores, Invento os sons Da trilha sonora Que cantam-me a vida, Invento as horas.
Demoras, atrasos, Flutuam nos rasos lagos. Esperas, anseios Tentando encontrar os meios.
Mas a mente pensa, A mente divaga, A mente desliga A mente se lava!...
Assim, eu invento As cores e tons, Os temas e sons Que espalho no ar. Assim, eu aguardo Acontecimentos Que ficam suspensos Acima, no ar.

Não Confundir...

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É importante Essencial Não confundir:
Amor / dependência Serenidade / apatia Esperança / ilusão Fé / crença Imparcialidade / indiferença.
Melhor não dissimular Justiça / conveniência Informação / especulação Boa vontade / interesse Paciência / inação.
Cada um bem sabe O que vai, o que pensa Em seu coração.
*

Sol Desse Tempo

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O sol Brilha mais forte, Às vezes, forte demais, Obriga-nos a sombra, A água, O vento...
O que quer o sol? Talvez, brandura, Nas palavras, Ações E pensamentos...

Suave...

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De repente, em meio ao desespero das dificuldades - embora as coisas não tenham, aparentemente, se modificado - comecei a sentir uma estranha paz de espírito; acho que cheguei à conclusão de que, o que não posso modificar, apesar de meus esforços, não precisa de minha interferência. 
Acredito que alguma outra Força assumiu o controle, e lutar contra ela, não seria sensato. Seja lá o que estiver para acontecer, preciso confiar na sabedoria desta Força, embora desconheça seus caminhos, e esperar... acreditar que o melhor - não o que eu acho que é o melhor, mas o que é realmente melhor, aos olhos da própria vida - há de se dar.
Esta certeza me veio de repente, quando eu estava pensativa, chorosa, brigando com a vida feito uma criança que não ganhou o brinquedo que queria, ou que não teve a festinha de aniversário que esperava. Sentada em minha rede, no jardim, senti um perfume estranho. Pode ter sido de algum vizinho que passava, mas foi exatamente naquele instante, que eu me senti mais…

Felicidades em 2013!

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Tomara que seja um ano muito bom para todos: os que gostam e os que não gostam de mim, pois como li em um post no Facebook, devemos desejar sempre a felicidade de nossos amigos e inimigos, pois gente infeliz, enche o saco.






Tomara que em 2013, quem está doente, se cure; quem está a procura de amor, o encontre; quem deseja um emprego, consiga achá-lo; quem planeja realizar um sonho, tenha forças, ajuda e empenho para consegui-lo.








Tomara que em 2013, possamos todos agir de forma diferente, para que possamos encontrar coisas diferentes diante de nós. Por exemplo, ao invés de ficarmos observando e especulando sobre a vida alheia, que tratemos melhor da nossa própria vida, de forma que não nos sobre tempo para destilar maldade quando virmos alguém que se encontre passando por dificuldades; se não pudermos estender a mão, que pelo menos nos abstenhamos de afundar, ainda mais, esta pessoa.






Que em 2013 tenhamos sempre tempo para parar e refletir sobre os bons e maus momentos de nossas vidas…

FRASE

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"Inúmeras vezes, a maldade que vemos no mundo e nas pessoas, é a que está em nossas pupilas."

O Barco

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O barco espera as águas Que o levarão... Criou raízes Que o prenderam Ao chão.
Será preciso Muita água, Muitas ondas, Maremotos Que desprendam, Soltem, Façam navegar o barco Para longe...
O barco sabe, O bardo sabe, Que nunca mais voltará. O barco quer ficar, O bardo quer partir.
*

COISAS

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Naquele canteiro, havia dálias, Bocas-de-leão, Beijos, margaridas, Misturadas aos tomates, Couves, salsas e alfaces.
Encostado, um velocípede Pintado de branco, enferrujado, Na frente, da casa, um balanço, Nos fundos, pés de frutas espalhados.
Os cães e gatos circulavam, Latas d'água pelos cantos No bambuzal, besourinhos Coloridos e listrados, Vagalumes, joaninhas, E o musgo que grudava Em volta da grutinha De onde nos olhava  Nossa Senhora.
Bolinhas de gude Amarelinhas desenhadas E a gente brincava, E como brincava!... Iam-se as horas.
As aranhas, tão temidas, Penduradas nos vãos do telhados Com suas teias sempre cheias De insetos, que eu salvava Quando dava, Quando dava...

Eu Acho...

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Eu acho que  a morte deveria ser encarada com mais naturalidade, desde que somos crianças. Acho que deveria ser matéria de currículo durante toda a vida escolar. As crianças pequenas deveriam ser convidadas a conversar sobre a morte de seus animaizinhos de estimação de uma forma natural, sem dramas, e estimuladas a dizerem como se sentem. Os professores poderiam passar por treinamento psicológico a fim de explicar a morte física, dizendo que ela acontece a tudo e a todos que estão vivos, e que é não apenas inevitável, mas também necessária.
Adolescentes deveriam ser levados em visita a hospitais, onde pudessem conversar com pacientes terminais e participar de programas voluntários. Mais do que apenas "Vovó foi para o céu" e "O cachorrinho está no sítio," deveríamos ser estimulados a conviver com a verdade da morte - não falo aqui de religião - como algo físico e inevitável, pois assim, acho que perderíamos o medo dela, e sentiríamos uma dor mais conformada quando …

MOSAICO

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Música ao vivo, bailes, balas, La Cumparsita em ritmo disco, Wando, maçãs, doeu demais, Pores de sol, finais de tarde. Boteco do seu Manoel, Bisnagas inchadas de fermento, Café com leite, 'pão de vento,' Queijo fatiado, Fanta Uva. Muitos almoços preparados, Roupa lavada, casa limpa, Pijama estampado com pintinhos, Dentes escovados, livrinhos de história. Crianças prontas, Dias das Mães Jograis, homenagens, festas na escola. Natais, as compras, os pudins, Ceias, presentes, dinheiro em falta... Vinho barato e rabanadas A mesa pronta, muitos enfeites Crianças correndo pela sala E a arvorezinha perfumada. Livros , revistas, dicionários, Enciclopédias, Inglês sem mestre, Perfumes da Avon, talco Pretty Peach, Rifas, sorteios pelo rádio. Cachorros, gatos, porquinhos da Índia, Passarinhos, Hamsters, tartarugas Repreensões, castigos, surras, Tardes brincando no Morrinho. Dias de chuva à janela De uma casinha pequenina, Bolo no forno, bolinho de chuva, Doce de abóbora e gelatina. A gel…

Minha mãe

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O destino pode ser implacável. Embora algumas pessoas acreditem apenas no livre arbítrio, e que tudo o que nos acontece é obra de nossas próprias atitudes, eu venho aprendendo que nem sempre é assim. Às vezes, apesar de tudo o que fazemos para mudar determinada situações, elas se encaminham para um certo fim, independente de nossa vontade ou de nosso esforço.
Tenho registrado meus sonhos mais significativos em um diário, no Recanto das Letras. Há alguns dias, sonhei que minha mãe se aproximava de mim com o rosto tristonho. Ela carregava uma bolsinha de papelão forrada com plástico grosso, estampada com flores cor-de-rosa, semelhante às que ela carregava quando ia viajar à praia com as amigas. Estava muito triste, e me disse que iria viajar, e que não poderia passar o natal conosco. 
Eu perguntei:
-Viajar? Mas para onde, mãe? -Viajar... eu tenho que ir. Não vou poder passar o natal com vocês.
Eu a abracei, e quando a soltei, ela chorava lágrimas de sangue. Eu disse a ela: "Não vá…

Algumas Palavras...

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Gostaria de ter tempo para percorrer todos os blogs dos quais participo, deixando em cada um deles, uma mensagem de natal, mas infelizmente, não posso. 

Apesar da época alegre e festiva que vivemos - e apesar de adorar o natal - existem coisas acontecendo que fazem com que meu tempo torne-se bastante curto e limitado neste momento.
Mas eu não poderia terminar o ano sem agradecer pelas interações e visitas aos meus blogs, o Liberdade de Expressão e o Avesso. Também agradeço aos blogs dos quais participei, entre eles, Gandavos, Quiosque do Pastel e Recanto dos Autores.
Este foi mais um ano difícil, porém, participar dos blogs deu-me novas perspectivas. Ler e escrever serviu-me não somente como distração, mas também como aprendizado.
Deixo a todos que aqui vieram, mesmo que por um breve momento, meu muito obrigada. Aos que me ajudaram a divulgar meu livro, um obrigada extra especial!
Um Feliz natal a todos, e um 2013 cheio de coisas boas, ótimas e excelentes!

Filosofia de Vida

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Minha mãe queria visitar o genro enfermo, que se encontra na UTI há vários meses. Minha irmã gostaria de poupá-la daquela tristeza, mas ela tanto insistiu, que  concordou em levá-la.
Ao chegar no hospital, as duas caminharam em silêncio pelos corredores. Diante do leito, a expressão do rosto dela era de pura tristeza. Lamentou muito o estado de como as coisas estavam se encaminhando, não só para seu genro - por quem ela nutre grande apreço e gratidão - mas também para sua filha e netos, filhos dele.
Ao saírem, minha mãe viu que o dia lá fora estava lindo: uma tarde quente, de céu azul; a vida que chamava para ser desfrutada plenamente. Um contraste entre o que acabara de ver e a paisagem que estava diante dela. Ela suspirou fundo. Minha irmã estava apreensiva. 
Finalmente, minha mãe disse: "Que tristeza..." De repente, seu rosto iluminou-se, e como quem  sabe viver, admitindo que algumas coisas não podem ser modificadas, e que por isso, ruminar pensamentos tristes sobre ela…

Após a Tempestade

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Passarinhos brincavam de capturar mosquitos e cupins, tendo como fundo, o céu cinzento e pesado. Pareciam alegres. Davam rodopios no ar, indo pousar com suas pequenas presas nos galhos das árvores, que ainda gotejavam pela chuva recém-caída. Poças no chão refletiam o céu, e o perfume da chuva, limpo e fresco, pairava no ar. 
Ficamos na varanda do hospital apreciando aquela beleza tranquila de final de tarde, o carrinho do soro nos acompanhando. Comentamos o quanto as nuvens cinzentas eram lindas. Um pombo pousou no galho mais alto da árvore em frente, e ficamos imaginando a beleza da vista da qual ele dispunha. Parecia um pombo filósofo. 
E de repente, ela agradeceu. Por simplesmente estar diante daquela beleza toda. Agradeceu em voz alta pela vida que teve, chegando a conclusão de que tinha sido boa. O que mais poderia querer? Tinha o carinho dos filhos, tinha aquela tarde. E disse que esperava poder cruzar aquele caminho entre os jardins do hospital dentro em breve, de volta para c…

O BOM E O RUIM

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É uma pena, Só te recordas daquela alma O que não foi bom,  Os momentos em que ela, Como tu, Errou, Não correspondeu, Não te serviu...
O que de bom houve, Ficou enterrado Sob camadas grossas De ressentimentos E de pura e cristalina Ingratidão.
É uma pena, de verdade, Que tu só tenhas Para jogar naquele esquife, As flores da maldade, Da intolerância e da impaciência, Como se, por toda a vida, Toda a existência Só o ruim tivesse havido!...
Já não te lembras Das noites e conversas Ao pé da cama? Das muitas vezes Em que ela segurou-te a cabeça Enquanto vertias vômito Na tua doença? Do quanto ela lutou, e fez de tudo Para que tivesses, ao menos, Uma boa escola, Uma boa vida?
Ainda há tempo Mesmo que pouco De repensar o destempero, De perdoar e de pedir perdão...
Não deixe que o sono chegue, não deixe, Sem que a paz o recolha,  Fechando as pálpebras! Aquilo que tanto desprezas, Nada mais é que o medo do amanhã, Do teu próprio amanhã... Não existem culpas ou culpados Quando um olhar, apenas…

A Lágrima Tríplice

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A cada lágrima, seu lenço. Mas há uma que pende E engorda, e cai, E volta a formar-se Sem descanso.
Lágrima tríplice, Aquela que nasce Não nos olhos, Mas nos glóbulos, Decanta-se do vermelho E torna-se puro cristal Que nunca, nunca Pára de formar-se Na fonte dos olhos.

O Último Natal

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O ÚLTIMO NATAL



Para muitos de nós, este será o último natal. Aposto que ninguém aprecia esta ideia, mas é a mais pura verdade. Quais de nós estaremos aqui, no ano que vem? Este é um mistério, uma pergunta sem resposta. E cada vez mais, vão sobrando lugares à mesa no dia 25 de dezembro. 

Se você tem toda a sua família à volta da mesa, sinta-se feliz e agradecido! Aproveite bem cada momento, e na noite de natal, olhe bem para cada rosto, desfrute cada sorriso, valorize cada momento. Um dia, tudo será diferente. A vida é movimento constante, e algumas vezes, nos vemos à mercê destes movimentos, como barcos sem remos e sem leme. 
Sempre achei e morrerei achando que, as pessoas que deveriam ser mais consideradas por todos nós, são as da nossa família, e mesmo que a convivência seja difícil, sempre será possível quando soubermos respeitar o jeito de ser de cada um, seu direito de ter opiniões, seu espaço. Saber conviver é uma arte, e impormos a nossa vontade sobre os outros, esperando que…

Reflexões Irrefletidas

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Algumas perguntas  tem me martelado a cabeça ultimamente. Uma delas:
-O que é 'destino?' Por que será que muitas vezes nos empenhamos ardentemente para atingir um objetivo que é justo e não-egoísta, em prol do bem estar de outras pessoas, e mesmo assim, não conseguimos bom resultado?
Tentar sanar o sofrimento alheio e não conseguir: qual a mensagem que existe nisto? Por que pessoas boas sofrem? Eu às vezes penso que Deus retirou-se. Simplesmente, cansou-se de nossas mazelas, e hoje, observa-nos, em nossas tentativas de tentar agir e resolver nossos problemas sem a sua ajuda.
Talvez Ele seja mesmo um bom pai, e saiba que para serem fortes, seus filhos precisam aprender a agir sozinhos. Pelo menos, é a única conclusão a que eu consigo chegar.
Vivemos tempos estranhos. Tudo parece perder o sentido quando vemos nossos objetivos esfacelando-se no chão, sem força, sem propósito e sem respostas. O mundo encontra-se em um imenso turbilhão, e é difícil enxergar através dele.
Sei que n…

CONTOS

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Mergulho feliz No livro de contos, Nas histórias que falam De reformas de casas, Grandes amores, Desencontros.
O mundo subtrai-se, A realidade Mascara-se de sono E tranquilidade.
Entre as camas, Arrastam-se dores, Medos E saudades.

LUZ

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Raia, dia! Inunda de luz Este quarto, Leva embora para longe (E para sempre) Esse estado de coisas, Esse fado!
Se é fato consumado, Consumido está O fato! Raia, dia! Raios o partam!

AQUI - Enfermaria II

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Aqui, Feliz é quem dorme Desfrutando o dom Do esquecimento, Subtraindo-se, assim, Ao sofrimento, À dor das fraturas!
Aqui, A esperança, A hora feliz, Descansa na espera Da xícara de café De manhãzinha, E na pílula do esquecimento, Quando a noite chega. Riso, um luxo, Felicidade? Mal-vista... Alegria? Mal-vinda.

DEMORA

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Driblo a madrugada Com saudades do dia Através das palavras, Das frases que deito Tentando arrancar poesia Do sofrimento.
Pela janela, lá no céu, Há uma estranha estrela Que, desesperadamente,  Brilha.
Irônica beleza.
A brisa fresca Faz dançar a copa Da mangueira, E me faz pensar No quanto tudo é breve, Mas demora...

ENFERMARIA

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Em volta, Ossos quebrados, Sonhos quebrados E interrompidos, Gemidos de dor.
Uma longa  e dorida espera, Que, todos os dias,  Tenta virar esperança Ou desespero, Metamorfoseando-se Conforme nasce e morre Cada dia.
À noite, a dor desperta, E eles anseiam pela resposta Às preces não ouvidas Dirigidas a deuses egoístas.
A senhorinha reclama, Sente saudades de casa, Dos cães, das panelas, Dos canteiros de ervas Por ela plantadas... O filho anda longe, Não tem tempo, Deixou todo o tempo que tinha Naquela cama, com ela, E o tempo ficou, não passa...
A outra, aguarda Há dois meses, por uma cirurgia, Enquanto quem deveria Providenciá-la com urgência, Conta a maldade nas notas que desviou. Para cada nota, um milênio Que com certeza, tal pessoa Há de passar no inferno.
E o inferno é aqui, Onde jazem, imóveis, Por dias, por meses, Enquanto os ossos soldam-se tortos...
Paraíso? Distante! Palavra vaga e fria, Rolando nas pupilas  De cada paciente Da enfermaria.

COTIDIANO

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Viver cada momento Com a força de um furacão E a suavidade de um ameno vento, Guardar bem, na memória, Cada vislumbre Da mais fugaz alegria, Como a mesa de um café No começo do dia, A despedida, no portão, A paisagem que passa E nos ultrapassa Pela janela do coletivo.
Valorizar um bolo Com velinhas espetadas E um despretensioso 'Parabéns a você,' Amar a rotina, Aproveitando bem Enquanto tudo vai bem, E a morte anda longe, Em algum lugar no futuro...
Assistir à novela, E ao telejornal Deixando a surpresa E a curiosidade, E a indignação Conduzir-nos ao final De cada história mostrada,
Com a certeza De que o final muda sempre Durante o percurso:  Basta uma morte, Ou um golpe de sorte, Ou o bater das asas De uma desconhecida borboleta.
Encher-se de alegria, Da simples alegria De estar vivo, E ter amigos, e ter família!
Amanhã, Tudo será diferente, Pode haver perdas, Pode haver dor, E aqueles a quem amamos Podem sumir, de repente, Deixando um vazio Que nada jamais preenche.
E lá n…

PONTO FINAL

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Não se chega a nenhum lugar Quando não há lugar algum Aonde se possa chegar.
Pontos de interrogação Pontuam toda uma vida, Vírgulas, tremas, parágrafos, Mas nenhum final.
Pois a vida só é vida Quando há mistério, Quando é preciso Pegar nos remos, Fazer escolhas, Cometer erros.
Uma viagem sem destino, Mas levaremos conosco Cada um, as suas linhas, Vários itinerários, Mas nenhum condutor Além de nós mesmos.

SEREIAS

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"As sereias tem algo mais mortífero que sua canção: seu silêncio." - Kafka
SEREIAS

Prefiro ouvir as sereias A perder-me no silêncio Que se esconde sob as ondas.
Pois mais letal que a ilusão, É o vazio de si mesmo, É uma alma a sossobrar.
E mesmo que, porventura, Esse canto me inebrie Me levando para o fundo,
Sufocarei com prazer, Pois saberei conhecer A verdade sobre o mundo.

Dimensão

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Para uma só flor, Um pequeno vaso, Para um cansaço, Uma  cadeira,  Um abraço, Para o bom lápis, Basta um só traço.
Uma palavra Para ouvidos bons, Uma candeia Para um alpendre, Uma só noite Até o raiar De um novo dia.
A cada coisa, O seu dia, Sua dimensão, Um único passo Atrás de outro passo Para uma estrada Longa e escura.
A cada vez, Um lado da lua, Para um mistério, Uma resposta Que flutua, Ao alcance De uma só mão (Ou não).
A cada dia, O seu mister, Ao prato cheio, Uma colher De cada vez, Bem devagar, Bem mastigada E engolida Até que a vida...

Não te Escondas!

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Não te escondas Por trás da pétala, Atrás do frágil, Enfrenta os tons Que tu escolheste, Que tu pintaste!
Não uses nunca Uma alma frágil Como uma arma, Como vingança, Intransigência!
Cabeça falha, A alma paga, O corpo paga, O amor paga!...
Não percas nunca  O que te resta De compreensão, De piedade, Boa vontade!
Na tua terra  Palavra é pedra, E o papel Vale bem mais Que o amor, Que a amizade...
É impossível Chegar a acordos Com gente dura De coração, Gente indigente, Gente covarde!